segunda-feira, 31 de março de 2014

O PROTESTANTISMO E SUAS DÚVIDAS INFERNAIS


Chama a atenção de qualquer pessoa a aversão que grande parte dos protestantes nutre pela Igreja Católica.
Sabemos que bons e maus tem seguidores ou simpatizantes por todos os lados. As ideias mais inaceitáveis encontram adeptos e defensores em todo o canto.
Por exemplo, nota-se em tempos de eleições todo o tipo de idéia ou ideologia. As propostas mais abomináveis são aceitas ao menos por pequena parte do eleitorado.
Dependendo do cargo que se pretende e da quantidade de votos necessários para eleição de determinado candidato, pode-se colocar no poder alguém com ideias contestadas as vezes por milhões de pessoas a partir de meros 50.000 votos ou até menos.
No entanto, contrariando a tendência natural do ser humano pela pluralidade, quando o assunto é a Igreja Católica apenas com algumas raras exceções, percebemos nitidamente a aversão e por vezes até ódio por parte dos irmãos protestantes.
Como explicar isto ? Todos são maus no catolicismo ? Não há e nunca houve um sacerdote justo ou um papa honesto ?
Dizem até mesmo que nós católicos não somos cristãos. Não há uma só doutrina ou dogma católicos que não estejam certos ?
Ora, se a máxima protestante estivesse correta de que placa de igreja não salva ninguém, também estaria correta a afirmação de que placa de igreja não condena ninguém.
Então por que tão grande hostilidade se é o protestante quem diz que placa de igreja nada garante e consequentemente assume que esta mesma placa nada condena ?
Por anos procuramos explicações para esta aversão. No presente texto não desejamos dar explicações sobrenaturais, bíblicas ou teológicas. Nos parece que seria muita pretensão. Procuramos observar os aspectos racional e cotidiano.
O protestante vive uma angústia infernal. E por que ?
O protestante estabeleceu para si próprio o princípio Sola Scriptura. Tudo tem ser explicado pela Bíblia.
Entretanto, o protestante admite e com razão que a Bíblia é a palavra infalível de DEUS. Sendo assim, uma vez que a palavra de DEUS é infalível, não se pode admitir que duas pessoas interpretem de modos diferentes o mesmo texto bíblico.
É exatamente este um dos telhados de vidro do protestantismo. Não há protestante que concorde com outro protestante integralmente em matéria de fé e doutrina. E todo se dizem certos. E todos dizem que foram inspirados pelo Espírito Santo.
Sinceramente, acreditamos que muitos protestantes abraçaram o protestantismo por boa-fé e estes mesmos agem com sinceridade diante de DEUS. Para estes, é evidente que uma angústia pertubadora lhes assalta a todo o momento.
No caso das seitas e de seus falsos pregadores não se deve falar em angústia ou receios, já que para estes o evangelho e Jesus são apenas meios de se ganhar dinheiro. Eles mesmo não acreditam no que pregam.
Estamos falando para os protestantes sérios e comprometidos com o cristianismo e que por questão de justiça me vejo forçado a dizer que repudiam e contestam as inovações e modismos introduzidos pelos falsos mestres.
Um bom número de protestantes se posiciona de forma firme contra as novidades e blasfêmias introduzidas no meio cristão pelos inúmeros falsos profetas que andam por aí.
Pois bem. Se um e outro protestante não concordam em matéria de fé e doutrina, é certo que pelo menos um deles está errado. E quem está errado, portanto, fazendo diferente do que ensina a Bíblia que é a palavra de DEUS infalível, por certo estaria praticando heresia perante o outro protestante.
Não por acaso, não há protestante que não tenha sido acusado de heresia por outro protestante e não há protestante que não acuse outros de heresias.
Surge então a agonia infernal que assola cada protestante. Nem todos estão interpretando corretamente.
Como resolver o problema ? Se é certo que Jesus só tem uma opinião firme e verdadeira para cada tema e se é certo que ele não muda jamais, como conciliar doutrinas tão divergentes entre si de modo que todos os protestantes sintam-se seguros quanto a salvação ?
Duas situações dão ao protestante a falsa segurança de que sua eventual heresia não lhe condenará ao inferno.
1º situação
A primeira é a salvação garantida. Quem aceita Jesus está salvo e já não importa o tipo de cristianismo ou o Jesus no qual se acredita. Levantou o dedo e fez o favor de “aceitar” Jesus já está salvo. E a maioria diz ainda que salvação garantida não pode ser perdida.
Ou seja, assim como Lutero que disse que o homem deveria pecar o máximo possível que ainda assim seria salvo pela fé, o protestante acredita que tendo “aceitado” Jesus suas eventuais heresias não serão levadas em conta e neste caso a salvação obtida a partir do “aceita Jesus” é algo que não pode ser perdido ainda que posteriormente ele se torne um herege formal.
Será ? Surge então um problema com esta teoria. Se estão todos salvos e salvação não pode ser perdida, podemos afirmar que pastores, pregações, leitura bíblica, dízimos, DVDs, CDs, música Gospel e mesmo igrejas protestantes são irrelevantes.
Se todos estão salvos, por que fazer cultos para quem já está salvo e sendo que tal salvação nem mesmo pode ser perdida ?
Por que pagar dízimos ? Por que leitura eficiente da Bíblia ? Por que pregações ? Se todos estão salvos e salvação não pode ser perdida, nem mesmo igrejas protestantes são necessárias. É tudo perda de tempo.
Por que cultos e pregações para pessoas que já estão salvas e pessoas que teoricamente não precisam de pastores ou igrejas já que contam com a “assistência” do Espírito Santo na leitura bíblica de modo que podem interpretar a Bíblia e podem conhecer a sã doutrina e a vontade de DEUS ? O protestante não explica e pouco lhe importa que a doutrina da salvação garantida não faça sentido algum.
Para resolver esta nova angústia, pois qualquer pessoa de bom senso pode concluir que a salvação não é algo automático e imutável, mas depende de nossas ações e perseverança, uma outra situação de certo modo recobra a “paz” do protestante quanto a salvação.
2º situação
O outro critério usado pelo protestantismo para trazer segurança aos seus filhos quanto a salvação foi nutrir aversão pela Igreja Católica.
Simples. Combate-se um inimigo imaginário e que deve ser enfrentado por todos. Este suposto inimigo seria o maior herege de todos. Culpado por tudo. Já tem gente culpando a Igreja Católica pelas atuais divisões das divisões no protestantismo.
Assim, quando o Senhor lhes cobrar as doutrinas estranhas ao evangelho por eles pregadas, haverão de dizer que combateram os maiores hereges ou o maior fabricantes de heresias que já existiu.
As doutrinas protestantes alimentam-se basicamente do anti catolicismo. Os regimes totalitários utilizam-se deste expediente, criando inimigos imaginários que devem ser combatidos e que servem como cortinas de fumaça para que ninguém tenha que enfrentar os seus próprios desmandos e graves equívocos.
Uns elegem os Estados Unidos da América como inimigo. No passado outros elegeram a extinta União Soviética. Outros elegem a imprensa, uns acusam os empresários ou governos e muitos outros elegem o papa ou a Igreja Católica como principais inimigos.
Seria natural que muitos protestantes chamassem católicos de irmãos em Cristo quando entre eles várias afinidades são evidenciadas. Seria natural que protestantes defendessem católicos quando estes se destacam por iniciativas ou ações. Seria lícito esperarmos apoio para eventuais discursos de sacerdotes em defesa de princípios cristãos ou defesa da fé.
Nada disto ocorre. Se o papa confessa Jesus Cristo como Senhor, lá vem uma crítica por causa de um pronome ou uma vírgula usada pelo papa. Se temos procissão somos idólatras. Se batemos palmas não temos respeito. Se não batemos palmas somos frios. Se tem celibato, deveríamos casar. E assim por diante.
Mesmo nas críticas, um grupo de protestantes acusa a igreja de ter modificado a doutrina. Então vem outro grupo e acusa a Igreja Católica de ser dogmática, arcaica e que nunca se moderniza.
Escândalos ou erros de sacerdotes católicos 500 anos atrás causam maior indignação aos protestantes do que um erro de um deles no presente.
Isto é estranho. O protestante nos aponta o dedo e nos diz que somos ímpios. Ora, se somos ímpios, seria mais natural que pecássemos. E sendo eles o “Povo de DEUS”, não seria natural que fossem mais intolerantes com seus próprios erros ?
Mas não é assim que funciona. Um católico 600 anos atrás que tenha cometido crimes é lembrado rotineiramente e todos os católicos atuais parecem ter que pagar pela infâmia ou escândalo causado séculos atrás.
Entretanto, quando o protestante se depara com escândalos e desmandos em seu próprio meio, muitos não só se ocupam de defender o indefensável, mas outros tantos tornam aqueles abusos com total descaso.
Mais estranho ainda é o fato de que na Igreja Católica nunca se defendeu que não há pecadores entre nós. Pelo contrário. O que é dito e ensinado é que a inerrância da Igreja refere-se as questões de fé, moral e doutrina. Nunca foi dito que filhos da Igreja estão imunes ao pecado.
Quanto aos escândalos, o próprio Jesus nos adverte que cuidaria daqueles através dos quais os escândalos foram introduzidos. Na prática ele está nos dizendo que sempre se encarregaria de purificar sua igreja. Quem torna Lutero “indispensável” em verdade não creu na promessa de Jesus.
O fato é que não compreendendo a diferença entre infalibilidade e “impecabilidade” os protestantes criaram igrejas que supostamente não teriam pecadores.
Evidente que tal situação não foi possível. E eles já descobriram isto. Lutero não demorou a concluir.
Falta coragem apenas de assumir que além de edificar igrejas com pecadores, agora os protestantes já não contam com o dom da infalibilidade que é reservado exclusivamente a Igreja Católica.
Não por acaso, as heresias vistas em larga escala no meio cristão são patrocinadas exclusivamente pelo protestantismo.
Unção da galinha, unção do cachorro, unção do zoológico, unção do chifre, unção da meia, unção do helicóptero, unção da vaca, batismo em parque de diversões, teologia da prosperidade, pregação pelo aborto, pregação pelo divórcio, unção do riso, regressão ao útero materno, unção da vassoura, transferência de unção, descarrego, fogueiras santas, desafios financeiros e tantas outras que demandariam um texto ainda maior. Já tem gente até dizendo que ajudar os pobres desvia recursos da “igreja”. Que horror !!!
Ora, Jesus disse que devemos temer mais aqueles que matam a alma do que aqueles que matam o corpo. Em outras palavras, as heresias podem ser mais nocivas do que os erros comuns a todos os homens.
Que angústia infernal vive o protestante ! Sua auto suficiência não lhe permitem retroceder. Desesperadamente, precisam constituir um inimigo maior e supostamente mais herege. E para não ter surpresas, nada melhor do que um conceito que “garante” salvação. Por via das dúvidas, melhor ainda é fazer desta salvação um tesouro que não pode ser perdido e independente do cristianismo que se pratica ou do Jesus que cada um segue.
Dois protestantes e um católico estão conversando. O primeiro protestante se diz favorável ao aborto. O segundo se diz contrário. O católico que participa da conversa concorda com este segundo protestante que é contrário ao aborto.
Qual a dupla entre os três que citei que se auto denomina como “irmãos” em Cristo ?
Resposta: Os dois protestantes, ainda que absurdamente divergentes entre si e ainda que um deles se afine em termos de doutrina mais com o católico do que com o outro protestante.
O comprometido protestante não compreende que ele vive um ciclo vicioso. Se defende a livre interpretação da Bíblia, terá que conviver com os maus que se utilizam da Palavra de DEUS para proveito próprio.
Pensa este protestante que o meio de evitar as heresias e deformações seja o estudo bíblico mais aprofundado. Tem gente clamando por um vigoroso e generalizado estudo bíblico no meio protestante como forma de combater as heresias. Engana-se este protestante de boa-fé.
Quanto mais estudo e teologia sem o alicerce de um magistério confiável, mais e mais surgirão novos pseudos mestres e “sábios” que eventualmente condenarão até mesmo os bons professores e estes mesmos fundarão novas seitas que produzirão novos “estudiosos” que, seguindo os passos dos primeiros também se dividirão e introduzirão novas heresias.
Todo aquele que estuda a Bíblia fora da orientação das autoridades legítimas constituídas pelo Senhor Jesus acaba pensando saber mais do que os outros. Quanto mais “sábio”, mais se pretende ensinar e menos se pretende aprender.
O genial e santíssimo São Thomás de Aquino, Doutor da Igreja disse e o disse bem: “Espero nunca ter ensinado nenhuma verdade que não tenha aprendido de Vós. Se, por ignorância, fiz o contrário, revogo tudo e submeto todos meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Romana”
Em contraste com a humildade do sábio católico e santo doutor, disse Martinho Lutero pai de todas as seitas: “Quem não crê como eu está destinado ao inferno. O meu juízo e o juízo de DEUS são a mesma coisa.”
E tem gente preferindo dar ouvidos a Martinho Lutero.
A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade. O texto bíblico lhe confirma a autoridade sobre as Escrituras. Afinal de contas não foi a Igreja constituída pela Bíblia, mas a Bíblia produzida pela Igreja.
Não por acaso o texto bíblico recomenda que toda Escritura é útil para o aprendizado. Em outras palavras, útil significa auxílio.
Confundir utilidade com suficiência é confirmar que todo e qualquer homem pode livremente interpretar a Bíblia e assim não há como condenar heresia alheia se não há antes um magistério confiável que defina o que é heresia.
Ao invés de atender a determinação bíblica de que a fé vem pelo ouvir, a fé do protestante acaba vindo pela sua própria leitura privada da Bíblia.
Quem é o ser humano que deseja ouvir e aprender de outro aquilo que ele julga que pode entender por si próprio ?
Assim, a fé do protestante em Jesus é a fé que cada um entendeu sobre Jesus através de sua leitura bíblica particular.
Se por vezes homens mais preparados e estudiosos conseguem aproximar-se da doutrina do Jesus verdadeiro, muitos outros acabam “crendo” em um Jesus que não existe, mas fabricado a partir de conclusões decorrentes da leitura particular de cada um.
E este Jesus que se opõe ao Jesus da Bíblia, mas que cada um entendeu a partir de sua própria leitura particular da Bíblia, é que será ensinado aos homens que não conhecem o evangelho e no Brasil particularmente será ensinado aos católicos que não conhecem a fé que dizem praticar.
Ora, a contradição já se inicia na própria pregação de um protestante para qualquer homem ou mulher. Como pretende o protestante convencer quem quer que seja, se antes mesmo de qualquer coisa quem lhe ouve deve crer que DEUS não constituiu a Igreja como coluna e sustentáculo da verdade e nem concedeu a homem algum o dom da infalibilidade ?
Não por acaso e porque cada qual tem o seu Jesus particular, quem prega teologia da prosperidade condena quem não a pratica e ainda rotula de trouxas seus opositores. Por outro lado, aqueles que abominam a dita teologia condenam aqueles que a ensinam, mas não deixam de considerar os primeiros como “irmãos em Cristo.”
A angústia infernal protestante se dá ainda em última análise a partir do princípio criado pelo protestantismo e para o qual cada protestante está obrigado. O próprio Sola Scriptura “Só a Bíblia”.
Ora, somos julgados pelos critérios que estabelecemos para os outros. Se somos misericordiosos, havemos de alcançar misericórdia de DEUS. Mas se somos rígidos, inflexíveis e intolerantes, estamos sujeitos ao julgamento de DEUS na mesma medida.
Quem se obrigou ao “Só a Bíblia” ? Não fomos nós católicos. Não somos seguidores de Lutero. Escutamos a Igreja.
O “Só a Bíblia” é um critério protestante, criado por protestantes e para protestantes.
Curiosamente, nossos dogmas, costumes de fé e doutrinas são cobradas pelos protestantes a partir do critério que deveria valer para eles.
E eles próprios não se dão conta de que o “Só a Bíblia” lhes condena, porquanto não havendo concordância no que se refere às questões de fé e doutrina, é óbvio que muitos estão saindo da Bíblia que deveria ser seguida por todos e pela qual todos, sem exceção, estão obrigados.
Quem cobra “Só a Bíblia” e nada além dela e concorda que a Bíblia é a palavra infalível de DEUS, obrigou-se ao princípio que pretende impor aos demais.
Quem é o protestante que gritando “Só a Bíblia” poderá desculpar-se por doutrina anti bíblica que tenha pregado ?
Quem é o protestante que gritando “Só a Bíblia” e dizendo-se inspirado pelo Espírito Santo em sua leitura bíblica poderá dizer que não entendeu o que leu ?
Como é seguro ser católico né ? Se fosse possível que a Igreja Católica cometesse erros em matéria de fé e doutrina, ainda assim poderíamos dizer a Jesus que fizemos o que estava na Bíblia e assim não interpretamos porque a Bíblia, segundo Pedro, proíbe a interpretação particular. E poderíamos dizer que acreditamos na Bíblia porque a Igreja Católica nos disse que era para crer.
E também poderemos dizer a Jesus que não confiamos na nossa leitura bíblica, porquanto a mesma Bíblia em Timóteo nos ensina que a Igreja é coluna e sustentáculo da verdade. Podemos dizer que deixamos exclusivamente para a Igreja a tarefa de interpretar corretamente as escrituras.
E poderemos finalmente dizer que escutamos o conselho de São Paulo e guardamos as tradições que nos foram transmitidas por escrito ou não. E podemos dizer que aprendemos estas tradições com a Igreja.
Podemos até dizer que confiamos em Pedro por causa das palavras de Jesus para que ele apascentasse as ovelhas e confirmasse seus irmãos na fé.
Se fosse possível erros na doutrina católica, nós católicos ainda poderíamos culpar a Igreja, São Paulo ou o Papa,
Quem sabe poderíamos ouvir: “Pai, perdoe aos católicos. Eles são leigos e não sabiam o que estavam fazendo.”
Ora, alguém perguntou a Jesus se ele era o filho de DEUS. Ele disse: “Tu o dissestes.” São nossos irmãos separados que dão testemunho de nós quando nos chamam de seguidores de papas ou quando nos dizem que nós CATÓLICOS não devemos considerar placa de igreja ou que o nome Igreja Católica não está na Bíblia.
São eles que dão testemunho que somos ensinados pela Igreja e mantemos fidelidade a Pedro.
E o protestante que tudo sabe a partir de sua própria leitura bíblica “inspirada” pelo Espírito Santo e que está obrigado ao critério “Só a Bíblia” ?
Diante da angústia infernal a qual cada protestantes está sujeito a partir das escolhas que fez, nada melhor para lhe trazer uma falsa segurança do que acreditar na salvação garantida a partir do “aceita” Jesus e a eleição de um inimigo comum e “destrutivo” que deve ser vencido e que seria um herege ainda maior do que qualquer protestante.
Nós católicos devemos dar graças ao Senhor pelo seu imenso amor. Conhecendo nossas fraquezas, nossas imperfeições, mazelas, soberba, arrogância, não nos abandonou a nossa própria sorte e aos nossos julgamentos parciais e completa ignorância, mas deu-nos como mãe e mestra por excelência a igreja inerrante que tudo nos ensina e que é o caminho seguro para nossa santificação rumo a pátria celeste.
Já não somos nós que devemos descobrir por conta própria e a partir de nossa leitura bíblica privada a igreja que devemos integrar, as doutrinas que devemos seguir e repudiar, e, nem mesmo precisamos decidir quem é ou não herege ou quem vai ou não para o céu.
O Cristo nos salva. A Igreja nos ensina. O espírito nos santifica. E o Pai julga todas as coisas.
E ainda ganhamos Maria como caminho mais reto e seguro para Cristo. Façamos como João e levemos Maria para a casa.
E ainda temos os exemplos de nossos santos que dão testemunho do poder do DEUS vivo que é capaz de transformar toda e qualquer criatura humana.
Negar que seja possível alguém tornar-se santo é duvidar que o autor de toda a santidade possa produzir obras perfeitas. Ele mesmo diz: “Sem mim nada podeis fazer.” Quem é santo, só pode se-lo por causa de Jesus Cristo.
Que amor sem medidas do Altíssimo DEUS pela humanidade !
Infelizmente, o protestante está amarrado ao critério que criou para si próprio. Nada melhor do que impor aos católicos o “Leia Bíblia” para se auto convencer que existem outros interpretando de forma ainda mais equivocada do que ele próprio.
Repudiamos ofensas contra a honra e dignidade das pessoas. Somos favoráveis ao amplo debate religioso e a liberdade de escolha de crenças e fé que pareçam mais adequados a cada homem ou mulher. Defendemos a liberdade religiosa e condenamos qualquer tipo de perseguição ou preconceito contra crença ou religião de quem quer que seja. Limitamos o debate às questões de fé e doutrina tão e somente.

A paz do Senhor esteja convosco.
Autor: V.De Carvalho com a colaboração de B.Carvalho/Dani Silva e A.Silva – Livre divulgação mencionando-se o autor

A Disciplina do Arcano


INTRODUÇÃO
A Igreja desde sempre zelou pela revelação que Deus nos deixou através de Cristo Jesus. Por esse motivo, gostaria de evidenciar aqui o valor que os cristãos desde sempre deram para os sacramentos, uma vez que eles são os bens mais preciosos que foram deixados por Jesus à Igreja.
Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem. (São Mateus 7,6)
Disse Jesus aos seus discípulos. E isso, desde sempre a Igreja levou bem a sério. Pois usando mal daquilo que é santo, “todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor.”(I Cor 11,27).
“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: “Não dêem as coisas santas aos cães“.” (Didaqué, 9)
Notamos então, que desde o início a Igreja tinha uma liturgia, e que esta liturgia reservava uma parte especialíssima para a celebração Eucarística: “Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: “Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações”.” (Didaqué, 14).
A Igreja chama a Eucaristia de sacrifício, pois Jesus “depois de ter dado graças, partiu-o (o pão) e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.” (I Cor 11,24), evidenciando que a mesma é sacrifício, uma vez que na Nova e Eterna aliança não há outro sacrifício além do de Cristo. Desta forma há um profundo zelo pela liturgia Eucarística, uma vez que sempre se creu que nela se realizava o próprio sacrifício de Cristo na cruz.
Mas para participar da Eucaristia, deveria ser completamente iniciado. Então, nos primeiros séculos onde os cristãos eram minoria entre os pagãos, para alguém fosse um iniciado, passava antes pelo catecumenato, para aprenderem sobre os mistérios, uma vez que os sacramentos não devem ser ministrados a quem não tinha uma preparação e um discernimento suficientes para participar e ser inserido nos mistérios da Igreja: o batismo, por onde há a regeneração e inserção no Corpo de Cristo, a confirmação do batismo, que vincula mais perfeitamente à Igreja nos enriquecendo de força especial do Espírito Santo, e a comunhão, sacramento da união com Cristo.

A DISCIPLINA DO ARCANO
Feitas as reflexões introdutórias, vamos saber o que significa a disciplina do arcano. Este é um termo teológico para expressar o costume que prevaleceu nos primeiros séculos da Igreja, pelo qual o conhecimento dos mais íntimos mistérios da religião cristã foi cuidadosamente afastado dos pagãos e até mesmo de pessoas que estavam passando por instruções na fé. Uma vez que o costume em si é indiscutível (como veremos adiante), o nome é relativamente moderno, e não aparece ter sido usado antes do século XVII (New Advent) e, denota algo privado, misterioso.
Este costume é prática apostólica, como podemos observar em Paulo: “Eu vos dei leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar.” (I Cor 3,2), com essa passagem, podemos comparar também com Hebreus 5, 12-14, onde esta mesma ilustração é usada, e é declarado que: “Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus; e vos tornastes tais, que precisais de leite em vez de alimento sólido! Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal.”.
Com isso, notamos que nos primeiros séculos, a primeira comunhão também era a primeira Eucaristia. Pois quando havia a celebração da missa, quem era batizado e quem não era batizado participava da primeira parte da missa, a chamada “missa dos catecúmenos” ou “liturgia da palavra” [1]: as pessoas iam para ouvir as leituras bíblicas, a homilia do bispo e, quando terminava a homilia, os diáconos iam retirando os catecúmenos, aqueles que não eram iniciados [2]. A chamada “oração universal” ou “oração dos fiéis” é feita depois que os catecúmenos já saíram, porque eles ainda não são cristãos já iniciados e então se fechava as portas da igreja e com as portas fechadas se celebrava a Eucaristia [3], porque só poderiam estar presentes na Eucaristia quem era plenamente iniciado, quem tinha sido plenamente introduzido na vida da Igreja, recebendo os sacramentos do batismo, da confirmação e da comunhão, como nos mostra São Cirilo de Jerusalém: “Se aprouver a Deus, quando nas Catequeses Mistagógicas seguintes entrarmos no Santo dos Santos [4], conheceremos, então, os símbolos das coisas que lá se realizam.” (Primeira Catequese Mistagógica, 11), e mais adiante, em suas Catequeses Mistagógicas inteiras.


TESTEMUNHOS ANTIGOS
Partamos agora, para os testemunhos dos Pais da Igreja e dos primeiros cristãos, à respeito da bela valorização que davam para os mistérios (sacramentos) da fé cristã, com a disciplina do arcano.

TERTULIANO
Embora não seja um Pai da Igreja, é um apologista cristão dos primeiros séculos, que ocupou posição de destaque. Nasceu no ano de 160 e faleceu no ano de 220 da era cristã. Infelizmente terminou sua vida na heresia montanista. Mas antes de cair em heresia, ele escreveu obras que são importantes para testemunhar a fé da Igreja, que ele defendia de forma eloquente. Em uma de suas obras, chamada “Apologia”, ele relata um fato curioso com a disciplina do arcano: uma vez que os pagãos não deviam ouvir tudo o que a Igreja crê, porque eles não tem fé, eles começaram a ridicularizar os mistérios celebrados pelos cristãos, e então, Tertuliano nos defende das acusações infundadas dos pagãos:
“Monstros de maldade, somos acusados de realizar um rito sagrado no qual imolamos uma criancinha e então a comemos, e no qual, após o banquete, praticamos incesto, e os cães, nossos alcoviteiros, pois não, apagam as luzes para na imoralidade da escuridão nos entregarmos a nossas ímpias luxúrias! (…) Se sempre mantemos nossos segredos, quando se tornaram conhecidos do público nossos atos? Então, por quem poderiam ter sido desvendados? De certo não pelos próprios acusados, mesmo porque há o conceito de fidelidade ao silêncio que é sempre própria dos mistérios. Por acaso, os Samotrácios e os Eleusínios não escondem o quanto procuram manter silêncio a respeito do que verdadeiramente são, em seus segredos, promovendo castigos humanos oportunos e ameaçando com a futura ira divina?” (Apologia, VII)
Dentre as partes destacadas, a primeira refere-se claramente ao sacramento da comunhão, ao sacrifício da Eucaristia, onde comungamos do corpo do Filho de Deus. A segunda, refere-se ao momento em que na liturgia da missa, saudamo-nos uns aos outros como irmãos: “Terminadas as orações, nos damos mutuamente o ósculo da paz.” (São Justino, I Apologia). E a terceira parte destacada, refere-se à disciplina do arcano, claramente.

JUSTINO DE ROMA
Grande Padre Apologista, Justino nasceu por volta do ano 100 na antiga Siquém, em Samaria, na Terra Santa. Fundou uma escola em Roma, onde gratuitamente iniciava os alunos na nova religião, considerada como a verdadeira filosofia. De fato, nela tinha encontrado a verdade e portanto a arte de viver de modo reto. Por este motivo foi denunciado e foi decapitado por volta do ano de 165 em Roma, sob o reinado de Marco Aurélio, o imperador filósofo ao qual o próprio Justino tinha dirigido a sua Apologia. Nesta obra, ele testemunha a disciplina arcana:
“Vós ouvis em toda parte que sois chamados piedosos e filósofos, guardiões da justiça e amantes da instrução; mas que o sejais realmente, é coisa que deverá ser demonstrada. (…) De fato, vos dizemos: estamos convencidos de que, através de ninguém, pode ser feito algum mal a nós, enquanto não se demonstrar que somos praticantes da maldade ou nos reconheçamos como malvados. Vós podeis matar-nos, mas não condenar-nos. (…) Para que não se pense que se trata de alguma fanfarronada nossa e opinião audaciosa, pedimos sejam examinadas as acusações contra os cristãos. Se for demonstrado que são reais, castiguem-nos como é conveniente que sejam castigados os réus convictos; porém, se não há nenhum crime para interrogá-los, o verdadeiro discurso proíbe que, por um simples boato malévolo, se cometa injustiça contra homens inocentes ou, melhor dizendo, a cometais contra vós mesmos, que acreditais ser justo que os assuntos sejam resolvidos não por julgamento, mas por paixão.” (I Apologia 2-3)
Da mesma forma que Tertuliano, São Justino nos relata que eram cometidas injustiças contra os cristãos: os cristãos eram mortos e perseguidos por “simples boatos” de que eram “praticantes da maldade”. Oras, de que boatos se estava falando? Dos mesmos de que trata Tertuliano. Isso se mostra quando Justino tenta expor o que acontece na liturgia eucarística, mais adiante:
“Este alimento se chama entre nós Eucaristia, da qual ninguém pode participar, a não ser que creia serem verdadeiros nossos ensinamentos e se lavou no banho que traz a remissão dos pecados e a regeneração e vive conforme o que Cristo nos ensinou (Esta regeneração se trata do batismo, conforme “I Apologia, 61″). De fato, não tomamos essas coisas como pão comum ou bebida ordinária, mas da maneira como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus, teve carne e sangue por nossa salvação, assim nos ensinou que, por virtude da oração ao Verbo que procede de Deus, o alimento sobre o qual foi dita a ação de graças – alimento com o qual, por transformação, se nutrem nosso sangue e nossa carne – é a carne e o sangue daquele mesmo Jesus encarnado. Foi isso que os Apóstolos nas Memórias por eles escritas, que se chamam Evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles, quando Jesus, tomando o pão e dando graças, disse: “Fazei isto em memória de mim, este é o meu corpo” . E igualmente, tomando o cálice e dando graças, disse: “Este é o meu sangue”, e só participou isso a eles. E certo que isso também, por arremedo, foi ensinado pelos demônios perversos para ser feito nos mistérios de Mitra; com efeito, nos ritos de um novo iniciado, apresenta-se pão e uma vasilha de água com certas orações, como sabeis ou podeis informar-vos. Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: “Amém”. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos.” (I Apologia, 66-67)
Achei necessário transcrever este trecho inteiro, porque então não restará dúvidas de que Justino está falando do mesmo que Tertuliano. Dessa forma, defendendo-se perante Marco Aurélio, mostrou que o que acontecia em segredo não era nada daquilo que os boatos diziam, mas revelou aquilo que se passava com o que de mais sagrado acontecia, e acontece até hoje, na Igreja. Isso é um xeque-mate nos protestantes que afirmam que a Eucaristia não é sacrifício e que os Pais da Igreja não defendiam isso. Oras, até mesmo os pagãos enxergavam aquilo como sacrifício de tal maneira que chegaram até a levantar calúnias dizendo que os cristãos “imolavam uma criancinha”, conforme nos relata Tertuliano.

ORÍGENES
Orígenes, nascido em Alexandria no ano 185 e falecido no ano de 254 em Tiro foi, catequista, teólogo e exegeta, e é considerado o fundador da ciência bíblica. Na obra apologética Contra Celso (cerca de 248), Orígenes refuta as críticas deste filósofo pagão de cuja origem pouco se sabe, e de cuja obra só se tem notícia pela refutação que recebe. Movem-se ambos na mesma atmosfera eclético-platônica, e é a partir desta herança cultural que se esforçam cada qual para derrotar ou justificar a herança judaico-cristã. Enquanto Celso explica a proximidade entre ambas por uma falta de originalidade de judeus e cristãos, agravada por sua pretensão no sentido contrário, a pedido de Ambrósio Orígenes inverte o argumento e faz de Moisés o filósofo primigênio, cuja sabedoria (Logos) se manifesta secundariamente a todos os povos e nações, e em sua plenitude na vida de Jesus e de seus seguidores.
“Depois do exemplo emprestado dos mistérios Mitraicos, Celso declara que iria investigar os mistérios cristãos, juntamente com a referência persa, comparando os dois juntos, e por meio disso desvendaria os rituais dos cristãos , vendo desta forma a diferença entre eles.” (Contra Celso 6,24)
Orígenes da mesma maneira que Justino, relatou que os mistérios cristãos eram mal entendidos como algo dos mistérios de Mitra. Entretanto ele mostra que se Celso fosse comparar os mistérios cristãos com os persas, veria que há diferença entre os mesmos, apesar de ambos serem feitos às escondidas.
“E uma vez que a graça de Deus está com todo aquele que ama com um afeto puro o professor das doutrinas da imortalidade, quem é puro, não só de toda a imundícia, mas de tudo que são consideradas transgressões menores, que seja arrojadamente iniciado nos mistérios de Jesus, que sejam feitos conhecidos apenas para o santo e o puro. Celso fala dessa forma do iniciado: “Deixai vir aquele cuja alma é consciente de nenhum mal”. Mas aquele que age como iniciador , de acordo com os preceitos de Jesus , vai dizer para aqueles que foram purificados no coração: Aquele cuja alma foi durante muito tempo consciente de nenhum mal, especialmente desde que ele entregou-se à cura da palavra, deixe-o ouvir as doutrinas que foram ditas em privado por Jesus aos Seus verdadeiros discípulos . Portanto, na comparação que ele faz entre o procedimento dos iniciadores para os mistérios gregos, e os mestres da doutrina de Jesus , ele não sabe a diferença entre convidar o ímpio para ser curado, e iniciar os que já estão purificados, nos sagrados mistérios.” (Contra Celso 3,60)
Este fragmento mostra que, diferentemente dos pagãos, era necessário que se realizasse uma preparação especial para os que participariam dos mistérios cristãos. Os pagãos admitiam qualquer um que falasse que não tinha consciência de algum mal, entretanto, os catecúmenos que eram iniciados deveriam crer serem verdadeiros os ensinamentos cristãos. E Orígenes explica a razão, mais adiante:
Deus ordenou antes dos séculos para a glória de Seus santos, que nós convidemos à comunhão na sabedoria escondida em mistério os que não tem participação nos mistérios: o ímpio, o ladrão, o assaltante, o envenenador, o que comete de sacrilégio, o saqueador dos mortos, e todos os outros que Celso pode enumerar em seu estilo exagerado, contudo, convidamos esses para serem curados. Pois há na origem divina da palavra uma ajuda para a cura das pessoas que estão doentes, respeitando o que a palavra diz: Não necessitam de médico os sãos, mas sim, os que estão doentes. (Mt 9,12). Outros ainda, exibem para os puros de corpo e alma a revelação do mistério, que foi mantido em segredo desde que o mundo começou, mas que agora foi manifesto pelas Escrituras dos profetas e “através da aparição de nosso Senhor Jesus Cristo”, que se revela a cada um daqueles que são perfeitos, ilumina a razão no verdadeiro conhecimento das coisas. (Contra Celso 3,61)
Enquanto nos mistérios de Mitra eram aceitas quaisquer pessoas que não se acusassem na consciência, aos mistérios da Igreja todos são chamados, ímpios e puros, e sendo chamados são ajudados e preparados para que participem dos mistérios, pois como disse Orígenes citando Sabedoria 1,4: “A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado” (Contra Celso 3,60). Com esta citação Orígenes ainda diz que nos próprios mistérios é Jesus (Sabedoria) quem se faz presente de maneira eficaz. Dito isso tudo, evidencia-se que os sacramentos da Igreja eram preservados da profanação dos pagãos, e as razões pelas quais eles eram preservados, com a disciplina do arcano.

SÃO BASÍLIO MAGNO
Bispo de Cesaréia da Capadócia, nascido por volta do ano de 329, falecido em 379, desenvolveu uma intensa atividade pastoral, teológica e literária. Em sua obra, “Do Espírito Santo”, assim como Tertuliano, ele testemunha que os mistérios, ou para melhor entendimento, os sacramentos, eram reservados, privados àqueles que já tinham a iniciação cristã completa, ou seja, já tinham recebido os sacramentos do batismo, crisma e comunhão.
“Com efeito, como seria razoável divulgar por escrito aquilo que de forma alguma é permitido aos não-iniciados contemplar? (…) Foi igualmente desta forma que os Apóstolos e os Padres, que desde os primórdios dispuseram tudo o que se refere às Igrejas, sob silêncio e segredo conservaram também o caráter sagrado dos mistérios. Pois já não é mistério absolutamente o que chega aos ouvidos do vulgo. É o seguinte o motivo da tradição não escrita: impedir que, por descuido, o conhecimento da doutrina seja menosprezado por muitos, devido à rotina”(…) (Tratado sobre o Espírito Santo, 27)
São Basílio mostra a mesma ideia presente em Mateus 7,6: “impedir que, por descuido, o conhecimento da doutrina seja menosprezado por muitos, devido à rotina”, ao que se refere aos sacramentos, pois quando anteriormente diz “Com efeito, como seria razoável divulgar por escrito aquilo que de forma alguma é permitido aos não-iniciados contemplar?” ele está se referindo exatamente aos três sacramentos de iniciação cristã: o batismo, a crisma e a comunhão.

HIPÓLITO DE ROMA
Tido como chefe de uma comunidade de Roma, nasceu em Roma por volta do ano 170 e faleceu em 236, na Sardenha. Hipólito foi discípulo de santo Irineu e foi um profundo conhecedor da doutrina e da Tradição dos Apóstolos.
Em sua obra “Tradição Apostólica”, ele trata várias vezes da realidade do arcano, no que se refere também aos catecúmenos, que eram privados dos sacramentos (mistérios) exatamente pelo catecumenato:
“O catecúmeno não participará da ceia do Senhor.” (Tradição Apostólica)
Diz ainda que os que ainda não foram iniciados, são infiéis, ou seja, ainda não eram cristãos completos, ainda estavam em formação, e por não terem sido batizados ainda, não poderiam participar dos mistérios e comungar:
“Que todo fiel corra a receber a eucaristia antes de experimentar qualquer outra coisa. Se receber por causa de sua fé, não se prejudicará, mesmo sendo o homem mortal. Todos devem se esforçar para não permitir que o infiel prove a eucaristia, nem um rato ou outro animal; deve-se cuidar para que dela não caia uma migalha e se perca, pois ela é o Corpo de Cristo que deve ser comido pelos fiéis e não pode ser negligenciado.” (Tradição Apostólica)
Até mesmo a saudação, sinal da comunhão, não é permitida aos não iniciados:
“Ao concluírem as orações (os catecúmenos), ainda não darão a paz porque o seu ósculo ainda não será santo. Os fiéis, porém, saudar-se-ão, reciprocamente: os homens aos homens e as mulheres às mulheres(…)” (Tradição Apostólica)
Depois de explicar como se dá a iniciação, e o que acontece nos ritos do batismo, confirmação e comunhão, Hipólito termina dizendo:
“Se algo deve ser recordado, diga o bispo secretamente aos que tiverem recebido o batismo, para que os não fiéis não venham a conhecer antes de também receberem. Esta é a ficha branca aludida por João ao dizer: “Um novo nome foi escrito nela e ninguém o conhece a não ser aquele que a receberá”(Ap 2,17).” (Tradição Apostólica)

AMBRÓSIO DE MILÃO
Bispo de Milão entre os anos de 347 a 397, nascido em Tréveris por volta de 340, faleceu em Milão, no ano de 397. Aprendeu a conhecer e a comentar a Bíblia através das obras de Orígenes, o indiscutível mestre da “escola de Alexandria”. Foi um dos grandes Pais da Igreja.
“Portanto, li que as três testemunhas no batismo , a água, o sangue, e o Espírito são um, pois se você tirar um deles, o Sacramento do Batismo não existe. Pois o que é a água sem a cruz de Cristo? Um elemento comum, sem qualquer efeito sacramental. Nem há também o sacramento da regeneração sem água: “Aquele que não nascer da água e do Espírito , não pode entrar no reino de Deus”. Agora, até mesmo o catecúmeno acredita na cruz do Senhor Jesus , com o qual ele também é assinado, mas a menos que ele seja batizado em nome do Pai , e do Filho , e do Espírito Santo, ele não pode receber a remissão de pecados , nem ganhar o presente da graça espiritual.” (Sobre os Mistérios, 4,20)
Ambrósio aqui deixa claro aquilo que a Igreja sempre ensinou: que os sacramentos são eficazes e que, por isso, conferem a graça. Por conseguinte, para que os sacramentos não sejam profanados, o catecúmeno que ainda não tem a preparação devida, não participa ainda deles: mais uma amostra da prática arcana.
Aos catecúmenos que já estavam preparados, eram ensinados o credo, para que no batismo estes o professassem:
Um dia depois, num domingo, depois das aulas e do sermão, quando os catecúmenos foram dispensados, eu estava ensinando o credo de certos candidatos (ao batismo) no batistério da basílica (Carta 20,4)

JOÃO CRISÓSTOMO
Nascido em torno do ano 349, em Antioquia da Síria, desenvolveu lá o ministério presbiteral durante cerca de onze anos, até o ano 397, quando foi nomeado bispo de Constantinopla. Faleceu em Comana, do Ponto, em 407. Se situa entre os Padres mais prolíficos: dele nos chegaram 17 tratados, mais de 700 homilias autênticas, os comentários a Mateus e a Paulo (Cartas aos Romanos, aos Coríntios, aos Efésios e aos Hebreus) e 241 cartas. Não foi um teólogo especulativo. Transmitiu, ao contrário, a doutrina tradicional e segura da Igreja em uma época de controversas teológicas suscitadas sobretudo pelo arianismo, isto é, pela negação da divindade de Cristo.
“Por conta disso é que as leis da Igreja ordenam que a oração também deve ser feita assim, não só para o fiel , mas também para os catecúmenos . A lei incita o fiel para fazer súplicas aos não iniciados. Pois quando o diácono diz: “Vamos rezar fervorosamente para os catecúmenos”, ele faz algo que excita toda a multidão dos fiéis para orar por eles, embora os catecúmenos ainda sejam apartados. Porque eles ainda não são do Corpo de Cristo (…)” (Homilia 2, Sobre II Coríntios).
São João Crisóstomo assim como Hipólito de Roma, nesta carta deixa claro as razões pelas quais os catecúmenos eram segregados no momento da Liturgia Eucarística: eles ainda eram apartados, por ainda não fazer parte do corpo de Cristo. Só fazia parte do corpo de Cristo os que já eram iniciados, ou seja, os que tinham recebido os sacramentos da iniciação.

JERÔNIMO
Jerônimo nasceu de uma família cristã em Stridone no ano de 347 e faleceu por volta de 420. Presbítero, um dos grandes doutores da Igreja latina. Sobre a realidade do arcano, aplicado aos catecúmenos, podemos observar também em seus escritos:
“(…)diga isso para os catecúmenos que buscam admissão ao número de fiéis (…)” (Carta 69,3)
Se não cometemos pecado após o batismo, por que nós pedimos para que sejamos perdoados dos nossos pecados, os quais já foram perdoados no batismo? Por que rezar que não caiamos em tentação, e que podemos ser entregues a partir de um mal, se o diabo não pode tentar aqueles que são batizados? O caso é diferente se esta oração pertence aos catecúmenos e não é adaptada para os fiéis cristãos (Contra Joviniano, 2,3)
Novamente há a distinção daqueles que são fiéis e os que ainda não são fiéis. O que caracteriza o caráter eficaz dos sacramentos, onde o próprio Deus atua neles, transformando um infiel (catecúmeno) em fiel (já iniciado nos mistérios).

ATANÁSIO DE ALEXANDRIA
Nascido provavelmente em Alexandria, no Egito, por volta do ano 300 e faleceu por volta do ano 373, Atanásio foi, sem dúvida, um dos Padres da Igreja antiga mais importantes e venerados. Famoso e ferrenho defensor da doutrina da Trindade, em sua Apologia Contra os Arianos ele mostra um pouco sobre a disciplina do arcano:
E eles não têm vergonha de exibir os mistérios sagrados antes dos catecúmenos e, pior do que isso, mesmo antes dos pagãos: enquanto, eles devem atender ao que está escrito: “É bom para manter escondido o segredo de um rei”(Tobias 12,7 ), e como o Senhor nos cobrou: “não deis o que é santo aos cães, nem lanceis vossas pérolas aos porcos”(Mateus 7,6). Nós não devemos, por isso, desfilar os mistérios sagrados perante os não iniciados, para que os pagãos em sua ignorância não zombem deles, e os catecúmenos (…) não sejam ofendidos. (Apologia Contra os Arianos 1,11)
Outra razão pela qual os mistérios não eram divulgados aos não iniciados que ainda eram catecúmenos, era porque eles ainda não sabiam se defender das calúnias dos pagãos, porque não estavam ainda preparados o suficiente para receberem os sacramentos.

EUSÉBIO DE CESARÉIA
Nasceu por volta do ano 260, em Cesaréia onde foi bispo, e morreu por volta do ano 339. Em Alexandria, onde havia uma biblioteca fundada por Orígenes, se formou Eusébio. Não obstante a importância objetiva das suas obras apologéticas, exegéticas e doutrinais, a fama imperecível de Eusébio permanece ligada em primeiro lugar aos dez livros da sua “História Eclesiástica”.
E outros ainda, vai juntando apertadamente a um e outro lado ao redor do edifício basilical, posto que ainda são catecúmenos, em estado de crescimento e de progresso, ainda que não muito separados nem muito longe da visão do mais interior, próprio dos fiéis. (História Eclesiástica 4,63)
Neste trecho, Eusébio comprova que os catecúmenos, que ainda não eram fiéis, eram conservados sempre do lado de fora da basílica durante as celebrações reservadas apenas àqueles que eram fiéis, ou seja, que já eram iniciados.

EGÉRIA DE CONSTANTINOPLA
Egéria foi uma escritora eclesiástica do quarto século. Não se sabe ao certo a data de seu nascimento, mas estima-se que sua morte se deu por volta do ano 400. Em sua peregrinação ao oriente ela relatou em seus itinerários o que se passou.
“Após isto, o bispo, dirigindo a todos a palavra, diz: “Durante estas sete semanas, fostes instruídos inteiramente acerca de toda a lei das Escrituras e ouvistes também a respeito da fé; também a respeito da ressurreição da carne e de todo o significado do Símbolo ouvistes o que, embora catecúmenos, pudestes ouvir; mas as palavras concernentes a um mistério mais profundo, o próprio Batismo, porque sois ainda catecúmenos, não podeis ouvi-las; e, para que não julgueis que algo se faz sem razão, ouvi-las-eis após o término do ofício na Igreja, na Anástasis, durante os oito dias pascas quando, em nome de Deus, houverdes sido batizados; porque sois ainda catecúmenos, não vos podem ser revelados os mistérios secretos de Deus“.” (Peregrinação aos Locais Santos)
“Uma vez terminado o ofício e deixada a igreja, os monges acompanham o bispo, como em toda a parte se faz, e o conduzem, entoando hinos, até a Anástasis. Aproximando-se o bispo, ao som dos hinos, abrem-se, inteiramente, as portas da basílica Anástasis e entra o povo, ou melhor, entram os fiéis, mas não os catecúmenos.” (Peregrinação aos Locais Santos)
Como testemunha Egéria, não há novidade alguma: os sacramentos da Igreja eram velados para os catecúmenos em toda a parte. A Igreja sempre zelou por aquilo que tem de mais precioso.

CIRILO DE JERUSALÉM
Nascido em torno do ano 315, em Jerusalém ou perto dela, vindo a falecer pelo ano de 387. Cirilo recebeu uma ótima formação literária, que se converteu no fundamento de sua cultura eclesiástica, centrada no estudo da Bíblia. Dele conservamos 24 famosas catequeses, que pronunciou como bispo por volta do ano 350, de onde, vamos tirar os fragmentos que dirão sobre o nosso tema.
Desde há muito tempo desejava falar-vos, filhos legítimos e muito amados da Igreja, sobre estes espirituais e celestes mistérios. Mas como sei bem que a vista é mais fiel que o ouvido, esperei a ocasião presente, para encontrar-vos, depois desta grande noite, mais preparados para compreender o que se vos fala e levar-vos pelas mãos ao prado luminoso e fragrante deste paraíso. Além disso, já estais melhor preparados para apreender os mistérios todo divinos que se referem ao divino e vivificante batismo. Uma vez, pois, que vos proporemos uma mesa com doutrinas de iniciação perfeita, é necessário ensinar-vos com precisão, para penetrardes o sentido do que se passou convosco nesta noite batismal. (Primeira Catequese Mistagógica, 1)
Depois de lermos o que os demais Pais disseram, Cirilo vem agora e nos confirma tudo aos nossos olhos: Os catecúmenos eram ensinados por um longo tempo, como nos testemunhou Orígenes, para só depois que estivessem preparados, poderem receber da Igreja os sacramentos de iniciação.
“Pela benignidade de Deus, ouvistes de maneira suficiente, nas reuniões precedentes, sobre a batismo, a crisma e a participação do corpo e sangue de Cristo. Mas agora é necessário ir adiante, para coroar o edifício espiritual de vossa instrução.” (Quinta Catequese Mistagógica, 1)
São Cirilo coroa tudo o que tenho dito. Ele explica aqui, a expressão “iniciado”, que é usada para aquele que recebeu os três sacramentos de iniciação, falando sobre “edifício espiritual”. Mas o que isso tem a ver? Podem perguntar. Tem a ver que, quando um cristão recebe o sacramento do batismo, ainda não foi iniciado completamente, ou seja, faltam ainda a confirmação e a comunhão. Da mesma forma que com os alicerces e armações da construção de uma basílica já dá para se dizer que é uma basílica que está sendo construída, mas que ainda não está terminada, o seja, falta o telhado, o acabamento. É este o significado de edifício espiritual.
Mais adiante, Cirilo depois de ter explicado o que acontece na missa, recomenda aos catecúmenos a renderem graças a Deus, por terem recebido os sacramentos, que são os mistérios:
“Depois de teres comungado o corpo de Cristo, aproxima-te também do cálice do seu sangue. Não estendas as mãos, mas inclinando-te, e num gesto de adoração e respeito, dize «amém». Santifica-te também tomando o sangue de Cristo. E enquanto teus lábios ainda estão úmidos, roça-os de leve com tuas mãos e santifica teus olhos, tua fronte e teus outros sentidos. Depois, ao esperares as orações [finais], rende graças a Deus que te julgou digno de tamanhos mistérios. Conservai inviolavelmente essas tradições e vós mesmos guardai-vos sem ofensa. Não vos separeis da comunhão nem pela mancha do pecado vos priveis desses santos e espirituais mistérios. ” (Quinta Catequese Mistagógica, 22-23)

AGOSTINHO
Natural de Hipona, nasceu em Tagaste no ano de 354, e veio a falecer em Hipona, no ano de 430. Por sua singular relevância, Santo Agostinho teve uma influência enorme e poderia afirmar-se, por uma parte, que todos os caminhos da literatura cristã latina levam a Hipona. Poucas vezes uma civilização encontrou um espírito tão grande, capaz de acolher os valores e de exaltar sua intrínseca riqueza, inventando idéias e formas das quais se alimentariam as gerações posteriores. Agostinho é também o padre da Igreja que deixou o maior número de obras. Seu biógrafo, Posídio, diz: parecia impossível que um homem pudesse escrever tanto em vida. Vejamos algumas partículas de seus escritos, sobre o nosso tema:
“Veja que haviam crido nele, mas Jesus não confiava neles . Estes são todos os catecúmenos: aqueles que não acreditam em nome de Cristo, e Jesus não confiava-se-lhes . Veja e entenda sua inocência. Se perguntarmos a um catecúmeno: “Você crê em Cristo?” Ele responde: “Eu creio”, e confirma. Ele está na frente da cruz de Cristo, e não se envergonha da cruz de seu Senhor. Veja que acreditaram em seu nome .Interroguemos a ele: “Você não comes a carne do Filho do Homem e não bebes o sangue do Filho do Homem?”. Não sabe o que dizemos, porque não foi confiado a Jesus.“(Tratado 11)
Santo Agostinho não foge do que disseram os outros santos Padres: embora os catecúmenos acreditassem em Cristo, Jesus ainda não tinha sido comunicado a eles. Esta é a fé de sempre da Igreja, que sempre creu na eficácia ex opere operato dos sacramentos, que os sacramentos agem de modo eficaz. Os catecúmenos ainda não tinham recebido a Cristo, pela razão de que ainda estavam em preparação para serem inseridos nos mistérios (sacramentos) da Igreja.
“Mas pergunte a alguém: “Você é um cristão? ‘. Se ele responder: “Eu não sou”, então ele é pagão ou judeu. Se, no entanto, dizer: “eu sou”, você pergunta ainda: “catecúmeno ou fiel?”. Se ele responder: “um catecúmeno”, ele foi ungido, mas ainda não foi lavado. Mas como ungido? Informe-se e vão te responder. Pergunte-lhe em quem ele acredita, e pelo fato de ser um catecúmeno dirá: “Em Cristo”. Eis que agora falo aos fiéis e catecúmenos. O que eu disse sobre a saliva e o barro? Que o Verbo se fez carne . Isso também irão ouvir os catecúmenos, mas aquilo que receberam não é o suficiente para que eles tenham sido ungidos; Deixai-os irem depressa para a fonte, se eles procuram a iluminação.” (Tratado 44)
Como era evidente, a regra do que tenho apresentado não foi burlada. O bispo de Hipona também faz a distinção entre fiel e catecúmeno, entre aquele que é iniciado nos sacramentos (fiel) e aquele que ainda não foi iniciado nos sacramentos (catecúmeno).
Santo Agostinho em seu modelo de instrução para um investigador diz:
“Ele deveria ser perguntado se ele acredita no que ouviu, e esteja pronto para observar: se ele responde de forma afirmativa, ele deve ser solenemente assinalado e tratado de acordo com o costume da Igreja ” (Sobre a Catequese do Instruído 26,50)
Costume esse que nos relatou Cirilo de Jerusalém e toda a cristandade primitiva!

CONCLUSÃO

Creio que o texto alcançou seu objetivo: demonstrou exatamente aquilo que a Igreja sempre ensinou e ensina até hoje: que os sacramentos são eficazes. Sim, todo o cuidado com a disciplina arcana revela exatamente isso. Não somente isso, mas que por esta eficácia dos sacramentos, por Deus agir nos mistérios, notou-se que a Igreja em sua sabedoria, em tempos que o paganismo reinava, para preservar aquilo que tinha de mais sagrado, estabeleceu esta disciplina para gerenciar e honrar devidamente o seu tesouro, contribuindo para que se estabelecesse do oriente ao ocidente, o anúncio fiel do Evangelho.
Para maior glória de Deus,
Lucas Henrique.
Referências:
[1]: Durante o catecumenato, os que se preparavam para entrar na Igreja pelo batismo podiam assistir somente à primeira parte da missa, chamada por isso “missa dos catecúmenos”, isto é, dos que estavam ainda sendo catequizados.
Fonte:http://www.ecclesia.com.br/Biblioteca/liturgia/a_divina_liturgia_explicada_e_meditada.html#2
[2]: As palavras “Retirai-vos catecúmenos” representa não só  saída dos catecúmenos da nave, mas também o juízo final, quando após o anúncio do Evangelho ter sido levado a todo o mundo, todos os homens serão separados  em dois grupos  diante de  Jesus Cristo: os justos e os impenitentes.
Fonte:http://cetroreal.blogspot.com.br/2012/08/adoracao-deus-os-simbolismos-da.html
[3]: Era costume guardar a porta do templo, para impedir a entrada dos catecúmenos ou dos penitentes na hora de realizar a Liturgia dos Fiéis.
Fonte:http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/fe_crista_ortodoxa/a_oracao_oficial_da_igreja_ortodoxa2.html
[4]: O Santo dos Santos é um lugar inacessível aos fiéis, é reservado ao clero – bispos, padres e diáconos – e outros auxiliares que celebram os ofícios divinos e dirigem as orações diante do altar principal.
Fonte:http://ortodoxogrego.wordpress.com/2011/05/06/a-igreja-como-templo/

A ortodoxia ateísta que me trouxe à fé


Megan Hodder era uma jovem e ávida leitora do neoateísmo, mas sua vida mudou quando ela leu o trabalho dos seus inimigos católicos
Cena do filme da vida de Edith Stein, do ateísmo para os altares.

Na última Páscoa, quando eu estava começando a explorar a possibilidade de que deveria haver algo a mais na fé católica, além do que eu tinha acreditado e sido levada a crer, eu li “Cartas a um jovem católico”, de George Weigel01. Uma passagem em particular chamou-me a atenção.
Falando dos milagres do Novo Testamento e do significado de fé, Weigel escreve: “No jeito católico de ver as coisas, andar sobre as águas é algo totalmente sensato a se fazer. Ficar no barco, atendo-se tenazmente às nossas pequenas comodidades, é loucura.”
Nos meses seguintes, aquela vida fora do barco – a vida da fé – começou a fazer bastante sentido para mim, a ponto de eu não poder mais justificar ficar parada. No último fim de semana eu fui batizada e confirmada na Igreja Católica.
Megan Hodder
É claro, isso não deveria acontecer. Fé é algo que a minha geração não considera, mas deixa de lado e ignora. Eu cresci sem nenhuma religião e tinha oito anos quando aconteceu o atentado de 11 de setembro.
A religião era irrelevante na minha vida pessoal e, durante meus anos na escola, a religião só proporcionava um fundo de notícias de violência e extremismo. Eu lia avidamente Dawkins, Harris e Hitchens, cujas ideias eram tão parecidas com as minhas que eu empurrava quaisquer dúvidas para o fundo da minha mente. Afinal, qual alternativa havia lá para o ateísmo?
Como uma adolescente, eu percebi que precisava ler além dos meus polemistas favoritos, como começar a pesquisar as ideias dos mais egrégios inimigos da razão, os católicos, a fim de defender com mais propriedade minha visão de mundo. Foi aqui, ironicamente, que os problemas começaram.
Eu comecei lendo o discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, ciente de que tinha gerado controvérsia na ocasião e era uma espécie de tentativa – fútil, é claro – de reconciliar fé e razão. Também li o menor livro de sua autoria que pude encontrar, On Conscience02. Eu esperava – e desejava – achar preconceitos e irracionalidade para sustentar meu ateísmo. Ao contrário, fui colocada diante de um Deus que era o Logos; não um ditador sobrenatural esmagador da razão humana, mas o parâmetro de bondade e verdade objetiva que se expressa a Si mesmo e para o qual nossa razão se dirige e no qual ela se completa, uma entidade que não controla nossa moral roboticamente, mas que é a fonte de nossa percepção moral, uma percepção que requer desenvolvimento e formação por meio do exercício consciente do livre-arbítrio.
Era uma percepção da fé mais humana, sutil e fiável do que eu esperava. Não me conduziu a uma epifania espiritual dramática, mas animou-me a buscar mais no catolicismo, a reexaminar com um olhar mais crítico alguns dos problemas que tinha com o ateísmo.
Primeiro, moralidade. Para mim, uma moralidade ateísta conduzia a duas áreas igualmente problemáticas: ou era subjetiva a ponto de ser insignificante ou, quando seguida racionalmente, implicava resultados intuitivamente repulsivos, como a postura de Sam Harris sobre a tortura. Mas as mais atraentes teorias que poderiam contornar esses problemas, como a ética das virtudes, geralmente o faziam a partir da existência de Deus. Antes, com minha compreensão caricata de teísmo, eu acharia isso absurdo. Agora, com o discernimento mais profundo que eu tinha começado a desenvolver, eu não tinha tanta certeza.
Depois, metafísica. Eu percebi rapidamente que confiar nos neoateístas para argumentar contra a existência de Deus era um erro: Dawkins, por exemplo, dá um tratamento dissimuladamente superficial a Tomás de Aquino em “Deus, um delírio”, abordando apenas o resumo das cinco vias de São Tomás – e distorcendo as provas resumidas, para variar. Informando-me melhor sobre as ideias aristotélico-tomistas, eu as considerei uma explanação bastante válida do mundo natural, contra a qual os filósofos ateístas não tinham conseguido fazer um ataque coerente.
O que eu ainda não entendia era como uma teologia que operava em harmonia com a razão humana poderia ser, ao mesmo tempo, nas palavras de Bento XVI, “uma teologia fundamentada na fé bíblica”. Eu sempre considerei que a sola scriptura, mesmo com suas evidentes falácias e deficiências, era de certo modo consistente, acreditando nos cristãos que leem a Bíblia. Então eu fiquei surpresa ao descobrir que esta visão poderia ser refutada com veemência tanto pelo ponto de vista católico – lendo a Bíblia através da Igreja e de sua história, à luz da Tradição – como pelo ateu.
Eu procurei por absurdos e inconsistências na fé católica que pudessem descarrilhar minhas ideias da inquietante conclusão à qual eu me dirigia, mas o irritante do catolicismo é sua coerência: uma vez que você aceita a estrutura básica de conceitos, todas as outras coisas se ajustam com uma rapidez incrível. “Os mistérios cristãos são um todo indivisível”, escreveu Edith Stein em “A ciência da cruz”03. “Se entramos em um, somos levados a todos os outros”. A beleza e autenticidade até das mais aparentemente difíceis partes do catolicismo, como a moral sexual, se tornaram claras quando não eram mais vistas como uma lista descontextualizada de proibições, mas como componentes essenciais no corpo complexo do ensinamento da Igreja.
Havia um último problema, porém: minha falta de familiaridade com a fé como algo vivido. Para mim, toda a prática e a língua da religião – oração, hinos, Missa – eram algo totalmente estranho, em direção ao qual eu relutava em dar o primeiro passo.
Minhas amizades com católicos praticantes finalmente convenceram-me que eu tinha que fazer uma decisão. Fé, no fim das contas, não é meramente um exercício intelectual, um assentimento a certas proposições; é um radical ato da vontade, que engendra uma mudança total da pessoa. Os livros levaram-me a ver o catolicismo como uma conjectura plausível, mas o catolicismo como uma verdade viva eu só entendi observando aqueles que já serviam a Igreja por meio da vida da graça.
Eu cresci numa cultura que tem amplamente virado as costas para a fé. Por isso eu era capaz de levar minha vida adiante com meu ateísmo mal concebido e incontestado, e isso explica pelo menos parcialmente a grande extensão de apoio popular que têm os neoateístas: para cada ateu ponderado e bem informado, existirão outros com nenhuma experiência pessoal de religião e nenhum interesse em argumentar simplesmente indo na onda da maré cultural.
Enquanto a popularidade do ateísmo beligerante e reacionário diminui, cristãos sérios capazes de explicar e defender sua fé serão uma presença crescentemente vital na esfera pública. Eu espero que eu seja um pequeno exemplo da força de atração que o catolicismo ainda carrega em uma época que lhe parece às vezes irascivelmente oposta.

Por Megan Hodder, 24 de maio de 2013
Fonte: The Catholic Herald | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

O verdadeiro objetivo da Ideologia de Gênero é a destruição completa da família

// Viver Santamente


No final do ano passado, foi votado no Senado Federal o projeto para o Plano Nacional de Educação. O PNE contém as diretrizes para todo o sistema educacional brasileiro para os próximos anos. Dentre os diversos problemas que se encontram no texto, o mais grave deles é a inserção da Ideologia de Gênero em nosso sistema educacional. Na ocasião, os senadores rejeitaram a tentativa de tornar obrigatório o ensino dessa ideologia em nosso sistema educacional. 

Após a votação no Senado, o PNE foi para a Câmara dos Deputados, onde será votado por uma Comissão Especial. A votação final ocorrerá no dia 19, na próxima semana. Vários deputados afirmaram que são favoráveis à obrigatoriedade da insersação daIdeologia de Gênero. Além disso, o relator da comissão, o deputado Álvaro Vanhoni, do PT do Paraná, adotou a mesma posição defendida pelo presidente da ABGLT, ou seja, a defesa da inclusão da Ideologia de Gênero no sistema educacional brasileiro. 

Como já foi explicado em outra ocasião, a Ideologia de Gênero é uma técnica idealizada para destruir a família como instituição social. Ela é apresentada sob a maquiagem da "luta contra o preconceito", mas na verdade o que se pretende é subverter completamente a sexualidade humana, desde a mais tenra infância, com o objetivo de abolir a família. 

Além disso, a palavra "gênero", segundo os criadores da Ideologia de Gênero, deve substituir o uso corrente de palavra "sexo" e referir-se a um papel socialmente construído, não a uma realidade que tenha seu fundamento na biologia. Desta maneira, por serem papéis socialmente construídos, poderão ser criados gêneros em número ilimitado, e poderá haver inclusive gêneros associados à pedofilia ou ao incesto. É o que diz, por exemplo, a feminista radical Shulamith Firestone: "O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família; então, se nós nos desfizermos da família, iremos de fato desfazer-nos das repressões que moldam a sexualidade em formas específicas". Ora, uma vez que a sexualidade seja determinada pelo "gênero" e não pela biologia, não haverá mais sentido em sustentar que a família é resultado da união estável entre homem e mulher.

Se estes novos conceitos forem introduzidos na legislação, estará comprometido todo o edifício social e legal que tinha seu sustento sobre a instituição da família. Os princípios legais para a construção de uma nova nova sociedade, baseada na total permissividade sexual, terão sido lançados. A instituição familiar passará a ser vista como uma categoria "opressora" diante dos gêneros novos e inventados, como a homossexualidade, bissexualidade, transexualidade e outros. Para que estes novos gêneros sejam protegidos contra a discriminação da instituição familiar, kits gays, bissexuais, transexuais e outros poderão tornar-se obrigatórios nas escolas. Já existe inclusive um projeto de lei que pretende inserir nas metas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional a expressão "igualdade de gênero". 

Por isso, temos de nos manifestar imediatamente e pedir aos deputados que rejeitem completamente a introdução da Ideologia de Gênero em nosso sistema educacional.

Rad trads e suas citações fantasmas

Si quis dixerit quoniam diligo Deum et fratrem suum oderit mendax est qui enim non diligit fratrem suum quem vidit Deum quem non vidit quomodo potest diligere Epistula I Ioannis 4,20 



Nesse artigo iremos esclarecer sobre a frase psicografadamente atribuída a Santo Atanásio. O conteúdo é uma compilação do post no grupo Tradição - Vaticano II


Existem frases de santos que surgiram depois do CVII por rad trads, ou seja, foram psicografadas.

Even if Catholics faithful to Tradition are reduced to a handful, they are the ones who are the true Church of Jesus Christ 

A referência Coll. Selecta SS. Eccl. Patrum. Caillu and Guillou, Vol. 32, pp 411-412 é de um livro que cita, mas não é falado da obra de Santo Atanásio onde se encontra o fragmento.

Isso não é uma obra de Santo Atanásio. Não é encontrada em nenhuma obra dele isto dai.

Poderia ser uma frase que remonte a uma atitude ou a acontecimentos na vida de Santo Atanásio... Por exemplo. A pequena quantia de bispos que não viraram arianos em vista da grande quantia, principalmente no oriente, que viraram a casaca.

Na verdade sempre se creu na divindade de Cristo. Lendo as cartas joaninas, por exemplo, é notável que a preocupação era mostrar que ele também foi humano, mas isso é um assunto à parte. Sobre a citação, pode ser uma glosa, ou pode ser algo que Atanásio nunca disse, mas que esteja se referindo a episódios/atitudes que acompanharam Atanásio em sua vida. Acho improvável dela existir, pelo trabalho que estamos tendo em encontrar o livro de Atanásio onde ela deveria estar. 

É muito interessante que uma frase tão conhecida destas ninguém tenha colocado a fonte ou referenciado a obra dele, colocam uma citação nada haver, para ser verdade tem que ser verificada em sua obra. Não é novidade que estes pegam glosas de obras antigas e as colocam como sendo do próprio santo. 

Essa aqui tá mais próxima, é só a outra parte que contém no outro link, a punhadinho tradeco não tem.

Mesmo nesse link só fez piorar o negócio. Nem mesmo a obra que supostamente estaria mostrando a frase de santo Atanásio que eles referenciam não tem bulhufas de nada.

A sentença realmente não existe, então. A carta fala de coisas parecidas, mas sem sinal daquilo:

They are, it is true, in the places, but outside of the true Faith; while you are outside the places indeed, but the Faith, within you. Let us consider whether is the greater, the place or the Faith. Clearly the true Faith. Who then has lost more, or who possesses more? He who holds the place, or he who holds the Faith?

Da obra citada:



A frase não é mentirosa, é falsa, forjada e ainda mais interpretada de uma forma que parece que um grupelho punhadinho dos que se dizem tradicionais, são os únicos católicos.


E a frase de Pe Pio, que não consta em nenhuma biografia?

O Concílio, acabai com ele depressa

Agora o contraste, em carta legítima ao Papa Paulo VI:

Eu bem sei que o vosso coração sofre muito neste dias pela sorte da  Igreja, relativamente à paz no mundo e devido às inúmeras necessidades dos povos, mas sobretudo porque mesmo alguns católicos faltam à obediência às sábias instruções que dais, com o auxílio do Espírito Santo e em nome de Deus.

Ofereço-vos as minhas orações e sofrimentos de todos os fiéis, atenção insignificante mas sincera do último dos vossos filhos, a fim de que o Senhor vos reconforte pela sua graça, para prosseguir o caminho reto e penoso da defesa da verdade eterna, que nunca muda num mundo em evolução.

Igualmente, em nome de meus filhos espirituais e dos Grupos de Oração, vos agradeço pela vossa tomada de posição clara e decisiva, especialmente na vossa última carta, Humanae Vitae, e reafirmo minha fé e minha obediência incondicional a vossas iluminadas diretrizes.

Digne-se o Senhor conceder o triunfo à verdade e a paz à sua Igreja, a tranquilidade aos povos da terra, saúde e prosperidade a Vossa Santidade, a fim de que, uma vez dissipadas essas nuvens passageiras, o    Reino de Deus triunfe nos corações, graças à vossa obra apostólica de supremo Pastor de toda a cristandade.

A Ordem dos Capuchinhos sempre esteve em primeira linha em amor, fidelidade, obediência e devoção à Santa Sé, portanto eu oro a Deus para que possamos continuar assim em toda a tradição de religiosidade, seriedade e austeridade, pobreza evangélica e fiel observância da Regra e da Constituição, certamente renovando sua vitalidade e espirito de acordo com as orientações do Segundo Concílio Vaticano, de modo a sempre atender às necessidades da Madre Igreja sob o reinado de Vossa Santidade

Prostado a vossos pés, peço-vos que me abençoeis, bom como aos meus confrades, filhos espirituais, Grupos de Oração, aos meus doentes, todas as inciativas do bem que em nome de Jesus nos esforçamos para realizar.

Livro Padre Pio crucificado por amor Edições Loyola 2006, extraído do original  AMICO, B. Padre Pio -  Il frate dei miracoli. 4. ed, Trento, Reverdito Edizioni, 1997

Questionamos:
Iremos deixar de ser devotos de Pe Pio por ele ter sido um neoconservador?
Pe Pio pode ser considerado um modernista?
Pe Pio, com sua suprema ascece e mística, não sabia que Paulo VI era maçon e conspirava contra a Igreja?
Por que Pe Pio não só fazia adesão ao que era dogmático?
Por que Pe Pio dizia que os a reta leitura textos conciliares é como a defesa da Verdade eterna?
Pe Pio como todo neoconservador era um papólatra? 
Por que dizem que Pe Pio rejeitou a Missa Nova se esta foi promulgada em 1969 e ele faleceu em 1968? 


Parte II

Se um futuro Papa ensinar algo contrário à Fé Católica, não o sigam. - Pio IX, Carta ao Bispo Brizen, citado em In His Name, E. Christopher Reyes, 2010 

Esta suposta frase de Pio IX está circulando na internet como se fosse autêntica. Mas não é o que parece. Provavelmente trata-se de uma citação espúria. As páginas tradicionalistas fazem referência ao livro de Christopher Reyes, In His Name (2010) (ver: http://goo.gl/VEmQD6). 

Este é um livro anticristão, que não pode ser usado como fonte fidedigna para nada. Vejamos o que diz: Hoje, o Vaticano, em toda a sua glória, em toda a sua magnificência, em toda a todo o seu esplendor, se destaca como um tributo à grandeza esmagadora dos crimes da Igreja, em sua busca pela dominação do mundo. Sua história velado em chavões religiosos para apaziguar as massas ignorantes que muitas vezes sabem pouco ou nada sobre os crimes hediondos cometidos em nome de Jesus Cristo, seu Deus e Salvador.” Nenhum católico sério iria referenciar uma citação a partir de uma obra de acatólica, que justamente está atacando a Igreja em seu conteúdo.

O primeiro a levantar essa frase foi o Rev. Dominique Boulet da FSSPX, num escrito de 2004 contra o sedevacantismo. Pode ser visto aqui: http://goo.gl/R3CzJa

Dominique Boulet ao lado dessa frase levantou outras, todas elas ele usou como fonte ou livro posto no Índice de livros proibidos por S. Pio X (Viollet teólogo, Infalibilidade Papal e a Syllabus, (1908).) ou outra, num livro anti-católico chamado: Vigários de Cristo, o Lado Negro do Papado, por . Peter De Rosa (p. 204).

A página do último assim expressa uma fraudulenta citação de Papa Adriano VI († 1523):

If by the Roman church you mean its head or pontiff, it is beyond question that he can err even in matters touching the faith. He does this when he teaches heresy by his own judgement or decretal. In truth, many Roman Pontiffs were heretics. The last of them was Pope John XXII [1316-1334].” 

Pode-se baixar o livro em questão aqui

É sério que os rad trads estão usando livros CONTRA O PAPADO, feitos por suspeitos de heresia, ateus e protestantes? Do ponto de vista moral, será lícito espalhar tal citação, tendo em vista os livros onde elas são retiradas?

E afinal, quem é esse tal Bispo Brizen? Um Bispo que chegou a receber uma carta do Papa Pio IX... Não teria vasta bibliografia sobre ele? Não teria, pelo menos, um site falando de sua pessoa? Todas essas informações nos levam a suspeitar da veracidade dessa citação. Sem falar que o conteúdo dela é totalmente errôneo.

O Papa nunca irá ensinar algo contra a fé. É certo que o Magistério puramente autêntico pode ter certas deficiências em um ou outro ponto [detalhes], mas é falso presumir disto que ele pode ser herético (contra a fé). Isso é contrário a segurança infalível do mesmo Magistério.

L. Bouyer: 

A própria graça assegurada ao magistério da Igreja não é de nenhuma maneira a de substituir por uma revelação nova o que foi dado de uma vez para sempre, mas pelo contrário, a de não apartar-se nunca nem deixar os fiéis se apartarem do verdadeiro sentido desta. (...) A assistência divina garante que a hierarquia não perverterá jamais para a Igreja o sentido profundo destes documentos sagrados (Dicionário de Teologia, 1990, Magistério eclesiástico, p. 419) 

Dom Paul Nau:

Mesmo se não é decisão ex cathedra, muito dificilmente se poderia, em razão dessa repercussão prevista, recusar-lhe o benefício de uma assistência toda especial, sem a qual uma hesitação ou dúvida poderiam introduzir-se por causa disso na fé de todos os fiéis. (O Magistério Pontifício Ordinário, lugar teológico, Ensaio sobre a autoridade dos ensinamentos do Soberano Pontífice, Le Magistère pontifical ordinaire, lieu théologique [Revue Thomiste, Ano LXIV, tomo LVI, n.º 3, julho-setembro de 1956, pp. 389-412])

Uma carta na manga, citação do Cardeal Ratzinger:


O que isso tem a ver com a autenticidade ou não da suposta frase elencada? Sobre o que se cita, uma coisa é criticar um ensinamento que não está suficientemente embasado na Escritura e no Credo, outra é supor que pode um ensinamento ser CONTRÁRIO a fé católica. Suficiência de baseamento até pode ser discutido, mas dizer que é contrário à fé católica é outra história... O artigo de fé é a proposição que deve ser crida explicitamente. Se é explícito, nunca o Papa pode ser contrário a isso, pois poria em risco toda a fé da Igreja.

Aliás, logo depois o próprio Cardeal Ratzinger diz que nesse caso seria possível duvidar da legitimidade magisterial do dito papal...

A tradução correta seria: ou fé da Igreja universal ao invés de ou seja, na fé da Igreja universal. Pois o que ele está falando é da unanimidade da Igreja universal e dos testemunhos das fontes. 

Que rad trads são nossos leitores fiéis? Já sabemos. Que linkam nossos artigos em seus grupos e fazem debates com os mesmos? Já sabemos. O que também sabemos é mesmo depois de ler o artigo todos continuarão a fingir que nada aconteceu, vamos esperar sentados alguma refutação com argumentos mas saímos ganhando em orientar as almas a não cair nessas falácias.

Entretanto, por mais que venha ataques, ofensas e maledicências, devemos olhá-los com misericórdia e orar por eles. Muitos não tem a graça que possuímos de poder ter a Missa Tridentina todo domingo, um santo confessor e diretor espiritual e os demais sacramentos na forma tradicional. E essa raiva que eles possuem é pela frustação da vida espiritual péssima que possuem e a internet acaba sendo a válvula de descape para desabafarem. 


Obrigado Senhor Jesus, por sermos servos obedientes a tua Igreja e assim sermos abençoados com a plenitude do Summorum Pontificum!

 PARA CITAR ESTE ARTIGO:

Rad trads e suas citações fantasmas
Rafael Rodrigues et alli,  02/2014 Tradição em Foco com Roma.

Grupo Tradição - Vaticano II acesse: