sábado, 15 de novembro de 2014

Tentações: razões, fases, modos de vencê-las

 

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave-Maria…
No Santo Evangelho vemos o demônio tentando Nosso Senhor Jesus Cristo. São Tomás diz que Nosso Senhor quis ser tentado por quatro razões.

1-Primeiramente, para nos auxiliar contra as tentações, isto é, para vencer as nossas tentações pelas suas, assim como venceu a nossa morte pela sua morte.

2-Em segundo lugar, Ele quis ser tentado para que ninguém pense que está imune das tentações, por mais santo que seja.

3-Terceiro, para nos dar o exemplo de como vencer as tentações.

4-Quarto, para que tenhamos confiança em sua misericórdia, pois temos um Salvador semelhante a nós em tudo, salvo no pecado.

É preciso ter claro, porém, que a tentação de Cristo no deserto é bem diferente da nossa. Quando somos tentados, inclinamo-nos e somos, em maior ou menor medida, atraídos ao mal e temos que combater essa inclinação, às vezes com grande dificuldade. Em Cristo, não houve nada disso, não houve qualquer conflito interno nem qualquer inclinação ao mal, por menor que seja. Para Cristo, as tentações que lemos hoje no Evangelho, eram puramente exteriores, pois do contrário haveria o início de uma desordem moral em Cristo, o que não pode ser admitido sem blasfêmia.
Convém, então, conhecermos o processo da tentação, para não confundi-la com o pecado. A tentação não é, em si, um pecado.
Nós vemos hoje, então, o demônio em seu ofício próprio, que é o de tentar, como nos diz São Tomás. Todavia, nem todas as tentações vêm do demônio. São Tiago no diz expressamente que “cada um é tentado por suas próprias concupiscências, que atraem e seduzem.” (Tiago I, 14). E também é evidente que outros homens podem nos tentar, nos incitar ao pecado pelo mau exemplo, por mau conselho, mandando, louvando o pecado, participando, ou então, não nos avisando, não impedindo, não denunciando o pecado quando podem e devem fazê-lo. A tentação pode ocorrer de dois modos distintos. O primeiro modo por persuasão interna, ou seja, pela imaginação, pela provocação de sentimentos desordenados ou de paixões desordenadas, a fim de obscurecer nosso entendimento e arrastar nossa vontade. O segundo modo é pela proposição externa do objeto desordenado que atrai nossas paixões, nosso entendimento ou nossa vontade.

Para evitar a confusão entre a tentação e o pecado, é preciso distinguir três fases na tentação.
A primeira fase da tentação é a sugestão. A sugestão é a representação do pecado na imaginação ou na inteligência. Portanto, o pecado aparece em nossa imaginação ou em nossa inteligência. Essa mera representação ou aparição involuntárias – por piores que sejam e por mais duradouras que sejam – não constituem ainda pecado, se nossa vontade não consente. Evidentemente, devemos rechaçar essa sugestão assim que percebemos a sua maldade. Se a vontade não trabalha para afastar essa sugestão, nos expomos ao subsequente consentimento. Portanto, a negligência em não afastar essa sugestão ou representação é um pecado venial, sobretudo se a tentação é forte. Se eu desejo pensar em algo ruim ou imaginar algo ruim, já temos aí, evidentemente, um pecado, pois se trata de um ato plenamente voluntário. Eis a primeira fase: a sugestão, a imaginação ou o pensamento ruim involuntários.
A segunda fase da tentação é a deleitação não deliberada ou o sentir involuntário. Com frequência, a simples sugestão involuntária de que falamos acima gera certa deleitação ou uma sensação. Também aqui não há pecado, se essa sensação não é querida, se ela não é desejada nem permitida pela vontade. Essa sensação espontânea não é um ato voluntário e não pode, então, ser um pecado. Sentir não é consentir. E o pecado está somente no consentir. Então, se, ao contrário, consentimos nessa deleitação, nessa sensação agradável que nos traz a sugestão do pecado, cometemos aí sim uma ofensa a Deus.
A terceira fase do tentação é o consentimento da vontade. Se depois da sugestão e dessa deleitação ou sensação involuntárias, a vontade rechaça ambas as coisas, não há aí pecado algum. O pecado só existe quando admitimos ou aprovamos a má sugestão ou a deleitação desordenada. O pecado só vem com o consentimento da vontade. É preciso ter bem claras essas três fases e ter em mente que o pecado só vem com o consentimento.

Muitas vezes, é difícil discernir se houve ou não consentimento. Há algumas regras para nos ajudar a saber se houve ou não consentimento. Assim, se se trata de uma pessoa de consciência reta que não costuma cair com frequência em pecado, a presunção de que não houve consentimento ou de que o consentimento foi imperfeito está a seu favor. Se se trata, ao contrário, de pessoa que tem a consciência larga e que costuma ceder com frequência às tentações, a presunção é de que houve consentimento. Se a pessoa lutou durante todo o período da tentação, rechaçando-a repetidas vezes, é provável que não tenha consentido ou ao menos que não tenha consentido plenamente. Da mesma forma, em geral, se a pessoa podia cometer facilmente um pecado externo correspondente à tentação e não o cometeu, há indícios fortes de que não houve pleno consentimento. Em caso de dúvida séria se consentimos ou não, devemos fazer um ato de contrição e nos acusar dessa falta como duvidosa na confissão.

Para vencer as tentações é preciso, igualmente, distinguir três fases.
A primeira fase antecede a tentação. Ela consiste em vigiar e orar. Nosso Senhor mesmo o diz: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt XXVI, 41). É preciso, portanto, ter uma vida de oração sólida, com as orações da manhã e da noite, com o Santo Terço, com jaculatórias. Recorrer a Nossa Senhora e ao Anjo da Guarda. É preciso vigiar, fugindo das ocasiões de pecado, evitando a ociosidade, combatendo o defeito dominante, mortificando os sentidos, sobretudo os olhos. Nosso Senhor nos dá o exemplo: no deserto, ele passou quarenta dias rezando, meditando e mortificando-se, sem ociosidade, sem colocar-se em ocasião de pecado, etc…
A segunda fase do combate à tentação é durante a própria tentação. É preciso resistir à tentação assim que ela surge, isto é, quando ela inda é fraca e fácil de ser vencida. Não agir logo contra a tentação, sobretudo em matéria de fé e pureza, é um pecado venial de negligência e de exposição ao pecado, pois se deixamos a imaginação ou o pensamento permanecerem, passaremos à deleitação involuntária e dessa deleitação temos um grande risco de passar ao consentimento. Nosso Senhor nos dá o exemplo. Ao contrário de Adão e Eva que pararam para pensar no que estava dizendo o demônio e terminaram consentindo, Cristo reage imediatamente, citando a Revelação. É preciso, assim, resistir à tentação seja diretamente, seja indiretamente. Resistir diretamente à tentação é fazer ou pensar o contrário daquilo que é sugerido pela tentação. Se a tentação consiste em falar mal de alguém sem necessidade, devemos procurar falar bem daquela pessoa, de suas qualidades. Se a tentação é de suprimir uma oração ou encurtá-la, devemos prolongá-la. Se a tentação é de irar-se sem causa ou de forma desproporcional, devemos agir com muita medida, etc. Resistir indiretamente consiste em não enfrentar a tentação, mas afastar-se dela, aplicando nossa imaginação e nossa inteligência em algo bom, lícito, que possa absorver nossas faculdades. Em tentações contra a fé e a castidade, devemos aplicar sempre a resistência indireta, pois nesses casos, a luta direta pode aumentar a tentação, dado o perigo e a sinuosidade da questão. Em matéria de fé e castidade, em particular, devemos aplicar as nossas faculdades, sobretudo a memória e a imaginação, a uma atividade que as absorva e devemos fazer isso rápida e energeticamente, mas também com grande serenidade e calma. Por exemplo, podemos considerar todos os Estados do país e suas capitais, como diz um autor espiritual.
A tentação pode persistir, apesar de a rechaçarmos empregando os devidos meios. Se a tentação persiste, não devemos desanimar, não devemos perder a coragem. Será necessário repetir mil vezes o repúdio à tentação com serenidade e paz, evitando cuidadosamente o nervosismo, a perturbação e certo desespero, que seriam já um início de vitória do inimigo. Nosso Senhor dá mais uma vez o exemplo: Ele reage imediatamente à tentação e com vigor, mas com serenidade e calma. Cada ato de repulsa à tentação será um mérito adquirido diante de Deus e um novo fortalecimento para a alma. A tentação contínua, quando é igualmente rechaçada continuamente, aproxima a alma de Deus. Quando as tentações são contínuas, convém manifestá-las ao confessor, pois uma tentação declarada ao confessor é uma tentação semi-vencida já. O confessor poderá também dar conselhos mais precisos para evitar as tentações e combatê-las melhor. Claro, podemos pedir a Deus que nos livre dessas tentações, como fez São Paulo, sabendo, porém, que Deus pode continuar a permiti-las, justamente, para que possamos continuar a progredir humildemente, como ele fez com o mesmo Apóstolo. No Pai Nosso, não pedimos a Deus que nos livre da tentação, pedimos a Deus que não nos deixe cair nas tentações e que nos livre do mal, que é, antes de tudo, o pecado.
A terceira fase do combate às tentações é depois delas. A alma deve agradecer a Deus humildemente, se saiu vitoriosa do combate. Deve arrepender-se imediatamente, se teve a desventura de sucumbir, e procurar a confissão, se se trata de pecado grave. A alma deve aproveitar a lição da queda para os combates futuros.

Devemos nos lembrar, caros católicos, que as tentações sempre existirão. Elas só cessarão no céu. Diz a Sagrada Escritura: “Filho, vindo para servir ao Senhor, (…) prepara a tua alma para a tentação.” Em geral, quando tomamos a decisão de servir bem a Deus, somos mais tentados. E isso é bem normal. Quando estamos distantes de Deus, caminhamos sozinhos para o mal, não precisamos ser induzidos por alguém nem provocados ao erro. Quando a pessoa está distante de Deus já são tantos os perigos e as ocasiões de queda a que ela se expõe que o demônio nem precisa tentá-la, praticamente.
Eis, então, o combate contra a tentação, tentação que não é, em si, um pecado.
Aproveito também para tratar dos chamados pecados internos, para os quais muitas pessoas dão pouca importância ou automaticamente consideram como pecado venial, desde que não haja nenhum ato externo. Ora, o pecado é essencialmente algo interno, que está na vontade. Portanto, para que haja pecado não é necessário passar ao ato externo. Basta considerarmos o nono e o décimo mandamentos: não cobiçar a mulher do próximo e não cobiçar as coisas alheias são pecados puramente internos. Assim, um pecado puramente interno tem a mesma gravidade essencial que o ato externo. Claro, o ato externo aumenta a malícia do ato interno em virtude da maior intensidade da vontade requerida para passar ao ato exterior, pela maior duração do ato interno, que se prolonga durante toda a execução exterior e pela eventual multiplicação dos atos interiores quando da execução exterior. Além disso, os atos externos podem ter outras consequências: o escândalo, a destruição dos bens do próximo e a consequente obrigação de restituir, por exemplo. Mas, essencialmente, o pecado interno tem a mesma gravidade que o ato externo, pois o ato externo é simples prolongamento do pecado interno. Por isso, Nosso Senhor diz: “todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.” (Mt V, 28). Portanto, se o ato externo é pecado mortal, o pecado puramente interno também será, se há a plena advertência e o pleno consentimento necessários para que haja pecado grave.

