sábado, 26 de julho de 2014

OS PERIGOS DO SENTIMENTALISMO


 "O sentimentalismo é, na sensibilidade, uma afetação de amor de Deus e do próximo que não existe suficientemente na vontade espiritual. Então, a alma procura a si mesma mais que a Deus. Donde, para tirar a alma desta imperfeição, Deus purifica a alma pela aridez da sensibilidade
Se, verdadeiramente, a alma nesta aridez não é suficientemente generosa, cai na preguiça espiritual, na tepidez e não mais tende suficientemente à perfeição
Igualmente, pelo amor desordenado de si mesmo se vicia o labor intelectual ou apostólico, pois nele buscamos satisfação pessoal, buscamos o louvor, mais do que Deus ou a salvação das almas. Assim, o pregador pode tornar-se estéril «como um bronze que soa ou um címbalo que tine». A alma se retarda, não é mais iniciante, não avança ao estado dos aproveitados, permanece uma alma retardada, como um menino que, por não crescer, não permanece menino, nem se faz adolescente ou um adulto normal, mas um homúnculo deforme. Ocorre algo similar na ordem espiritual e isto provém do amor próprio desordenado, do sentimentalismo , do qual nasce a esterilidade da vida" - Pe. Garrigou Lagrange

Hoje conto a história de de muitos católicos que viveram e vivem a fé com muito sentimentalismo
Pra começar a história, relembre o dia em que você sentiu aquela fisgada, Jesus te pescando, seu momento de conversão

Nesse dia, aposto que você queria mudar o mundo, certo? Dava vontade de falar de Jesus pra todo mundo, vivia numa choradeira com qualquer música que ouvisse. Na missa queria colocar pra fora todos os sentimentos e etc.

 Aí, chega o momento em que a “fé” esfria. Não sentimos mais nada, e na maioria das vezes se perguntamos pra Deus : “Você me abandonou? Porque não sinto mais nada?”
Pergunto uma coisa : Aquele sentimentalismo todo era fé realmente?

Diz o autor da carta aos Hebreus o seguinte: ”A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”. (Hb 11,1)
 Podemos também afirmar que é a fé é uma certeza a respeito daquilo que não se sente.

Na biografia de santa chamada Gemma Galgani conta-se que ela havia recebido os estigmas de Cristo muito cedo.

Ela sempre oferecia seus sofrimentos à Deus em expiação pelas almas. Um fato interessante da vida dela é que vivia uma vida tão santa, que era sempre vista com uma luz muito forte quando estava orando e recebia flagelações de demônios durante sua vida. Nossa Senhora aparecia muitas vezes em sonhos

 Certa vez Jesus apareceu para ela e fez um propósito para sua vida : Não sentir nada quando orasse, ter indisposição para a oração, sofrer por não sentir mais um pingo de emoção ao orar, ao ir na Missa, nem quando fosse receber os Sacramentos
Jesus propôs isso a Gemma Galgani porque queria que ela sentisse o que Ele sentiu na sua Paixão, ou seja, muita angústia e medo a ponto de dizer: “Pai, porque me abandonaste?”
Ela aceitou e com muita paciência, mesmo não sentindo nada, mesmo com tantas doenças que assolavam a vida dela (problemas estomacais, não parava nenhum alimento no seu estômago, e ainda piorava com o incomodo das chagas), perseverou na oração, aguentou os açoites do demônio e oferecia tudo a Deus

Isso era fé realmente pois ela não sentia mais nada, mas mesmo assim tinha fé que Deus não iria desampará-la e, na vida futura, ou seja, no céu, iria gozar da presença de Deus.Jesus também disse para Tomé quando não cria na Sua Ressurreição: ”Disse-lhe Jesus : Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 20,29) .


OS SANTOS ADVERTEM SOBRE O PERIGO DA BUSCA POR EXPERIÊNCIAS SENSÍVEIS NA VIDA ESPIRITUAL

Subida do Monte Carmelo, p. 217ss, Capítulo XI

“Importa saber que, não obstante poderem ser obra de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não o queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. (...) Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção têm com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina. O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas mais interiores e espirituais.”

"(...) São de natureza a produzir erro, presunção e vaidade; porque sendo tão palpáveis e materiais, movem muito os sentidos"

" Nas visões corporais e nas impressões sensíveis, ou mesmo nas comunicações mais interiores, quando são obra de Deus, o seu efeito se produz instantaneamente no espírito sem dar à alma tempo de deliberar para aceitá-las ou rejeitá-las. Como Deus age sobrenaturalmente sem a diligência e habilidade da alma, assim, sem cooperação dela produz o efeito desejado no espírito"

" As comunicações vindas do demônio causam (...) desassossego, ou aridez, vaidade ou presunção de espírito"

" A alma, portanto, jamais se há de atrever a querer admitir tais comunicações extraordinárias, mesmo mandadas por Deus. Porque daí resultam seis inconvenientes: a perfeição da fé, que a deve reger, vai diminuindo; pois tudo o que se experimenta, sensivelmente, muito prejudica a fé, a qual ultrapassa todo sentido. Segundo: as impressões sensíveis são impedimento para o espírito, quando não recusadas. (...) terceiro...(...) Quarto: o fruto interior dessas comunicações vai se perdendo, porque a alma concentra atenção no que elas tem de sensível, isto é, no menos importante. Quinto...(...) Sexto: querendo admitir esses favores de Deus, a alma abre a porta ao demônio para enganá-la com outros semelhantes, pois como disse o Apóstolo, que pode o inimigo transformar-se em anjo de luz (2Cor 11,14), e sabe muito bem dissimular e disfarçar as suas sugestões com aparência de boas" 

" É conveniente fechar a entrada de nossa alma a essas visões, negando-as todas. Rejeitando as más, evitam-se os erros do demônio e, quanto às boas, não servirão de obstáculo para a vida de fé"

"O demônio se regozija muito ao ver uma alma admitir voluntariamente revelações e inclinar-se a elas"

" A alma presa às graças sensíveis permanece ignorante e grosseira na vida de fé, e fica sujeita muitas vezes a tentações graves e pensamentos importunos"

" Cautela nessas comunicações exteriores e sensíveis sem jamais as admitir – a não ser, em certas circunstancias muito raras e sob o parecer de alguém com muita autoridade, e excluindo sempre o desejo delas"

 São Vicente Ferrer põe as almas de sobreaviso contra a “sugestão e ilusão do demônio, que engana o homem em suas relações com Deus e em tudo o que se refere a Deus” (A vida Espiritual). Ele dá o remédio contra as tentações espirituais suscitadas pelo diabo: “Os que queiram viver na vontade de Deus não devem desejar obter [...] sentimentos sobrenaturais superiores ao estado ordinário daqueles que têm um temor e um amor a Deus muito sinceros. Tal desejo, de fato, só pode vir de um fundo de orgulho e de presunção de uma vã curiosidade em relação a Deus e de uma fé demasiado frágil. A graça de Deus abandona o homem que está preso a este desejo e o deixa à mercê de suas próprias ilusões e das tentações do diabo que o seduz com revelações e visões enganosas” (Ibidem).


Santo Inácio de Loyola, em sua regra para o discernimento dos espíritos diz: “É próprio do espírito mau, que se disfarça em anjo de luz, introduzir-se em conformidade com a alma devota e sair com proveito dele, isto é, suscitar pensamentos bons e santos, conformes com a tal alma justa, e depois procurar pouco a pouco atingir seus objetivos, atraindo a alma a seus enganos secretos e perversas intenções” ( Discernimentos dos espíritos, 4o. regra)


COMO ENTÃO NÃO DEIXAR QUE O SENTIMENTALISMO ATRAPALHE NOSSA VIDE ESPIRITUAL??



A PRIMEIRA COISA QUE DEVEMOS FAZER é não desistir da oração, mesmo se não estiver com vontade, indisposto, tente persistir. Uma boa dica é a reza do terço. Deixe que Nossa Senhora reze com você e por você. “Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”. (Jo 19,27)

SEGUNDA COISA : Se cercar das coisas de Deus e renunciar aquilo que não convém para sua vida. Procure ler as Sagradas Escrituras à Luz do Magistério da Igreja ; procure sobre a vida dos santos, pois eles souberam amar a Deus sobre todas as coisas, mesmo com grandes tribulações. Não tenha medo do silêncio, deixe que Deus te dê a Graça de orar, refletir, meditar com muita calma, sem exaltações, porque é muito fácil orar berrando em muitos grupos de oração , (...) a oração de você para Deus em silêncio não deve ser descartada

TERCEIRA COISA : Use os Sacramentos da Igreja com freqüência : Confissão e Eucaristia . Se examine todo dia e pergunte para si mesmo se você está em comunhão com Deus. Se conseguir, participe da Missa todo dia, comungue todo dia

Que a cruz, que nestes tempos é evidenciada, nunca suma de nossos horizontes; que ela seja a nossa grande filosofia, que desafia todo conhecimento, diante da qual, todos as ilusões humanas revelam sua contingência e efemeridade. Eis o tempo do amor. Nova humanade, renascida do lado aberto do Cordeiro, homens maduros, mostrem suas faces, ou melhor, mostremos o nosso Coração. "O mundo gira, mas a cruz permanece firme". Permaneçamos com Jesus. Eis o tempo da oração, do silêncio, da contemplação. Que a seriedade do amor nos guarde contra qualquer sentimentalismo, e que a sobriedade da verdadeira santidade nos acompanhe e nos ensine. Este é o tempo de oferecer o nosso ombro ao Senhor, a nossa vigilância como sinal de amor e fidelidade. Que o mundo durma bêbado de seus prazeres, entorpecido de suas alegrias vãs. Nós, católicos, homens experimentados no combate, despertos, contemplemos ao Amado. Vigiemos, munidos da santa arma que é a Santa Cruz . Eis a espada da alma amante, a cruz. Eis a certeza da vitória, eis a segurança do encontro com o Amado, eis a inimiga de toda mentira e ilusão, eis a via do amor e da felicidade, cujo fim, será o doce amplexo com o Esposo de nossas almas. "Crux Spe Unica"

terça-feira, 22 de julho de 2014

Será a “Missa Nova” intrinsecamente má?


“[A] Igreja sempre teve o poder de, na administração dos sacramentos, salva a substância deles, determinar e mudar aquelas coisas que julgar conveniente à utilidade dos que os recebem ou à veneração dos mesmos sacramentos, segundo a variedade das coisas, tempos e lugares”.
(Concílio de Trento, sessão XXI, cap. 2 [Denz-Sho 1728] apud Rifan, Dom Fernando Arêas, “O Magistério Vivo da Igreja”)
Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, com o Seu Sacrifício na Cruz do Calvário “perdoou[-nos] todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz” (Col 2, 13-14), “isto é, reparou as nossas culpas com a plena obediência do Seu amor até à morte” (Compêndio, 122). O próprio Cristo “[e]stá presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» – quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas” (Sacrossantum Concilium, 7) e, por isso, a Igreja celebra a Eucaristia, que é “o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos” (Compêndio, 271).
O Sacrifício da Nova Aliança é aquele que – segundo a profecia de Malaquias – é oferecido do nascente ao poente, em todos os lugares (cf. Ml 1, 11) e este sacrifício – ainda segundo a mesma profecia – é puro. Isto posto, e considerando ainda a indefectibilidade da Igreja, “é proposição censurada (…) dizer que a Igreja, regida pelo Espírito de Deus, possa promulgar uma disciplina perigosa ou prejudicial às almas (Cf. Papa Pio VI [1], e Papa Gregório XVI [2])” (Rifan, Dom Fernando Arêas, “O Magistério Vivo da Igreja”).
A questão da Reforma Litúrgica é complexa, delicada e dolorosa. Nas palavras do Santo Padre Bento XVI na Carta que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum:
[E]m muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como foram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja.
Estou convencido da superioridade do Missal Tradicional sobre o Missal de Paulo VI, ao mesmo tempo em que estou igualmente convencido da necessidade de se retomar, na Igreja Universal, a disciplina litúrgica vigente até a reforma do século passado. E é com dor e tristeza que eu vejo algumas pessoas – pretensas defensoras da Tradição da Igreja – utilizarem-se dos tesouros sagrados da Liturgia Católica como arma contra a própria Igreja de Cristo, dificultando assim o acesso dos fiéis verdadeiros a estes tesouros que tão fundamentais seriam para a solução da crise que hoje atravessamos.
A (atual) Forma Extraordinária do Rito Romano não foi praticamente proscrita somente por causa dos modernistas que a odeiam, mas também por causa dos rad-trads que a transformaram em cavalo de batalha contra o Magistério da Igreja. Há na Doutrina da Igreja certas proposições teologicamente certas – como as que foram colocadas acima – e que são frontalmente atacadas por algumas críticas feitas à Reforma Litúrgica de Paulo VI. A Igreja, evidentemente, não pode ceder nestes pontos. Se alguns tradicionalistas fossem mais sensatos e não colocassem sempre juntas uma justa reivindicação (à “missa antiga”) e uma intolerável acusação (à “missa nova”), a crise dolorosa pela qual atravessamos não tardaria tanto a passar. Ao contrário, associando fortemente (e injustamente) a Missa Tridentina a posições inaceitáveis por católicos, os rad-trads acabam por obrigar a Igreja ao difícil e inglório trabalho de dissociar as duas coisas, coisa que não é fácil nem rápida, mas que não pode deixar de ser feita.
Não é admissível afirmar que a Missa celebrada pela quase totalidade da Igreja hoje em dia é herética ou inválida (isso, são poucos os que fazem), mas também não é admissível afirmar que ela seja em si nociva, protestantizante, heretizante ou qualquer coisa análoga! Pelo simples fato de que é proposição condenada afirmar que “a Igreja que é governada pelo Espírito de Deus (…) [possa] constituir uma disciplina (…) perigosa, nociva e que induza à superstição e ao materialismo” [1].
Claro está que uma “missa protestantizante” é nociva. Claro está que uma “missa heretizante” é perigosa. É evidente, então, que aqueles que afirmam ser a “Missa Nova” heretizante ou protestantizante defendem que ela é nociva e perigosa e, portanto, defendem uma posição condenada pela Igreja.
Infelizmente, há muitos que defendem isso. O sr. Orlando Fedeli chama a “Missa Nova” de “modernista e protestantizante” e ainda tem a blasfêmia de insinuar que ela seja um culto ao Diabo:
Sem duvida, Padre Carbonnel tem razão ao dizer que o deus cultuado na Missa de sempre é o Deus transcendente e que o deus da missa nova é o deus imanente no universo e no homem.
Resta saber qual é o deus verdadeiro e quem é o diabo.
[Orlando Fedeli, in "Quando um herege diz a verdade: Confissões do modernista dominicano Jean Cardonnel"]
A Permanência afirma que a “Missa Nova” é intrinsecamente má:
As evidências são copiosas. Como negar, sem má-fé, que é protestantizante o novo rito, não apenas em sua intenção, não apenas no entender dos protestantes, mas naquilo mesmo que o constitui?
Oras, ser “naquilo mesmo que o constitui” e ser “intrinsecamente” são sinônimos, e ser “protestantizante” é, evidentemente, uma coisa má; portanto, o que se diz aqui é que a “Missa Nova” é intrinsecamente má.
A FSSPX diz exatamente a mesma coisa:
[S]e bem que, por si mesma, [a "Missa Nova"] não seja inválida, é realmente má pelo seu equívoco. Fosse ela celebrada pelo mais virtuoso dos padres, fosse ela dita pelo próprio Santo Cura d’Ars, ainda favoreceria a perda da Fé e o pulular das heresias, e constituiria um objetivo ultraje a Deus.
Estas posições não são aceitáveis. Afirmam estes que a Igreja determinou universalmente a celebração de um culto que é intrinsecamente mau. Alardeiam estes, por conseguinte, que as “oblações puras” profetizadas por Malaquias foram corrompidas [ou que se reduziram aos guetos rad-trads, o que é negar a profecia da mesma forma, pois esta fala que o Sacrifício é celebrado em todo o tempo e em todos os lugares]. Quando os defensores de tamanha impiedade, ao mesmo tempo, utilizam a “Missa Tridentina” como estandarte de suas loucuras, é porventura de se espantar que o Vetus Ordo tenha o “rótulo odioso” que desgraçadamente tem?
Os verdadeiros inimigos da Igreja “já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja” (São Pio X, Pascendi). O Papa santo falava dos modernistas, mas hoje em dia os rad-trads associaram-se aos hereges condenados no início do século passado, atacando a Igreja sob uma máscara de zelo. Importa que eles sejam desmascarados, e importa que os tesouros da Igreja sejam resgatados e, arrancados aos inimigos da Igreja, retornem às mãos dos fiéis católicos, para a maior glória de Deus, e para a superação – o mais breve possível! – da crise atual que já foi por muito tempo alimentada pelo conluio dialético entre modernistas e rad-trads. Que a Virgem Soberana consiga-nos esta graça do Seu Filho Jesus o quanto antes, é o nosso sincero desejo e a nossa mais fervorosa oração.
* * *


Notas (retiradas de Rifan, Dom Fernando Arêas, “O Magistério Vivo da Igreja” – renumeradas para se adequar ao presente texto [os números originais são, respectivamente, 78 e 79]):

[1] cf. Papa Pio VI, Const. Auctorem fidei, condenação dos erros do Sínodo de Pistóia, jansenista: “A prescrição do Sínodo… na qual, depois de advertir previamente como em qualquer artigo se deve distinguir o que diz respeito à fé e à essência da religião do que é próprio da disciplina, acrescenta que nesta mesma disciplina deve-se distinguir o que é necessário ou útil para manter os fiéis no espírito do que é inútil ou mais oneroso do que suporta a liberdade dos filhos da Nova Aliança, e mais ainda, do que é perigoso ou nocivo, porque induz à superstição ou ao materialismo, enquanto pela generalidade das palavras compreende e submete ao exame prescrito até a disciplina constituída e aprovada pela Igreja – como se a Igreja que é governada pelo Espírito de Deus pudesse constituir uma disciplina não só inútil e mais onerosa do que o suporta a liberdade cristã, mas também perigosa, nociva e que induza à superstição e ao materialismo – é falsa, temerária, escandalosa, perniciosa, ofensiva aos ouvidos pios, injuriosa à Igreja e ao Espírito de Deus pelo qual ela é governada, e pelo menos errônea” [Denz. 2678]

[2] “Seria verdadeiramente reprovável e muito alheio à veneração com que devem ser recebidas as leis da Igreja condenar por um afã caprichoso de opiniões quaisquer a disciplina por ela sancionada e que abrange a administração das coisas sagradas, a norma dos costumes e os direitos da Igreja e seus ministros, ou censura-la como oposta a determinados princípios do direito natural ou apresenta-la como defeituosa ou imperfeita, e submetida ao poder civil.” (Papa Gregório XVI, Encíclica Mirari Vos, 9 (1932).

sábado, 12 de julho de 2014

10 CONSELHOS PARA UM NAMORO SANTO E NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE.

Qual é o verdadeiro significado da pureza no namoro?

Que temos uma intimidade que nos pertence e não a entregamos a qualquer um, nem sequer ao nosso namorado(a), ainda que seja a pessoa a quem mais amamos nesta vida e com quem possivelmente acabaremos casando algum dia. Quando decidimos guardar o nosso corpo, de certa forma estamos convidando o outro a prestar atenção em nós por dentro.

Por que guardar a virgindade no namoro hoje em dia?

Ser considerados como um simples objeto de prazer, sem que se valorize a pessoa em sua totalidade, é mais fácil do que parece, por não dizer que está ao alcance de qualquer um que conceba a relação sexual só corporal, sem uma doação completa, íntima e corporal da pessoa.

Quando se compartilha o corpo, mas não a alma, o que você é por dentro, a pessoa acaba se prostituindo. Nossos órgãos sexuais produzem prazer e é fácil mostrá-los e entregá-los, mas só a pessoa que não quer ser reduzida a mero instrumento de prazer os guarda.

Por que a castidade parece estar tão fora de moda atualmente?

Por falta de valores na sociedade e porque ninguém explicou aos jovens que há outra forma de viver um namoro. Há pessoas que pensam que, se você ama seu namorado(a), o mais normal é fazer sexo com ele – quando, na verdade, justamente porque você o ama, não faria sexo com ele.

Parece contraditório, mas, de fato, sugiro àquelas pessoas que estão pensando em fazer ou não sexo com o namorado(a), que lhe digam “não”, para ver como reagem. Se terminam o namoro por falta de sexo, é porque no fundo não amam de verdade.

Se as próprias mulheres acham que só servem para dar sexo aos homens, e que nenhum homem as amará sem sexo, é porque não conheceram homens de verdade, não conhecem a dignidade que possuem e que ninguém pode tirar delas, e não fazem a menor ideia do que é o amor. Elas se vendem por um preço baixo e deixam que as usem.

Também existe a mentalidade de que não posso me casar com uma pessoa se não tive vida sexual com ela antes (desconfiança pura e dura), se não sei como ela é na cama (objeto de prazer absoluto). Antes de conviver e fazer sexo, é preciso conhecer profundamente a pessoa, independentemente do corporal: interesses, preocupações, visão da vida, convicções profundas, gostos, hobbies etc.

Outras pensam que vão conquistar o homem da sua vida com grandes decotes, minissaias, mostrando pernas e marcando curvas, quando, na realidade, o que conseguem é apenas levá-los para a cama. Não são os órgãos sexuais que nos diferenciam dos outros ou nos tornam singulares.

Quais são as vantagens da abstinência no namoro?

Todas as do mundo. Por exemplo, em primeiro lugar, é um desafio na vida dos namorados. Assim como temos novos desafios no trabalho, também aqui é preciso enfrentá-los e saber agir.

Em segundo lugar, a vantagem de estar aprendendo a amar o outro de verdade. Entre os namorados, existe atração física, mas também inteligência, vontade e liberdade. Agir guiados pelos instintos não nos levará a amar o outro como ele merece ser amado.

Se vivemos atendendo todas as exigências do corpo, é claro que a abstinência será impossível. Neste sentido, os namorados devem dominar seus corpos, e não deixar que seus corpos os dominem, porque a tendência natural é a união conjugal.

Como você explicaria isso a uma adolescente que namora há dois dias e está muito apaixonada pelo namorado?

À adolescente eu diria que não mostre nem entregue seu corpo ao rapaz com quem está há 2, 10, 150, 1.200 dias, porque ela não sabe se ele será o homem da sua vida ou alguém que só quer usá-la, para depois jogá-la no lixo, trocá-la por outra ou sumir se ela ficar grávida.

Muitas vezes, estes relacionamentos não dão certo porque não há verdadeiro amor, mas apenas curiosidade pelo sexo oposto, já que é a típica idade em que os corpos se transformam de crianças a adultos. Daí a importância de não fazer loucuras que depois custam caro e levam o adolescente a sentir-se usado como mero instrumento de prazer, fácil de conseguir.

E a uma moça de 20 anos?

A mesma coisa. Assim como seus pais tiram uma faca das suas mãos quando você é criança, porque é perigoso, a ideia de não fazer sexo com o namorado não é uma mania da Igreja para irritar você ou fazê-la nadar contra a corrente, mas a Igreja, como mãe, nos pede isso para o nosso bem, ainda que não entendamos. É preciso dar tempo ao tempo.

Que outras virtudes são necessárias durante esta etapa?

Generosidade, para doar-se continuamente ao outro, aprender a ceder; humildade, para pedir perdão quando agimos mal e para não impor nossa vontade; fortaleza, para fugir das tentações, superar as dificuldades, ter paciência; respeito mútuo, para amar-se de verdade, dizer as coisas com carinho e compreensão; e também simplicidade, naturalidade, veracidade, sinceridade absoluta, até nas pequenas coisas.

Qual é o aspecto mais bonito do namoro?

Compartilhar esse tempo com a pessoa que vai ser o homem ou mulher da sua vida. Esse amor que vai crescendo e amadurecendo com o tempo, tornando-se forte diante das dificuldades da vida, junto à confiança plena que um colocou no outro, partindo sempre da simplicidade e da sinceridade a todo momento.

E também o respeito de nasce desse amor e que nunca deve faltar; é isso que faz que a nossa vida valha a pena ser vivida. Se colocamos Deus no centro do namoro, o sucesso é garantido, porque damos ao nosso namoro uma visão em 3D que muitos não conhecem. E não imaginam o que estão perdendo.




Desejo compartilha dez conselhos para os jovens e outras pessoa, para que não venham cometer o ato sexual antes do momento “certo”, no caso o casamento. Confira abaixo :

1) Evite más companhias e conversas. 

Se você andar com pessoas não cristãs, ficará dominado por eles com o tempo, logo se verá falando a agindo como eles. A Bíblia diz: “Portanto, saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor.  (II Co. 6:17)

2) Evite o segundo olhar desejosos. 

Você não pode controlar o primeiro, mas pode evitar o segundo, para não se torna cobiça que é um pecado que leva a tantos outros na área da sexualidade.

3) Tenha cuidado com a maneira de vestir-se

Deve ser um assunto entre você e Deus as roupas que usa. fale: De agora em diante vou vestir-me como se Jesus e Maria Santíssima fossem os meus acompanhantes. Tenha isso em mente sempre.



4) Escolha cuidadosamente os filmes, séries e programas de televisão que vai assistir.

5) Tome cuidado com o que você lê

A literatura de hoje em dia apela muito ao instinto sexual.

6) Esteja em guarda com relação a seu tempo livre.

 Davi tinha o tempo em suas mãos, viu Beteseba e caiu em complicações.

7) Faça uma regra de nunca se envolver em namoro pesados e mundanos.

 Importante isso ! Jovens cristãos deviam orar antes de cada encontro com os namorado(a). A jovem que tem Jesus Cristo em seu coração possui um poder para dizer “não” aos avanços de qualquer rapaz. E o rapaz que conhece Jesus Cristo tem poder para disciplinar sua vida e disse "não" aos avanços de qualquer moça. Pense em Jesus Eucarístico, na Virgem Maria eles te ajudarão.

8) Invista grande parte de seu tempo lendo as Escrituras, Estudando, Orando e fazendo atividades sozinho ou em grupo de amigos que não gerem pecados graves

“Guardo no fundo do meu coração a vossa palavra, para não vos ofender. . (Sl 119:11) – Memorize versículos de libertação e repreensão e quando a tentação chegar, na sua mente e coração cite-os. A palavra de Deus, Jesus Eucarístico, a  Virgem Maria e a Santa Igreja são as únicas coisas que satanás não pode se opor. 

Faça atividades sozinho ou em grupo para lugares legais como shopping, cinema, parques, etc. lugares onde você não vai pecar gravemente. Pois diz a palavra "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar". (I São Pedro 5,8)

9) Cultive Jesus Cristo eucarísticos em seu coração e vida

Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos.  (Jo 6:56)

10) Por fim tenha sempre a devoção do Santo terço ou rosário.

 Pela ação da Mãe, Jesus realiza maravilhas.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Catolicismo e idolatria: duas coisas que não se misturam!

Idólatra! Essa é uma palavrinha que é dita com muita frequência quando alguém quer falar mal de nós católicos. Eles nos acusam ferozmente de cometer esse pecado, dispensando qualquer demonstração de respeito pela nossa imagem. Porém, quase sempre se engana quem costuma usar essa palavra. Na verdade, quem usa a palavra “idolatria” quase sempre ignora o seu verdadeiro significado.
O que é Idolatria?
“A palavra Idolatria vem do latim eclesiástico idolatria, do grego eidolatres. Formada pela junção das palavras: eidolon = ídolo, e lautreuein = adorar”1.
Ou seja, adorar um ídolo.
E o que é um ídolo?
Ídolo: “Estátua ou objeto cultuado como deus, que o substitui como objeto de adoração. Um falso deus”2.
Ou seja, algo (qualquer coisa) ou alguém (qualquer pessoa) que é posto no lugar de Deus.
E o que é adoração?
Adorar é reconhecimento de algo ou alguém como ser supremo. “É essencialmente um ato da mente e da vontade, mas comumente expresso em atos externos de sacrifício, prece e reverência. A adoração, no sentido estrito, é devida a Deus somente3”.
Render culto à divindade…
Ou seja, reconhecer algo ou alguém como um deus.
SENDO ASSIM…
IDOLATRIA É O ATO DE RECONHECER UM FALSO DEUS COMO SER QUE ESTÁ ACIMA DE TUDO.
DESSA FORMA, O ATO DA IDOLATRIA É IMPOSSÍVEL DE SER PRATICADO POR UMA PESSOA QUE ACREDITA QUE SÓ EXISTE UM DEUS, QUE ACREDITA QUE ELE ESTÁ ACIMA DE TUDO E QUE “AMA A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS” (Primeiro mandamento da lei de Deus).
E COMO É IMPOSSÍVEL SER CATÓLICO DISCORDANDO DESSE MANDAMENTO, ESTÁ MAIS DO QUE CLARO QUE É IMPOSSÍVEL QUE UM CATÓLICO PRATIQUE A IDOLATRIA.
E mais… Segundo o significado da palavra “adorar”, ainda explicamos que é impossível dizer que alguém está cometendo o pecado da idolatria apenas observando suas atitudes, pois uma simples atitude não reflete exatamente o que se passa no coração de uma pessoa. O ato de adorar é algo que não se pode expressar somente em ações, mas vem essencialmente da mente, da vontade e parte do coração.
Partindo dos significados etimológicos e teológicos que listamos acima, vamos tentar ilustrar isso em uma situação:
Experimente chegar para um católico que tem devoção por algum santo e perguntar a ele quem é maior, Deus ou o santo. Acho que é fácil saber a resposta, não é?

O que acontece é que a acusação da idolatria proferida contra os católicos é completamente sem fundamento.
É justamente com o intuito de desmentir essas falsas acusações que o Quero saber sobre Deus vem falar nesta e na próxima postagem sobre a questão da IDOLATRIA. Primeiro estudaremos o culto que os católicos prestam aos santos e no próximo artigo falaremos da adoração prestada à Sagrada Eucaristia.
CULTO AOS SANTOS

Nós, católicos, cremos no que chamamos de intercessão dos santos, ou seja, que os santos, que foram homens e mulheres de muita fé e muito tementes a Deus em vida, por estarem compartilhando atualmente da glória do Senhor, podem orar por nós diante de Deus pedindo que Ele realize graças em nossas vidas, atendendo às nossas orações.
Veja que a Doutrina Católica não vê um santo como um espírito que tem poderes especiais que faz milagres por conta própria, querendo para si reconhecimento pelo que faz. Um santo não possui poderes próprios. Nós pedimos algo a um santo e ele, por estar vivendo na presença eterna de Deus, ora por nós pedindo que Deus nos conceda a graça.
No final das contas os santos são intercessores e quem realiza os milagres é o único que tem poder para isso: Deus! Mas por que é tão difícil entender algo tão simples? Aí entra a danada da má interpretação bíblica. Quem acusa os católicos tem mania de usar versículos isolados e completamente fora do contexto bíblico para provar suas teorias mirabolantes. Vamos analisar agora as acusações e os argumentos utilizados por eles.
ACUSAÇÃO Nº 1: Deus proibiu que fossem feitas imagens quando disse “Não farás para ti escultura alguma do que está nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra” (Êxodo 20:4). Ao rezarem diante de uma imagem vocês estão desrespeitando essa ordem de Deus, além de estarem cometendo Idolatria!
Olhando para isso façamos a seguinte pergunta: será que Deus está se referindo a qualquer tipo de escultura? Se estiver, então devemos considerar que o próprio Deus foi o maior idólatra que já existiu, pois Ele mesmo mandou construir duas estátuas de anjos na Arca da Aliança (Êxodo 25:18), uma imagem de serpente que curava as vítimas de picadas de cobra no deserto (Números 21:8), além do que Deus encheu com Sua glória o templo do rei Salomão, que era repleto de imagens de anjos e animais em suas paredes (I Reis, 7:29). Logicamente, pensar que Deus é um idólatra é ridículo. Então quer dizer que Deus está se contradizendo? Não. Ao analisar um texto bíblico, devemos fazê-lo dentro do contexto em que ele foi escrito.
Em primeiro lugar, se formos analisar a tradução grega da Bíblia, veremos que o termo que foi traduzido como escultura na verdade éeidolon”, que significa ídolo. E como já abrimos este post explicando, um ídolo é tudo aquilo que colocamos no lugar que é exclusivo de Deus. O que por si só já configura um pecado contra o primeiro mandamento que é “Amai a Deus sobre todas as coisas”.
Logo, qualquer coisa pode ser um ídolo: dinheiro, trabalho, mulheres, etc. Podemos então deduzir que Deus não estava falando de qualquer tipo de escultura, mas apenas das que representassem ídolos, ou seja, falsos deuses. Se formos analisar o texto de êxodo 34, Deus, ao pedir que Moisés reescreva os dez mandamentos para substituir a antiga tábua que havia sido quebrada, é muito mais específico ao falar dessas imagens. Segue o texto:
“Não adorarás nenhum outro deus, porque o Senhor, que se chama o zeloso, é um Deus zeloso” (Êxodo 34:14)
“Não farás deuses de metal fundido” (Êxodo 34:17)
Deus poderia ser mais claro do que isso? Aí nós perguntamos: por que esse texto da bíblia também não é levado em consideração quando alguém decide acusar os católicos de idolatria?
Lembrem-se também que durante décadas os israelitas foram escravos dos egípcios, sendo dessa forma expostos a uma cultura idólatra e politeísta. O objetivo de Deus era impedir que essa prática se propagasse.
ACUSAÇÃO Nº 2: Vocês ajoelham-se diante de imagens e fazem orações a elas. Isso é adoração!
Então quer dizer que quando Abraão se ajoelhou diante dos três anjos que estavam passando perto de sua tenda (gênesis 18:2) ele os estava adorando? Mas logo Abraão, o homem chamado de pai da fé, aquele com quem Deus firmou uma aliança? Lógico que não! E olhe que esta é somente uma das inúmeras passagens da Bíblia que mostram uma pessoa se prostrando diante de alguém que não é Deus. Além disso, como já falamos no início desta postagem, as orações que fazemos aos santos são pedidos de intercessão, ou seja, nós pedimos que os santos orem por nós diante de Deus. Não são eles que realizam os milagres, mas o Senhor. Vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica fala a esse respeito:
“O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)
Trocando em miúdos, as imagens nada mais são que representações dos verdadeiros santos. Logo as orações que fazemos em frente a elas são, na verdade, direcionadas a quem elas representam: os santos, que “nos conduzem ao Deus encarnado”. Veja que a própria doutrina católica não vê os santos como deuses, mas os considera como setas que apontam para o único Deus em sua santa Trindade.
Santos são como setas que apontam para Deus em Sua Trindade Santa
ACUSAÇÃO Nº 3: “Jesus é o único mediador entre Deus e os homens” (I Timóteo 2:5), logo outras pessoas não podem mediar essa relação!
O engraçado é que esse argumento prova a nossa primeira explicação, de que tais acusadores analisam o texto bíblico totalmente fora do contexto. Vamos ver o que dizem os versículos imediatamente anteriores a este:
Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:1-4).
No texto acima, São Paulo diz expressamente que devemos orar uns pelos outros e que ISSO É BOM E AGRADÁVEL AOS OLHOS DE DEUS! Mas orar não é mediar (mediar significa estar no meio de dois pontos, servindo de elo para eles)? Então como é que São Paulo nos diz para orar uns pelos outros e logo em seguida diz que só Jesus é mediador? Simples! Concordam conosco que quando Paulo falou que Jesus é o único mediador ele estava referindo-se ao momento em que Jesus falou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (São João 14:6)?
Veja a relação com o versículo 4 de I Timóteo, capítulo 2, que diz que Deus deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da VERDADE. Ou seja, Jesus é a verdade, é o único caminho de salvação, o único que nos mostra o caminho que leva diretamente a Deus! Ninguém, muito menos um santo, pode ser caminho de salvação para ninguém e é nesse sentido que Jesus é chamado de único mediador.
Até porque se analisarmos o versículo 5 de maneira isolada, ele vai dar a entender que teríamos que parar de fazer pregações, cultos e celebrar missas, pois com isso nós estaríamos levando aos outros a palavra de Deus e Seus ensinamentos, logo estaríamos fazendo justamente o que ele diz para não fazer: mediando.
E se fossemos seguir essa interpretação isolada teríamos, inclusive, que destruir todas as Bíblias do mundo! Afinal a Bíblia é considerada a palavra de Deus. Logo, se ela leva os ensinamentos de Deus a todas as criaturas, ela está mediando uma relação de Deus com os homens.
Viu quantas coisas terríveis podem acontecer diante de uma má interpretação da bíblia?!
ACUSAÇÃO Nº 4: Mas Jesus prega a intercessão feita pelos vivos. Os mortos não podem mais nos ouvir e nem podem interceder!
Em primeiro lugar, os primeiros cristãos da época apostólica já pediam orações para os que já haviam morrido. Foram encontradas inúmeras inscrições nos túmulos dos primeiros cristãos de pessoas pedindo orações aos mortos. Além disso, existem passagens na Bíblia que comprovam a relação dos santos mortos com os vivos. Seguem algumas delas:
“Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu” (II Macabeus 15:12)
Onias, o homem que aparece orando pelos judeus neste texto, já estava morto quando isso aconteceu. Os protestantes, por exemplo, não têm esse livro em suas Bíblias, pois Lutero o retirou por não condizer com suas doutrinas. E olhe que Lutero não retirou esse livro da bíblia protestante por conta da demonstração de intercessão, mas por outros motivos. Na verdade, Lutero era devoto de Nossa Senhora e, por isso, acreditava também na intercessão dos santos.
Durante a transfiguração de Jesus (São Lucas 9:28-36) Moisés e Elias (personagens do antigo testamento, que, portanto, já não estavam mais entre os vivos há séculos) apareceram conversando com Jesus diante dos apóstolos. Se isso não mostra a relação dos santos com Deus e com os homens, não sabemos o que isso pode mostrar!
Na parábola do rico e de Lázaro (São Lucas 16: 19-31), o homem rico, depois de morto e já no inferno, intercede a Abraão (um santo patriarca) pela sua família pra que eles sejam avisados de como o inferno é terrível. É verdade que Abraão não atende o pedido, mas isso acontece não pelo fato de ele não poder, mas porque, segundo o próprio Abraão, não adiantaria fazer isso, pois não iria mudar a crença dos familiares do rico. Ou seja, ele podia, mas não fez por não ser necessário.
Ainda existem aqueles que dizem que quando morremos ficamos literalmente mortos até o dia do juízo. Se fosse assim, Jesus estaria mentindo quando disse: “Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos” (São Mateus 22:31-32), ou quando falou ao ladrão na cruz “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (São Lucas 23:43). Como é óbvio que Jesus não mente, fica claro que os mortos não ficam dormindo à espera do juízo final.
O engraçado é que tudo isso, exceto a passagem de II Macabeus, não está somente na Bíblia católica, mas mesmo assim há quem possua em suas bíblias essas mesmas passagens e ainda assim negue a Doutrina da intercessão dos santos.
Além disso, temos os textos dos grandes pais da Igreja que falam a respeito da oração dos santos, mostrando que essa prática já existe desde os tempos apostólicos:
“O Pontífice [o Papa] não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos justos também se unem a eles na oração” (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).4
“Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossas orações pelos irmãos” (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57) 4
“Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”. (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C) 4
“Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas [1Jo 5,16; Tg 5,14-15] ou ainda a  misericórdia e a fé” (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20) 4
Terminamos por aqui essa primeira parte de nossos estudos sobre a relação entre a idolatria e o catolicismo. Na próxima postagem tentaremos falar um pouco sobre a Sagrada Eucaristia. Ela é realmente o corpo de Cristo? Ela pode ser adorada?
Fiquem com Deus e que Maria os guie pelo caminho que leva a Jesus!
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REFERÊNCIAS:
1 – JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Disponível em: http://sites.google.com/site/dicionarioenciclopedico/idolatria
2 – JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. 5.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Disponível em: http://sites.google.com/site/dicionarioenciclopedico/idolatria
3 – Dicionário católico – Diácono Alfredo. Disponível em:  http://www.prestservi.com.br/diaconoalfredo/dicionario/inicial.htm
4 – A Intercessão dos Santos. Disponível em: http://www.veritatis.com.br/apologetica/123-imagens-santos/555-a-intercessao-dos-santos

sábado, 5 de julho de 2014

A Vida Eterna e o Paraíso segundo a Fé Católica


1020 Para o cristão, combinando sua própria morte à de Jesus, a morte é como um ir para ele e entrar na vida eterna. Quando a Igreja tem dado para a última hora, as palavras de absolvição perdão de Cristo sobre a morte cristã, ele marcou, pela última vez, com uma unção fortalece e deu-lhe Cristo no viático como alimento para a viagem, se dirige a ele com essas palavras doces e reconfortante:
"As partes, alma cristã, deste mundo, em nome de Deus Pai Todo-Poderoso que te criou, em nome de Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, que morreu por você na cruz, em nome do Espírito Santo, que eu era dado como um presente, a sua casa está agora na paz da santa Jerusalém, com a Virgem Maria, Mãe de Deus, São José, e todos os anjos e santos. [...] Você pode retornar ao seu Criador, que te formou do pó da terra. Quando você deixar esta vida, você pode encontrar a Virgem Maria, com os anjos e santos. [...] Leve e festivo irá aparecer o rosto de Cristo e que você possa contemplar para sempre para sempre".

I. O Juízo Particular

1021 A morte põe fim à vida humana como o tempo livre para aceitar ou rejeitar a graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo principalmente em seu aspecto do encontro final com Cristo em sua segunda vinda, mas também afirmou, em várias ocasiões, a recompensa imediatamente após a morte, será dada a cada uma das partes em relação ao seu trabalho e sua fé. A parábola de Lázaro ea palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do Novo Testamento falam de um destino último da alma, que pode ser diferente para cada um e para os outros.

1022 Todo o ser a partir do momento de sua morte humana recebe sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que se refere a sua vida a Cristo: por isso ou passar por uma purificação, ou vai entrar imediatamente na bem-aventurança do céu, ou você imediatamente condenado para sempre. "No entardecer da vida, seremos julgados sobre o amor".

II. O céu

1023 Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados, vivem para sempre com Cristo. Eles são semelhantes a Deus para sempre, porque o vêem "tal como ele é" (1 João 3:2), "face a face" (1 Cor 13,12):
"Com a nossa autoridade apostólica, definimos que a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos que tinham caído antes da paixão de Cristo [...] e os de todos os fiéis, que morreu depois de receber o Batismo de Cristo, no qual no momento da morte, houve ou haverá nada para purificar ou, se eles vão ter estado lá ou haverá alguma purificação, quando, após a morte, eles foram purificados, [...] até mesmo antes da ressurreição de seus corpos e julgamento geral - e isso após a ascensão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu - foram, estão e estarão no céu, no reino do céu eo paraíso celeste com Cristo, juntamente com os santos anjos. Desde a paixão e morte de nosso Senhor Jesus Cristo, essas almas viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de qualquer criatura".

1024 Essa vida perfeita, essa comunhão de vida e amor com a Trindade, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados é chamado de "céu". O Céu é o fim último do homem e do cumprimento das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.

1025 Viver no Céu é "estar com Cristo." Os eleitos vivem "nele", mas mantendo, ao invés encontrar, a sua verdadeira identidade, seu próprio nome:
"Vita est enim eles cum Christo; ideo ubi Christus, ibi vida, ibi Regnum - A vida, na verdade, é estar com Cristo, porque onde está Cristo, não há vida, não é o reino".

1026 por sua morte e ressurreição, Jesus Cristo "abriu" o céu. A vida dos bem-aventurados consiste na posse plena dos frutos da redenção operada por Cristo, Ele faz com que os parceiros em sua glorificação celeste os que creram nele, e manteve-se fiel à sua vontade. O céu é a comunidade abençoada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Cristo.

1027 Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo está além de toda compreensão e descrição. A Escritura fala dele em imagens: vida, luz, paz, festa de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, paraíso: "O que os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam".(1 Coríntios 2:9)

1028 Por causa de sua transcendência, Deus não pode ser visto como ele é, a não ser que ele mesmo abre o seu mistério à contemplação imediata do homem e lhe dá a capacidade. Esta contemplação de Deus em sua glória celeste, que a Igreja chama de "visão beatífica":
"Esta será a sua glória ea sua felicidade para ser autorizado a ver a Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna com Cristo, o Senhor, teu Deus, [...] apreciar o reino dos céus , juntamente com os justos e amigos de Deus, as alegrias da imortalidade alcançada".

1029 Na glória do céu o abençoou continuar alegremente a cumprir a vontade de Deus em relação a outros homens e para toda a criação. Já reinam com Cristo e com Ele "reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap 22,5).

III. A purificação final ou Purgatório

1030 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas ainda imperfeitamente purificados, embora eles são realmente seguros da sua salvação eterna, no entanto, são submetidos após a morte passam por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do céu.

1031 A Igreja dá o nome de Purgatório a essa purificação final dos eleitos, que é completamente diferente do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. A Tradição da Igreja, por referência a certos textos da Escritura, fala de um fogo purificador:
"Quanto a certas falhas menores, devemos crer que, antes do julgamento, um fogo purificador, Ele que é a verdade diz que se alguém pronuncia blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste século, nem no futuro (Mt 12:32). A partir desta frase entendemos que certos crimes podem ser perdoados nesta idade, mas alguns outros na era por vir".

1032 Este ensinamento baseia-se também na prática da oração pelos mortos, já fala na Sagrada Escritura: "Por isso, [Judas Macabeu] fez expiação pelos mortos, para que pudessem ser entregues a partir de seu pecado" (2 Mac 0:45). Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu para os seus votos, em especial o sacrifício eucarístico, de modo que, uma vez purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência para os mortos:
"Vamos ajudá-los e comemorar. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai, por que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos trazer-lhes algum consolo? [...] Não hesite em ajudar aqueles que morreram e para oferecer nossas orações por eles".

V. O julgamento final

1038 A ressurreição de todos os mortos, "os justos e os injustos" (Atos 24:15), precederá o julgamento final. Ele será "a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz [do Filho do Homem] e sairão, os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição da condenação" (Jo 5,28-29). Então Cristo virá "na sua glória com todos os seus anjos [...]. E diante dele serão reunidas todas as nações, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. [...] E eles irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna "(Mt 25,31-33.46).

1039 Antes de Cristo, que é a verdade será posta a nu a verdade sobre a relação de cada pessoa com o juízo de Deus revelará até suas conseqüências mais distantes do bom cada pessoa fez ou deixou de fazer durante sua vida terrena "Todo o mal que fazem os bandidos é gravada sem seu conhecimento. O dia em que Deus não vai ficar em silêncio (Sl 50,3) [...] ele vai virar para o mal e dizer-lhes: Eu coloquei minhas pobres pequeninos na terra para você. Eu como sua cabeça estava sentado no céu à direita do meu Pai, mas na terra os meus membros estavam com fome. Se você fez alguma coisa para meus membros, o que você deu atingiria sua cabeça. Quando eu coloquei meus pobres pequeninos na terra, eu configurei como seus mensageiros, porque eles trazem as vossas boas obras em meu tesouro, você não coloque nada em suas mãos, para que você não tem nada comigo.".

1040 Juízo virá quando Cristo voltar em glória. Só o Pai sabe a hora eo dia, só que ele determina sua vinda. Por meio de seu Filho Jesus, então ele vai pronunciar sua palavra final sobre toda a história. Conheça o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação e compreender as formas maravilhosas pelas quais a Providência Divina levou tudo para o seu fim final. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa sobre todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que o amor de Deus é mais forte do que a morte.

1041 A mensagem do Juízo chama os homens à conversão enquanto Deus ainda está dando-lhes "o tempo favorável, o dia da salvação" (2 Coríntios 6:02). Ela inspira o santo temor de Deus e compromete-los para a justiça do reino de Deus proclama a "bendita esperança" (Tito 2:13) do retorno do Senhor, que "virá para ser glorificado nos seus santos e para ser admirado em todos os que creram "(2 Tessalonicenses 1:10)..

VI. A esperança dos novos céus e da nova terra

1042 No final do tempo, o reino de Deus virá em sua plenitude. Após o julgamento universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, eo próprio universo será renovado:
Então, a Igreja "será cumprida [...] na glória do céu, quando o tempo da restauração de todas as coisas, e quando com a humanidade, também ao redor do mundo, que está intimamente unido com o homem e, através ele chega ao seu fim será perfeitamente restabelecida em Cristo".

1043 esta renovação misteriosa, que vai transformar a humanidade eo mundo, a partir da Sagrada Escritura é definida pela expressão: "os novos céus e nova terra" (2 Pe 3:13). 639 Será a realização definitiva do plano de Deus "para unir todas as coisas em Cristo, no céu e na terra" (Ef 1:10).

1044 Neste novo universo, 640 a Jerusalém celeste, Deus terá sua morada entre os homens. Ele "enxugará toda lágrima de seus olhos, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor porque as primeiras coisas passaram" (Ap 21:4).

1045 Para o homem, esta consumação será a realização última da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja na história é um "sacramento". Aqueles que estão unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, "a cidade santa" de Deus (Ap 21:02), "a Esposa do Cordeiro" (Ap 21:09). Não vai ser ferido por mais tempo por causa do pecado, manchas, 643-amor, que destroem ou ferem a comunidade terrena. A visão beatífica, na qual Deus se abre de maneira inesgotável aos eleitos, será uma fonte perene de felicidade, paz e comunhão recíproca.

1046 Para o cosmos, a Revelação afirma a profunda destino comum do mundo material e do homem:
"Porque a criação aguarda ansiosa a revelação dos filhos de Deus [...] e ela espera ser libertada da escravidão da corrupção [...]. Porque sabemos que toda a criação geme e sofre até hoje em trabalho de parto, não é apenas a criação, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo" (Rm 8:19-23).

1047 O universo visível, então, está destinado a ser transformado, "a fim de que o próprio mundo, restaurado ao seu estado original, de frente, sem mais nenhum obstáculo ao serviço dos justos", participando na sua glorificação em Jesus Cristo ressuscitado.

1048 "Nós não sabemos o tempo que eles são trazidos até a conclusão da terra e da humanidade, e não sabemos como o universo será transformado. Certamente passa o olhar deste mundo, distorcida pelo pecado. Sabemos, no entanto, ensinou que Deus está preparando uma nova habitação e uma nova terra, nos quais habita a justiça, em que a felicidade vai encher e superar todos os desejos de paz que surgem no coração dos homens".

1049 "No entanto, a expectativa de uma terra nova não deve enfraquecer, mas antes estimular a preocupação de cultivar esta, onde cresce o corpo de um novo ser humano já capaz de oferecer uma espécie de prenúncio do novo mundo. Portanto, embora devamos ter cuidado para distinguir o progresso terreno no desenvolvimento do reino de Cristo, no entanto, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, é de grande importância".

1050 "Para os bens da dignidade humana, da comunhão fraterna e da liberdade, isto é, todos estes bons frutos da nossa natureza e nossa laboriosidade, a depois que se espalharam sobre a terra, o Espírito do Senhor e segundo o seu preceito, vamos encontrá-los novamente, mas livre de manchas, polido e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal." Deus será, então, "tudo em todos" (1 Cor 15,28), na vida eterna:
"A vida, em sua própria realidade e da verdade, é o Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, derramando sobre nós todos os seus dons celestiais. E, pela sua bondade para nós, homens, também promete verdadeiramente as bênçãos divinas da vida eterna".

quinta-feira, 3 de julho de 2014

OS FALSOS CATÓLICOS E AS FALSAS DEVOÇÕES‏

 
MUITOS CATÓLICOS E CATÓLICAS ACHAM QUE SÃO CATÓLICOS, SIMPLESMENTE, POR SE DIZEREM OU ACHAREM DEVOTOS DE NOSSA SENHORA, SEM, NO ENTANTO, SABEREM EXATAMENTE O QUE A IGREJA ENSINA, NEM PORQUE ENSINA AQUILO E, MUITO MENOS, SABEREM O QUE É SER DEVOTO DE NOSSA SENHORA E COMO SER DEVOTO DE MARIA
Assim, nesse tempo em que nos preparamos para a Consagração (ou renovação) Total a Jesus Cristo por meio da Santíssima Virgem, resolvi colocar aqui um trecho do livro que estamos estudando e que nos ensina o que é uma falsa devoção a Maria para podermos ser verdadeiros devotos

"§ I. OS FALSOS DEVOTOS E AS FALSAS DEVOÇÕES À SANTÍSSIMA VIRGEM

92. CONHEÇO SETE ESPÉCIES DE FALSOS DEVOTOS E FALSAS DEVOÇÕES À SANTÍSSIMA VIRGEM: 1º OS DEVOTOS CRÍTICOS, 2º OS DEVOTOS ESCRUPULOSOS, 3º OS DEVOTOSEXTERIORES, 4º OS DEVOTOS PRESUNÇOSOS, 5º OS DEVOTOS INCONSTANTES, 6º OS DEVOTOS HIPÓCRITAS, 7º OS DEVOTOS INTERESSEIROS

1º OS DEVOTOS CRÍTICOS

93. Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples tributa de boa-fé e santamente a esta boa Mãe, pelo fato de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos os milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crônicas de ordens religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-las de idolatria, como se estivesse adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, de sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que seu espírito não é tão fraco que vá dar fé a tantos contos e historietas que se atribuem à Santíssima Virgem. Quando alguém lhes repete os louvores admiráveis que os Santos Padres dão à Santíssima Virgem, respondem que são flores de retórica, ou exagero, que aqueles escritores eram oradores; ou dão, então, uma explicação má daquelas palavras41
Esta espécie de falsos devotos e orgulhosos e mundanos é muito para temer e eles causam um mal infinito à devoção à Santíssima Virgem, dela afastando eficazmente o povo, sob pretexto de destruir-lhes os abusos

2º OS DEVOTOS ESCRUPULOSOS

94. Os devotos escrupulosos são aqueles que receiam desonrar o Filho, honrando a Mãe, e rebaixá-lo se a exaltarem demais. Não podem suportar que se repitam à Santíssima Virgem aqueles louvores justíssimos que lhe teceram os Santos Padres; não suportam sem desgosto que a multidão ajoelhada aos pés de Maria seja maior que ante o altar do Santíssimo Sacramento, como se fossem antagônicos, e como se os que rezam à Santíssima Virgem não rezassem a Jesus Cristo por meio dela. Não querem que se fale tão freqüentemente da Santíssima Virgem, nem que se recorra tantas vezes a ela
Algumas frases eles as repetem a cada momento: Para que tantos terços, tantas confrarias e devoções exteriores à Santíssima Virgem? Vai nisso muito de ignorância! É fazer da religião uma palhaçada. Falai-me, sim, dos que são devotos de Jesus Cristo (e eles o nomeiam, muitas vezes, sem se descobrir, digo-o sem parêntesis): cumpre recorrer a Jesus Cristo, pois é ele o nosso único medianeiro; é preciso pregar Jesus Cristo, isto sim que é sólido!
Em certo sentido é verdade o que eles dizem. Mas, pela aplicação que lhe dão, é bem perigoso e constitui uma cilada sutil do maligno, sob o pretexto de um bem muito maior, pois nunca se há de honrar mais a Jesus Cristo, do que honrando a Santíssima Virgem, desde que a honra que se presta a Maria não tem outro fim que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, e que só se vai a ela como ao caminho para atingir o termo que é Jesus Cristo
95. A santa Igreja, como o Espírito Santo, bendiz primeiro a Santíssima Virgem e depois Jesus Cristo: “benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Iesus”. Não porque a Santíssima Virgem seja mais ou igual a Jesus Cristo: seria uma heresia intolerável, mas porque, para mais perfeitamente bendizer Jesus Cristo, cumpre bendizer antes a Maria. digamos, portanto, com todos os verdadeiros devotos de Maria, contra seus falsos e escrupulosos devotos: 
Ó Maria, bendita sois vós entre todas as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!

3º OS DEVOTOS EXTERIORES

96. Devotos exteriores são as pessoas que fazem consistir toda a devoção à Santíssima Virgem em práticas exteriores; que só tomam interesse pela exterioridade da devoção à Santíssima Virgem, por não terem espírito interior; que recitarão às pressas uma enfiada de terços, ouvirão, sem atenção, uma infinidade de missas, acompanharão as procissões sem devoção, farão parte de todas as confrarias sem emendar de vida, sem violentar suas paixões, sem imitar as virtudes desta Virgem Santíssima. Amam apenas o que há de sensível na devoção, sem interesse pela parte sólida. Se suas práticas não lhes afetam a sensibilidade, acham que não há nada mais a fazer, ficam desorientados, ou fazem tudo desordenadamente. O mundo está cheio dessa espécie de devotos exteriores e não há gente que mais critique as pessoas de oração que se dedicam à devoção interior sem desprezar o exterior de modéstia, que acompanha sempre a verdadeira devoção

4º OS DEVOTOS PRESUNÇOSOS

97. Os devotos presunçosos são pecadores abandonados a suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou a cólera, ou a blasfêmia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem violentar-se muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem ; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdoará, que não hão de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam seu terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do santo Rosário ou do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc
Quando alguém lhes diz que sua devoção não é mais do que ilusão e uma presunção perniciosa capaz de perdê-los, recusam-se a crer; dizem que Deus é bom e misericordioso e que não nos criou para nos condenar; que não há homem que não peque; que eles não hão de morrer sem confissão; que um bom peccavi à hora da morte basta; de mais a mais que eles são devotos da Santíssima Virgem, cujo escapulário usam; e em cuja honra dizem, todos os dias, irrepreensivelmente e sem vaidade (isto é, com fidelidade e humildade) sete Pai-nossos e sete Ave-Marias; que recitam mesmo, uma vez ou outra, o terço e o ofício  da Santíssima Virgem; que jejuam, etc. Para confirmar o que dizem e mais aumentar a própria cegueira, relembram umas histórias que leram ou ouviram, verdadeiras ou falsas não importa, em que se afirma que pessoas mortas em pecado mortal, sem confissão, só pelo fato de que em vida tinham feito algumas orações ou práticas de devoção à Santíssima Virgem ressuscitaram para se confessar, ou sua alma permaneceu milagrosamente no corpo até se confessarem, ou, ainda, que, pela misericórdia da Santíssima Virgem, obtiveram de Deus, na hora da morte, a contrição e o perdão de seus pecados, e se salvaram. Eles esperam, portanto, a mesma coisa
98. Não há, no cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se traspassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar e injuriar seu próprio Filho. Quem o ousaria pensar?
99. Digo que abusar assim da devoção à Santíssima Virgem, a mais santa e mais sólida devoção a Nosso Senhor e ao Santíssimo Sacramento, é cometer um horrível sacrilégio, o maior e o menos perdoável, depois do sacrilégio de uma comunhão indigna
Confesso que, para ser alguém verdadeiramente devoto da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal; mas é preciso ao menos (note-se bem o que vou dizer):
Em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos todo pecado mortal, que ofende tanto a Mãe como o Filho.
Segundo, fazer violência a si mesmo para evitar o pecado
Terceiro, filiar-se a confrarias, rezar o terço, o santo rosário ou outras orações, jejuar aos sábados, etc
100. Isto é maravilhosamente útil à conversão de um pecador, mesmo empedernido; e se meu leitor estiver nestas condições, como que tenha já um pé no abismo, eu lho aconselho, contanto, porém, que só pratique estas boas obras na intenção de, pela intercessão da Santíssima Virgem, obter de Deus a graça da contrição e do perdão dos pecados, e de vencer seus maus hábitos, e não para continuar calmamente no estado de pecado, a despeito dos remorsos de consciência, do exemplo de Jesus Cristo e dos santos, e das máximas do santo Evangelho

5º OS DEVOTOS INCONSTANTES

101. Devotos inconstantes são aqueles que são devotos da Santíssima Virgem periodicamente, por intervalos e por capricho: hoje são fervorosos, amanhã tíbios; agora mostram-se prontos a tudo empreender em serviço de Maria e logo após já não parecem os  mesmos. Abraçam logo todas as devoções à Santíssima Virgem, ingressam em todas as suas confrarias, e em pouco tempo já nem observam as regras com fidelidade; mudam como a lua42, e Maria os esmaga sob seus pés como faz ao crescente, pois eles são volúveis e indignos de ser contados entre os servidores deste Virgem fiel, que têm a fidelidade e a constância por herança. Vale mais não se sobrecarregar de tantas orações e práticas de devoção, e fazer poucas com amor e fidelidade, a despeito do mundo, do demônio e da carne

6º OS DEVOTOS HIPÓCRITAS

102. Há também falsos devotos da Santíssima Virgem, os devotos hipócritas, que cobrem seus pecados e maus hábitos com o manto desta Virgem fiel, a fim de passarem aos olhos do mundo por aquilo que não são

7º OS DEVOTOS INTERESSEIROS

103. Há ainda os devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para ganhar algum processo, para evitar algum perigo, para se curar de alguma doença ou em qualquer necessidade desse gênero, sem o que a esqueceriam; uns e outros são falsos devotos que não têm aceitação diante de Deus e de sua Mãe Santíssima
104. Cuidemos, portanto, de não pertencer ao número dos devotos críticos que em coisa alguma crêem e de tudo criticam; dos devotos escrupulosos que receiam ser demasiadamente devotos da Santíssima Virgem, por respeito a Jesus Cristo; dos devotos exteriores que fazem consistir toda a sua devoção em práticas exteriores; dos devotos presunçosos, que, sob o pretexto de sua falsa devoção continuam marasmados em seus pecados;dos devotos inconstantesque, por leviandade, variam suas práticas de devoção, ou as abandonam completamente à menor tentação; dos devotos hipócritas que se metem em confrarias e ostentam as insígnias da Santíssima Virgem a fim de passar por bons; e, enfim, dos devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para se livrarem dos males do corpo ou obter bens temporais" - [FONTE: TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM DE SÃO LUIS MARIA MONTFORT]