sábado, 31 de maio de 2014

Conversão da maior Bruxa da Colômbia e hoje propagadora do Rosário



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BOGOTÁ, 01 Abr. 14 / 01:01 pm (ACI/EWTN Noticias).- Durante duas décadas, entre os anos 70 e 80, foi a bruxa mais famosa da Colômbia. Políticos, artistas e narcotraficantes solicitavam seus serviços, até que um dia se encontrou com uma religiosa, recebeu um exorcismo e abraçou a fé católica que agora proclama.
Faz uns dias o jornal El Tiempo publicou uma entrevista na qual a ex-bruxa -cuja identidade mantém em reserva- relatou os perigos da bruxaria, narrou com detalhes seu exorcismo e sua surpreendente conversão.
“As pessoas pensam que não há nada de mal em que lhe adivinhem a sorte”, adverte e assegura que assim permitem que o mal entre nelas.
Agora é mãe de família, lidera um grupo de oração, viaja pelo país advertindo sobre a bruxaria e promove a causa pró-vida ajudando muitas jovens a desistirem do aborto. As suas armas principais são a oração do Santo Terço e a Missa diária.
A mulher está convencida que “quando entregamos tudo a Cristo e lhe pedimos que faça o que queira conosco, o Senhor é maravilhoso e misericordioso. Eu continuo pecando, mas Deus vai tirando um por um, até eliminá-lo”.
Ela começou as práticas de bruxaria quando era muito jovem, quando costumava visitar uma pessoa para que lhe adivinhe a sorte. Começou com a leitura de cartas e o cigarro até converter-se em “especialista”.
Quando uma pessoa pratica a bruxaria mesmo que seja por curiosidade “abrimos nosso corpo e nosso coração para que entrem espíritos do mal. E esclareço: como existe Deus, existem a bruxaria e o poder do maligno”, assegura.
Agora recomenda que “aqueles que estejam metidos nestas coisas, procurem um sacerdote que os oriente e lhes faça uma oração de libertação, ou façam uma confissão de todo coração para que os perdoem desse atentado contra a fé de Deus. Se o caso for muito grave, talvez seja necessário o exorcismo. Mas deve ser com um sacerdote autorizado, não com qualquer um”.
Em sua nova vida, a mulher está convencida de que “para caminhar para Deus é preciso ensinar os outros a escolherem o caminho. As minhas palestras partem de uma vivência e o único que busco é que as pessoas não caiam no mesmo erro que eu caí e que não mudem o único Deus que existe por um monte de deuses”.
“Quando falo isso, estou querendo dizer que não temos a confiança plena no Senhor, nem a esperança nele. Não sabemos pedir-lhe e não o temos como Pai. E acreditamos que uma planta, uma bebida ou uma ferradura têm mais poder que Ele”.
Para a mulher, a bruxaria é algo de todas as épocas. “Veja a televisão e suas mensagens, que promovem àquelas pessoas a quem se pode acudir quando o marido vai embora ou quando o namorado não gosta mais. Ou então não são comuns os cartazes que dizem: ‘venha e falo para você sobre o seu futuro’? Claro! Na rua entregam papéis que dizem: ‘amarramos seu ser querido e se não acontecer, devolvemos o dinheiro’. A bruxaria é um negócio do maligno onde a pessoa algumas vezes acredita que está conversando e em outras sim sabe que com isso se faz o mal”.
“Sou inimiga do I-Ching, da nova era, do feng shui, porque tudo isto desagrada a Deus e eu quero levar Deus em meu coração. Preciso pedir fortaleza para não voltar a cair. Quando as pessoas dizem ‘não me entra nenhum mal’, eu dou risada porque para que não te entre nada tem que estar confessado, comungado e rezar o terço. Essas são as armas”, concluiu.

DOSSIÊ DOM HELDER : O ARCEBISPO QUE COMUNISTIZOU A IGREJA NO BRASIL !




Dom Helder , dito o "profeta da paz"!

Caros amigos são muitos os que chamam Dom Helder de profeta, santo, etc.Há até quem defenda sua canonização.Há decerto os ignorantes : pensam que Dom Helder era um homem fiel a Igreja e que se notabilizou pelo auxílio aos pobres.Outros maliciosamente sabendo de sua preferência pelo socialismo - condenado pelos Papas e proibido de ser professado por católicos sob pena de excomunhão - tentam tergiversar sobre esta faceta obscura de Dom Helder dando a entender que o "socialismo" do arcebispo era outro e que associá-lo ao marxismo foi produto de uma acusação criada para desmoralizá-lo.

Portanto começamos aqui uma série de artigos que formarão o “DOSSIÊ DOM HELDER” do qual este presente artigo é a primeira parte.

Estas séries de artigos visam provar que Dom Helder era comunista e que a acusação é pertinente.

Em 1947 , o Padre Helder organizou o secretariado nacional da ACB ( Ação católica brasileira ) que tinha a finalidade de integrar leigos e a Igreja.Movimento espalhado pelo mundo inteiro e implantado no Brasil pelo Cardeal Leme em 1935, agora ele contaria com a vasta experiência do Padre Helder que já havia militado no integralismo nos anos 30. Anos depois Dom Helder diria de sua passagem pelo integralismo "foi um erro de juventude.O aspecto social não era um forte dos meus mestres no seminário.Nossa visão era de que tudo se dividia em capitalismo e comunismo.E nos sopravam discretamente que dos males o menor.Pouco a pouco foi fácil ver que esse embate não era verdadeiro".

Sabe-se que nos anos 50 a ACB sofreu forte influencia de pensadores católicos humanistas - como Emmanuel Mounier (Mounier, segundo o padre Lima Vaz, "foi o mestre mais seguido pela juventude católica brasileira" dos anos 60 : rejeitando categoricamente o sistema capitalista, ele considera que os cristãos podem aprender enormemente com o marxismo. Definindo sua própria filosofia social, ele escreve em 1947: "O personalismo considera que as estruturas do capitalismo são um obstáculo que se levanta no caminho da libertação do homem e que elas devem ser destruídas em proveito de uma organização socialista da produção e do consumo"E. Mounier, "Qu'est-ce que le personnalisme?" (1947), Oeuvres, III, Paris, 1963, p.244.), Teilhard de Chardin(Chardin teve suas obras condenadas pela Igreja por conta de seu monismo e de seu evolucionismo.O Santo Ofício solicitou ao Arcebispo de Paris que detivesse a publicação das obras. Em 1957, um decreto deste mesmo órgão decidiu que estes livros fossem retirados das bibliotecas dos seminários e institutos religiosos, não fossem vendidos nas livrarias católicas e não fossem traduzidos. Este decreto não teve muita adesão. Cinco anos mais tarde, uma advertência foi publicada, solicitando aos padres, superiores de Institutos Religiosos, seminários, reitores das Universidades que "protejam os espíritos, principalmente o dos jovens, contra os perigos da obra de Teilhard de Chardin e seus discípulos". Segundo esta advertência, "sem fazer nenhum juízo sobre o que se refere às ciências positivas, é bem manifesto que, no plano filosófico e teológico, estas obras regurgitam de ambiguidades tais e até de erros graves que ofendem a doutrina católica") e Jacques Maritain( Pai da noção de uma “cristandade laica”- uma civilização cristã sem um eixo religioso cristão , onde apenas a lei natural seria a norma e onde se faria a síntese do dogma católico com os princípios iluministas da liberdade religiosa e de consciência e igualdade; em suma Maritain defendia uma “cristandade” nova sem referência a Cristo!)  além do Padre Louis Joseph Lebret (1897-1966), dominicano francês ligado ao movimento Economia e Humanismo, que durante a década de 50 influenciou o “pensamento social católico” diretamente ligado aos agentes da ACB.

Em suma : a ACB se transformou, nas mãos de Dom Helder, em uma plataforma para  uma síntese entre fé católica e marxismo que se realizaria através do influxo teológico e filosófico das idéias de Mounier , Maritain , Chardin , etc.

Na mesma época Dom Helder articulou com a Santa Sé a criação da CNBB ( Conferência nacional dos Bispos do Brasil) com o claro objetivo de unificar a ação pastoral da Igreja no Brasil em torno das novas orientações que impunha a ACB , orientações de cunho socialistizante.

Dom Helder a época dizia que a CNBB visava “coordenar e subsidiar as atividades de orientação religiosa , de beneficência , de filantropia e assistência social( In : Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro p. 1525)” em todo o Brasil.A atividade da CNBB nos anos que se seguiram ficaram mais marcadas por ações no campo social que por assistência caritativa ou orientação religiosa.

A criação da CNBB por meio da ação direta de Dom Helder tem uma razão específica : enfraquecer a posição do então líder da Igreja no Brasil , o Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara , arcebispo do RJ e herdeiro do Cardeal Leme.O projeto eclesial do Cardeal Leme continuado pelo Cardeal Barros Câmara era a romanização dos ambientes católicos do Brasil ainda muito marcados por um catolicismo popular , pietista e sentimental.

Para Dom Hélder a figura de Dom Jaime como líder da Igreja no Brasil e porta voz dela era um escolho pois impedia que a Igreja Brasileira respirasse ares novos.A idéia de criar a CNBB amadureceu durante o Congresso mundial de Leigos em Roma em 1950 onde através de contatos com o Monsenhor Montini – futuro Papa Paulo VI- Dom Helder consegue do Papa PIO XII a criação da CNBB.

Deste modo a CNBB brota de certo modo da ACB pois Dom Helder na qualidade de seu assistente , dela se valeu para convocar os dois primeiros encontros da hierarquia eclesiástica.Com a ligação estreita da ACB com a CNBB a primeira ganhou muito pois,ficando livre das diretrizes de cada bispo diocesano – alguns bispos  avessos a linha progressista da ACB costumavam limitar seriamente seu ativismo- passou a tratar diretamente com um órgão de representação nacional o que lhe trouxe mais autonomia para se manifestar sobre questões de ordem temporal , ou seja , para se posicionar a favor do marxismo sem precisar prestar contas aos bispos.Contando com a ajuda da CNBB a ACB pode se desviar, pouco a pouco, da Doutrina Social da Igreja e experimentar a síntese do pensamento social católico com as idéias marxistas.

No fim da década de 50 , a ACB se aproximou decididamente de setores da esquerda política formando o que viria a ser a teologia da libertação.

A CNBB ,sob influxo de Dom Helder que, segundo Della Cava, se tornou desde então o “líder de fato da Igreja Brasileira” ( In : Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro p. 1526), tornou- se rapidamente um órgão para a socialistização do catolicismo no Brasil : de um catolicismo popular pietista predominante e de uma tentativa de romanização sem sucesso nos anos do Cardeal Leme, para um catolicismo social engajado em lutas temporais.Em 1956 a CNBB liderou uma grande reunião em Campina Grande com ministros do Governo Kubitschek para “discutir os problemas socioeconômicos da região”.

Ainda nessa época Dom Helder dava inicio a “Cruzada de São Sebastião” com caráter imanentista  que buscava :“1-promover, coordenar e executar medidas e providências destinadas a dar solução racional,humana e cristã ao problema das favelas do Rio de Janeiro;2. proporcionar, por todos os meios ao seu alcance,assistência material e espiritual às famílias que residem nas favelas cariocas; mobilizar os recursos financeiros necessários para assegurar, em condições satisfatórias de higiene, conforto e segurança,moradia estável para as famílias faveladas;3. colaborar na integração dos ex-favelados na vida normal do bairro da Cidade”.

Embora a Arquidiocese do RJ já tivesse a Fundação Leão XIII que cuidava da assistência social aos mais pobres , Dom Helder resolveu criar a cruzada pelos seguintes motivos :

a)      Aproximação da Fundação Leão XIII com setores políticos conservadores e antimarxistas como a UDN.

b)      A Cruzada São Sebastião se concretizou graças ao apoio do pacto populista representado pelo Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) mais inclinados ao socialismo. 

Vejamos que os objetivos da Cruzada eram primariamente materiais : em primeiro lugar dar assistência material e só depois espiritual.Mas não nos enganemos : a Cruzada não tinha nenhum escopo evangelístico ou catequético.Não havia um plano de assistência religiosa as famílias pobres no sentido de formá-las dentro da fé católica.Os objetivos da Cruzada eram basicamente materiais : dar conforto , higiene , segurança.Há que lembrar que muitos dos moradores das favelas eram imigrantes do interior do Brasil vindos para o sudeste em busca de trabalho, diante do surto industrial que o país vivia.Muitos desses imigrantes perderam ,na vida da cidade grande,  a cálida experiência de religiosidade e piedade tradicional católica  proporcionada pela vida no campo.Ainda que esta experiência de piedade católica fosse marcada por supertições populares, elas criavam um caldo de cultura  -ainda que apenas superficialmente católica- que mantinha gerações e gerações ligadas umbilicalmente a Igreja.Nos ambientes urbanos essa cultura não existia.A assistência da Igreja se fez sentir no campo social , mas no campo religioso essa assistência era de menor grau ou nula.A despreocupação do clero com a questão da catequese abriu espaço para a proliferação das seitas neopentecostais de cunho protestante que invadiram os grandes centros urbanos e se espalharam , sobretudo sobre as periferias.A "cruzada" de cruzada só tinha o nome : não visava a conquista espiritual dos pobres mas apenas a atenuação de sua pobreza material

A cruzada contou ,  para o plano de urbanização ,com a ajuda de arquitetos que buscavam , através do planejamento dos imóveis a serem construídos para abrigar os favelados , estimular o empoderamento do pobre em face das classes superiores dando-lhe acesso a vida em apartamentos que lhes proporcionassem uma nova consciência capaz  de afrontar a questão da desigualdade de classes : “nos anos 40, o apartamento já era um símbolo de status para parte do universo das camadas médias brasileiras: “(…) o apartamento não surgiu, entrenós, como um recurso para atender às necessidades das classes modestas; até uma certa época, cuja limitação ainda não se pode definir perfeitamente pelo efeito da proximidade dos dias que correm, o apartamento foi, pode-se dizer, um luxo; hoje, se ainda não deixou de ser um luxo, tornou-se para a pequena burguesia dos funcionários públicos e empregados uma necessidade de aparência, de aproximação com a classe superior.” (In : CONSTRUÇÃO CIVIL.O observador Econômico e Financeiro, Rio de Janeiro, ano 7, n. 76, p. 13-21, mai. 1942. p. 14-15.)A cruzada seguiu uma tendência inovadora na arquitetura da habitação social brasileira, a qual fora influenciada pela vanguarda moderna e socialista européia dos anos 20 (formada por expoentes de movimentos e tendências artísticos como o Construtivismo russo, De Stijl e Bauhaus).O objetivo era claro : comunistizar a mentalidade dos pobres através de uma experiência estética e arquitetônica que dessa vasão a ideais coletivistas

Muitos bispos , clérigos e leigos marginalizados com a nova orientação que a Igreja no Brasil tomava se engajaram sob a liderança de Plinio Correa de Oliveira na criação da “Sociedade de defesa da Tradição , Família e Propriedade(TFP) contrária ao catolicismo com engajamento social criado por Dom Helder e asseclas.O núncio Dom Lombardi , porém , apoiava a facção social da CNBB , o que demonstra que ,sob o Pontificado de João XXIII haviam ventos favoráveis soprando para Dom Helder e a CNBB confirmando – os nessa linha de engajamento social marxistizante.

A influência de Dom Helder não pararia na CNBB, mas se estenderia por toda a América Latina: em 1958 foi delegado do Brasil na 1 reunião do CELAM ( Conferencia Episcopal Latino Americana).Depois em 1960 foi eleito segundo vice presidente do CELAM.

Livro que prova a ligação da JUC com o PC do B
Nesse contexto nasce a JUC ( Juventude Universitária Católica) no seio da ACB que era dominada pelo Arcebispo dos pobres. a JUC dos anos 1960-62 representou a primeira tentativa, em todo o continente, de desenvolver um pensamento “católico” utilizando elementos do marxismo. Apesar de seu fracasso imediato, lançou sementes que iriam germinar mais tarde - no Brasil e no conjunto da América Latina. Com razão Pablo Richard se refere ao Congresso dos 10 anos da JUC (1960) como "o início de uma nova etapa na história do cristianismo brasileiro e latinoamericano"(in :Pablo Richard; Morte das cristandades e nascimento da Igreja, S.Paulo, Edições Paulinas, 1984, p.154.). Cabe acrescentar que se tratava não só do movimento estudantil universitário : a JUC foi para o  campo da educação popular (MEB) e mais tarde para o terreno da ação política (AP).

Os ideólogos jucistas diziam não se inspirar em Marx mas ao mesmo tempo rejeitavam o tabu anti-marxista( rejeitam portanto que sejam contrários ao marxismo , ao menos lhe reconhecem alguns méritos e algum valor ); segundo dizia o líder da JUC Herbert de Souza( O conhceido sociólogo Betinho que nos anos 90 criou o programa Natal sem fome), "não temos Marx como mestre, pois já tínhamos um outro, antes. Mas sabemos ler também Marx". As principais referências dos documentos da JUC são estritamente católicas: Santo Tomás, Leão XIII, Pio XII, João XXIII, etc.Porém cabe dixer que embora a  JUC não  tenha aderido a nenhum modelo existente de marxismo no Brasil -como o PCB, ou alguma de suas dissidências -  trata de fazer sua própria leitura do pensamento de Marx e da realidade brasileira e chega a ter até conclusões bem mais radicais que o PCB, alinhado com o populismo governamental.

Diante disso tudo fica a questão : Por que o Brasil foi o primeiro país em que esta mistura absurda , herética e diabólica de cristianismo e marxismo pôde se desenvolver - conseguindo, no curso dos anos de 30 a 60, maior impacto do que em qualquer outra Igreja da América Latina?

A resposta é clara : não fosse a articulação de Dom Helder isso não teria sido possível.Foi através dele que o marxismo chegou a ACB e por meio dela aos mais diversos ambientes eclesiais.Sem a fundação da CNBB, sob os auspícios de Dom Helder, a generalização da linha socializante de ação da Igreja no Brasil não teria sido possível.Sem as articulações de Dom Helder a JUC não existiria e nem tampouco a Teologia da Libertação.Dom Helder é o culpado pela socialistização da Igreja no Brasil

Gramsci , pai do marxismo cultural.
Dom Helder atuou aí como um intelectual orgânico do marxismo,  infiltrado na Igreja para fins de subversão , dentro dos quadros teóricos do pensamento de Antônio Gramsci que entendia ser fundamental “terrestrializar o pensamento” para efetivar o socialismo. Como afirma Olvao de Carvalho “Gramsci, teórico do socialismo e militante do partido comunista italiano ,  estava particularmente impressionado com a violência das guerras que o governo revolucionário da Rússia tivera de empreender para submeter ao comunismo as massas recalcitrantes, apegadas aos valores e praxes de uma velha cultura. Gramsci descobriu que era necessário amestrar o povo para o socialismo antes de fazer a revolução. Fazer com que todos pensassem, sentissem e agissem como membros de um Estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista. Quando viesse o comunismo, as resistências possíveis já estariam neutralizadas de antemão e todo mundo aceitaria o novo regime com a maior naturalidade. O que interessa realmente é mudar as estruturas profundas de pensamento: os valores, os símbolos, a linguagem etc., e tudo, de preferência, sem nem falar em propaganda comunista. Isto vai criar uma mutação cognitiva, as pessoas vão passar a julgar de outra maneira, e é preciso que esse processo seja tão lento que seja imperceptível. Gramsci percebeu que era necessário infiltrar-se nas organizações dedicadas à cultura, nas redações dos jornais, nas comunidades religiosas.”

Nesse quadro nada era melhor que usar a Igreja Católica como aliada na luta pelo marxismo.

Dom Helder ao deslocar o eixo da Igreja no Brasil dos assuntos de cima( salvação , santidade, vida terna , pecados , virtudes , oração ) para os de baixo ( salário , moradia , emprego , justiça social ) , apelando para a caridade cristã com o próximo , atua subvertendo o sentido ínsito da fé católica com propósitos revolucionários marxistas mas não sem vestir tal subversão com uma capa de aparências cristãs –  o apelo a  virtude da caridade e do desapego aos bens materiais na verdade serviam ,não a edificação do homem católico e da cristandade, mas sim a um projeto político ideológico identificado com o socialismo.

Se trata aí da tática gramsciana dos marxistas, que descobriram que o método mais promissor para chegar ao poder é dominando a cultura nacional o que implica em um processo para lograr uma forte influência na religião, nas escolas, nos meios de comunicação e nas universidades. É neste contexto que se deve entender a teologia da libertação: como uma doutrina política disfarçada de crença religiosa com um significado anti-papal e anti-livre empresa, destinada a enfraquecer a independência da sociedade face ao controle estatista.

sábado, 24 de maio de 2014

AS ALMAS PODEM NOS FAZER ALGUM MAL?



AS BENDITAS ALMAS DO PURGATÓRIO

As almas que estão no purgatório são benditas, isto é, já estão livres de se perderem para sempre e estão apenas purificando-se de suas penas para chegarem ao céu, são Santas almas, só rezam e intercedem por nós, pois elas vêem tudo que estamos fazendo, oque as faz também padecer, e não querem de modo algum que cheguemos a ir para o purgatório por cometer os mesmos erros que elas cometeram.

As Santas Almas do purgatório, como nos diz vários santos da Igreja Católica que tiveram alguma experiência com as Almas, que elas possuem uma piedade muito grande, são muito fervorosas nas suas orações e quer ajudar a toda sua família a se salvar. Elas só querem o bem para todos e elas precisam muito de nós.

Nem mesmo as almas que estão no inferno podem nos fazer alguma coisa. São os demônios que vêm para nos atormentar ou tentar. Mesmo assim, só com a permissão do Pai Celeste. E Deus permite, justamente para que provemos nosso amor e fidelidade à Ele. Deus pode tudo, mas Ele nos dá a liberdade para que escolhamos os caminhos a seguir e para que não sejamos escravos e sim filhos.
Ações do mal em nossas vidas, tem o envolvimento de satanás que quer nos destruir e conseguir que nossa alma vá para o inferno.


Ao contrário, as almas que estão no purgatório só podem nos ajudar se assim fizermos por elas. Cada alma que alcança a graça de subir mais rápido para o céu devido às nossas orações, são eternamente gratas e passam a interceder junto ao Pai por nós.
Por isso que quanto mais almas salvarmos, mais santos teremos intercedendo por nós no céu.

Muitas pessoas tem medo de visitar os cemitérios com medo das almas. A Santa Mãe Igreja reservou um dia no ano liturgico para dedicar as almas, o dia de Finados 02 de novembro, concede-nos muitas indulgências para salvar-mos as almas pois muitas estão desesperadas para que rezemos ao menos uma Ave Maria para que possam se salvar.


Não se deixem levar por superstições ou estórias que se ouviu no passado, Ajudem as pobres Almas, você verá quantas Graças Deus derramará em suas vidas.

Se você enfrenta muitos problemas em suas vidas, está precisando receber alguma graça de Deus, está pedindo a conversão de alguém, Recorra as Benditas almas, elas têm o poder de comover o Santo Coração do PAI que está no céu e sofre por ver seus filhos sofrerem.
Amém.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

OS DANOS DOS PECADOS VENIAIS - Os maiores castigos dos pecados veniais são na outra vida

 

A gravidade do pecado venial é a sua disposição para o pecado mortal

(Se o pecado venial é desta gravidade, qual não será a do pecado mortal?)

(Padre Alexandrino Monteiro, S. J.)


Entre os hebreus usavam-se duas sortes de pesos e de balanças. Havia o chamado peso do Santuário, que era verdadeiro e justo; e o chamado peso público, que era falso e injusto.
Ora, com duas sortes de balanças se pesam também os pecados dos homens. Se se pesam na balança pública do mundo, que é mentirosa e falaz (Prov 11, 1), dir-se-á que o pecado mortal não é coisa de valor, e que o venial, como leve que é, não tem nenhuma importância. Mas esse modo de pensar já o lamentava Santo Antônio de Pádua em seu tempo (Dom. 4 post Trin.).

Os Santos, porém, e as almas iluminadas pela fé, pesam o pecado venial com a balança do Santuário, e por isso, o choravam e detestavam de morte. Santa Catarina de Gênova quase morria ao considerar a gravidade do pecado venial; e São Luís Gonzaga [em sua primeira confissão] caiu desfalecido aos pés do confessor, depois de confessar suas levíssimas culpas. São João Crisóstomo chegou a dizer que lhe parecia que se deviam evitar com mais cuidado os pecados veniais que os mortais. E dá a razão: os pecados mortais por sua natureza repelem [a alma justa]; porém, os veniais, por isso mesmo que são leves, não amedrontam, e se cometem facilmente.

Meditemos, pois, sobre o pecado venial, para nos enchermos de um grande temor de o cometer. Dividiremos a meditação em três pontos:
I. O que é o pecado venial;
II. Os danos que causa à alma;
III. Como Deus o castiga. (...)

Ah! Meu Deus, meu divino Samaritano, eu, pelos meus pecados veniais, me encontro ferido e despojado dos bens sobrenaturais, e só me encontro com a vida da graça. Tende compaixão de mim, curai a minha alma de tantos pecados veniais. Curai-me com o óleo das Vossas divinas inspirações, e com o vinho do Vosso amor fortificai a minha vontade para me levantar, e começar a viver uma vida mais fervorosa.


I. O que é o pecado venial

Verdadeiramente sábio é aquele que julga das coisas como elas são. Ora, vejamos à luz da fé e da teologia o que é o pecado venial. São Tomás diz que o pecado mortal é uma desordem da alma, pela qual volta as costas a Deus, seu último fim, para aderir à criatura. Para adquirir algum bem temporal, perde o princípio da vida espiritual, que é a caridade do amor de Deus e a graça. Pelo pecado venial, a alma adere a algum bem mundano, mas não de modo que renuncie ao seu último fim, e sem perder o princípio vital da graça. Está enferma, mas não está morta.

1. Suposto isto, discorramos. É certo que o pecado venial não despreza a Deus como o mortal; todavia não faz de Deus a devida estima. Não se opõe de todo à Vontade divina, mas opõe-se-lhe ao menos no modo, como diz S. Tomás (1-2, q. 88, a. I). Desgosta a Deus, não observando perfeitamente os Seus mandamentos.
E se é assim, como se pode chamar leve? Quem tal dissesse proferiria uma blasfêmia, segundo afirma São Bernardo.

No pecado venial não se há de considerar tanto a leve transgressão do divino preceito, quanto a infinita majestade de Deus, que só se contenta com a perfeita observância dos Seus mandamentos. São Jerônimo, escrevendo a Celância, diz: 'Não sei se podemos chamar leve algum pecado que se comete com desprezo de Deus. E só é prudentíssimo aquele que não considera só o que se manda, mas quem manda; nem quão grande é a ordem, mas a dignidade do que ordena'.

2. Ajuntemos a isto que, se o homem falta ao divino preceito em uma coisa pequena, por isso mesmo comete uma falta indesculpável, porque poderia facilmente evitá-la.
Foi maior a culpa de Adão por não obedecer a Deus em coisa tão leve, como era privar-se de comer um fruto, ordem que tão facilmente podia cumprir. Naamam foi censurado também por não cumprir uma lei tão fácil, que lhe impôs o profeta para o curar da lepra, como era banhar-se sete vezes no Jordão. A culpa de Naamam está em que, sendo-lhe imposta condição tão fácil para o curar da lepra, a não quis aceitar por achá-la tão ligeira. Se lhe impusesse o profeta algum remédio violento, certamente que o tomaria. O mesmo motivo tira toda escusa a quem comete um pecado venial; pois, se para evitá-lo tivesse de suportar grande fadiga e vencer uma grande repugnância, poderia haver alguma desculpa se não o evitasse; mas para vencer-se numa coisa tão fácil, que desculpa pode haver?

3. Além disto, devemos considerar o pecado venial em duas relações importantes: em relação à pessoa ofendida, que é Deus; e em relação à pessoa ofensora, que é o pecador.
Com relação à majestade da pessoa ofendida: quem não sabe que, tratando-se de um alto personagem, ninguém tem por leve a menor falta de respeito? Com freqüência lemos nas histórias como grandes príncipes castigaram, com a pena de morte, as menores faltas de atenção e respeito dos seus vassalos. E será o pecado venial uma coisa tão ligeira, ofendendo e desgostando a infinita majestade de Deus? 'Nunca é leve desprezar a Deus numa coisa pequenina', diz São Bernardo. A Lei de Deus se há de guardar como a menina dos olhos, aos quais basta um argueiro para lhes causar uma grande dor.

Com relação à qualidade da pessoa ofendida, que é Deus sob o título de Pai, que filho haverá tão desleal e ingrato, que diga: 'A meu pai não quero tirar-lhe a vida, nem feri-lo mortalmente. Isso não; mas quero desgostá-lo de manhã até à noite, e magoá-lo nas mais pequenas coisas'. Que filho desnaturado seria este! Pois outro tanto faz o pecador com Deus, seu Pai, pagando-Lhe os benefícios com ingratidões, com desacatos, com indelicadezas. É semelhante aos judeus, que não só crucificaram a Cristo, mas O flagelaram, coroaram de espinhos, e insultaram com palavras sarcásticas e afrontosas. E parecerá a alguém coisa leve tanta impiedade?

Com relação ao ofensor, quanto aumenta a malícia do pecado venial o ser cometido por uma alma justa, que pela graça santificante é amiga de Deus, filha adotiva e esposa do Espírito Santo? Quem não sabe que os desgostos e ofensas que se recebem de um amigo, e muito mais de um filho ou de uma esposa, são sempre muito mais sensíveis, que as ofensas recebidas de um estranho ou de um inimigo?

O patriarca Jacó não acabava de se lamentar de que Ruben, seu primogênito, e a quem amava como a pupila dos seus olhos, tivesse cometido em sua própria casa um delito (Gn 49, 3). E o divino Salvador, na traição de Judas, parece sentir menos a entrega a Seus inimigos, que a ingratidão de um discípulo, de uma pessoa, por assim dizer, de Sua família, que por tantos títulos Lhe estava obrigada. Do que se lamentou por boca do profeta Davi: Se meu inimigo me atraiçoasse, eu o suportaria facilmente; mas, tu, meu discípulo e apóstolo?... (Sl 54, 13).
Aqui é o lugar de refletir, como sendo eu tão amado de Deus, de Quem estou recebendo continuamente tantos benefícios, ouso desgostá-lO com as minhas infidelidades, com as minhas culpas, ligeiras sim, mas que ferem profundamente o Seu amoroso Coração. A estas culpas e ingratidões chama o Senhor, pelo profeta Zacarias, feridas profundíssimas que recebe dos que Lhe são mais caros: ' -Que querem dizer estas feridas em meio de tuas mãos? -Delas fui traspassado na casa daqueles que me amavam' (Zac 13, 6).

Objeção: Apesar de tudo, o pecado venial não é culpa grave.
Resposta: Primeiramente, o pecado venial é culpa leve em comparação com o mortal, mas não assim considerado em si mesmo. Assim a Terra é um ponto em relação ao Céu, mas em si mesma é uma imensa massa que tem de circunferência vinte e duas mil léguas.
Em segundo lugar, o pecado venial, ainda que seja leve no gênero de culpa, não se pode dizer que o seja também no gênero de mal. E é tão grande mal que, para perdoá-lo, foram necessários os méritos de Cristo, como diz São Bernardo. O divino Redentor derramou todo o Seu Sangue não só para pagar os pecados mortais, mas também para satisfazer pelos veniais; e nas santas indulgências se aplica o tesouro dos méritos de Cristo para satisfazer à divina Justiça tanto pelos pecados mortais quanto pelos veniais.

E pode chamar-se pequeno mal aquele pelo qual a Sabedoria infinita de Deus julgou conveniente derramar o Seu Sangue de infinito valor?
O pecado venial é tão grande mal que não há, acima dele coisa pior, senão o pecado mortal.
Sob qualquer aspecto que se encare, o pecado venial é pior que o inferno, pois, como diz Suárez, sendo o inferno pura pena, poderia escolher-se [de preferência ao pecado]; mas o pecado venial, sendo mal de culpa, não se pode escolher em nenhum caso. [Seria preferível padecer o inferno a cometer um pecado venial.]

É tão grande mal o pecado venial, que não pode cometer-se nem por obter algum grande bem, nem por evitar um grande mal. Se alguém pudesse, com uma leve mentira, salvar todos os condenados do inferno, ou converter todos os infiéis, não deveria, por forma alguma, proferí-la.
Finalmente, supondo mesmo, o que não é verdade, que o pecado venial é coisa leve, tanto em razão da culpa quanto em razão do mal, convêm refletir no número incalculável destas culpas, que se cometem desde pela manhã até à noite. Donde disse Santo Agostinho: 'Se não temes estes pecados quando os pesas, teme-os quando os contas'.
Se o pecado mortal é como o raio que mata, os pecados veniais são como o granizo que fustiga a vinha da alma. Por isso disse Quintiliano: Se não ofendem como raio, prejudicam, ao menos, como saraiva.

Se o pecado mortal é um mar, que faz naufragar o navio, os pecados veniais são outras tantas gotas que, unidas, igualmente o podem afundar. E, no caso de naufragar, pouco importa, diz Santo Agostinho, que isto aconteça por uma furiosa tempestade, ou que a água entre por uma fenda, gota a gota.
Não queremos com isto dizer que muitos pecados veniais façam um mortal; mas que muitos pecados veniais dispõem para o mortal [e com disposição próxima.]


II. Danos do pecado venial

Muitos são os danos que o pecado venial acarreta à alma.
O primeiro é a mancha que lhe imprime, e a torna abominável aos olhos de Deus. O rei Nabucodonosor ordenou a seus ministros que lhe escolhessem para pajens jovens puros, sem defeito e sem mancha, porque doutra forma não seriam aceitos e gratos a seus olhos (Dn 1, 4). Assim também quis Deus que os justos fossem isentos da menor culpa, porque, de outra maneira, os olharia com desagrado e desdém.

Este é, também, o modo de proceder entre os homens. Um vestido só presta quando estiver isento de qualquer mancha, ainda que não esteja rasgado. Uma rainha, por mais rica e majestosa que seja, se tem no rosto um defeito, perde toda a sua graça e beleza, e deixa de ser admirada e estimada pelos homens. Ora, a alma rica de virtudes e de dons sobrenaturais, ainda que seja verdadeiramente rainha pela graça santificante, pelo pecado venial torna-se disforme aos olhos de Deus, que não mais se compraz nela, e a olha como objeto de repulsão.

Uma dama espanhola, dirigida espiritualmente pelo padre João d'Ávila, teve ardente desejo de ver o estado de sua alma, e pediu ardentemente a Deus que lho mostrasse. Apareceu-lhe um Anjo com uma menina cheia de chagas purulentas, que dava compaixão, e disse-lhe: 'Esta é a tua alma'. Ficou a serva de Deus aterrorizada com esta aparição, e correu a manifestar ao seu diretor espiritual o que tinha visto. 'E essa menina estava viva ou morta?', perguntou-lhe o padre. 'Viva', replicou a serva de Deus. 'Consolai-vos em parte, porque, se a menina estava viva, é sinal de que a vossa alma está na graça santificante', disse o venerável padre.

O segundo dano do pecado venial à alma, é privá-la das graças atuais que o Senhor lhe concederia, se fosse mais pura e isenta de culpas. Estas graças atuais são certas luzes mais vivas na mente para conhecer o bem, certas inspirações mais eficazes para mover o coração e a vontade, certa compunção e doçura espiritual na oração, maior coragem para resistir às tentações, e outras semelhantes.

Assim como um pai, desgostado pelas muitas desobediências de um filho, não lhe faz certas finezas, que lhe faria se fosse mais obediente: assim Deus, indignado pela ingratidão do homem que se contenta só com não ofende-lO mortalmente, o priva de muitas graças especiais, que lhe concederia se o visse mais fervoroso em Seu serviço.

Quantos se desgostam e maravilham porque não encontram gosto na oração; porque, pedindo de contínuo a Deus e aos Santos, não são ouvidos; porque se encontram sempre tão fracos e débeis na tentação! E como podem pretender que Deus os favoreça com graças especiais, se eles se tornam indignos delas, pelos freqüêntes pecados veniais, com que se tornam desagradáveis aos divinos olhos? Como podem resistir aos assaltos das tentações se, pelos pecados veniais, se vêem abandonados dos auxílios celestes?

O terceiro e maior dano que o pecado venial causa à alma, é dispô-la para o pecado mortal. Isto sucede de dois modos, como ensina São Tomás: ou indiretamente, porque, retirando-lhe Deus os mais poderosos auxílios de Sua graça, naturalmente enfraquece e cai no pecado mortal; ou diretamente, porque, acostumando-se a cometer muitas vezes culpas leves, pouco a pouco chega, pelo mau hábito, a cair em culpas graves.

E além disto, acrescenta São Tomás que o pecado venial difere do mortal como uma coisa, imperfeita no seu gênero, difere de outra, perfeita; e como um menino, de um adulto (1-2, q. 88, art. 6, ad 1). Assim como fugimos de ter ao nosso lado um leãozinho, com receio de que se assanhe e nos mate, assim devemos ter longe de nós toda culpa venial, com receio que, de pequena, se torne uma grande fera, e nos estrangule e mate. Assim foi que a curiosidade de Eva degenerou numa grave desobediência; o afeto de Judas ao dinheiro, em deicídio; a política de Pilatos, na condenação de Jesus; e a imprudência de Salomão em casar-se com pagãs, em idolatria.

Por isso, o profeta Isaías se lamenta de que os pecadores preparem, com os seus pecados veniais, a corda com que hão de ser arrastados ao inferno (Is 5, 18). As cordas, retorcendo em si muitos fios, formam os grandes cabos, que suportam grandes pesos e seguram os navios. Assim os pecadores, comenta Santo Agostinho, multiplicando os pecados veniais, se dispõem para os mortais, que os arrastam à perdição.

Entremos dentro de nós mesmos e examinemos os muitos defeitos a que a nossa alma está habituada, para não nos acontecer o que a muitos têm acontecido. Santa Teresa escreve, em sua Vida, que foi levada ao inferno, e lá viu o lugar que haveria de ocupar, se não se emendasse de certos pecados veniais em sua juventude.
O piloto, quando vê ao longe uma nuvenzinha no céu azul, prevendo a tempestade, colhe as velas e refugia-se em lugar seguro. Quando o céu da nossa alma se escurecer com alguma nuvem de pecado venial, tomemos precaução, porque pode vir a tempestade da tentação e levar-nos a cair no pecado mortal.

Sigamos o conselho dos mestres espirituais, que nos avisam que de pequenos princípios nascem tremendas conseqüências, e que o demônio procura levar gradualmente as almas das pequenas faltas às grandes, como diz São Doroteo (Serm. 3).


III. Castigos do pecado venial

A pena, como uma sombra, segue a culpa; e, assim como da grandeza da sombra se deduz a grandeza do corpo, assim da gravidade dos castigos com que Deus pune o pecado venial, se pode claramente deduzir a gravidade de sua malícia. Tanto mais que, sendo Deus a infinita justiça, castiga com toda a proporção; sendo a infinita sabedoria, sabe até onde deve ir a proporção do castigo; e, sendo incapaz de paixão humana, não pode castigar mais do que deve, nem por arrebatamento da cólera, nem por falsa apreesão, nem por desordenado sentimento.

Posto isto, vejamos como Deus castigou o pecado venial, nesta vida, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

No Antigo Testamento, Moisés, tão favorecido de Deus, caminhando para o Egito a fim de libertar o povo de Israel, saiu-lhe ao encontro um Anjo para o matar (Ex 4, 24). E por qual pecado se viu Moisés nesse perigo? Porque tinha adiado circuncidar seu filho - não porque não o quisesse circuncidar, mas diferia fazê-lo por um terno afeto, que não passava de pecado venial. Mas Séfora, sua consorte, logo circuncidou o menino e com isto se aplacou a ira do Anjo.

Enviou Deus um profeta a Betel, ao rei Geroboão, com ordem de não comer pão pelo caminho, nem beber água (3 Rs 13). Fê-lo assim o profeta, mas, na volta, encontrou-se com outro profeta venerável, que o enganou, dizendo-lhe que entrasse em sua casa, que esta era a Vontade de Deus, e se fortificasse. Assim o fez o crédulo profeta, e comeu pão e bebeu água. Este pecado do profeta foi, certamente, venial. Não obstante, Deus fez sair de uma floresta um leão, que o matou. E para que se entendesse que isto acontecera, não por fome do leão, mas por culpa do profeta, não só o leão não devorou o corpo morto, mas guardou-o até ser sepultado.

Pela curiosidade de ver o incêndio de Sodoma, a mulher de Lot foi convertida em estátua de sal.
Por uma vã complacência que teve Davi em olhar para o seu fortíssimo exército, foi castigado com uma peste, que em três dias matou setenta mil pessoas.

No Novo Testamento, lemos nos fastos da Igreja gravíssimas penas com que Deus tem castigado o pecado venial. São Jerônimo narra de Santo Hilário que, por uma distração não repelida, permitiu Deus que o demônio saltasse sobre ele e o flagelasse.
Santo Odão, abade, escreve de São Gerardo Conte, que ficou cego por ter olhado fixamente para o rosto de uma menina.

Conta Paládio de um santo homem, que vivia em grande austeridade, ao qual Deus por muitos anos mandava, por um anjo, um alvíssimo pão, que lhe bastava para dois dias. Depois de algum tempo começou a pensar, por vaidade, que era melhor do que os outros. Logo Deus o castigou mandando-lhe, em vez de pão branco, pão negro.

Um dia Santa Francisca Romana sentiu que lhe davam uma valente bofetada. Voltou-se para ver quem a tinha ferido, e viu um Anjo que lhe disse: 'Esta bofetada te dei, em castigo do ócio com que estavas perdendo o tempo, que é tão precioso'.

Mas os maiores castigos do pecado venial são na outra vida.


Primeiramente, é sentença de São Tomás, de São Boaventura e do comum dos teólogos que, se um pecador morre sem a graça de Deus, e leva pra o inferno, juntamente com um pecado mortal, um pecado venial não perdoado, deverá sofrer lá uma dupla pena eterna, por um e por outro. E a razão é clara: porque no inferno não há redenção, e não lhe sendo perdoada a culpa venial, também não lhe será remitida a pena que lhe é devida.

Em segundo lugar, os pecados veniais, pelos quais não fizemos penitência, serão castigados no Purgatório com penas atrocíssimas. Se alguém neste mundo, por uma mentira ligeira, devesse ser lançado numa fogueira ardente, que horror não nos causaria! Mas o seu tormento seria breve, pois logo morreria. Mas as almas do Purgatório sofrem e não morrem; e sofrem não por um momento, mas por muitos anos, e até milhares de anos. E não é qualquer fogo o do Purgatório. Santo Agostinho diz que 'com o mesmo fogo é atormentado o condenado e purificado o eleito'.

Não é, pois, o pecado venial, coisa tão ligeira e insignificante, que não temamos cometê-lo.
São Maurício bispo, por se descuidar em batizar um menino, que logo morreu, renunciou ao bispado e se condenou a viver sempre peregrinando.
Santo Eusébio, por uma distração voluntária na oração, condenou-se a ter sempre os olhos baixos e a não olhar para objeto terreno.
O sacerdote Evágrio, em penitência por uma pequena distração, passou quarenta dias sem se sentar.

De São Paulo Eremita, escreve São Jerônimo em seu epitáfio, que chorava os pecados leves como se fossem gravíssimos crimes.
E quem terá tão pouco juízo que, podendo neste mundo resgatar a pena devida por seus pecados veniais com menores castigos, deixe para o fogo do Purgatório satisfazer por eles?

(Padre Alexandrino Monteiro, S. J., Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, II Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1959, páginas 116-128

Orar a santo é adorar?



Ao longo de vários artigos, eu tenho respondido a muitas objeções Protestantes sobre rezar para os Santos. “Como pode um simples homem responder a várias orações ao mesmo tempo?”, “A oração aos Santos é necromancia?” ou, talvez a mais famosa, “Se Jesus é revelado em 1º Timóteo 2,5 como sendo “o único mediador entre Deus e os homens”, como nós poderíamos ter milhares de Santos que “mediam” por nós?
Neste artigo, nós iremos considerar a objeção daqueles que acreditam que rezar para os Santos equivale a mesma coisa que “adorar” eles como a Deus. No livro “Respostas para as objeções Católicas- Uma discussão da Autoridade Bíblica” James White escreve: “A oração, afirma-se [na Bíblia], é um ato de adoração, e devemos adorar somente a Deus.” Se é assim, nós, católicos, precisaríamos parar com isso, então, o que fazer?
A resposta Católica
Quando nós, Católicos, dizemos que vamos orar para Deus e orar para os Santos, nós estamos falando de uma diferença qualitativa entre coisas diferentes, como o homem é diferente do macaco. Os Protestantes geralmente tem em mente só um tipo de oração- a oração para Deus que automaticamente implica em adoração. Mas basta pegar um dicionário para descobrir que há, na verdade, diferentes definições e, portanto, diferentes usos da mesma palavra.
Oração:
A atitude ou a pratica da oração.
“Um pedido sincero; rogo; súplica; humilde súplica dirigida a Deus, a uma divindade, etc: (b) um pedido feito a Deus, etc, como, a sua oração por seu retorno seguro, (c) qualquer fórmula definida para a oração, como a Deus.”
A oração não é, por definição, necessariamente equivalente á adoração que é dirigida única e exclusivamente a Deus.
A oração certamente pode envolver uma atitude de adoração quando é dirigida a Deus, mas o termo necessariamente não denota adoração. Ele pode simplesmente significar “uma súplica”.
Alguém poderia dizer para outro alguém, “Por favor, diga …” ou, “peço-te, meu senhor …”. De fato, a Bíblia King James nos dá muitos exemplos do termo “oração” sendo usado da mesma forma que nós, Católicos, usamos essa mesma palavra para rezar aos Santos.
Quando Betsabé faz um pedido do rei Salomão em I Reis 02:20, a KJV tem a dizer: “Eu te peço, não me diga nem não.” Nunca houve aqui uma questão de saber se o King James Bíblia estava apresentando Betsabé como adorando seu filho como Deus, ou orando para ele de uma forma que é proibido. Não era.
Nem os católicos, quando oramos aos santos. Nós certamente os honramos quando rezamos para eles. Em outras palavras, nós não falamos com eles como falamos com os rapazes no bar local. Mostramos um grande respeito e reverência para com eles. Mas nós não os adoramos como nós adoramos somente a Deus. E também pedir-lhes por suas orações porque a Escritura deixa bem claro que precisamos uns dos outros, como membros do corpo de Cristo (ver I Coríntios 12,12-27.).


Definindo as diferenças
A Igreja Católica tem feito grandes esforços para definir a diferença essencial entre a oração a Deus e oração aos santos.
O Concílio Ecumênico de Nicéia, em 787 AD, a que se refere a esta “adoração”, dado somente a Deus como latreia (grego) ou latria (Latim). Isto vem de uma raiz grega que encontramos na Escritura em vários lugares e em diferentes palavras. Em Gálatas 5,20, por exemplo, encontramos São Paulo condenando “idolatria”, idolatreia. Este termo significa literalmente “ídolo-adoração.” Outro exemplo é encontrado em Hebreus 9,6, onde o autor inspirado refere-se ao ministério dos sacerdotes no Antigo Testamento como oferecendo seus “deveres rituais” para Deus (Gr.-latreias).
Os Padres conciliares usaram latria neste sentido de “adoração”, que só deve ser dado a Deus. Quando o Conselho considerou rezar aos santos, os pais ensinaram que a oração deve incluir o respeito que lhes é devido na justiça, mas nunca adoração. Eles escolheram usedouleia (grego) ou dulia (Latim), a fim de fazer essa distinção clara. Assim, temos um tipo totalmente diferente de oração oferecida aos santos do que para Deus. No “Conselho para a Definição Doutrinal”, os Padre declararam:
Quanto mais eles são frequentemente vistos em arte representacional, mais são aqueles que os fazem lembrar que os Santos lhes servem como modelos, e usam imagens para pagar o tributo de saudação e reverência respeitosa. Certamente esta não é a plena adoração latria {}, de acordo com a nossa fé, que é devidamente pago somente à natureza divina, mas ela lembra que, dado à figura da cruz honrado e que dá vida, e também para os livros sagrados de os evangelhos e outros objetos sagrados de culto. Além disso, as pessoas são atraídas para honrar essas imagens com a oferenda de incenso e velas, como foi piamente estabelecido pelo costume antigo. De fato, a honra prestada a uma imagem, veneramos a pessoa representada naquela imagem.
A oração é, necessariamente, um ato de adoração? Não, não é.

A Igreja é Invisível?


Há aqueles (protestantes evangélicos) que afirmam que a Igreja não é uma instituição visível, mas apenas o corpo de crentes. No entanto, Jesus compara sua Igreja apenas para com as coisas visíveis , como a um rebanho, um corpo, uma casa, uma cidade edificada sobre um monte , e um reino. 1 Timóteo 3:15 nos diz que a Igreja é “a coluna e o fundamento da verdade”. As palavras pilar e fundação indicam segurança e estabilidade , e não a divisão e confusão, como se encontra entre as milhares de denominações que surgiram desde a Reforma.
É importante notar que não é a Igreja que determina a verdade , mas sim Deus comunica a sua verdade através da Igreja. Todos os crentes são uma parte da Igreja, que, apesar de um corpo, tem muitas partes, e as muitas partes têm funções diferentes ( 1 Coríntios 12:12-31 ). A função da hierarquia da Igreja é claramente mostrado nas Escrituras. Considere o seguinte:
Pedro e o Concílio de Jerusalém , que ele presidia , ministrado pelo poder do Espírito Santo : “É a decisão do Espírito Santo e de nós para não colocar em você qualquer encargo além destas necessidades … ” (Atos 15:28 ) .
Todas as Igrejas deveriam acatar a decisão : ” Como eles ( Paulo e Timóteo ) viajaram de cidade em cidade , eles transmitiram ao povo para a observância da decisão tomada pelos apóstolos e presbíteros em Jerusalém ” (Atos 16:04 )
Bispos estavam em autoridade sobre congregações: ” Por esta razão te deixei em Creta , para que você pode definir direito o que resta a ser feito e nomear presbíteros em cada cidade , como eu o instruí ” (Tito 1:5). O cargo de bispo é falado em oito vezes no Novo Testamento. As palavras gregas usadas são episcopos ἐπίσκοπος , o que significa um superintendente ou supervisor, alguém que visita , e episskope ἐπισκοπή , que apenas refere-se ao escritório.
Presbíteros foram lembrados de suas responsabilidades : ” E de Mileto tinha os presbíteros da Igreja de Éfeso convocado ” Cuidem de vocês mesmos e por todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos designou superintendentes , em que você tende a Igreja de Deus . que Ele adquiriu com seu próprio sangue . sei que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vós , e não pouparão o rebanho. e a partir do seu próprio grupo , os homens vão se apresentar perverter a verdade para atrair os discípulos longe atrás deles ‘ “(Atos 20:17 , 28-30) . Como você acha que esses enganadores irão aparecer ? ” Mesmo Satanás se transfigura em anjo de luz. Portanto, não é estranho que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça ” (2 Coríntios 11:14-15 ) . É por isso que João diz: ” Nós pertencemos a Deus, e quem conhece a Deus nos ouve , enquanto quem não pertence a Deus se recusa a ouvir-nos . Isto é como nós conhecemos o espírito da verdade e o espírito do engano ” ( 1 João 4:6). Este é um reflexo do próprias palavras de Jesus : “Quem ouve você me ouve. Quem vos rejeita, a mim me rejeita “(Lucas 10:16) , e” Se ele se recusa até mesmo a ouvir a Igreja, então trata-o como se fosse um gentio e publicano “(Mateus 18:17).
Consequentemente , os crentes submeteram-se à autoridade da Igreja, Lembre-se: seus líderes que falaram a palavra de Deus para você. Considere o resultado de seu modo de vida e imitar a sua fé. Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.
Não ser levado por todos os tipos de ensinamentos estranhos: “Obedeçam aos seus líderes e adiar para eles, pois eles velam sobre você e terá que prestar contas , para que possam cumprir a sua missão com alegria e não com tristeza , pois isso seria de nenhuma vantagem para você ” (Hebreus 13:7-9 , 17). A palavra ”líder” é traduzida da palavra grega hegeomai ἡγέομαι e significa conduzir com autoridade pública. Da mesma forma, em 1 Pedro 5:05 , lemos: ” Da mesma forma, os membros mais jovens , estão sujeitos aos presbíteros.”


O ensinamento da Igreja primitiva paralelo às escrituras.
No ano 110, Inácio de Antioquia escreveu em sua carta a Policarpo : “Você deve ser santo em todas as coisas por estar unido em perfeita obediência, na submissão ao bispo e os sacerdotes.”
Que Roma era a fonte de autoridade é confirmada por Irineu ( 140-202 dC) : ”Ressaltamos a tradição de que muito grande e muito antiga e universalmente conhecida Igreja, que foi estabelecida em Roma.”

quarta-feira, 21 de maio de 2014

PROFECIAS SINISTRAS



Em síntese: Ainda há quem propague, em nome de Nossa Senhora de Fátima, sinistras profecias, que têm assustado muitos fiéis. A respeito deve-se dizer que carecem de todo fundamento e resultam da fantasia de quem as concebe. O terceiro segredo de Fátima já foi revelado por completo, como reconheceu a própria Irmã Lúcia. De resto, o passar do tempo se encarrega de desmentir tais profecias, que deveriam realizar-se nas proximidades do ano 2000.
*   *   *
A Redação de PR recebeu mais uma vez o texto de sinistras profecias proferidas em nome de Nossa Senhora de Fátima em seu terceiro segredo. Há quem peça esclarecimentos a respeito. Eis por que, nas páginas subseqüentes, transcreveremos (tão somente à guisa de ilustração) o segmento mais significativo de tais profecias e lhe teceremos alguns comentários.

1. O texto em foco

"Nós estamos a cerca de um minuto do último dia e a catástrofe se aproxima. Devido a isso, muitos que estão afastados se voltarão aos braços da Igreja de Jesus Cristo.
Todos os países, Inglaterra, Rússia, China etc..., todos os religiosos, os protestantes, os espíritas, os muçulmanos, os budistas e os judeus.
Todos regressarão, adorarão e crerão em Deus, em seu enviado Jesus Cristo e em sua Santa mãe. Mas o que nós devemos esperar?
Em todos os lugares se fala de paz e tranqüilidade, mas o castigo virá.
UM HOMEM EM UMA POSIÇÃO MUITO ALTA SERÁ ASSASSINADO E ISTO CAUSARÁ A GUERRA.
UMA ARMADA PODEROSA CAMINHARÁ ATRAVÉS DA EUROPA E A GUERRA NUCLEAR COMEÇARÁ.
Esta guerra destruirá tudo, a escuridão cairá sobre a Terra durante 72 horas (três dias).
Apenas uma terça parte da humanidade sobreviverá a estas 72 horas de escuridão e terror e começará a viver em uma era nova; serão as pessoas boas.
Em uma noite muito fria, 10 minutos antes da meia-noite, UM GRANDE TERREMOTO sacudirá a Terra durante 8 horas. Este será o terceiro sinal de que Deus é quem governa a Terra. Os bons, aqueles que propagarem esta mensagem, a profecia da Santa Mãe Maria anunciada em Fátima, não DEVEM TEMER, não TENHAM nenhum receio.
O QUE FAZER?
Ajoelhe-se, peça perdão a Deus. Não deixe a sua casa e não deixe ninguém estranho entrar. Porque só o bom não estará em poder do mal e sobreviverá à catástrofe.
De forma que você deve se preparar e permanecer com vida, como meus filhos que são, lhes darei os seguintes sinais:
A NOITE SERÁ EXTREMAMENTE FRIA; SOPRARÃO VENTOS MUITO FORTES; HAVERÁ MUITA ANGÚSTIA E EM POUCO TEMPO COMEÇARÁ UM GRANDE TERREMOTO, QUE FARÁ ESTREMECER TODA A TERRA.
Em sua casa, feche portas e janelas e não fale com ninguém que não esteja em sua casa. Não olhe para fora, não seja curioso, porque esta é a ira do SENHOR. Acenda velas bentas, porque por três dias nenhuma outra luz se acenderá. O movimento da Terra será tão violento que moverá o eixo da Terra (23 a 20 graus); depois ela regressará à sua posição normal. Então uma escuridão absoluta e total cobrirá a Terra inteira. Todo espírito maligno andará solto, fazendo muito mal às almas que não quiserem escutar esta mensagem de advertência e para aqueles que não quiserem se arrepender.
Que as almas benignas cristãs se lembrem de acender as velas santificadas, preparar um altar sagrado com um crucifixo para comunicar-se com Deus através de Seu Filho, e Lhe implorar sua infinita misericórdia. Tudo estará escuro. Então, uma grande Cruz Mística aparecerá no céu, lembrando o precioso preço que o Seu Filho pagou por amor à humanidade e pela nossa redenção.
Na casa a única coisa que poderá dar luz são as VELAS SANTIFICADAS de cera, que uma vez acesas nada poderá apagar até que terminem os três dias de escuridão. Todos também devem ter consigo ÁGUA BENTA (ou magnetizada) ([1]), que aspergirão pela casa inteira, em especial nas portas e janelas. O Senhor protegerá as propriedades dos eleitos.
Ajoelhem-se diante da cruz poderosa do Seu divino Filho, rezem com devoção e depois digam o seguinte: - "OH DEUS, PERDOAI NOSSOS PECADOS, SALVANDO-NOS O FOGO DO INFERNO E LEVE PARA SEU LADO TODAS AS ALMAS, ESPECIALMENTE AQUELAS MAIS NECESSITADAS DE TUA MISERICÓRDIA. DOCE MÃE MARIA, INTERCEDA POR NÓS! NÓS A AMAMOS, SALVA NOSSO MUNDO".
Aqueles que acreditam nas palavras acima, levem essa mensagem aos demais. OS JUSTOS NÃO DEVERÃO TEMER NADA NO GRANDE DIA DO SENHOR.
Falem com todas as almas agora, enquanto ainda há tempo; os que permanecem calados agora serão responsáveis pelo grande número de almas que se perderão pela ignorância.
Quando a Terra já não mais tremer, aqueles que ainda não crerem em Nosso Senhor morrerão horrivelmente.
O vento trará gases e os espalhará por toda a parte, não sairá o sol. Pode ser que você viva depois desta catástrofe.
Não esqueça que o castigo de Deus é Sagrado e que, uma vez começado, não devem olhar para fora, por qualquer razão, já que Deus não quer que nenhum de seus filhos veja quando castigar os pecadores renitentes.
Tudo isso está nas Escrituras Sagradas, veja no Novo Testamento: S. Lucas (capítulo 21, versos 5:11, 12:19, 20:28, 29:33) - Carta de S. Paulo (capítulo 3, 8-14) - O profeta Isaías (capítulo 40, 1:5:9)".

2. Comentando

Proporemos cinco observações.

2.1. Terceiro Segredo já revelado

Aos 13 de maio de 2000 o Santo Padre João Paulo li houve por bem revelar o terceiro segredo de Fátima. A Congregação para a Doutrina da Fé, ao publicar as quatro páginas desse terceiro segredo, teve o cuidado de publicar também o fac-símile do texto escrito à mão pela Ir. Lúcia, de modo que o leitor pode cotejar o impresso e o manuscrito, verificando que o segredo foi totalmente revelado. Aliás, para garantir a autenticidade e a íntegra da revelação do segredo, o Papa João Paulo II enviou o arcebispo Mons. Tarcísio Bertone ao Carmelo de Coimbra para perguntar à Irmã Lúcia se reconhecia a veracidade dos dizeres revelados. Nessa ocasião Mons. Bertone interrogou a Religiosa, que declarou concordar com a interpretação segundo a qual a terceira parte do segredo consiste numa visão profética, concernente sobretudo à luta do comunismo ateu contra os cristãos e descreve o enorme sofrimento das vítimas da fé no século XX.
Ver a propósito PR 461/2000, 434-443 e 463/2000, pp. 542-548.

2.2. Leitura subjetiva da Bíblia

As "profecias" atrás apresentadas derivam-se de uma leitura subjetiva da Bíblia, desligada da Palavra oral do Senhor que berçou a Bíblia e a acompanha através dos séculos. A Bíblia só pode ser autenticamente entendida se recolocada dentro da Tradição oral formulada pelo magistério da Igreja. Em caso contrário, corre-se o risco de introduzir na Escritura Sagrada teses preconcebidas, em vez de deduzir da mesma a sua genuína mensagem. As modernas "profecias" apelam para o texto sagrado sem recurso ao respectivo contexto e à mentalidade dos autores antigos; disto podem resultar interpretações gravemente errôneas.

2.3. Decepção

Muito sabiamente alude o Cardeal Ratzinger à surpresa e à decepção de muitas pessoas que julgavam poder prever o futuro nas linhas do terceiro segredo:

"Chegamos a uma última pergunta: que é que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o segredo de Fátima? Que é que nos diz a nós? Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que 'os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do segredo de Fátima parecem pertencer já ao passado'. Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral, que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece - dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do segredo - é a exortação à oração como caminho para a salvação das almas, e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão".

2.4. Pormenores suspeitos

Notam os comentadores uma grande diferença entre as profecias bíblicas e certas predições particulares: aquelas são muitas vezes genéricas ou de difícil interpretação, ao passo que as ditas "profecias particulares" são extremamente minuciosas e precisas. Tal índole minuciosa torna suspeita a predição particular; parece corresponder mais à imaginação do profeta do que aos ditames do Senhor Deus.

Verdade é que as diversas catástrofes da natureza que têm ocorrido nos últimos meses vêm sugerindo a alguns observadores a proximidade do fim do mundo. - Em resposta convém notar que sempre houve flagelos naturais e outras calamidades devidas ao comportamento humano (pestes, fome, guerra...). A fase atual não é algo de singular na história da humanidade.

2.5. O desmentido do tempo

O passar do tempo contribui para enfraquecer sempre mais o significado das profecias em foco, pois seu cumprimento estava previsto para as proximidades do ano 2000.

A fé lembra os dizeres do Senhor Jesus em Lc 17, 22: "Dias virão em que desejareis ver apenas um dos dias do Filho do Homem, mas não o vereis". Já o Senhor previu a inclemência dos tempos atuais e o anseio que espontaneamente brotaria da mente dos discípulos desejosos de uma intervenção retumbante do Senhor; previu também o não atendimento a tal expectativa. Em conseqüência dir-se-á que, em vez de aguardar soluções portentosas, compete aos cristãos fortalecer sua fidelidade à grandiosa vocação de ser "sal da terra" e "luz do mundo" (Mt 5, 13s); se os vocacionados falham, o mundo há de se ressentir enormemente, pois, se o sal perde o seu sabor, não há coisa alguma que o substitua (cf. Mt 5, 13). Estas verdades são mais importantes do que as "profecias". Esta última afirmação é a conclusão que tiramos de nossas reflexões sobre as sinistras previsões veiculadas em anexo ao terceiro segredo de Fátima.


Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

GRANDE HISTORIADOR PROTESTANTE TORNA SE CATÓLICO



Eu fui criado como um protestante evangélico, em Birmingham, no Alabama. Meus pais eram amorosos e dedicados, sinceros em sua fé, e profundamente envolvidos em nossa igreja. Eles incutiram em mim o respeito pela Bíblia como a Palavra de Deus, e um desejo e uma fé viva em Cristo. Missionários frequentavam nossa casa e traziam o seu entusiasmo pelo seu trabalho. As estantes em nossa casa estavam cheias de livros de teologia e apologética. Desde cedo, eu absorvi a noção de que a minha maior vocação era ensinar a fé cristã. Suponho que não seja nenhuma surpresa que eu tenha me tornado um historiador da Igreja, mas me tornar um católico era a última coisa que eu esperava.
A igreja da minha família era nominalmente Presbiteriana, mas as diferenças denominacionais significavam muito pouco para nós. Eu frequentemente ouvia que divergências sobre o batismo, a ceia, ou o governo da igreja do Senhor não eram importantes, desde que eu acreditasse no Evangelho. Assim, queríamos dizer que a pessoa deve “nascer de novo”, que a salvação é pela fé, e que a Bíblia é a única autoridade para a fé cristã. Nossa igreja apoiava os ministérios de muitas denominações protestantes diferentes, mas o grupo certamente estava em oposição à Igreja Católica.
O mito de uma “recuperação” protestante do Evangelho era forte em nossa igreja. Eu aprendi muito cedo a idolatrar os reformadores protestantes Martinho Lutero e João Calvino, porque supostamente haviam resgatado o Cristianismo das trevas do Catolicismo medieval. Os católicos eram os que confiavam nas “boas obras” para levá-los para o céu, que se renderam à tradição ao invés das Escrituras, e que adoravam Maria e os santos em vez de Deus. Sua obsessão com os sacramentos também criou um enorme obstáculo para a verdadeira fé e um relacionamento pessoal com Jesus. Não havia dúvida. Os católicos não eram verdadeiros cristãos.
Nossa igreja era caracterizada por uma espécie de intelectualismo confiante. Presbiterianos tendem a ser bastante ou teologicamente intelectuais, e professores de seminário, apologistas, cientistas e filósofos eram os oradores frequentes de nossas conferências. Foi essa atmosfera intelectual que atraiu o meu pai para a igreja, e suas estantes estavam lotadas com as obras do reformador João Calvino, e do puritano Jonathan Edwards, bem como autores mais recentes como B.B. Warfield, A.A. Hodge, C.S. Lewis e Francis Schaeffer. Como parte dessa cultura acadêmica, tomávamos como certo que a investigação honesta levaria alguém à nossa versão da fé cristã.
Todas estas influências deixaram impressões definitivas sobre mim como uma criança. Eu comecei a achar o Cristianismo um pouco parecido com a física newtoniana. A fé cristã consistia em certas leis eminentemente razoáveis e imutáveis, e a você estava garantida a vida eterna, desde que você tivesse construído a sua vida de acordo com esses princípios. Eu também pensava que esta era a mensagem claramente enunciada no livro oficial da teologia cristã: a Bíblia. Somente a confiança irracional na tradição humana ou a indiferença depravada poderia explicar o fracasso de alguém se agarrar a estas simples verdades.
Havia uma estranha ironia neste ambiente altamente religioso e teológico. Deixava-se claro que era a fé e não as obras que salvavam. Também se confessava a crença protestante clássica de que todas as pessoas estão “totalmente depravadas”, o que significa que até mesmo os seus melhores esforços morais são intrinsecamente odiosos para Deus e nada podem merecer. No momento em que cheguei a escola, eu coloquei essas peças e conclui que a prática religiosa e o esforço moral eram mais ou menos irrelevantes para a minha vida. Não que eu tenha perdido a minha fé. Pelo contrário, eu a absorvi completamente. Eu tinha aceitado a Cristo como meu Salvador e era um “renascido”. Eu acreditava que a Bíblia era a palavra de Deus. Eu também acreditava que nenhum dos meus trabalhos religiosos ou morais tinha qualquer valor. Então eu parei de praticá-los.
Felizmente, a minha indiferença durou apenas alguns anos, e eu tive uma verdadeira reconversão à fé na faculdade. Descobri que a minha necessidade de Deus era mais profunda do que um simples “seguro contra incêndio”. Eu também conheci uma linda garota com quem eu comecei a ir aos cultos protestantes. Jill tinha sido criada nominalmente católica, mas não conseguiu manter-se na prática de sua fé após a Confirmação. Juntos, nós nos encontrávamos crescendo mais profundamente na fé protestante, e depois de alguns meses, ambos nos tornamos desiludidos com a atmosfera mundana da nossa Universidade de Nova Orleans. Concluímos que o Centro-Oeste americano e a faculdade evangélica Wheaton College iria nos proporcionar um ambiente mais espiritual, e nos transferimos os dois no meio do nosso segundo ano (em Janeiro de 1991).
Wheaton College, é um farol para cristãos evangélicos sinceros vindos de várias origens. Protestantes de diversas denominações diferentes ficam representados, unidos em seu compromisso com Cristo e a Bíblia. Minha infância me ensinou que a teologia, a apologética e o evangelismo eram a maior vocação do cristão, e eu encontrei-os todos em oferta abundante na Wheaton College. Foi aí que pensei pela primeira vez em comprometer a minha vida ao estudo da teologia. Foi também na Wheaton College que Jill e eu nos tornamos noivos.
Depois da formatura, Jill e eu nos casamos, e finalmente, fizemos o nosso caminho para a Universidade Evangélica Trindade Divina, em Chicago. O meu objetivo era ter uma educação de seminário, e eventualmente, completar o meu grau de Ph.D. Eu queria me tornar um daqueles professores de teologia que admirava tanto na igreja durante a minha juventude.
Atirei-me no seminário abandonando tudo. Eu amei meus cursos de teologia, da Escritura e da história da Igreja, e eu prosperei sobre a fé, confiança e sentido de missão que permeavam a escola. Eu também abracei a sua atmosfera anticatólica. Eu estava lá em 1994, quando o documento “Evangélicos e Católicos Juntos” foi publicado pela primeira vez e a faculdade foi quase que uniformemente hostil a ele. Eles viam qualquer compromisso com os católicos como sendo uma traição à Reforma. Os católicos não eram simplesmente irmãos no Senhor. Eles eram apóstatas.
Eu aceitava as atitudes anticatólicas de meus professores de seminário; por isso, quando chegou a hora de seguir em frente nos meus estudos, decidi me focar em um estudo histórico da Reforma. Eu pensava que não poderia haver uma preparação melhor, para atacar a Igreja Católica e ganhar convertidos, do que conhecer profundamente as mentes dos grandes líderes de nossa fé – Martinho Lutero e João Calvino. Eu também queria entender toda a história do Cristianismo para que pudesse colocar a Reforma no contexto. Eu queria ser capaz de mostrar como a igreja medieval tinha abandonado a verdadeira fé e como os reformadores a tinham recuperado. Para este fim, comecei estudos de Ph.D. em teologia histórica na Universidade de Iowa. Eu nunca imaginava que a história da Reforma da Igreja iria me levar à Igreja Católica!
Antes que começasse meus estudos em Iowa, Jill e eu testemunhamos o nascimento do nosso primeiro filho, um menino. Seu irmãozinho nasceu menos de dois anos depois, e uma irmã chegou antes de sairmos de Iowa (e agora temos cinco filhos). Minha esposa estava muito ocupada cuidando das crianças, enquanto eu me comprometia quase que inteiramente aos meus estudos. Vejo hoje que eu passei muito tempo na biblioteca e não tempo suficiente com a minha esposa, meus filhos e minha filha. Eu acho que justifica essa negligência a confiança no meu senso de missão. Eu tinha uma vocação – para testemunhar a fé através do estudo teológico – e uma visão intelectual da fé cristã do meu dever cristão. Para os cristãos evangélicos, o que se acredita ser mais importante é o que a pessoa vive. Eu estava aprendendo a defender e promover essas crenças. O que poderia ser mais importante?
Eu comecei meus estudos de doutorado em Setembro de 1995. Fiz cursos no início, de história medieval e da Reforma da Igreja. Eu li os Padres da Igreja, os teólogos escolásticos, e os reformadores protestantes. Em cada etapa, tentei relacionar teólogos posteriores aos anteriores, e todos eles com as Escrituras. Eu tinha um objetivo de justificar a Reforma e isso significava, acima de tudo, investigar a doutrina da “justificação pela fé”. Para os protestantes, esta é a doutrina mais importante “recuperada” pela Reforma.
Os reformadores insistiam em que eles estavam seguindo a antiga igreja ao ensinar a “Sola Fide”, e como prova apontavam para os escritos do Padre da Igreja, Santo Agostinho de Hipona (354-430). Meus professores de seminário também apontavam para Agostinho como a fonte originária da teologia protestante. A razão para isso era o interesse de Agostinho nas doutrinas do pecado original, graça e justificação. Ele foi o primeiro dos Padres a tentar uma explicação sistemática desses temas paulinos. Ele também colocou um nítido contraste entre “obras” e “fé” (veja sua obra “Sobre o Espírito e a Letra”, 412 A.D.). Ironicamente, foi a minha investigação desta doutrina e de Santo Agostinho, o que começou a minha jornada para a Igreja Católica.
Minha primeira dificuldade surgiu quando comecei a entender o que realmente Santo Agostinho ensinou sobre a salvação. Em poucas palavras, Agostinho rejeitou a “Sola Fide”. É verdade que ele tinha um grande respeito pela fé e graça, mas via estas principalmente como a fonte de nossas boas obras. Agostinho ensinou que nós literalmente “merecemos” a vida eterna, quando nossas vidas são transformadas pela graça. Isto é completamente diferente do ponto de vista protestante.
As implicações de minha descoberta foram profundas. Eu não sabia o suficiente dos meus dias de faculdade e seminário para entender que Agostinho ensinava nada menos que a doutrina católica romana da justificação. Decidi passar então para os Padres mais antigos da Igreja em minha busca pela “fé pura” da antiguidade cristã. Infelizmente, os Padres mais antigos da Igreja eram ainda de menos ajuda do que Agostinho.
Agostinho vinha do Norte da África de fala de língua Latina. Outros vieram da Ásia Menor, Palestina, Síria, Roma, Gália, e do Egito. Eles representavam diferentes culturas, falavam línguas diferentes, e foram associados a diferentes apóstolos. Eu pensei que seria possível que alguns deles pudessem ter entendido mal o Evangelho, mas parecia improvável que todos iriam se confundir. A verdadeira fé tinha de estar representada em algum lugar do mundo antigo. O único problema era que eu não conseguia encontrá-la. Não importa para onde eu olhasse, em qualquer continente, em qualquer século, os Padres concordavam: a salvação vem por meio da transformação da vida moral e não somente pela fé. Eles também ensinaram que essa transformação começa e é alimentada nos sacramentos, e não através de alguma experiência de conversão individual.
Nesta fase da minha jornada eu estava ansioso para continuar a ser um protestante. Toda a minha vida, casamento, família e carreira, estavam ligados ao protestantismo. As minhas descobertas na história da Igreja eram uma enorme ameaça para a minha identidade, então eu me virei para os estudos bíblicos a procura de conforto e ajuda. Eu pensei que se eu pudesse ficar absolutamente confiante no recurso dos reformadores com as Escrituras, então eu basicamente poderia demitir 1500 anos de história cristã. Evitei a academia católica, ou livros que eu achava que tinham a intenção de minar a minha fé, e preferi me concentrar no que eu achava que eram as obras protestantes mais objetivas, históricas e também de erudição bíblica. Eu estava procurando por uma prova sólida de que os reformadores estavam certos em sua compreensão de Paulo. O que eu não sabia era que os melhores da academia protestante do Século XX já haviam rejeitado a leitura de Lutero da Bíblia.
Lutero baseou toda a sua rejeição da Igreja sobre as palavras de Paulo: “Uma pessoa é justificada pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3, 28). Lutero assumiu que este contraste entre “fé” e “obras” significava que não havia papel para a moralidade no processo da salvação (de acordo com a visão tradicional protestante, o comportamento moral é uma resposta para a salvação, mas não um fator contribuinte). Eu aprendi que os primeiros Padres da Igreja rejeitaram essa visão. Agora eu havia encontrado toda uma série de estudiosos protestantes também dispostos a testemunhar que isso não é o que Paulo quis dizer.
Os Padres da Igreja do Século II acreditavam que Paulo havia rejeitado a relevância somente da lei judaica para a salvação (“obras da lei” = lei mosaica). Eles viam a fé como a entrada para a vida da Igreja, os sacramentos, e o Espírito. A fé nos admite os meios da graça, mas não é em si um motivo suficiente para a salvação. O que eu vi nos mais recentes e altamente respeitados estudiosos protestantes é o mesmo ponto de vista. A partir do último terço do Século XX, estudiosos como E.P. Sanders, Krister Stendhal, James Dunn e N. T. Wright, têm argumentado que o protestantismo tradicional interpretou profundamente mal a Paulo. De acordo com Stendhal e outros, a justificação pela fé é principalmente sobre as relações entre judeus e gentios, e não sobre o papel da moralidade como condição de vida eterna. Juntos, o seu trabalho tem sido referido como “A Nova Perspectiva sobre Paulo”.
Minha descoberta desta “Nova Perspectiva” foi um divisor de águas na minha compreensão das Escrituras. Eu vi, para começar, que a “Nova Perspectiva”, era na verdade a “Velha Perspectiva” dos primeiros Padres da Igreja. Comecei a testá-la contra a minha própria leitura de Paulo e descobri que ela tinha sentido. Ela também resolveu a tensão de longa data que eu sempre senti entre Paulo e o resto da Bíblia. Mesmo Lutero tinha tido dificuldade em conciliar sua leitura de Paulo com o Sermão da Montanha, a Epístola de São Tiago, e o Antigo Testamento. Uma vez que eu tentei a “Nova Perspectiva” esta dificuldade desapareceu. Relutantemente, eu tive que aceitar que os reformadores estavam errados sobre a justificação.
Essas descobertas no meu trabalho acadêmico foram paralelas em certa medida a descobertas na minha vida pessoal. A teologia protestante distingue fortemente entre crença e comportamento, e eu comecei a ver como isso me afetou. Desde a infância, eu sempre tinha identificado teologia, apologética e evangelismo como a mais alta vocação na vida cristã, enquanto as virtudes deveriam ser meros frutos da crença correta. Infelizmente, descobri que os frutos não estavam apenas faltando em minha vida, mas que minha teologia tinha realmente contribuído para os meus vícios. Ela me fez censura, orgulhosa, e argumentativa. Eu também percebi que tinha feito a mesma coisa para os meus heróis.
Quanto mais eu aprendia sobre os reformadores protestantes, menos pessoalmente eu gostava deles. Eu reconheci que o meu próprio fundador, João Calvino, era um homem arrogante e auto-importante, que foi brutal para com os seus inimigos, nunca aceitou a responsabilidade pessoal, e condenava a qualquer um que não concordasse com ele. Ele chamou a si mesmo de profeta e atribuiu autoridade divina ao seu próprio ensino. Isto contrasta totalmente com bastante do que eu estava aprendendo sobre os teólogos católicos. Muitos deles eram santos, significando que eles tinham vivido vidas de abnegação e caridade heroica. Mesmo os maiores deles – homens como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino – também reconheciam que eles não tinham autoridade pessoal para definir o dogma da Igreja.
Exteriormente, permaneci firmemente anticatólico. Continuei a atacar a Igreja e a defender a Reforma, mas interiormente eu estava em uma agonia psicológica e espiritual. Descobri que minha teologia e todo o trabalho da minha vida foram fundamentados em uma mentira, e que a minha própria vida ética, moral e espiritual estava profundamente carente. Eu estava perdendo rapidamente a minha motivação para contestar o Catolicismo, e em vez disso eu queria simplesmente saber a verdade. Os reformadores protestantes tinham justificado a sua revolta por um apelo à “Sola Scriptura”. Meus estudos da doutrina da justificação tinham me mostrado que a Escritura não era o guia tão claro como os reformadores alegavam. E se todo o seu apelo a “Sola Scriptura” fosse equivocado? Por que, afinal, eu trataria a “Sola Scriptura” como a autoridade final?
Quando eu levantei essa questão para mim, percebi que eu não tinha uma boa resposta. A verdadeira razão pela qual apelava para a “Sola Scriptura” era que isso é o que havia me sido ensinado. Ao estudar o assunto, descobri que nenhum protestante já deu uma resposta satisfatória para esta pergunta. Os reformadores realmente não defenderam a doutrina da “Sola Scriptura”. Eles simplesmente a afirmaram. Pior ainda, eu aprendi que os teólogos protestantes modernos que tentaram defender a “Sola Scriptura” o fizeram com um apelo à tradição. Isso me parecia ilógico. Eventualmente, eu percebi que a “Sola Scriptura” não está nem mesmo nas Escrituras! A doutrina é auto-refutável. Vi também que os primeiros cristãos não sabiam mais de “Sola Scriptura”, do que haviam conhecido de “fé”. Sobre as questões de como somos salvos e como definimos a fé, os cristãos mais antigos encontravam o seu centro na Igreja. A Igreja era tanto a autoridade sobre a doutrina cristã, bem como o instrumento de salvação.
A Igreja era a questão para a qual eu continuava me voltando. Os evangélicos tendem a ver a Igreja como simplesmente uma associação de fiéis unidos mentalmente. Até mesmo os reformadores, Lutero e Calvino, tinham uma visão muito mais forte da Igreja do que isso, mas os antigos cristãos tinham a doutrina mais sublime de todas. Eu costumava ver sua ênfase na Igreja como antibíblica, ao contrário da “fé”, mas eu comecei a perceber que era minha tradição evangélica que era antibíblica!
A Escritura ensina que a Igreja é o Corpo de Cristo (Efésios 4, 12). Os evangélicos tendem a descartar isso como mera metáfora, mas os antigos cristãos pensavam nisso como, literalmente, embora misticamente, a verdade. São Gregório de Nissa disse: “Aquele que contempla a Igreja realmente contempla Cristo.” Enquanto eu pensava sobre isso, eu percebia que ele disse uma verdade profunda sobre o significado bíblico da salvação. São Paulo ensina que os batizados foram unidos a Cristo na sua morte, para que também eles fossem unidos a ele na ressurreição (Romanos 6, 3-6). Esta união, literalmente, torna o cristão um participante da natureza divina (2 Pedro 1, 4). Santo Atanásio poderia até dizer, “Ele se fez homem para que pudéssemos ser elevados a Deus” (De Incarnatione, 54,3). A antiga doutrina da Igreja agora fazia sentido para mim, porque eu via que a própria salvação nada mais é que a união com Cristo e um crescimento contínuo em sua natureza. A Igreja não é uma mera associação de pessoas com interesses semelhantes. É uma realidade sobrenatural porque compartilha da vida e ministério de Cristo.
Essa percepção também fazia sentido na doutrina sacramental da Igreja. Quando a Igreja batiza, absolve os pecados, ou acima de tudo, oferece o Santo Sacrifício da Missa, é realmente Cristo quem batiza, absolve e oferece o seu próprio Corpo e Sangue. Os sacramentos não diminuem a Cristo. Eles o tornam presente.
As Escrituras são bastante simples sobre os sacramentos. Se você tomá-los literalmente, você deve concluir que o batismo é o “banho de renascimento e renovação pelo Espírito Santo” (Tito 3, 5). O que Jesus quis dizer quando disse: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida” (João 6, 55). Ele não estava mentindo quando ele prometeu “a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados” (João 20, 23). Isto é exatamente como os antigos cristãos entendiam os sacramentos. Eu já não podia acusar os antigos cristãos de serem antibíblicos. Por que razão eu deveria rejeitá-los em tudo?
A antiga doutrina cristã da Igreja também fez sentido na questão da veneração dos santos e mártires. Eu aprendi que a doutrina católica sobre os santos é apenas um desenvolvimento desta doutrina bíblica do Corpo de Cristo. Os católicos não adoram os santos. Eles veneram a Cristo em seus membros. Ao invocar a sua intercessão, os católicos apenas confessam que Cristo está presente e operante na sua Igreja no céu. Os protestantes frequentemente objetam que a veneração dos santos católicos de alguma forma diminui o ministério de Cristo. Eu comecei a entender agora que o inverso é a verdade. São os protestantes que limitam o alcance da obra salvadora de Cristo, negando suas implicações para a doutrina da Igreja.
Meus estudos mostraram essa teologia concretizada na devoção da Igreja antiga. Conforme eu continuava a minha investigação de Santo Agostinho, eu aprendia que esse “herói protestante” abraçou completamente a veneração de santos. Peter Brown (nascido em 1935), um estudioso de Santo Agostinho, também me ensinou que os santos não estavam relacionados com o Cristianismo antigo. Ele argumentou que não se pode separar o Cristianismo antigo da devoção aos santos, e ele colocou Santo Agostinho diretamente nesta tradição. Brown mostrou que esta não era uma mera importação pagã no Cristianismo, mas sim estava ligado intimamente à noção cristã de salvação (Veja “O Culto dos Santos: A Sua Origem e Função no Cristianismo Latino”).
Quando entendi a posição católica sobre a salvação, a Igreja e os santos, os dogmas marianos também pareciam se encaixar. Se o coração da fé cristã é a união de Deus com a nossa natureza humana, a Mãe desta natureza humana tem um papel extremamente importante e único em toda a história. Por isso, os Padres da Igreja sempre celebraram Maria como a segunda Eva. O seu “sim” a Deus na anunciação desfez o “não” de Eva no jardim. Se era apropriado, venerar os santos e mártires da Igreja, quanto mais apropriado não seria dar honra e veneração a ela que tornou possível nossa redenção?
No momento em que eu terminei meu doutorado, eu tinha revisto completamente a minha compreensão da Igreja Católica. Vi que a sua doutrina sacramental, a sua visão da salvação, sua veneração a Maria e aos santos, e suas reivindicações de autoridade estavam todas fundamentadas nas Escrituras, nas tradições mais antigas, e no claro ensino de Cristo e dos apóstolos. Eu também percebi que o protestantismo era uma massa confusa de inconsistências e lógica torturada. Não só era falsa a doutrina protestante, mas criava contenção, e não poderia mesmo permanecer inalterada. Quanto mais eu estudava, mais eu percebia que a minha herança evangélica tinha me movido para longe não só do Cristianismo antigo, mas mesmo a partir do ensino de seus próprios fundadores protestantes.
Os evangélicos americanos modernos ensinam que a vida cristã começa quando você “convida Jesus a entrar em seu coração”. A conversão pessoal (o que eles chamam de “nascer de novo”) é vista como a essência e o começo da identidade cristã. Eu sabia a partir de minha leitura dos Padres que este não era o ensino da Igreja primitiva. Eu aprendi estudando os reformadores que não era nem mesmo o ensino dos primeiros protestantes. Calvino e Lutero tanto inequivocamente identificavam o batismo como o início da vida cristã. Eu procurei em vão em suas obras por qualquer exortação ao “novo nascimento”. Eu também aprendi que não descartavam a Eucaristia como sem importância, como eu o fazia. Enquanto eles rejeitavam a teologia católica sobre os sacramentos, ambos continuaram a insistir que Cristo está realmente presente na Eucaristia. Calvino mesmo ensinou em 1541 que uma compreensão adequada desta Eucaristia é “necessária para a salvação”. Ele não sabia nada do individualista, do Cristianismo do “novo nascimento” no qual eu havia crescido.
Terminei a minha licenciatura em Dezembro de 2002. Os últimos anos de meus estudos foram realmente muito obscuros. Mais e mais, parecia-me que os meus planos estavam ficando desequilibrados, e o meu futuro na escuridão. Minha confiança ficou muito abalada e eu realmente duvidava, que eu poderia acreditar em qualquer coisa. O Catolicismo começou a me parecer como a interpretação mais razoável da fé cristã, mas a perda da fé de minha infância foi demolidora. Orei por orientação. No final, eu creio que foi a graça que me salvou. Eu tinha uma esposa e quatro filhos, e Deus finalmente me mostrou que eu precisava de mais do que os livros em minha vida. Sinceramente, eu também precisava de mais do que “somente a fé”. Eu precisava de ajuda real para viver a minha vida e batalhar contra os meus pecados. Encontrei isso nos sacramentos da Igreja. Em vez da “Sola Scriptura”: eu precisava da orientação verdadeira de um professor com autoridade. Encontrei isso no Magistério da Igreja. Descobri realmente que toda a minha companhia eram os santos no céu – e não apenas os seus livros sobre a terra. Em suma, eu descobri que a Igreja Católica foi idealmente formada para atender as minhas necessidades espirituais reais. Além da verdade, descobri Jesus em sua Igreja, através de sua Mãe, e em toda a companhia dos seus santos. Entrei na Igreja Católica em 16 de Novembro de 2003. Minha esposa também tinha sua própria aversão contra as profundezas da Igreja e hoje minha família é uma família feliz e entusiasticamente católica. Agradeço aos meus pais por me apontarem Cristo e as Escrituras. Agradeço a Santo Agostinho por me apontar a Igreja!

A. David Anders