Os pecados internos podem ser de três tipos.
O primeiro tipo de pecado interno chama-se deleitação morosa, que é regozijar-se na representação do pecado, como se ele estivesse sendo realizado, mas sem a intenção de realizá-lo exteriormente. Se alguém se regozija, com plena advertência e consentimento, no pensamento de assassinar outra pessoa, por exemplo, comete homicídio em seu coração, um pecado gravíssimo, por mais que não tenha a intenção de passar ao ato externo.
O segundo tipo de pecado interno é o mau desejo, que ocorre quando a pessoa tem a intenção de executar o pecado quando for possível. Ainda que não consiga executá-lo, o pecado interno já está cometido com a mesma gravidade essencial do pecado externo. Com o mesmo exemplo, alguém que tem a intenção de matar outra pessoa, mas não consegue fazê-lo por que a polícia passou na hora, cometeu homicídio em seu coração.
O terceiro e último tipo de pecado interno é a alegria pecaminosa, isto é, a alegria ou deleitação voluntárias com uma ação pecaminosa passada feita pela própria pessoa ou por outra. Aquele que, depois de ter matado alguém injustamente, se alegra de tê-lo matado, comete novamente homicídio em seu coração com a mesma gravidade essencial do homicídio propriamente dito.

Portanto, os pecados internos não são sem
importância, eles não são automaticamente veniais. Os pecados internos têm a mesma gravidade essencial do ato externo.
Sigamos o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, caros católicos: Adoremos ao Senhor e sirvamos a Ele somente, combatendo as tentações e evitando todo pecado.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Amém.

OUÇAM ESSE PEQUENO SERMÃO DO GRANDE SANTO DA IGREJA SÃO JOÃO MARIA VIANNEY(O CURA D'ARS) NARRADO NA VOZ DE URBANO MEDEIROS


 OREMOS IRMÃOS

 "Mãe querida, acolhe-me em teu regaço, cobre-me com teu manto protetor e, com esse doce carinho que tens por teus filhos afasta de minhas ciladas do inimigo, e intercede intensamente para impedir que suas astúcias me façam cair. A Ti me confio e em Tua intercessão espero. Amém!"

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A alegria de ser católico


Vivemos num tempo em que as pessoas estão em busca de sentido para suas vidas, e a procura por uma espiritualidade se tornou parte da vida da grande maioria. O mundo anseia por respostas; e mais, por um Alguém maior que rege e sustenta todas as coisas. O mundo sente a falta de Deus. Todos querem a Deus. O problema é que muitos se perdem nessa busca, e acabam por ir atrás de ideias sobre Deus, sobre a “divindade”, sobre “espíritos de luz”; buscam soluções para problemas, satisfação própria, filosofias que prometem paz, equilíbrio, etc… Procura-se muitas coisas e muitas “fórmulas de felicidade”, mas Deus, por Ele mesmo, são poucos os que se dispõem a buscar. Hoje se tem católico budista, espírita hinduísta, pai de santo evangélico, se vê de tudo. Essa confusão de fé revela a dificuldade do homem de se firmar numa identidade religiosa sólida. Entre os católicos encontramos muitos que não sabem o que são, o que querem, o que buscam. Dizem: “sou católico”, ou pior, “católico não praticante”. Isso não existe. Ou é ou não é! Isso é consequência de uma falta de compromisso com o sagrado, falta de responsabilidade pela fé que professamos, e numa análise mais profunda e sincera, é falta de amor. Ninguém ama o que não conhece ou não busca conhecer. E, quando ama, não ama mais ou menos, mas ama de verdade.
Já faz algum tempo que venho louvando a Deus por ser católico. Inúmeras vezes eu disse a Jesus, do fundo do meu coração, “Senhor, eu sou muito feliz por ser católico!” É um pouco dessa minha alegria e satisfação que quero partilhar com vocês. Como muitos, eu também já me perdi em mil caminhos. Por isso, toda essa alegria e felicidade que hoje declaro, são autênticas, vêm da minha experiência pessoal com a fé e a doutrina da Igreja Católica. Eu busquei conhecer, encontrei o que procurava e, por isso, hoje eu amo minha Igreja. Pela Igreja eu me uno ao Deus que meu coração tanto deseja e busca, reconheço-O como Pai, pois Ele me reconhece como filho em Cristo, e, no seu Espírito de Amor, eu me uno aos irmãos. Minha alegria é completa.
Minha alma se eleva quando paro pra pensar que nossa Igreja nasceu do próprio Cristo, do seu amor, do seu convívio simples e íntimo com sua família, seus parentes e amigos, e com seus discípulos. A Igreja foi formada nas palavras e gestos de amor de Jesus. Onde está Cristo, aí está a Igreja. Então, penso que a simples casa de Nazaré já era nossa Igreja, bem no comecinho; Jesus, Maria e José numa comunhão de amor humano e divino. Não é essa a essência de toda a mensagem de Cristo: amor a Deus e ao próximo? O que fez Jesus, senão amar e ensinar a amar? Foi o que fez durante toda a Sua vida, com todos que conviveu. Jesus veio chamar, congregar, reunir todas as ovelhas, todos os povos, todas as gentes numa só família, nesta grande família que é a Igreja, e que é “católica”, porque é “universal”. Ela abarca  todos aqueles por quem Cristo se entregou, ou seja, toda a raça humana.
Contemplo Jesus na cruz, olho para seu lado aberto e sei que dali veio nosso banho de salvação. Do lado aberto de Cristo jorrou sangue e água. O sangue que foi o preço da nossa salvação, e a água que veio nos lavar e nos marcar com um novo e definitivo batismo. Somos filhos de Deus. “A todos aqueles que receberam sua Palavra e creem em seu Nome, a eles deu o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem do impulso da carne, nem do desejo do homem, mas nasceram de Deus” (Jo 1, 12-13). Que sacramento lindo é o Batismo. O próprio Espírito Santo nos sela, nos marca, e a partir de então, o próprio Pai contempla em nós o Filho, e diz, amorosamente, para nós e sobre nós: “Eis o meu filho muito amado, em quem eu ponho todo o meu bem querer” (Mc 1, 11).
A Eucaristia é o ponto máximo e sublime em que toda minha fé se concentra, e é desse Mistério de Amor que a mesma fé, que às vezes fraqueja, se alimenta e refaz. É tão bom crer no Santíssimo Sacramento! É tão bom ter a certeza, bem firme no coração, de que Jesus está ali, diante dos meus olhos nas espécies de pão e vinho. Quem explica o mistério? Quem explica o amor? Quem explica Deus? A razão se dobra humilde e reverente. Como é bom adorar Jesus nesse sublime mistério! Por amor a nós, Deus se dá como alimento, porque quer assim, e Ele pode tudo! Na hóstia consagrada está Jesus vivo. Ela é Jesus vivo, ressuscitado, em seu corpo, sangue, alma e divindade. Nosso Amado cumpre a promessa de que permaneceria conosco até o fim do mundo.
A celebração eucarística, ou seja, a Santa Missa é algo que só quem busca de verdade viver esse mistério sabe entender o que estou tentando dizer. O diálogo litúrgico entre Deus e nós, Deus que nos reúne no amor de Cristo, o Pai misericordioso que nos perdoa as faltas, as orações de súplica e de louvor, as leituras das Sagradas Escrituras, os salmos e cânticos inspirados, o Evangelho, que é o próprio Cristo falando conosco, a comunhão fraterna, a comunhão eucarística, as bênçãos que recebemos, tudo isso é maravilhoso e envolvente para quem se deixa envolver. Mas nada se compara ao misterioso milagre que acontece em cada missa sobre o altar. O altar se torna o próprio Calvário, e ali Jesus se imola como Cordeiro para nossa salvação. Não “de novo”, mas atualizando, tornado presente o que já foi realizado de uma vez por todas. Seu sacrifício de amor por nós é eterno, definitivo, sem fim; é hoje e para sempre. Deus não cessa de repetir o “Eu te amo!” manifestado na cruz. Ele continua fiel, juntamente com o Filho e o Espírito em Sua decisão irrevogável de vir até nós e nos salvar. É realmente “loucura e escândalo”. Uma loucura e um escândalo de Amor.
Outro ato amoroso de Deus por nós, que manifesta sua infinita misericórdia e bondade é o sacramento da reconciliação, a “confissão”. Como é bom receber o perdão dos pecados! Como é bom saber que Jesus mesmo quis dar esse poder aos apóstolos, e esse carisma foi sendo transmitido através dos tempos a muitos outros sucessores, e hoje, quando um sacerdote, frágil criatura como eu, mas ungido pela graça do Espírito Santo, diz a fórmula da absolvição, todos os meus pecados confessados são, de fato, perdoados por Deus, e ninguém pode mudar isso. Eu me sinto tão bem depois de confessar meus pecados ao padre! Na pessoa dele, independente de sua índole, naquele momento é Cristo quem me absolve e me despede em paz. É bom que seja assim, pois eu não poderia simplesmente me confessar diretamente com Deus. Isso eu faço, pois Ele sonda os corações. Mas eu preciso me “humilhar” diante de um semelhante, pois isso vai me curando do meu pecado, sobretudo do pior deles, que é o orgulho. E além do perdão das culpas, Deus, através da Igreja, nos concede inúmeras indulgências quanto às penas temporais que esses pecados nos acarretaram. A misericórdia de Deus é admirável!

Sou feliz por fazer parte de uma Igreja que se une aos que já partiram desta vida num intercâmbio de orações, graças e muitos milagres. Essa unidade se chama Comunhão dos Santos. Nós cremos que aqueles que a Igreja proclama Santos são pessoas como nós, pecadores e frágeis, mas que descobriram o verdadeiro sentido de sua existência em Deus e, a partir de então, fizeram tudo o que estava ao seu alcance para viverem conforme o Evangelho. Foram pessoas que se deixaram transformar pela graça santificante, mortificando suas paixões, vícios, tendências e pecados. Pessoas que deixaram com que o amor de Deus as possuísse por completo, a tal ponto que nada mais importava, senão ser reflexo límpido desse amor. São vencedores, os que combateram o bom combate, e que estão na eternidade vibrando, torcendo, rezando e intercedendo por nós. E é claro que essa intercessão não é estéril; pelo contrário, ela é eficaz. Eu posso testemunhar muitas graças pessoais e de outras pessoas que receberam graças pela intercessão dos Santos. É Deus, sim, quem realiza os milagres, mas Ele age por seus servos fiéis.
Outro benefício da Comunhão dos Santos é a riqueza espiritual que todos nos deixaram. A Igreja é riquíssima de exemplos de vidas santas, de doutrinas espirituais, de ensinamentos, cartas, relatos, méritos, testemunhos que esses Santos nos deram. Temos uma lista vasta de Santos Mártires, que lá no começo da vida da Igreja derramaram seu sangue por amor a Cristo. Temos os Pais do Deserto, homens e mulheres que, já nos primeiros séculos, se retiravam para o deserto para viverem uma vida de solidão, dedicação total e contemplação de Deus. Temos Santos atuais, como o Beato João Paulo II, Beata Teresa de Calcutá, S. Pio de Pietrelcina, S. Giana Bereta Molla (esposa e mãe), e outros, que são pessoas que nós vimos agir pelo bem da humanidade. São pessoas que fizeram a diferença num mundo tão egoísta, onde o que comanda é o prazer, a riqueza e o poder. Quem ousa negar a santidade dessas pessoas? E se não são santos, que outro nome poderíamos dar a eles? Existe algum título que melhor lhes cabe? São santos, pois viveram uma vida santa. Eles nos ensinam que a santidade está ao alcance de todos. É um dom do Alto, mas que Deus deseja dá-lo a todos que, de fato, se abrirem ao Espírito. A Igreja, o mundo, mais do que nunca, precisa de santos! O chamado à santidade é para todos. Tenho certeza de que todos nós conhecemos muitos santos, pessoas que não estão nos altares, mas sabemos que foram santas pela maneira que viveram e que hoje já estão na eterna bem-aventurança. A Igreja coloca alguns em destaque para serem luz, para nos ajudar e animar a viver melhor o Evangelho, e a chegarmos lá. Eu sei que preciso, e gosto, de contar com a intercessão dos Santos, especialmente de São José.


Um dia, ouvi um comentário muito infeliz sobre a Igreja Católica, um comentário maldoso, irônico, cheio de julgamento e crítica. Meu primeiro impulso foi revidar, discutir, defender minha Igreja. Mas na hora algo me calou. Senti muito forte a presença de Jesus ali comigo, e Ele estava em silêncio. Nessa hora eu senti uma segurança tão grande. Era como se Jesus dissesse ao meu coração: “Não precisa me defender. Quando eu fui ultrajado, caluniado, ofendido, eu me calei. Meu silêncio vinha da minha convicção de quem Eu sou e de quem é o Pai para mim. O seu silêncio deve vir da sua convicção de que a Igreja é o meu Corpo Místico, e do que ela é para você. Se ela é atacada, ferida, ofendida, não é revidando que você mostrará que me ama, mas redobrando a sua fé em meu Nome e Seu amor por minha Igreja”. Desse dia em diante eu passei a amar mais minha Igreja. E quanto mais eu busco conhecê-la, aprofundar em suas riquezas, mais eu me apaixono e quero amar. Eu me sinto filho da Igreja, pois é isto o que ela é: Mãe. A Igreja é mãe zelosa e amorosa. É mãe misericordiosa que sabe acolher pecadores e transformá-los em santos. Os que amam são transformados diariamente por inúmeras graças. Aqueles que não amam, perdem tempo, perdem a chance de serem mais felizes, perdem a paz que ela proporciona, perdem a fé, abandonam o lar, saem à procura do que já possuíam mas não valorizavam. Essa Mãe Igreja está sempre de braços abertos para acolher os filhos que chegam e aqueles que retornam. Eu sou um filho que voltou para casa. A Mãe Igreja me abraçou, e eu a amo. Encontrei meu lugar. Estou em casa!


Falando em “mãe”, nossa Igreja tem uma Mãe. Maria é a Mãe da Igreja, pois é a Mãe de Cristo. O próprio Jesus, depois de nos ter dado o Seu Corpo e Sangue, depois de nos ter deixado suas palavras e ensinamentos, quis nos deixar mais uma riqueza indispensável para a vida da Igreja, Ele nos deu Sua Mãe, e nos deu a ela. “Mãe, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19,27). Eu não hesito em declarar minha devoção, minha veneração e meu amor por Maria. Ela é minha mãe. Eu a amo, e sei de seu amor por mim e por todos nós. O único desejo de Maria é nos unir a Jesus, ao Pai e ao Espírito. Ela mesma é toda unida à Trindade. Nela encontro força, consolo, amparo, conselho. Ela me faz ver Jesus quando meus olhos se turvam. O próprio Filho encontrava em sua Mãe essa fortaleza, então por que eu, tão miserável, pecador, frágil, necessitado de amparo não buscaria nela meu abrigo? Nem penso em defender a fé em Maria usando discursos teológicos e doutrinais. Eu simplesmente digo que a amo, que é muito bom amá-la, que eu a tenho sempre ao meu lado, em meu coração, em meus pensamentos, em minha boca, em minhas orações, e sei que ela me tem guardado em seu coração terno e amoroso. Como eu sei disso? Como eu provo isso? Não sei. Apenas não tenho medo de proclamar Maria como minha Rainha, minha Mãe, minha Dona. Esse amor que tenho por ela vem do Espírito Santo, pois eu não me fechei a essa graça. Eu busco sempre estar com Maria, pois ela está sempre onde Jesus está. Ela me defende das tentações, pois o diabo, que rodeia sempre, sabe quem é essa Mulher que pisa sobre a cabeça da serpente. É claro que ele ganha a muitos fazendo-os afastarem-se de Maria Santíssima. Um dia, posso testemunhar, eu quase me perdi de Deus. Eu mesmo virei às costas para Ele, e foi Maria quem me encontrou quase morto e me trouxe de volta para os braços do Pai. Eu não vivo sem Maria. E não consigo imaginar a Igreja sem Maria; seria como pensar em Jesus sem Sua Mãe. Sou feliz com ela. Sou feliz rezando meu terço diário, me unindo a ela em orações e súplicas pelo mundo todo. Maria faz minha fé, minha alegria de ser católico ser completa.


É impossível dizer todos os motivos que tenho para louvar a Deus por minha alegria de ser católico. A cada dia essa alegria cresce. Há muitas maravilhas a serem proclamadas. Eu apenas quis partilhar um pouco dessa alegria com vocês. Realmente, eu sou muito feliz por ser católico, e essa alegria é elevada ao extremo por minha vocação monástica, por pertencer somente a Deus, por minha vida pertencer à Igreja. O que desejo é que essa mesma alegria, que vem do Espírito Santo, “Alma da Igreja”, seja comunicada ao coração de cada um, católico ou não. Uma coisa eu afirmo com toda convicção: Vale a pena; é muito bom ser católico!


Oremos pelos nosso sacerdotes

Ó Deus eterno e Todo-Poderoso, olha para a face de Teu Cristo e por amor a Ele que é o eterno Sumo Sacerdote, tem piedade de Teus padres. Lembra, ó Deus cheio de misericórdia, que eles são seres humanos, fracos e frágeis. Desperta neles a graça da vocação que está neles pela imposição das mãos do Bispo. Guarda-os unidos a Ti para que o inimigo não prevaleça contra eles,a fim de que nunca façam coisa alguma por mínima que seja, indigna de sua vocação sublime.

Ó Jesus, eu te peço pelos teus padres fiéis e fervorosos, pelos Teus padres infiéis e tíbios, pelos Teus padres que trabalham em sua terra ou fora no campo de missão: pelos Teus padres em tentação, pelos padres isolados e solitários, pelos Teus padres jovens e idosos, pelos Teus padres doentes e agonizantes, pelas almas dos Teus padres no purgatório. Mas acima de tudo, eu Te recomendo os padres a quem mais devo: o padre que me batizou, os padres que me absolveram dos pecados, os padres de cujas missas participei e que me deram Teu Corpo e Teu Sangue na Santa Comunhão; os padres que me ensinaram e me instruíram ou me ajudaram e encorajaram, todos os padres a quem sou devedor de uma ou de outra forma, particularmente... Jesus, guarda-os todos junto de Teu coração e abençoa-os ricamente no tempo e na eternidade. Amém.

Maria, Rainha do Clero, roga por nós; obtém para nós muitos padres santos.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

NOVA ERA:O QUE É ELA? E O PERIGO DELA PARA OS CATÓLICOS

 

NOVA ERA



Em síntese : Nova Era é um conjunto de proposições “místicas” pouco lógicas e concatenadas, mas perpassadas por quatro principais teses: o panteísmo, a reencarnação, a comunicação com o além … em vista da implantação de uma Nova Era, dita “de Aquário (ou Aguadeiro)”, em que a humanidade estará unificada sob um só Governo mundial e uma só religião.

Tal mensagem é mais fantasiosa e emocional do que lógica e científica.  O panteísmo, por exemplo, é uma aberração filosófica, pois identifica a Divindade (o Absoluto, o Eterno) com o mundo e o homem, que são relativos e passageiros.  Não há prova de reencarnação, nem alguém tem reminiscência do que fez ou foi em sua “vida pregressa” . Também se pode dizer, à luz da psicologia e da parapsicologia, que os fenômenos mediúnicos nada têm que ver com comunicação do além, mas são expressões do inconsciente do médium e dos seus clientes.

Apesar de tudo, a Nova Era faz sucesso, porque promete paz, fraternidade e felicidade – valores que faltam ao mundo de hoje e que ninguém vê como instaurar mediante os meios convencionais.  Na falta de solução racional e lógica, a mente humana se abre facilmente para as propostas fantasiosas e mágicas, como são as da Nova Era. – Aos cristãos, conscientes disto, compete responder à interpelação que Nova Era lhes dirige, apresentando um testemunho mais lúcido e eloqüente da grande novidade, que é o Evangelho vivido e transmitido na Igreja de Cristo confiada a Pedro.

São sempre muito freqüentes as indagações a respeito de Nova Era, corrente de pensamento e ação que tem chamado a atenção por suas proclamações, seus símbolos, suas previsões … O assunto já foi abordado em PR 354/1991, pp. 518-526 e 360/1992, pp. 235-240.  Voltamos a considerá-lo acrescentando novos dados a quanto já publicamos, proporemos as linhas gerais que caracterizam o Movimento, e uma reflexão a respeito das mesmas.
  1. 1. TRAÇOS GERAIS

À diferença de outras correntes modernas, Nova Era não tem data precisa de fundação nem fundador definido; não apresenta um governo centralizado que assuma a liderança do Movimento. Podemos dizer, sim, que este começou na década de 1960, quando apareceram os beatles e os hippies, que exaltavam o amor à natureza, a liberdade sexual, a paz e uma nova era, dita “de Aquário”; esta foi sendo enaltecida em prosa e verso no musical Hair.
Sem dúvida, contribuíram para o surto de Nova Era e Sra. Helena Blavatsky, fundadora da Teosofia (corrente panteísta ligada ao pensamento indiano) no século XIX, e sua discípula, a Sra. Alice Bailey (+ 1948).  A Sra. Blavatsky era profundamente infensa ao Cristianismo, e transmitiu essa sua maneira de ver aos discípulos; assim se manifestava Blavatsky:
“A doutrina da expiação é um perigoso dogma, em que os cristãos acreditam.  Ensina que, independentemente da enormidade de nossos crimes contra as leis de Deus e dos homens, temos apenas de acreditar no auto-sacrifício de Jesus para a salvação da humanidade e que seu sangue lavará todas as máculas. Faz vinte anos que prego contra isso” (A Sabedoria Tradicional. Hemus Ed. São Paulo 1987, 4ª ed., p. 194).

A Nova Era não professa um sistema de pensamento concatenado; ao contrário, compreende várias linhas de pensamento, que correm paralelas entre si, e formam um conjunto heterogêneo, como se verá a seguir: assim o panteísmo, a ufologia, a comunicação com os extraterrestres vivos e com os mortos, a psicologia transpessoal, o movimento ecológico, a cura por medicina alternativa … É o que permite aos adeptos da Nova Era estar presentes na política, na medicina, na educação, na religião, na cultura …
Apontemos os principais temas inseridos nas propostas de Nova Era.
  1. 2. PRINCIPAIS TEMAS

Deter-nos-emos sobre sete pontos.
2.1.                 Deus e a Reencarnação




A Nova Era professa o panteísmo: Deus seria uma energia universal, donde procedem todas as coisas. Assim tudo que existe no mundo, é tido como emanação e expressão da Divindade, cada partícula de matéria é divina, pois possui em si todas as informações do universo.  O pensador Roberto Crema, da Universidade Holística Internacional de Brasília, assim se exprime :
“Deus dorme nos minerais, sente nos vegetais, sonha nos animais, e desperta nos humanos” (II Congresso Holístico Internacional. Belo Horizonte, julho de 1991).

Através de encarnações sucessivas, cada ser vivo pode alcançar níveis mais elevados de consciência, a tal ponto que não precise mais de se reencarnar, mas se torne o que se chama “um espírito cósmico”.  É o que lembra Pierre Weil, citando Mayse Choisy:
“Na teoria da ida e volta, o espírito decide encarnar-se, e passa dos níveis mais sutis anos planos grosseiros.  Em conseqüência, a matéria não se aquieta enquanto não volta à sua fonte divina primitiva.  É a involução-evolução, simbolizada pelos dois triângulos que compõem a estrela de Davi.  Não era isso que ensinava Platão; ao afirmar que conhecer é lembrar-se ?  Ou então quando Lamartine escrevia : “O homem é um deus decaído que se lembra dos céus”:  Coitado, o homem tem memória tão curta … Volta e meia é preciso lembrar-lhe o que já sabe “. (Pierre Weil, Sementes para uma Vida Nova. Ed. Vozes, Petrópolis, p. 47).

Como se vê, o panteísmo da Nova Era está associado, como em outros sistemas panteístas, à tese da reencarnação.  Já que em tais sistemas não existe Deus distinto do homem, é o homem mesmo que se salva …, e se salva mediante sucessivos retornos ao corpo a fim de se aperfeiçoar cada vez mais.


2.2.                 O Homem

O homem está no centro das considerações da Nova Era.  Já que o panteísmo professa que a Divindade, o mundo e o homem se identificam, o homem, nesse contexto, vem a ser a expressão mais elevada da evolução divina.  A Sra. Helena Blavasky, uma das precursoras do Movimento, assim manifesta seu pensamento:
“Vocês acreditam que o homem é um deus ?

- Por favor, diga Deus, e não um deus.  A nosso ver, o homem é o único Deus que podemos conhecer.  E como poderia ser de outra forma ?  Nosso postulado aceita como verdadeiro que Deus é um princípio universalmente difuso, infinito e, sendo assim, como poderia o homem sozinho escapar de ser embebido por e na Deidade ?  Chamamos “pai do céu” a essa essência deífica que reconhecemos dentro de nós, em nosso coração e em nossa consciência espiritual” (A Sabedoria Tradicional, p. 62).

Em conseqüência, os mentores da Nova Era julgam que todas as energias existentes no universo estão dentro do homem; este, pelo poder de sua mente, quando se concentra sobre determinado objeto ou projeto, pode torná-lo na realidade, chegando mesmo a efetuar façanhas milagrosas, tanto para o bem como para o mal da sociedade.
Mas não somente as forças do bem e do mal estão dentro do homem.  Aí se acham também outros elementos contrastantes, como o masculino e o feminino, o amor e o ódio, Cristo e o demônio… O cérebro consta de dois hemisférios: o esquerdo é a sede das nossas características masculinas (analisar, contar, planejar …); o direito corresponde aos elementos femininos (a intuição, os sonhos, as metáforas …).  O homem perfeito tem que saber equilibrar e harmonizar esses seus dois lados: o masculino e o feminino.  Por isto, os mestres da Nova Era reconhecem as práticas heterossexuais e homossexuais como igualmente legítimas; desde que haja “relacionamento saudável”, os seres mais evoluídos devem gozar de plena liberdade sexual.
Assim Nova Era prevê novo estilo de vida para a humanidade; extinguir-se-á a família e instaurar-se-á absoluta igualdade entre os seres humanos.  A família é tida como fonte de egoísmo, inveja e possessividade, pois incita o homem a trabalhar para os seus descendentes e não para a comunidade como tal, desse egoísmo brotam competições e conflitos.  A solução estaria, portanto, em pôr termo à instituição familiar e instituir comunidades abertas, cooperativistas e solidárias.
Tal procedimento já deixou de ser proposta ou projeto teórico, pois é praticado, segundo relata Pierre Weil em seus livro “Sementes para uma Nova Era” :
“Em certas comunidades existe uma liberdade total de relações amorosas entre os sexos.  Existe, por exemplo, na Alemanha um movimento comunitário chamado Action Analysis Comune, que exigiu, em filosofia de vida, a eliminação total do núcleo familiar.  Consideram a relação de duas pessoas no núcleo familiar, à luz da experiência coletiva, como uma verdadeira doença.  Muito influenciada pelas idéias de Reich, a comunidade considera o núcleo familiar como oriundo de uma necessidade materialista de assegurar a posse da propriedade privada.  A comunidade existe para satisfazer às necessidades materiais e existenciais dos seus membros.  Há nela um respeito muito grande pela vida.  Por exemplo, o aborto é inconcebível nela.  A comunidade dá amparo à mãe durante a gestação e assume a responsabilidade da criação dos filhos. Rajneesh preconiza também um sistema desta natureza e afirma que é muito mais saudável, para uma criança, ter vários modelos de adultos com que identificar e escolher o seu próprio comportamento, do que apenas dois, sobretudo quando estes modelos são indesejáveis do ponto de vista humano. Carl Rogers também questiona bastante o atual modelo familiar. As experiências atuais de “casamento aberto” constituem também uma reação aos aspectos penosos de certo modo de vida familiar” (pp. 139 e 141).

Aliás, o projeto de unificação da humanidade numa comunidade global está sendo elaborado com certa rapidez.  Em 1977, uma assembléia mundial de Aquarianos adotou o anteprojeto da Constituição da Federação do Planeta Terra.  Em maio de 1991, foram aprovadas emendas dessa Constituição, que atualmente vai sendo examinada pelos líderes mundiais do Movimento para ser aperfeiçoada.
Esta Constituição da Federação do Planeta Terra, que deverá vigorar no mundo unificado, prevê um organograma bem definido: na cúpola haveria uma Procuradoria Geral Mundial e uma Comissão de Procuradores Mundiais Regionais.  A Procuradoria Geral constará de cinco membros.  Terá a seu serviço uma Polícia Mundial, responsável pelo fiel cumprimento da legislação internacional.

2.3.                 A Ufologia

A Nova Era não duvida da existência de seres extraterrestres: são expressões da Energia Divina Cósmica postas em diversos graus de evolução.  Portanto deve haver os mais adiantados dos que nós em civilização, como também os menos evoluídos  Dentre os mais adiantados, alguns atingiram a condição de ultraterrestres; aperfeiçoaram-se tanto que não precisam mais de se encarnar para evoluir; são considerados mestres cósmicos que podem encarnar-se, caso haja especial missão a cumprir entre seres menos evoluídos.
A bibliografia relativa a seres extraterrestres e ultraterrestres é cada vez mais vasta e rica em episódios que tomam traços do fantasioso e fictício. Eis alguns espécimens:
A Sra. Eve Carney e suas duas filhas narram uma visita que fizeram a uma nave espacial :
“Há muitos anos, em minha casa situada nos profundos bosques da Pensilvânia, minhas filhas e eu estávamos juntas em meditação, quando três Irmãos Espaciais apareceram no jardim em frente à casa. Preferiram permanecer lá fora quando os convidei para entrar, devido à sua diferença de altura em relação às portas e ao teto normais.  Convidaram-nos a conhecer sua nave, o que aceitamos com satisfação. Fixaram a hora da visita para 8:00 horas do dia seguinte, dando-nos instruções para relaxarmos em posição horizontal no piso, para que pudesse vir a escolta.

Agradecidas, regressamos à casa. Minhas filhas puderam ver a nave sobre nós, já que ambas têm o Dom perceptivo visual.

Ao entardecer do dia seguinte, relaxamos, como combinado, e fizemos três experiências com meditações diferentes. Abandonei meu corpo e apoiei minhas mãos sobre os braços de minhas escoltas, experimentando uma emoção tremenda enquanto ascendíamos, a uma velocidade incrível, à nave que nos esperava acima. Imediatamente encontrei-me parada no aposento de controle principal, frente a Athena, enquanto as lágrimas rolavam-me pela face.  Chorando, abraçamo-nos.  Athena (comandante mulher) começou a mostrar-me vários mapas. Senti que uma de minhas filhas seguia por um longo passadiço.  Embora eu não tenha visto, sabia que se encontrava em alguma outra parte da nave.  Caminhamos e passamos por uma parede transparente, através da qual pude ver minha outra filha reclinada sobre uma mesa de exame médico, com alguém junto dela. Essas recordações são fragmentadas.

Depois de alguns minutos, não mais de quinze, estávamos de volta à nossa consciência e começamos a comparar nossas experiências” (ER-GOM, Projeto Evacuação Mundial, Roca, São Paulo 1991, pp. 99s).

Não raro o contato com naves espaciais é realizado, segundo dizem, por pessoas postas em estado hipnótico, pois os extraterrestres praticam a hipnose sobre as pessoas que eles contactam. Daí o seguinte caso :
“Um dos casos mais famosos é o de Bety e Barney Hill, casal norte-americano. Somente sob hipnose narrava um encontro imediato de terceiro grau, quando teriam sido levados a bordo de uma espaço-nave e submetidos a detalhado exame médico por humanóides extraterrestres ,,,

Sabemos que a hipnose é uma técnica altamente vantajosa no sentido de desencadear e melhorar a percepção extra-sensorial, dando alto resultado em testes controlados – por exemplo, em telepatia, visão à distância (clarividência) e precognição.

Ao mesmo tempo, são inacreditavelmente freqüentes na casuística ufológica as experiências em que os referidos fenômenos parapsicológicos estão presentes, sendo mesmo a telepatia o meio usual de comunicação com os UFO-operadores, segundo os contatados.

Certos indivíduos que viveram uma experiência ufológica marcante, passaram a ter o que nós chamamos “efeito residual”; após o incidente, entram em estado de transe sonambúlico, de maneira espontânea ou induzida, dando informações de teor variado, dados técnicos, “planetas” de origem, normas dos comandantes de naves e mensagens místicas” (Artigo “Hipnose na Pesquisa Ufológica”, na revista Planeta Ufologia, Editora Três, São Paulo, abril de 1982, p. 19).

Passemos a outra unidade da mensagem da Nova Era.


2.4.                 Era de Aquário

Conforme as correntes esotéricas e os mestres da Nova Era, a história da humanidade compreende ciclos de evolução, também chamados “Eras”.  A duração  dessas Eras é diversamente indicada pelos diversos autores, mas eqüivale a 2.000 anos ou pouco mais cada qual.  Segundo as várias contagens, tal seria a seqüência das Eras :
Era de Touro : de 4304 a 2154 a.C.
Era de Carneiro: de 2154 a 4 a.C.
Era de Peixes : de 4a.C. a 2146 d.C.
Era de Aquário : de 2146 a 4296 d.C.
Nesta tabela cada Era compreende 2.150 anos.
A Era de Touro seria a da antiga civilização egípcia; tinha a vaca como animal sagrado, deusa da fecundidade, e a pecuária como principal cultura.
A Era de Carneiro seria a do povo de Israel … Carneiro, porque o ritual de Israel praticava o sacrifício de cordeiros; além do quê, o povo cultivava ovelhas (seja recordada a típica figura do pastor). O momento de transição da Era do Touro para o do Cordeiro terá sido a saída, de Israel, do Egito; os hebreus tentaram ainda preservar o poder do Touro confeccionando o bezerro de ouro no deserto; mas Moisés os censurou e inaugurou a Era do Cordeiro.  Seguiu-se a Era de Peixes, inaugurada por Jesus Cristo, que chamou seus apóstolos para serem pescadores de homens; donde se conclui que os homens são dominados pelo signo de Peixes.  O próprio nome Jesus Cristo foi associado ao símbolo do Peixe, visto que ICHTHYS (em grego, peixe) compõe-se das iniciais de uma fórmula de fé cristã: Iesous Christós Theou Yiós Soter, Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador.  Assim o povo dominante da Era de Peixes veio a ser o povo dos discípulos de Cristo ou o povo cristão.
Jaap Huibers julga que, sendo o peixe um animal que vive no fundo do mar escuro, a Era de Peixes está sendo uma era marcada pelas trevas; claro espécimen disto seriam as catedrais católicas, sempre sombrias.1
Após a Era de Peixes, espera-se a de Aquarius ou Aqualeiro (um jovem portador de um cântaro, cuja água ele vai derramando).  Aquário é um signo astrológico regido pelo planeta Urano, descoberto em 1781, ou seja, durante a Revolução Francesa.  Por isto o lema da Revolução Francesa “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, que é também o de Urano, passará a ser o da Nova Era; somente assim o mundo se transformará numa aldeia global sob um regime único para todos os povos.
Os aquarianos dizem que São João, ao falar de céus novos e terra nova em Ap 21,1, se referiu à Nova Era, que Urano, o Ancião dos Dias, proporcionaria à humanidade; a Nova Jerusalém, que desce dos céus, seria precisamente a nova Era de Urano (note-se que a palavra Urano corresponde ao grego ouranós, céu).


2.5.                 Jesus Cristo

Para a Nova Era, Jesus Cristo foi apenas um dos muitos mestres que contribuíram para a evolução da humanidade.  O seu nome consta de Jesus – apelativo judaico masculino – e Cristo, adjetivo que designa um nível de evolução elevado; Jesus, portanto, foi um homem altamente crístico, daí ser chamado “Jesus Cristo”.
Jesus Cristo não é chamado Senhor pelos mentores da Nova Era, porque o seu senhorio termina com a Era de Peixes.  O autor de um artigo na revista “Destino”, ano II, nº 21. Abril de 1991, p. 51, descreve o papel de Jesus frente aos novos tempos aquarianos:
“A passagem de Peixes para Aquário, do ponto de vista da astrologia, é extremamente difícil, pois as características dos dois signos são bem diferentes.  Peixes é representando pelo espírito de sacrifício, de caridade.  Aquário aponta em outra direção.  É o signo da amizade, do companheirismo, da esperança e da criação de um mundo novo.

Com a mudança de Peixes para Aquário, dizem os astrólogos, sai de cena também Jesus Cristo, o grande avatar da Era que termina, dando lugar ao patrono máximo de Aquário, o mestre Saint Germain”.

O mestre Saint Germain é uma das figuras caras ao esoterismo.


2.6. O Avatar

Os mestres da Nova Era esperam um Messias, que eles também chamam Avatar 1.  Deverá instaurar a unidade, a ordem e a paz no mundo. Cada Era tem seu Avatar ou Messias. Esse personagem aguardado tem nomes diversos, entre os quais Saint Germanin e Lord Maitreya; Jesus terá sido discípulo de Maitreya.  Eis o que Worls Goodwill, conceituado adepto de Nova Era, diz a respeito do Avatar :
“Este é um tipo de preparação não apenas para uma nova civilização e cultura numa Nova Ordem Mundial, mas também para a vinda de uma nova dispensação espiritual.  A humanidade não está seguindo um curso não planejado. Há um plano divino no cosmos, do qual somos parte.  No fim de uma Era os recursos humanos e instituições estabelecidas parecem inadequados para suprir as necessidades e resolver os problemas do mundo. Em tal tempo, a vinda de um Mestre, um líder ou avatar espiritual, é antecipada e invocada pelas massas da humanidade em todas as partes do mundo. Hoje o reaparecimento do Instrutor do mundo – o Ungido – é esperado por milhões, não só por aqueles da fé cristã, mas por aqueles de todas as crenças que esperam o Avatar, debaixo dos nomes: Senhor Maitreya, Krishna, messias, Iman Mahdi e o Bodhisattva … A preparação por homens e mulheres de boa vontade é necessária para introduzir novos valores, novos padrões de comportamento, novas atitudes de não separação e cooperação, guiando as retas relações humanas e uma paz mundial.  O Instrutor mundial vindouro estará principalmente preocupado não com o resultado ou erros passados e insuficiências, mas com as necessidades de uma Nova Ordem Mundial e com a organização da estrutura social” (A Rede Cresce, Londrina, p. 3).

O esperado Messias satisfará aos anseios de todas as crenças religiosas, que aguardam a vinda de um Salvador: o Maitreya da Nova Era será o prometido aos judeus, o quinto Buda dos budistas, o Iman Mahdi, dos muçulmanos, o Krishna dos hinduístas, e também o Cristo dos cristãos.  Alguns aquarianos julgam que Maitreya já nasceu em 1982 – o que não combina com a previsão de que a Era de Aquário só começará em 2146 d. C. (Maitreya terá 164 anos quando se manifestar ao mundo, ou seja, 2146 – 1982 = 164?).
Como quer que seja, a vinda do novo Avatar unificará não somente os interesses políticos e administrativos da humanidade, mas também o senso religioso : o Cristianismo será extinto em favor de uma nova e única religião, dizem os aquarianos.

2.7.        Magia e Curandeirismo

A Nova Era conhece agentes seus chamados “bruxos, magos, iluminados …” Seriam seres mais evoluídos do que o comum dos homens; dotados de poderes especiais, paranormais, realizarão façanhas portentosas em dois planos:
– no plano de adivinhação: os magos poderão revelar coisas ocultas ou futuras, recorrendo ao tarô, aos búzios, à astrologia; farão mapa astral mediante computador; cultivarão a grafologia (a caligrafia) para predizer o futuro das pessoas, praticarão a quiromancia ou a leitura “profética” das linhas das mãos …
– no plano ritual: os bruxos da Nova Era têm seus ritos semelhantes aos dos xamãs (exorcistas de povos primitivos), aos dos sabbat e da Missa Negra dos bruxos medievais, aos do tranta, que adota a prática sexual ritualista.  Há também o uso da pirâmide, tida como fonte de grande energia.  Seja também mencionada a projeção astral ou o exercício segundo o qual o bruxo julga abandonar seu corpo durante o sono a fim de viajar pelos espaços. A revista Planeta descreve tal exercícios nos seguintes termos:
“Até uns poucos anos atrás chamava-se a peculiar experiência de estar fora do corpo “projeção astral”, mas ultimamente ela tem sido denominada “experiência extracorpórea”.  A viagem astral consiste, essencialmente, na projeção do corpo interior ou personalidade do corpo físico, geralmente durante o sono, mas não exclusivamente.  As projeções astrais acontecem na vigília e costumam ser chamadas “deslocamentos momentâneos” …

Nesse fenômeno a pessoa viaja cobrindo distâncias diversas, desde o teto de seu quarto até o outro lado do continente, e permanece ligada ao corpo físico por um fio prateado, que nem sempre lhe é visível …

Os habituais efeitos físicos e emocionais da projeção astral são os seguintes :

- Sensação de extremo cansaço ao despertar, mesmo que a pessoa tenha dormido por muitas horas.
- No final de cada projeção astral, sensação de queda de grande altura, de estar girando em direção ao solo, geralmente acompanhada pelo medo de cair. Isto representa apenas a reação física à desaceleração de vibrações, que se dá à medida que o eu interior retorna ao invólucro físico, restabelecendo a ligação com ele.
- A nítida lembrança de Ter atravessado muros aparentemente sólidos ou de Ter vista de cima o próprio corpo, geralmente no início da viagem.  Sensações de estar flutuando para fora do corpo, primeiro devagar, elevando-se até o teto do quarto, depois ganhando velocidade, ás vezes fulminante, deslocando-se rapidamente pela paisagem; observação, ao mesmo tempo, dos marcos físicos  em volta e, às vezes, sensações de conforte e desconforto devidas à temperatura, tais como calafrios, umidade ou calor. Ocasionalmente, observação de um fio prateado atrás de si, que tornava a se enrolar por ocasião do regresso.
- Ao fim da viagem ou no local de destino, observação de pessoas ou cenas, geralmente com incapacidade de estabelecer contato através da fala.  Há registro de contatos visuais.
- Posse plena das faculdades de raciocínio durante o sonho” (Artigo “Experiências Extracorpóreas” em Revista “Planeta Especial – Sonhos” – Editora Três, São Paulo, pp. 54p).




  1. OS SÍMBOLOS DA NOVA ERA

A Nova Era recorre a muitos símbolos, que pretendem insinuar as proposições de sua mensagem.  Cada corrente da Nova Era tem seus emblemas correspondentes ao que ela professa. Eis alguns dos principais sinais utilizados :
1) O arco-íris significa a luz divina, que se vai irradiando e faz a ponte entre o céu e a Terra ou entre os seres terrestres e os extraterrestres.
2) Fitas entrelaçadas designam a interdependência dos seres existentes e a tendência a fazer da multiplicidade uma unidade global. Símbolo proposto por Marilyn Ferguson em seu livro “A Conspiração Aquariana” (1980).
3) Yin-Yang é antiga figura oriental que lembra o equilíbrio das forças cósmicas positivas e negativas; os opostos se compensarão mutuamente na Nova Era.
4) Urano é o planeta que rege o mundo na Era de Aquário, como dito atrás.  Simboliza a harmonia dos homens com o cosmos.
5) Pirâmide é tida como elemento que capta a energia cósmica e beneficia as pessoas.1
6) Cruz de Nero ou Símbolo de Paz é uma cruz de cabeça para baixo em aparência de pé de galinha.  Traz a paz a quem a usa em brincos, broches, camisetas, cadernos …
7) Pomba com ramo no bico. Simboliza a paz à qual tendem os aquarianos, na esperança de que as águas de Peixes sequem para dar lugar à Nova Era.
8) Estrela de Davi, com seis pontas, simboliza os processos de involução e evolução.  Com efeito; o triângulo que aponta para baixo, representa a involução da energia divina que desce às suas formas mais boçais, ao passo que o triângulo voltado para cima indica a ascensão dos seres que tendem a se divinizar cada vez mais.
9) Estrela de cinco pontas significa o Ser Cósmico Divino em sua plenitude ou o Absoluto.  O triângulo superior com um olho no centro simboliza o Ser Superior a todos na escala hierárquica (Ser que alguns identificam com Lúcifer, considerado como anjo de luz).  Esse pentagrama é irradiante de bons fluídos, se colocado de cabeça para cima; em posição inversa, emite maus fluídos.
10) Borboleta significa o homem que deixa as trevas do casulo de Peixes para entrar na dimensão celestial do Aquário.
11) Unicórnio (animal de quatro patas, com um chifre só); símbolo de liberdade sexual e moda unissex, com todas as suas manifestações mais ousadas.
12) Cruz suástica é o símbolo da boa sorte que toca aos iniciados.
Além destes e de outros símbolos típicos, Nova Era usa um vocabulário próprio, do qual vão abaixo apresentados alguns espécimens.

  1. A NOMENCLATURA DA NOVA ERA

1) O Movimento tem os seguintes apelativos: Nova Era (New Age), Era de Aquário ou Aquarius, Conspiração Aquariana, Nova Ordem Mundial, Nova Consciência).
2) Deus é dito: Eu Maior, Grande Mente Universal, a Força, o Absoluto.
3) O planeta Terra é: Mãe Terra, Mãe Gaia (do grupo gê, terra), Mãe de Água, Nave Terra.
4) A unificação do gênero humano é: Fraternidade Universal, Família Global, Holismo (de holon, tudo, em grego), Colônia Global, Paradigma (= padronização).
5) Os espíritos que, do além, se comunicam com o homem, são: Mestres Cósmicos, Espíritos Cósmicos, Mestres Universais, Extraterrestres ou Ets.
6) O canal de comunicação é dito channeling.
7) O chefe que governará a nova Ordem Mundial, é: Senhor Maitreya, Saint Germain, Instrutor do Mundo, o Ungido, o Avatar.
8) Os que se dedicam à implantação da Nova Era, mediante contato com Espíritos Cósmicos, são: Médiuns da Nova Era, Bruxos, Magos, Sensitivos, Paranormais.  Tais seres são tidos como emissários de um Governo secreto, dirigido por seres extraterrestres, que vai comandando todas as transformações ocorrentes hoje sobre a Terra.
  1. ATUAÇÃO DA NOVA ERA
Dizem muitos observadores que os adeptos de Nova Era são, em grande parte, responsáveis pelas mudanças de ordem cultural e comportamental pelas quais passando o mundo contemporâneo. – A própria Sra. Marilyn Ferguson, em seu livro “A Conspiração Aquariana”, o verifica:
“Uma rede poderosa , embora sem liderança, está trabalhando no sentido de provocar uma mudança radical no mundo. Seus membros romperam com alguns elementos-chave do pensamento ocidental, e até mesmo podem ter rompido com a continuidade da História…

Há Conspiradores Aquarianos de todos os níveis de renda e educação, dos mais humildes aos mais poderosos. São professores, auxiliares de escritório, cientistas famosos, funcionários do governo e legisladores, artistas e milionários, motoristas de taxi e celebridades, expoentes da medicina, da educação, do direito e da psicologia. Muitos são conhecidos em suas áreas de trabalho, e seus nomes podem ser familiares. Outros se mantêm em silêncio quanto a seu envolvimento, acreditando que possam ser mais eficazes se não forem identificados com idéias que, com demasiada freqüência, têm sido mal interpretadas” (pp. 23s).

Pode-se averiguar, dizem, a atuação de Nova Era em alguns setores de maior projeção na vida pública.
5.1. Educação

Verifica-se que a mentalidade e os símbolos da Nova Era vão penetrando nos estabelecimentos de ensino de todos os graus. Existem mesmo Universidades Holísticas pelo mundo, sendo que em Brasília há uma, dita Universidade da Paz, construída com recursos do Distrito Federal; neste está sendo preparada a Cidade da Paz a Alvorada. Brasília é tida como região de grande força espiritual e ponto de convergência dos diversos ramos ocultistas.
Em julho de 1991, realizou-se o II Congresso Holístico Internacional na cidade de Belo Horizonte: reuniu membros das Universidades Holísticas e profissionais da educação para estudar como fazer da educação um veículo transmissor das idéias da Nova Era e um canal transformador da sociedade. Para  tanto, são programados exercícios de relaxamento e meditação transcendental, que incutem ao aluno uma espiritualidade alheia  aos princípios tradicionais da educação cristã. Nesse Congresso um médico brasileiro defendeu a tese segundo a qual as mães falharam na educação dos filhos, por isto o mundo de hoje é católico. Para resolver o problema, dever-se-iam criar “escolas de mães” ou de profissionais femininas que se encarregariam da formação holística das crianças desde os seis anos de idade. “Ser mãe” tornar-se-á, no caso, uma profissão, independente da maternidade física.
Um dos princípios da educação “Nova Era” afirma que o aluno não precisa de aprender coisa alguma de fora para dentro, mas deve aprender de dentro para fora, suposto que todo o saber já está contido dentro dele; essa nova forma de educação põe o discípulo em estado de “superconsciência”, levando-o à vivência de uma consciência cósmica ou transpessoal, estado este que se opõe ao estado de consciência normal e de vigília.

5.2. Música

Nova Era se propaga também pela música. Há dois tipos de música aquariana: a música New Age propriamente dita e a música rock convencional.
A Música New Age tem o estilo mantra. Mantra quer dizer, em sânscrito, libertação da mente (man = mente; tra = libertação). O estilo mantra  utiliza sons que  alteram e influenciam o estado de consciência; na verdade , os mantra são sílabas, palavras ou frases que, repetidos com freqüência, marcam o consciente e o inconsciente da pessoa, servindo-lhes para o relax e a meditação.
A Música Rock Convencional é outro veículo de Nova Era, tanto por sua letra como por seu ritmo. Com efeito; a letra rock pesada refere-se muitas vezes ao sexo livre, ao homossexualismo, ao adultério e à prostituição como formas válidas de comportamento. Quanto ao ritmo, dito beat, é concebido matematicamente de modo a excitar o sistema nervoso: o som é elevado a sete decibeis, cota que está acima da tolerância do sistema nervoso e debilita o funcionamento normal do cérebro; tem efeito provocador, que cede à depressão, à revolta e à agressividade; daí a procura de drogas e libertinismo sexual por parte de quem é assim atingido e procura saída para o seu estado de ânimo convulsionado.

5.3. A Medicina Alternativa

A Nova Era valoriza a Medicina não convencional, ou seja, a Medicina alternativa, mais relacionada com “misticismo” do que com ciência. A justificativa antropológica dessa prática é a seguinte; o homem possui um corpo energético, do qual o corpo físico é apenas uma manifestação. Esse corpo energético consta da mesma energia que constitui a Divindade. As doenças do corpo físico, portanto, são dependentes do corpo energético, pois o corpo físico é o espelho do corpo energético.
Na base desta concepção, os aquarianos adotam as terapias alternativas já existentes no Oriente e acrescentam-lhes ainda outras. Entre estas maneiras alternativas, merece destaque o cultivo de pensamentos positivos
Além disto, a Medicina da Nova Era julga que, como a energia divina é luz e a luz compreende as sete cores do espectro, assim também nosso corpo energético, que é divino, é formado pelas cores contidas na luz branca, cores que são chamadas chakras. Cada cor ou cada chakra corresponde a uma região do corpo humano. Conseqüentemente, o tratamento de moléstias se faz mediante a “energização” do chakra (ou da parte do corpo) afetado; o chakra causa a doença, porque está afetado. Tal energização ocorre mediante o recurso a cores, pirâmides, cristais, Florais de Bach (terapia pelas flores), frases de conteúdo positivo, musicoterapia, massagens orientais e muitos outros procedimentos.
Pode-se mencionar aqui também a psicoterapia utilizada pela Nova Era: recorre à chamada “psicologia transpessoal”. Esta leva o indivíduo a vários estados de consciência, para que finalmente transcenda os limites do tempo, do espaço e da individualidade, atingindo o grau de consciência cósmica. Essa terapia servia-se, a princípio, do ácido lisérgico (LSD), provocador de sucessivos estados de consciência; tal método já foi abandonado em favor do recurso à meditação transcendental, que propicia os mesmos efeitos. A hipnose e a regressão em idade são também instrumentos caros à psicoterapia aquariana.
  1. QUE DIZER?

O contato com o programa da Nova Era sugere várias considerações, dos quais três serão, a seguir, propostas. Os de mais pontos da mensagem de Nova Era são elucidados no Curso sobre Ocultismo da Escola “Mater Ecclesiae”, Caixa postal 1362, 20001-970 – Rio (RJ).
6.1. Fusão-confusão

O Holismo, pretendendo unificar a humanidade, com suas crenças e seus comportamentos, propõe uma fusão, que é confusão. Falta à mensagem da Nova Era a luz de um discurso lógico, racional, pois a emoção e o sentimento preponderam. Por conseguinte, as proposições do Holismo não podem ser comprovadas nem podem apresentar credenciais; a emoção e a fantasia são as suas principais fontes inspiradoras. Por isto, o edifício de idéias da Nova Era é extremamente frágil; é adaptável ao gosto de cada interessado, pois o subjetivismo aí prepondera. Este fato dispensa o estudioso de uma crítica muito cerrada, pois a Nova Era versa mais sobre o plano subjetivo dos sentimentos e da imaginação do que na esfera da lógica e da intelectualidade.
6.2. Panteísmo, reencarnação, comunicação com o além.

Como quer que seja, distinguem-se na Nova Era três teses, que parecem ser as pilastras da respectiva mensagem.

a) Panteísmo. A identificação da Divindade com tudo (pan) ocorre em qualquer apresentação do Holismo. Ora este ponto é altamente vulnerável, pois contradiz às regras mais elementares da lógica: faz coincidir o Absoluto (Deus) com o relativo (o mundo volúvel e o homem), o Eterno (Deus) com o temporal (mundo e homem), o Necessário (Deus) com o contingente (mundo e homem), o Imutável (Deus) com o mutável e volúvel (o mundo e o homem). Assim o Sim é identificado com o Não – o que fere as normas fundamentais do pensar.

b) Reencarnação. Este tese é geralmente associada ao panteísmo, como dito atrás. Com efeito; se não há um Deus distinto do homem, é o homem mesmo que se salva, e se salva através de sucessivas tentativas e experiências de vida neste mundo. – Ora esta afirmação é arbitrária, pois carece de provas ou de fundamento; nenhuma pessoa sadia se recorda do que tenha sido e vivido numa encarnação anterior; os próprios “relatos de vida pregressa” são explicados pela parapsicologia como manifestações do inconscientes da pessoa hipnotizada, que traz à tona episódios vividos na existência presente e livremente associados entre si para formar um enredo aparentemente novo.

c) Comunicação com o além. A suposição de que nos podemos comunicar com o além (almas de defuntos, anjos ou seres de outros planetas) é desmentida pela Filosofia e a própria Psicologia. Não há receita que nos permita chamar ao nosso convívio seres extraterrestres, os encantamentos e as artes rituais mediúnicas não o conseguem; as pretensas comunicações  do além captadas por bruxos ou médiuns não são senão expressões do próprio médium, que tira do seu inconsciente e do inconsciente dos seus clientes as mensagens que ele profere como se fossem oriundas do além.
Tal fenômeno é muito conhecido pela Parapsicologia, que no caso dispensa explicações misteriosas ou “transcendentais”. A propósito ver as  pp. 532-536 deste fascículo.

6.3. O sucesso da Nova Era


Apesar de muito inconsistente, a Mensagem da Nova Era encontra grande aceitação em nossas sociedades da América e da Europa. Por quê?
–      O simples fato de propor uma novidade de índole mundial, radical e total é um atrativo de grande influência. Os homens de nossos tempos sofrem de uma crise generalizada na política, na economia, na cultura em geral; não vêem solução próxima no recurso aos meios convencionais da ciência e da lógica. Por conseguinte, estão especialmente abertos a qualquer tipo de solução “transcendental, mágica, irracional”. Quanto mais maravilhosa é a mensagem proposta em tais circunstâncias, tanto mais poder sedutor terá. Afinal de contas, é sempre verdade que em todo homem, mesmo culto, há o gosto inconsciente do mito, do irreal, do romance, da lenda…, pois o irreal é mais belo do que o real; o irreal é construído por cada um como ele o quer, e cada um tende a fazer do irreal sonhado a sua realidade ou a própria realidade. Esta tendência é mais acentuada em nossos dias, quando prevalece um certo antiintelectualismo em matéria de religião e Moral; a metafísica é desprezada por certas escolas; parece a muitos que os sentimentos e as emoções é que devem inspirar as crenças religiosas, pois estas careceriam de parâmetros objetivos firmes e válidos para todos os homens.
Não obstante, pode-se dizer que o Movimento da Nova Era tem o valor de despertar a consciência dos cristãos. Lembra-lhes que o mundo está ávido de algo maior e melhor do que a situação aflitiva de muitos povos contemporâneos. Ora o cristão sabe que a grande novidade que responde cabalmente a tal anseio, é a do Cristo Jesus ou é a do Evangelho pregado por Cristo e entregue a Pedro e seus sucessores na Igreja. É o Senhor que afirma: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo… Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo do alqueire, mas no candelabro, e assim ela brilhe para todos os que estão na casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 13-16).
Possam os cristãos, interpelados pelos seus irmãos aquarianos, tomar sempre mais viva consciência da seriedade e do valor de tais palavras!

A guisa de bibliografia, sejam citados:

MARCO ANDRÉ, Nova EraO que é? De onde vem? O que pretende? Ed. Betânia, Caixa postal 5010, Venda Nova (MG).

NEW AGE. A Nova Era à luz do Evangelho. Editor Gehard Sautter, Caixa postal 21486, 04698-970 – São Paulo (SP).

SCHLINK, BASILÉA M., Nova Era á luz da Bíblia, Caixa postal 3440, 8000a-970 Curitiba (PR).


Estêvão Bettencourt O.S.B.

OREMOS IRMÃO




Ó Incomparável Senhora da Conceição Aparecida,
Mãe de Deus, Rainha dos Anjos, Advogada dos Pecadores,
Refúgio e Consolação dos Aflitos,
livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos
e a vosso Santíssimo Filho,
meu Redentor e Querido Jesus Cristo.
Virgem bendita dê proteção a mim e a minha família
das doenças, da fome, assalto,
raios e outros perigos que possam nos atingir.
Soberana Senhora dirige-nos em todos os negócios
Espirituais e Temporais. Livrai-nos das tentações
do demônio para que trilhando o caminho da virtude,
pelos merecimentos de vossa puríssima Virgindade
e o preciosíssimo sangue de vosso Filho,
vos possamos ver, amar, e gozar da eterna glória,
por todos os séculos.

Amém!
 

Os 3 cruéis inimigos da alma



 A alma que se põe em caminhada rumo ao céu encontrará diante de si diversas barreiras. Precisará superar diversas adversidades, tanto externas quanto internas para alcançar a tão sonhada meta: o céu. Este estudo tem o ensejo de trazer luz aos olhos, aos olhos da fé para que se possa distinguir, na caminhada, o que pode nos fazer cair e, conhecendo-o, como enfrentar. Falaremos de três “tropeços” que oferecem oposição direta à alma peregrina:  os três inimigos da alma.

Uma das maiores torpezas difundidas pela torrente revolucionária que se intitula de progressista foi o desfibramento, a emasculação pacifista que fez da capitulação Igreja Dialogante. Nós outros, desde o primeiro sinal de iniciação, aprendemos a pedir a Deus que pelo Sinal da Santa Cruz nos livre de nossos inimigos, e conseguintemente aprendemos que, com o Sinal da Cruz, nós nos armamos para o bom combate.


Agora ensina-se que não há mais inimigos, que não há mais lobos, e que a Igreja praticará o mandamento de amor se deixar seus filhos serem progressivamente devorados pelo mundo, pela carne e pelo Diabo que deixou de ser o inimigo do gênero humano. O termo “pastoral” tornou-se sinônimo de molezas e tolerâncias que roçam pelo obsceno. O “progressista” é antes de tudo um “entreguista”. E em cada passo de nova capitulação, de novo “diálogo”, ele se desmancha numa glossolalia destinada aos anais da ONU ou encaminhada ao Prêmio Nobel da Paz.

 Qualquer pessoa de sadio bom senso, ainda que despreparada para discussões teológicas e metafísicas, sabe que um homem de bem deve lutar por sua honra, deve defender seus filhos com o sangue, deve lutar por seu Credo, deve combater e querer morrer por sua Fé. E para bem combater o bom combate é preciso conhecer seus inimigos. A Igreja ensinou-nos durante séculos a combater, mas agora, em dez anos, uma torrente revolucionária passou a ensinar que a virtude máxima consiste na entrega, na fuga, na covardia. Qualquer progressista, escolhido ao acaso, na legião, é mais bondoso do que Nosso Senhor Jesus Cristo, que com toda a simplicidade falava em guerra, e que oportunamente usou o chicote.


Antes de prosseguir, rezemos um pouco, clamando a ação do Espírito Santo em nossos corações, para que o véu que antes cobria nossos olhos seja rasgado e que a luz de Deus, com todas as suas revelações adentrem profundamente em nossa alma para nos libertar das cadeias que nos impedem de trilhar os passos de Jesus. Amém!
Ao abrirmos o Evangelho de São Marcos no capítulo 4, a partir do versículo 1, nos depararemos com a parábola do semeador:
 “Jesus dizia-lhes em sua doutrina: ‘Ouvi: saiu o semeador a semear. Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho e vieram as aves e a comera. Outra parte caiu no pedregulho onde não havia muita terra; o grão germinou logo, porque a terra não era profunda; mas assim que o sol despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão não deu fruto. Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se; um grão rendeu trinta, outro sessenta, outro cem.’ E dizia: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’."
     Neste ensino de Jesus, podemos perceber aquilo o que São João da Cruz chama de “os três inimigos da alma”. Estes são três estorvos que, se não combatidos podem até mesmo nos tirar da comunhão com Deus. Eles fazem forte oposição à alma que quer se achegar cada vez mais ao Coração do Pai. Todos os danos recebidos pela alma provêm destes inimigos. Vamos, a partir do Evangelho, conhecê-los:
 -“Outros ainda recebem a semente entre os espinhos: ouvem a palavra mas, as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e a tornam infrutífera”. (Mc 4,19). Temos diante de nós o primeiro inimigo- e o mais fácil de ser combatido: o MUNDO.
“Alguns se encontram à beira do caminho, onde ela é semeada; apenas a ouvem, vem Satanás tirar a palavra neles semeada”.(Mc 4,15). Nos deparamos com nosso segundo inimigo: o DEMÔNIO.
-“Outros recebem a semente em lugares pedregosos;quando a ouvem, recebem-na com alegria; mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou perseguição por causa da palavra, eles tropeçam”. (Mc 4,16-17). Por fim, encontra-se nesta narrativa de Jesus, o terceiro inimigo da alma: a CARNE.
     Podemos ver neste Evangelho que, aquilo o que é tirado pelos pássaros (demônio); sufocado  pelos espinhos (mundo) ou queimado pela ausência de uma raiz profunda (carne) neste terreno – que é o terreno do nosso coração – é a palavra semeada pelo semeador. Ora, se fizermos um paralelo com o que São Paulo nos explica sobre a armadura do cristão (cf. Ef 6,13-17) perceberemos que o cinto (da verdade), a couraça (da justiça), o escudo (da fé) e o capacete (da salvação) são elementos de defesa que nos ajudam a esquivar dos ataques inimigos.  Os pés calçados com a prontidão de anunciar o Evangelho nos impulsiona a ir em busca de outras almas. Porém, o soldado bem preparado não pode apenas se defender do inimigo mas também atacá-lo! E o instrumento da armadura que o Senhor nos dispõe para atacar os inimigos é exatamente a ESPADA do Espírito, que é a PALAVRA DE DEUS. E foi assim que o próprio Senhor o fez. Se lembrarmos bem da ocasião da tentação no deserto (cf. Lc 4,1-13), Jesus se deparou frente a frente com satanás e o venceu justamente pela Palavra de Deus. As respostas dadas por Jesus não foram senão aquilo o que já estava nas Escrituras. E, mais do que conhecer bem a Escritura, Jesus a vivia plenamente.
     Assim, o que os três inimigos tentam destruir é justamente a palavra de Deus plantada e cravada em nosso coração. Dessa forma, ficamos sem armas para o ataque, tornando-nos presas fáceis. Trata-se então de uma verdadeira GUERRA, uma batalha espiritual com soldados, estratégias e tanques de guerra. E o que está em jogo não são limites territoriais ou o desarmamento nuclear… mas a nossa própria salvação! O que está em jogo é o Céu. Vemo-nos diante de três acampamentos inimigos com suas barricadas já a postos. Cada um ataca de uma maneira, tendo suas particularidades e estratégias próprias. Mas sabemos que, em Cristo somos mais que vencedores e que esta batalha já foi ganha na Cruz! É preciso apenas garanti-la em nossas vidas!
     São João da Cruz nos ensina que os três inimigos encontram-se de tal forma entruncados que, ao se dar a vitória a algum deles, todos se fortalecem. Porém, em contrapartida, vencendo-se um, enfraquecem-se os outros dois. Vencidos os três, cessa a guerra da alma. Mas, para vencer o inimigo, é preciso conhecê-lo, saber de suas estratégias e artimanhas. A seguir, falaremos particularmente de cada um.
 


O MUNDO


    
 Dentre os três inimigos da alma, o mundo é o mais fácil de ser vencido, uma vez que exige de nós uma tomada de posição clara e decisiva: SIM ou NÃO. Trata-se aqui de termos a opção clara de qual senhor queremos servir: ao mundo ou a Jesus? Temos que OPTAR: ou amamos o mundo, com suas falsas delícias e mentiras ou amamos o Senhor que nos deu a vida. Não se pode, como o próprio Jesus já ensinou, amar o mundo e a Deus ao mesmo tempo. É como querer navegar com o pé em dois barcos. A princípio, com o mar calmo pode-se até conseguir, mas chega-se em um ponto, em um dado momento que é preciso optar e ir pra um dos barcos. E assim, o outro se distancia. Na alma acontece da mesma forma: ao estarmos com Jesus todas as outras coisas tornam-se para nós “esterco”. Em Jesus temos a plenitude da vida e nada no mundo pode suprir aquilo o que encontramos no Salvador… por mais belos e atraentes que possam parecer. Nada se compara à presença de Jesus. Nada se compara à Vida Eterna.
     A resistência que o mundo oferece pode ser para muitas almas uma barreira quase que intransponível. São mostradas à alma (principalmente no início da caminhada, quando os pés ainda tremulam um pouco) as “perdas” que ela terá caso optar pela porta estreita de Jesus: a “perda” dos amigos, a “perda” dos deleites mundanos (muitos se desesperam e têm medo ao pensar que não mais poderão provar dos prazeres oferecidos pelo mundo) e a “perda” da consideração e admiração dos antigos amigos e conhecidos (medo do desprezo do do mundo). Neste momento no entanto, devemos nos alicerçar nas palavras animadoras de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (Jo. 14.18). Ora, ser “odiado” e desprezado pelo mundo é a prova concreta de que estamos no caminho certo, de que estamos seguindo verdadeiramente os passos do Mestre, a quem o mundo odiou primeiro. Nada há que se temer, pois o Senhor nos escolheu no mundo e nos retirou dele. Por isso a importância de renunciar às “glórias” e “deleites” mundanos em função da Glória celeste que está em Jesus… Ter a convicção de que, diante do Jesus o que podemos ver como perda, é antes, um ganho para Deus. É hora de trocarmos tudo, pelo Tudo que é o Senhor.
     Dessa forma, se optarmos de uma vez por todas por Jesus este inimigo não mais terá força contra nós. Então, a palavra chave para lutar e vencer este primeiro inimigo é DESAPEGO. Desapego dos bens materiais mas também, desapego das pessoas. Temos que ter em mente que TUDO passa, só o Amor (que é Deus) ficará. Nosso corpo, PASSA! Nosso dinheiro, ACABA! Nossa roupa, RASGA! Nossos estudos PASSAM! O emprego, PASSA! O namoro, ACABA! A faculdade, ACABA! A casa, ACABA! Os prazeres mundanos, PASSAM! A bebida, ACABA! A comida, ESTRAGA! As pessoas, MORREM!  Os amigos, SE VÃO! Não vale a pena desgastar a nossa vida com aquilo o que passa… muito menos nos apegar e ancorar nisto… Não! Apeguemo-nos ao Senhor… Ele não passa… Ele é eterno… é o mesmo ontem, hoje e sempre! Deste mundo nada se leva, nem mesmo os prazeres…
     Opte pelo Senhor e essa batalha será ganha! Buscai primeiro o Reino de Deus e TUDO te será dado em acréscimo (cf. Mt 6,33-34)
 

O DEMÔNIO
     
Se o mundo é o mais fácil dentre o três, este segundo inimigo, o demônio, é o mais difícil de se descobrir suas obras. Antes de nos aprofundarmos mais, precisamos ter a certeza de que o demônio existe e oferece forte oposição contra nossa caminhada ao céu. Ele se aproveita dos outros dois inimigos para se fortalecer. O mal, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, não é uma abstração, mas é uma pessoa, e tem nome: o anjo decaído do céu.
     Dentre os três, ele é o mais forte e o mais obscuro de se perceber, suas astúcias e tentações são as mais fortes e duras de se vencer por se tratar de um ser espiritual. Sua inteligência e acuidade mental são superiores à nossa. Suas faculdades são maiores que a humana, uma vez que, sendo anjo, possui a natureza e capacidades angelicais.  
     Só pela luz do Espírito e pelos ensinos da Igreja sobre o demônio conseguimos desvendar as artimanhas e insídias do inimigo de Deus. Sabemos que as obras demoníacas são repugnantes e por isso, para nos oferecê-las, satanás precisa revesti-las sob a forma do bem. Caso contrário, não a aceitaríamos. Daí a importância do dom carismático do discernimento dos espíritos (cf. I Cor 12,10). Com ele, o Senhor nos dá a graça de discernir, em determinado momento de nossas vidas ou na vida do irmão qual espírito está agindo… se o Espírito de Deus, o espírito humano ou o espírito diabólico. Assim, o inimigo é fragilizado, pois suas obras são desmascaradas.
     E só pela força de Deus conseguimos vencê-lo. É estando em comunhão com o Senhor que esta batalha é ganha, uma vez que a força de Deus é infinitamente superior à de satanás. Este é uma criatura e, sendo assim, diante da onipotência de Deus, é infinitamente limitado e derrotado. Santa Tereza d’Ávila afirmava que para ela, uma mosca a incomodava mais que o próprio demônio.
     Da mesma forma, é pela HUMILDADE que vencemos o diabo e tornamos fracas todas suas obras. Ora, o demônio “afronta tudo o que é elevado, é o rei dos mais orgulhosos animais”(Jó 41,25). Assim, diante do humilde ele não tem forças para derrubar. Pode até mesmo tentá-lo, mas não encontra nele uma ocasião de queda. Voltemos à cena da tentação no deserto: satanás até tentou derrubar Jesus mas, perante a Humildade encarnada não pôde fazer nada. Da mesma forma conosco: quanto mais humildes formos, mais semelhantes a Jesus! Quanto mais humildes, menos ocasiões de queda serão encontradas em nós, uma vez que o “rei dos mais orgulhosos animais” conhece bem a natureza de uma alma orgulhosa.
     A um primeiro momento, a humildade parece ser algo fácil de se alcançar e mesmo, algo superficial. Mas não o é. Humildade exige desapego de si mesmo. Desapego das próprias vontades, do próprio querer. Humildade supõe humilhação. Humildade supõe obediência. Humildade exige silêncio mesmo diante de acusações e falsos testemunhos. Humildade exige esquecer-se de si mesmo. Humildade exige considerar o outro maior do que você. Humildade brota do coração. Um coração humilde nem hesita em dar a vez, a razão e o controle ao outro e principalmente a Deus. Ora, foi assim com Jesus. Jesus foi obediente ao Pai até a morte de Cruz. Sobrepôs a vontade do Pai à sua. Calou-se diante acusações humanas. Ele, sendo Deus e conhecendo todos os corações, poderia ter se defendido diante do Sinédrio. Mas não. Deixou-se humilhar ainda mais para fazer a vontade do Pai. Calou-se. Amou. Obedeceu. Uma alma soberba, por mais que tente, não consegue obedecer. Sempre considera suas idéias superiores às dos outros.
     Assim, quanto mais humildes formos, mais parecidos com Jesus seremos e mais força teremos diante do demônio para vencê-lo. Pois o Senhor desconcerta o coração dos soberbos, derruba do trono os poderosos e exalta os humildes (cf. Lc 1, 51-52). Em contrapartida, quanto mais soberbos, mais nos pareceremos com o rei dos mais orgulhosos animais. Cabe a nós optarmos, mais uma vez,  a qual rei estaremos servindo e nos espelhando.
     Podemos portanto, classificar duas armas contra este segundo inimigo da alma: ORAÇÃO (para desvendar suas obras e estar em comunhão com Deus) e HUMILDADE para nos assemelharmos cada vez mais com Aquele que já o venceu: Jesus.
 

A CARNE
     
Por fim, o terceiro inimigo que investe contra a alma: a carne. Esta, dentre os três, é o mais tenaz e pegajoso dos inimigos. Ela oferece continuamente uma oposição ao espírito e durará até quanto durar o homem velho em nós. Trata-se portanto de uma batalha árdua, uma vez que o homem velho durará enquanto durar nossa vida, devido à concupiscência existente em nós.  Conta-se que Santo Inácio de Loyola escrevia diariamente em sua mão o pecado que durante o dia inteiro ele precisaria combater. No dia de sua morte, perceberam que sua mão estava fechada e que trazia consigo um papel. Ao abrirem a mão, perceberam que no papel estava escrito: ORGULHO. Santo Inácio, mesmo no dia de sua morte estava combatendo contra a sua carne!
     Trata-se de um inimigo mais complicado de se vencer uma vez que, com os demais inimigos  travamos uma luta externa. O mundo e o demônio são  inimigos que agem exteriormente. Já a carne não. Está em nós: são os NOSSOS próprios desejos e impulsos. É uma luta não contra NÓS mas contra o pecado que habita em nós. Podemos perceber a angústia e batalha travada do apóstolo Paulo ao se deparar com suas próprias fraquezas em Rm 7, 14ss:
“Eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita o bem: porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que gostaria mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro pois em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus no íntimo do meu ser. Sinto porém nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso senhor! Assim pois, de um  lado, pelo meu espírito sou submisso à lei de Deus; de outro lado por minha carne, sou escravo da lei do pecado”.
    


 Árduo combate, uma vez que dentro de nós estão em confronto duas leis: a do espírito e a do pecado. De um lado, encontra-se, em função do pecado original, a concupiscência carnal – que é a tendência a fazer o mal. Por outro lado, em nosso coração estão cravados os mandamentos de Deus e suas leis. Eis a batalha.
     E essa luta, este combate interior PRECISA acontecer. Precisa, diariamente, existir em nós. Caso contrário podemos perceber que estamos dando a vitória continuamente à carne. Pois realizar aquilo o que a carne pede é nos satisfazer pessoalmente. Lutar contra ela não o é.  Lutar contra a carne, ou seja, lutar contra os nossos próprios desejos dói. E precisa doer porque o Amor Verdadeiro dói. Na Cruz foi assim. Conosco precisa ser da mesma forma. Enquanto não estiver sangrando, se não estivermos neste conflito experimentado por São Paulo, certamente é a carne que está ditando nossas ações.
     Vencer a carne é não ser refém dos próprios sentimentos, dos desejos e do querer. Assim, é preciso constância para mantermos firmes e inabaláveis os propósitos assumidos diante de Deus, bem como a fidelidade aos planos e pedidos do Pai a cada um. Vencer a carne é fazer aquilo o que NÃO gostaríamos de fazer. Os homens guiados pelo Espírito não fazem aquilo o que gostariam de fazer porque “os desejos da carne se opõe aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros” (Gl 5,17). Ora, se é o Espírito que nos guia, se é o Senhor que habita em nós fazemos a vontade dAquele que nos criou. E muitas vezes a vontade de Deus não é a nossa. Assim, exige-se de nós a mortificação. Nas pequenas coisas cotidianas vencemos a carne se fazemos aquilo o que não gostamos de fazer. Seja o arrumar casa, o passar roupa, o fazer a vontade do outro, o silenciar diante das contrariedades, o lavar o carro, enfim… se nas pequenas coisas conseguimos dizer NÃO às regras da carne, na luta contra o pecado será da mesma forma.
     E vencer a carne é, antes de tudo, vencer o pecado que nela habita. Arrancá-lo de nosso coração como se faz com as ervas daninhas em um terreno. Na maioria das vezes, as ervas daninhas são arrancadas superficialmente, uma vez que a raiz está arraigada, profundamente presa ao solo. Muitas vezes conseguimos arrancar apenas as folhas. Porém, em pouco tempo, elas crescem com mais vigor. É preciso um veneno específico para aniquilá-las. Em nosso coração, acontece da mesma maneira. Precisa-se de uma intervenção direta de Deus para arrancar por inteiro a raiz do pecado em nós. O sangue de Jesus precisa ser derramado para queimar e acabar com as ervas daninhas insistentes do nosso coração. Caso contrário, arrancaremos apenas superficialmente o pecado, deixando a raiz. Seremos eternos reincidentes no pecado. E este trabalho  – o de arrancar o pecado pela raiz – precisa ser feito não por nós, mas pelo Agricultor que cuida de nós. A nós cabe apenas cultivar um terreno dócil à ação de Deus. Quanto mais fofa a terra estiver, mais fácil de arrancar pela raiz as plantas indesejadas.  
     Assim, para vencermos este terceiro e pegajoso inimigo precisamos da constância e da mortificação. Caso contrário, seremos como a semente que até germinou mas não tinha raiz em si. No primeiro vento ou sol forte ela se desfaz.
     Por fim, o Senhor nos convida a fazer de nosso coração um terreno fértil! Terreno úmido, regado pelo Espírito e que dá bons frutos. Terreno onde a palavra é semeada e VIVIDA! Onde a Palavra é encarnada. Palavra que é força de ataque contra os três inimigos da alma. Quanto mais alicerçados na Palavra do Senhor, menos forças terão nossos inimigos contra nós! À alma firmemente alicerçada no Palavra de Deus e no seu devido cumprimento pouco se pode fazer.

 Precisamos mobilizar todos os dons de Deus para combater os inimigos de Deus, mas podemos dizer que a cada um dos três corresponde, de modo especial, uma das virtudes teologais. Assim diremos:

 Do Demônio nos defenderemos como o escudo da Fé; das seduções ou agressões do mundo nos defendemos com a santa Esperança voltada para Deus e para o céu; e das fraquezas e malícias do amor-próprio nos defenderemos com fortes atos de Caridade firmados em insistentes atos de humildade.

      Portanto, armadura a postos e, na certeza de já sermos vencedores, unamos à toda a milícia celeste para lutarmos contra aqueles que nos fazem cair, pois a BATALHA É DO SENHOR!



Ana Carolina Zabisky



OREMOS IRMÃOS


[Pode-se usar água benta e tornar o crucifixo na mão.]

V. Eis a cruz de Cristo.
R. Afastem-se as forças do mal.
V. Venceu o Leão da tribo de Judá.
R. Jesus Cristo, o Filho de Davi.
V. Se Deus é por nós.
(SMA)
R. Quem será contra nos?
V. 0 Senhor é minha luz e minha salvação.
R. A quem poderia eu temer?
V. 0 Senhor é o baluarte de minha vida.
R. Perante quem tremerei?
V. Senhor, estendei Vossa mão poderosa.
R. Em Vós confiamos firmemente.

Oração:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos do poder das trevas, livrai-nos das insídias do demônio, fortalecei-nos nas tentações; não permitais que Lúcifer, o anjo apóstata, prevaleça contra nós.[

São Miguel, acompanhai-nos ate a presença do Deus Altíssimo e reforçai a súplica que a ele agora vamos dirigir:

Deus do céu, Deus da terra, Deus do espaço, Deus dos Anjos, Deus dos Arcanjos, Deus dos Patriarcas, Deus dos Profetas, Deus dos Apóstolos, e de todos os Santos, Vós que tendes o domínio sobre a vida e a morte, sobre os mistérios do mal e as forcas infernais e que nenhuma influência maléfica é capaz de resistir ao Vosso poder infinito, porque sois o Deus vivo, único e verdadeiro e nenhum outro Deus existe além de Vós, nós Vos pedimos que pelo sangue de Vosso Filho derramado na Cruz e pela intercessão da Virgem Maria, que esmagou a cabeça da serpente infernal, nos livreis a nós e a todo o gênero humano das forças do mal; protegei Vossos filhos das tramas astuciosas do demônio; que Lúcifer, o anjo rebelde, assim corno foi expulso do paraíso, agora também tenha o seu poder reprimido e neutralizado entre nos.
(SMA)

Mandai que São Miguel Arcanjo, chefe do exército dos Anjos bons e fiéis, faca recuar ate o inferno os espíritos rebeldes com seu chefe, Lúcifer, inimigo de Deus e dos homens, e assim nós tenhamos a segurança e a tranqüilidade que tanto desejamos

V. Da maldade e do vício,
R
. Livrai-nos, Senhor.
V. Do pecado e do erro voluntário,
R. Livrai-nos, Senhor.
V. Das ciladas do demônio,
R. Livrai-nos, Senhor.
V. Da morte eterna,
R. Livrai-nos, Senhor.

[Pai-Nosso, Ave-Maria, Gloria.]


 "Rogai por nós santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo."