domingo, 31 de agosto de 2014

AS PRÁTICAS DA PERFEIÇÃO CRISTÃ





A santidade Cristã consiste nisso:

1. Resolver se tornar um santo: "Se alguém quiser ser meu seguidor;"

2. Negação de si mesmo: "Renuncie a si mesmo;"

3. Sofrimento: "Tome sua cruz;"

4. Agir: "Siga-me."

A. Se alguém quiser me seguir...

"Se alguém," diz nosso Senhor, apontando o pequeno número dos escolhidos desejando conformar-se com Cristo crucificado carregando sua cruz. Seu número é tão pequeno que nós seríamos confundidos se nós o conhecêssemos. É tão pequeno que dificilmente há um em dez mil, como tem sido revelado por vários santos, incluindo São Simão Estelito (como é relatado pelo Abade Nilo), São Basílio, São Efraim e outros. É tão pequeno que, para reuni-los, Deus teria que convocá-los um a um como fez através de seu profeta, "Vocês serão reunidos um a um;" um de seu país, um daquela província.

"Se alguém quiser,"

Se alguém tiver um desejo genuíno, uma determinação, não estimulada pela natureza, hábito, amor próprio, interesse próprio, ou respeito humano, mas pela graça do Espírito Santo totalmente conquistada, que não é dada a qualquer um. "Não é dado a todos os homens conhecer seu mistério." Em verdade, somente umas poucas pessoas têm o conhecimento de como sobreviver ao mistério da Cruz na vida diária. Para um homem subir o Monte do Calvário e permitir ser pregado à cruz com Cristo no meio de seu próprio povo, deve ser corajoso, heróico, resoluto; alguém que é íntimo de Deus, e trata com indiferença o mundo e o demônio, seu próprio corpo e seus próprios desejos; alguém que é determinado a deixar todas as coisas, a tomar para si todas as coisas, e sofrer todas as coisas por Cristo. Vocês devem compreender, meus queridos Amigos da Cruz, que deveria se não houver alguém entre vós com essa determinação, este está andando somente com um pé, voando com uma asa. Ele não é digno de ser alguém de sua companhia, posto que ele não é digno de ser chamado um Amigo da Cruz, que nós devemos, como Jesus, amar "com uma mente rica e um coração desejoso." Só precisamos de um membro com meio coração para corromper o grupo todo, como um tolo repulsivo. Se um tal entrar em seu aprisco através da porta má do mundo, então, em nome de Cristo crucificado, expulse-o como você faria com um lobo do rebanho.

"Se alguém quiser ser um seguidor meu."

Se alguém quiser Me seguir que, assim se humilhe e se esvazie, e que chegue a parecer um verme e não um homem; comigo, que não vim ao mundo senão abraçar a cruz, aqui estou; para preparar Meu coração, para amar a sabedoria desde Minha juventude, para suspirar por ela em todos os dias da Minha vida, para levá-la alegremente, preferindo-a a todas as alegrias e deleites que o céu e a terra pudessem oferecer, e não se contentar plenamente até morrer em seu divino abraço.

B. Renuncie a si mesmo.

Se alguém, portanto, quiser Me seguir tão humilhado e crucificado, deve se gloriar, como eu, apenas na pobreza, humilhações e sofrimentos de Minha Cruz. "Renuncie a si mesmo." Excluídos, então, da companhia dos Amigos da Cruz o sábio mundano, os intelectuais e os céticos vinculados a suas próprias idéias e inflados com seus próprios talentos. Longe de vocês aqueles tagarelas sem fim que fazem um grande espetáculo, mas não produzem nada a não ser orgulho. Longe de vocês aqueles assim chamados devotos Católicos que em seu orgulho exibem a auto-suficiência do orgulhoso Lúcifer em todo lugar que vão, dizendo, "Eu não sou como o resto dos homens;" que não podem sofrer estando culpados sem darem desculpa, serem atacados sem responderem de volta, serem humilhados sem exaltarem a si mesmos.

Sejam cuidadosos para não admitirem no interior de sua sociedade aquelas pessoas delicadas e sensíveis que ficam com medo da mais leve picada de alfinete, que gritam e queixam-se à mínima dor, que não sabem nada do vestuário, da disciplina ou outros instrumentos de penitência, e que misturam-se com suas devoções modernas, uma mais refinada exigência e uma mais observada carência de mortificação.

C. Tome sua cruz.

"Tome sua cruz," aquela que é dele. Que o homem (ou mulher), de modo tão extraordinário, "muito além do preço de pérolas, tome sua cruz alegremente, abrace-a com amor, e carregue-a corajosamente em seus ombros, sua própria cruz, e não aquela de um outro – sua própria cruz que Eu, em Minha sabedoria, designei para ele em todos detalhes de número, medida e peso; sua própria cruz que Eu moldei com Minhas próprias mãos e com grande exatidão com relação às suas quatro dimensões: comprimento, largura, espessura e profundidade; sua própria cruz, traçada por Minha mão com exatidão; sua própria cruz, que é o maior presente que Eu posso conceder aos Meus escolhidos na terra; sua própria cruz, cuja espessura é feita à custa da perda de posses, humilhações, desprezo, sofrimentos, enfermidades e experiências espirituais, que vêm diariamente até sua morte em conformidade com Minha providência; sua própria cruz, cujo comprimento consiste de um certo período de dias ou meses sofrendo calúnias, ou vivendo como um doente acamado, ou sendo forçado a pedir, ou sofrer pelas tentações, secura, desolação, e outras experiências interiores; sua própria cruz, cuja largura é moldada sobre as mais ásperas e amargas circunstâncias produzidas por parentes, amigos, servos; sua própria cruz, cuja profundidade é moldada sobre as experiências escondidas que Eu nele deveria infligir sem ser capaz de encontrar qualquer conforto em outras pessoas, porque elas também, sob minha direção, afastar-se-ão dele e se reunirão comigo para fazê-lo sofrer.

"Tome-a," significa carregar sua cruz e não arrastá-la, ou livrar-se dela, ou diminuir seu peso, ou escondê-la. Em vez disso, venha suspendê-la no alto e carregá-la sem impaciência ou aborrecimento, sem reclamação intencional ou resmungo, sem hesitação ou encobrimento, sem vergonha ou respeito humano. "Tome-a" e ajuste-a em sua fronte, dizendo com São Paulo, "A única coisa que eu posso ostentar a respeito é a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo." Carregue-a em seus ombros como Nosso Senhor, que tomara se torne a fonte de suas vitórias e o espectro de seu poder: "O domínio é colocado sob seus ombros." Ajuste-a em seu coração, onde, tomara, como a sarça ardente de Moisés, queime dia e noite com o puro amor de Deus sem ser consumida!

"A cruz": Carregue, porque nada é tão necessário, tão benéfico, tão agradável, ou tão glorioso como sofrer algo por Jesus Cristo.

1. Nada é tão necessário.

Queridos Amigos da Cruz, nós somos todos pecadores; não há ninguém entre nós que não tenha merecido o inferno, e eu muito mais do que qualquer um. Nossos pecados devem ser punidos ou nesse mundo ou no próximo. Se nós sofremos por eles agora, nós não deveríamos sofrer por eles depois da morte. Se nós, de bom grado, aceitamos o castigo por eles, essa punição será um ato do amor de Deus; porque é a misericórdia que sustenta poder e punições nesse mundo, e não a estrita justiça. Esse castigo será leve e temporário, acompanhado pela consolação e mérito, e seguido pelas recompensas tanto aqui quanto na eternidade.

Mas se o castigo devido por nossos pecados é adiado até o mundo vindouro, então será a justiça vingadora de Deus que oferece tudo ao fogo e à espada, que infligirá o castigo, um terrível e indescritível castigo: "Quem compreende o poder de sua cólera?" Julgamento sem misericórdia, sem reparação, sem mérito, sem limite e sem fim. Sim, sem fim. Esse pecado grave de um momento que você cometeu, esse mau pensamento voluntário que escapou ao seu cuidado, essa palavra que se arrastou com o vento, essa ação diminuta que violentou a lei de Deus – serão castigados pela eternidade, seja com Deus ou sem Deus, na companhia dos demônios no inferno, sem que esse Deus vingador tenha piedade de seus espantosos tormentos, em seus soluços e lágrimas, violentos o suficiente para lascar pedras. Padecer eternamente, sem mérito algum, sem misericórdia e sem fim.

Nós não pensamos nisso, meus queridos irmãos e irmãs, quando nós havemos de sofrer alguma experiência nesse mundo? Quão sortudos somos nós para sermos capazes de mudar um castigo eterno e inútil por outro passageiro e transitório somente por tolerar nossa cruz com paciência! Quantas de nossas dívidas ainda não estão pagas! Quantos pecados nós cometemos e que, apesar de uma confissão sincera e uma contrição profunda, nós havemos de sofrer no purgatório por vários anos, simplesmente porque nesse mundo nós nos contentamos com umas poucas leves penitências!

Ah, saldemos nossas dívidas com boa-vontade nessa vida carregando alegremente nossa cruz. No outro, tudo deverá ser pago pelas más até o último centavo, até uma palavra ociosa. Se lográssemos apanhar do diabo o livro da morte onde ele anotou todos nossos pecados e a punição que lhes é devida, que dívida pesada encontraríamos, e quão contentes ficaríamos por sofrer tão longos anos na terra em preferência a um único dia no mundo vindouro!

Amigos da Cruz, vocês não se elogiam pelo que vocês são, ou desejam vir a ser, os amigos de Deus? Bem, então, decidam beber o cálice que vocês devem beber para que se tornem amigos de Deus: "Aqueles que beberam o cálice do Senhor se tornaram amigos de Deus." A Benjamin, o amado filho de Jacó, foi dado o cálice, enquanto seus outros irmãos não receberam nada a não ser trigo. O discípulo amado de Cristo, tão querido pelo coração de seu Mestre, subiu até o Calvário e bebeu de seu cálice. "Você pode beber o cálice que eu estou indo beber?" Desejar que a glória de Deus seja excelente, mas desejar e rezar por ela sem resolver sofrer por coisas tão tolas quanto extravagantes: "Não sabeis o que pedis..." "Nós devemos experimentar muitas dificuldades antes de entrarmos no reino do céu." Para entrar em seu reino vocês devem sofrer muitas cruzes e tribulações.

Com razão vocês gloriam ser filhos de Deus. Vocês deveriam se gloriar, pois, também da correção que seu Pai Celestial lhes deu e lhes dará futuramente, porque ele castiga todos seus filhos. Se vocês não estão incluídos entre seus filhos amados, vocês estão - que desgraça! - incluídos entre aqueles que estão perdidos, como aponta Santo Agostinho. Ele também nos conta que, "Aquele que não fica de luto nesse mundo como um estrangeiro e um peregrino não se regozijará no mundo vindouro como um cidadão do céu."

Se seu Pai Celestial não lhe enviar algumas cruzes que valham à pena de tempos em tempos, é porque Ele não mais se preocupa e está furioso contigo; Ele está te manejando como um observador, não mais pertencendo a sua família e merecendo sua proteção, ou como um filho ilegítimo, que, não tendo nada do que reivindicar por uma porção da herança, não merece nem cuidado nem correção.

Amigos da Cruz, discípulos de um Deus crucificado, o mistério da Cruz é um mistério desconhecido aos Gentios, rejeitado pelos Judeus, e desprezado pelos hereges e maus católicos. Mas é o grande mistério que vocês devem aprender a praticar na escola de Cristo, e que só pode ser aprendido por Ele. Em vão vocês buscarão por todas as escolas dos tempos antigos um filósofo que assim ensinou; em vão apelarão à luz dos sentidos ou da razão. Somente Jesus pode ensiná-los e fazê-los gostar deste mistério por sua graça toda-poderosa, que pode lhes ensinar e fazer gostar desse mistério por sua graça vitoriosa. Esforce-se, então, para se tornar hábil em sua sublime ciência sob a guia de um Mestre tão excelente, e vocês entenderão toda as outras ciências, porque ela contém todas em um grau de eminência. É nossa filosofia natural e sobrenatural, nossa teologia divina e mística, nossa pedra filosofal, que, pela paciência, transforma os metais mais grosseiros em preciosos, as dores mais amargas em prazerosas, pobrezas em riquezas, as mais profundas humilhações em glória. Aquele de vocês que melhor saiba como carregar sua cruz, ainda que fosse um analfabeto, é o mais sábio de todos.

O grande São Paulo retornou do terceiro céu, onde aprendeu os mistérios escondidos mesmo dos anjos, declarou que não sabia nem queria saber de nada a não ser Cristo crucificado. Alegre-se, então, seu pobre Cristão, homem ou mulher, sem quaisquer habilidades escolares ou intelectuais, porque se você souber sofrer alegremente, você sabe mais do que um doutor da Universidade Sorbonne que não sabe como sofrer como você.

Vocês são os membros de Cristo, uma honra maravilhosa realmente, porém haveis de sofrer. Se a Cabeça é coroada com espinhos, os membros podem esperar serem coroados com rosas? Se a Cabeça é zombada e coberta com pó na estrada do Calvário, podem os membros esperar serem borrifados com perfumes em um trono? Se a Cabeça não tem travesseiro para descansar, podem os membros esperar reclinar entre plumas e edredons? Seria algo impensável! Não, não, meus queridos Companheiros da Cruz, não enganem-se a si mesmos. Esses Cristãos vocês vêem em todo lugar, vestidos de acordo com a moda, fastidiosos a seu modo, cheios de importância e dignidade, não são verdadeiros discípulos, verdadeiros membros do Cristo crucificado. E se pensarem de outro modo, ofereça a essa Cabeça coroada de Espinhos a verdade do Evangelho. Quantos assim chamados Cristãos imaginam que eles sejam membros de nosso Salvador quando em realidade são seus traiçoeiros perseguidores, porque embora com a mão eles façam o sinal da cruz, em seus corações eles são seus inimigos!

Se vocês são guiados pelo mesmo espírito, se vocês vivem com a mesma vida como Jesus, sua Cabeça coroada por espinhos, vocês devem esperar somente espinhos, chicotes e pregos; que significa, nada além da cruz; porque o discípulo deve ser tratado como o mestre e os membros como a cabeça. E se lhes for oferecido, como foi a Santa Catherine de Sienna, uma coroa de espinhos e uma de rosas, vocês deveriam, como ela, escolher coroar-se de espinhos sem hesitação e espremê-la sob suas cabeças, da mesma forma que Cristo.

Vocês sabem que são moradas do Espírito Santo e que, como pedras vivas, estão para ser marcados pelo Deus do amor na construção da Jerusalém celestial. E assim vocês devem esperar serem dispostos, cortados e talhados sob o martelo da cruz; de outra forma, vocês permaneceriam pedras brutas, boas para nada a não ser jogadas fora. Sejam cautelosos para que vocês não causem recuo ao martelo quando ele lhes bater; respeite o escultor que está lhe esculpindo e a mão que está lhes pondo forma. Pode ser que esse perito e amoroso artista precise de vocês para ter um lugar importante em seu edifício eterno, ou para ser alguns dos mais belos artífices em seu reino celestial. Portanto, deixe-o fazer o que Lhe apraz; Ele os ama, Ele sabe o que está fazendo, Ele teve experiência. Seus golpes são hábeis e dirigidos com amor; nunca os dá em falso, exceto por sua impaciência.

O Espírito Santo compara a cruz algumas vezes a um processo de filtração que separa o grão do refugo e da poeira. Como o grão diante do leque, deixemo-nos ser sacudidos sem resistir; pois o Pai da família está lhe esmiuçando e em breve o colocará em seu celeiro. Outras vezes, o Espírito Santo compara a cruz a um fogo que remove a ferrugem do ferro através da intensidade de seu calor. Nosso Deus é um fogo devorador residindo em nossas almas através de sua cruz para purificá-las sem consumi-las, como ele fez anteriormente com a sarça ardente. De novo, Ele compara a cruz à caçarola de uma fornalha em que o bom metal é refinado e o mau se dissipa na fumaça; o metal é purificado pelo fogo, enquanto as impurezas desaparecem no calor das chamas. E é na caçarola da tribulação e tentação que os verdadeiros amigos da cruz são purificados pela sua constância em sofrimentos, enquanto seus inimigos são varridos para fora pela sua impaciência e murmurações.

Meus queridos Amigos da Cruz, vejam diante de vocês uma grande nuvem de testemunhas que, sem dizer uma palavra, provam o que eu tenho dito. Considere, por exemplo, que o justo Abel, que foi morto pelo seu irmão; e Abraão, um homem justo que foi um estrangeiro na terra; Ló, um homem justo, expulso de seu próprio país; Jacó, um homem justo perseguido pelo seu irmão; Tobit, um homem justo golpeado com a cegueira; Jó, um homem justo que ficou empobrecido, humilhado e coberto com feridas da cabeça aos pés.

Considerem os incontáveis apóstolos e mártires que foram banhados em seu próprio sangue; as virgens e os confessores que foram reduzidos à pobreza, humilhados, perseguidos ou exilados. Todos eles podem dizer com São Paulo, "Olhem para Jesus, o pioneiro e o mais perfeito de nossa fé," a fé que nós temos nele e em sua Cruz; foi necessário que ele sofresse e depois entrasse, em sua glória, através da Cruz. Do lado de Jesus, vemos Maria sua Mãe, que nunca se manchou com qualquer pecado, original ou atual, apesar do coração puro e adorado trespassado de lado a lado. Se eu tivesse um tempo para enfatizar os sofrimentos de Jesus e Maria, eu poderia mostrar que o que nós sofremos não é nada comparado aos deles.

Quem, então, ousaria invocar estar isento da cruz? Quais de nós não se precipitará em se colocar onde sabe que a cruz o aguarda? Quem recusaria em dizer com Santo Inácio de Antióquia, "Podem vir o fogo, a forca, bestas selvagens e todos os tormentos do inferno, que eu posso deleitar-me na possessão de Cristo."

Mas se vocês não estão desejando sofrer pacientemente e carregar sua cruz com resignação como aqueles escolhidos por Deus, então vocês terão que carregá-la se lamentando e reclamando como aqueles na estrada da danação. Vocês estarão como os dois bois que puxavam a Arca da Aliança, mugindo; como Simão de Cirene que, totalmente sem vontade, levantou toda cruz de Cristo e não fez nada a não ser reclamar enquanto a carregava. E, no fim, você será como o bandido impenitente, que, do alto de sua cruz, se precipitou no abismo.

Não, sua terra maldita em que nós vivemos não está destinada a nos tornar feliz; nessa terra de escuridão não podemos esperar ver claramente; não há nenhuma tranqüilidade perfeita nesse mar tormentoso; nós nunca podemos evitar conflitos nesse campo de experiência e batalha; nós não podemos escapar de sermos arranhados nessa terra coberta de espinhos. Desejosa ou indesejosamente, todos devem carregar sua cruz, tanto aqueles que servem a Deus e aqueles que não servem. Tenha em mente as palavras do hino:

Escolha uma cruz das três do Calvário;
Uma deve ser escolhida, então escolha corretamente;
Vocês devem sofrer como um santo ou um bandido arrependido,
Ou como um reprovado, em uma tristeza sem fim.

Isso significa que se vocês não estão desejando sofrer como o bandido sem arrependimento, terão que beber o cálice da amargura até as sujeiras sem a ajuda consoladora da graça, e vocês terão que sustentar o peso completo de sua cruz, desprovido do poderoso apoio de Cristo. Vocês terão que carregar até a sobrecarga que o demônio acrescentará por meios da impaciência que lhes causará. E depois de participar da infelicidade do bandido impenitente na terra, vocês repartirão sua miséria na eternidade.

2. Nada é tão útil e tão agradável.

Mas se, ao contrário, vocês sofrem da forma correta, a cruz se tornará um jugo fácil e leve, visto que o próprio Cristo a carregará convosco. Dará asas a vocês para elevá-los aos céus; se tornará o mastro do seu navio, conduzindo-os direta e facilmente ao porto da salvação. Carregue sua cruz pacientemente, e será uma luz em sua escuridão espiritual, porque aquele que nunca sofreu provas é ignorante. Carregue sua cruz alegremente e você ficará completo com o amor divino; porque somente sofrendo podemos residir no puro amor de Cristo. Rosas são encontradas somente entre os espinhos. É a cruz sozinha que alimenta nosso amor de Deus, como a madeira é o combustível que alimenta o fogo. Lembre do belo dito na "Imitação de Cristo ", "Conforme você faça violência a si mesmo, sofrendo pacientemente, assim você progredirá" no amor divino.

Não espere qualquer coisa daquelas pessoas sensíveis e preguiçosas que rejeitam a cruz quando ela deles se aproxima, e que são cuidadosos em não procurar por cruzes. O que eles são senão uma terra inculta que não produzirá nada a não ser espinhos porque não foi trazida à tona, trabalhada e modificada por um lavrador experimentado? Elas são como água podre, que é inadequada tanto para lavar quanto para beber.

Carregue sua cruz alegremente e você encontrará nela uma força toda-poderosa que nenhum de nossos inimigos será capaz de resistir, e você encontrará nela um prazer além de tudo aquilo que você já conheceu. Realmente, irmãos, o verdadeiro paraíso terrestre é encontrado no sofrimento por Cristo. Pergunte a qualquer dos santos, e eles lhe contarão que eles nunca experimentaram um banquete mais delicioso para o espírito do que o experimentar os graves tormentos.

"Deixe todos os tormentos do demônio virem sobre mim," disse Santo Inácio, o Mártir. "Deixe-me sofrer ou morrer," disse Santa Teresa de Avila. "Não morrer sem sofrer," disse Santa Maria Madalena de Pazzi. "Eu posso sofrer e ser desprezada pelo seu propósito," disse o Bendito João da Cruz. E muitos outros têm falado nos mesmos termos, como nós lemos sobre suas vidas.

Meus queridos irmãos e irmãs, tenham fé na palavra de Deus, porque o Espírito Santo nos diz que quando nós sofremos alegremente por Deus, a cruz é a fonte de todo tipo de alegria para toda espécie de pessoas. A alegria que vem da cruz é muito maior que a de um homem pobre que repentinamente herda uma fortuna, ou de um camponês que é levado ao trono; maior do que a alegria de um negociante que se torna milionário; do que a de um líder militar sobre as vitórias que ele obteve; do que a dos prisioneiros libertos de suas correntes. Em resumo, imaginem maior alegria do que a que pode ser experimentada na terra, e entenda então que a felicidade de alguém que tolera seus sofrimentos no caminho da justiça contém, e até sobrepuja, todos elas.

3. Nada é tão glorioso.

Assim, regozijem-se e fiquem felizes quando Deus lhes favorece com uma de suas seletas cruzes; pois sem se darem conta, vocês são abençoados com o maior presente do céu, o maior presente de Deus. Se assim entendereis, se encarregareis das missas, fareis novenas nos santuários dos santos, tomareis para si longas peregrinações, como fizeram os santos, para obterem do céu o galardão divino.

O mundo chama isso de loucura, degradação, estupidez, uma falta de juízo e de senso comum. Eles estão cegos: deixe-os dizer o que gostam. Sua cegueira, que os faz ver a cruz em um caminho humano e distorcido, é uma fonte de glória para nós. Toda vez que eles nos fazem sofrer por sua zombaria e insultos, nos presenteiam com jóias, nos preparando um trono, e nos coroando com loureiros.

Mais que isso ... como diz São João Crisóstomo, "Toda a riqueza e honras, cetros e coroas ornadas com jóias de reis e imperadores não podem ser comparadas com o esplendor da cruz." É maior mesmo do que a glória de um apóstolo ou evangelista. "Se eu tivesse escolha," continua esse santo homem, iluminado pelo Espírito Santo, "Eu deixaria desejosamente o céu para sofrer pelo Deus do céu. Eu prefereria masmorras e prisões aos tronos do mais alto céu, e as mais pesadas das cruzes à glória dos serafins. Eu avalio a honra do sofrimento mais do que os presentes dos milagres, que por ele tenho o poder de subjugar espíritos maus, abalar os elementos do mundo, parar o sol em seu curso, ou elevar os mortos à vida. São Pedro e São Paulo são mais gloriosos em seus grilhões do que tendo alcançado o terceiro céu ou recebido as chaves do céu."

Realmente, não é a Cruz que deu a Jesus Cristo "o nome que está sobre todos os outros nomes, de forma que todos seres nos céus, na terra e no submundo curvariam os joelhos ao Seu Nome?" A glória de alguém que sabe como sofrer é tão grande como o céu, os anjos e os homens, e até o próprio Deus, contemplam-no com alegria como uma vista mais gloriosa. E se os santos no céu desejassem algo, seria retornar à Terra para que suportassem algumas cruzes.

Mas se essa glória é tão grande mesmo na terra, o que será no céu? Quem poderia descrevê-lo? Quem poderia mesmo entender completamente o peso eterno de glória que um único momento gasto na alegria carregando uma cruz nos oferece? Quem poderia compreender a glória ganha no céu por um ano, e às vezes por toda uma vida, em cruzes e sofrimentos?

Vocês podem ficar certos, meus queridos Amigos da Cruz, que algo maravilhoso os espera, visto que o Espírito Santo lhes uniu tão intimamente que todos muito cuidadosamente o evitam. E vocês podem ficar certos, também, que Deus quer fazer tantos santos quanto Amigos da Cruz existirem, se vocês forem fiéis às suas vocações e carregarem de bom grado suas cruzes assim como Cristo o fez.

D. Siga-me.

Porém, não basta sofrer, o mal e o mundo também têm seus mártires. Nós devemos sofrer e carregar nossa cruz nas pegadas de Cristo: "Siga-me," que significa que nós devemos sofrer carregando-a como Jesus. Para ajudar vocês a fazerem isso, há regras a serem seguidas:

AS QUATORZE REGRAS


Não procurar cruzes de propósito, nem pela própria culpa.

1) Não procure carregar cruzes deliberadamente.

Nós não devemos fazer algo errado para produzir algo bom; nem devemos, sem uma inspiração especial de Deus, fazer coisas más de modo a atrair a zombaria a nós mesmos. Havemos que imitar nosso Senhor, sobre Quem foi dito, "Ele fez bem todas as coisas," não por auto-estima ou vaidade, mas para agradar a Deus e triunfar sobre nossos semelhantes. E se você se dedicar a cumprir seus deveres, não lhe faltarão oposições, críticas e zombarias, que serão enviadas pela providência divina sem sua escolha ou exigência.

2) Olhar pelo bem do próximo.

Se acontecer de você fazer algo que não é nem bom nem mau em si mesmo, e seu próximo se escandalizar nisso – embora sem razão – se abstenha de fazê-lo por caridade, para evitar o escândalo dos fracos. Um tal ato heróico de caridade será de maior importância no olhar de Deus do que a ação que você estaria fazendo ou pretendendo fazer. Todavia, se o que você está fazendo é necessário ou benéfico para seu próximo, e algum hipócrita ou fariseu se escandaliza sem motivo, remeta a matéria a algum conselheiro prudente para descobrir se é realmente necessário ou vantajoso para eles. Se ele julgar que sim, então continue sem se preocupar com o que as pessoas dizem, enquanto que eles não detenham você. E você pode dizer-lhes o que nosso Senhor disse a alguns de seus discípulos quando eles lhe contaram que os escribas e fariseus ficaram escandalizados no que ele disse: "Deixai-os. São cegos e guias de cegos".

3) Admire a virtude sublime dos santos sem pretender imitá-la.

Embora certos grandes e santos homens tenham procurado e pedido por cruzes, e até pelo seu peculiar comportamento toleraram sofrimentos, desprezo e humilhações. Pois bem, contentai com admirável e gloriosa obra do Espírito Santo em suas almas. Humilhai à vista de tal virtude sublime sem tentar alcançar tais níveis por si mesmos. Comparados com aquelas águias ligeiras e leões fortes, nós somos carneiros de coração fraco.

4) Peça a Deus pela sabedoria da cruz.

Você poderia e deveria rezar pela sabedoria da cruz, aquele conhecimento da verdade que nós experimentamos dentro de nós mesmos e que pela luz da fé aprofunda nosso conhecimento dos mistérios mais escondidos, incluindo aqueles da cruz. Mas isso é obtido somente através de muito trabalho, grandes humilhações e orações fervorosas. Se necessitais esse espírito generoso que permite levar as cruzes mais pesadas corajosamente; esse espírito gracioso e consolador, que nos capacita, na parte mais elevada da alma a gostar das coisas que são amargas e repulsivas; de seu são e justo espírito que procura somente a Deus; de sua ciência da cruz que abraça todas as coisas; em resumo, desse inesgotável tesouro através do qual aqueles que fazem bom uso dele ganham a amizade de Deus – se você sustentar tal necessidade, ore pela sabedoria, peça por ela continuamente e fervorosamente sem hesitar ou temer não obtê-la, e será sua. Então você entenderá claramente em sua própria experiência como é possível desejar, procurar e encontrar alegria na cruz.

5) Humilhe-se pelas faltas de alguém, sem se preocupar.

Se você cometer um erro grave que traga a cruz sobre você, seja inadvertidamente ou mesmo pela sua própria culpa, incline-se sob a poderosa mão de Deus sem atraso, e na medida do possível não se preocupe com isso. Você poderia dizer consigo mesmo, "Senhor, aqui está um exemplo de minha obra." Se há algo errado no que eu tenho feito, aceite a humilhação como um castigo; se não foi pecado, aceite-a como um meio de conter seu orgulho. Freqüentemente, até muito freqüentemente, Deus permite a seus maiores servos, aqueles mais adiantados na santidade, cair nas mais humilhantes faltas de forma a humilhá-los diante de seus próprios olhos e dos olhos dos outros. Ele, assim, nos guarda dos pensamentos de orgulho que poderiam nos mimar por causa das graças que receberam, ou pelo bem que elas produzem de forma que “ninguém possa vangloriar-se na presença de Deus."

6) Deus nos humilha e purifica.

Você deve entender que através do pecado de Adão e através dos pecados que nós mesmos cometemos, tudo em nós se torna desprezado, não apenas em sentido corporal, mas também os poderes de nossa alma. E no momento em que nossas mentes corruptas consideram algum dom de Deus em nós, com morosidade e complacência, esse dom, essa ação, essa graça se mancha e se estraga, e Deus não mais olha por ela com favor. Se os pensamentos e reflexões da mente podem, desta forma, corromper as melhores ações do homem e os maiores dons de Deus, quão pior serão os maus efeitos da teimosia do homem, que são até mais corruptos do que aqueles da mente?

Depois disso, não nos estranha, pois, se Deus se apraz em ocultar seus amigos na guarida de sua presença, para que não venham a ser manchados pelos olhos atentos dos homens ou pelo seu próprio conhecimento. E mantê-los ocultos, o que esse Deus zeloso não permite e até faz! Quão freqüentemente Ele os humilha! Quantas faltas lhes procuram! De quais tentações permite que sejam atacados, como São Paulo! Em quais incertezas, escuridão e penumbra lhes deixa! Oh, que admirável é Deus em seus santos, e nas vias que Ele dispõe para conduzi-los à humildade e santidade!

7) Evite a armadilha do orgulho nas cruzes.

Não seja como aqueles orgulhosos e soberbos que vão às igrejas, imaginando que suas cruzes sejam pesadas, que eles estejam fortalecidos em sua fidelidade e sinais do amor excepcional de Deus por você. Essa tentação, elevando-se do orgulho espiritual, é mais enganadora, sutil e repleta de veneno. Você deve crer que:

1) Seu orgulho e sensibilidade faz transformar farpas em tábuas, arranhões em feridas, colinas em montanhas, uma palavra momentânea não significando nada além de um insulto escandaloso ou um desprezo cruel;

2) As cruzes que Deus lhe envia sejam punições amorosas para seus pecados, especialmente, sinalizando um favor especial de Deus;

3) Quais sejam as cruzes ou humilhações que Ele lhe envia são excessivamente leves em comparação com o número e a grandeza de suas ofensas, porque você deveria considerar seus pecados à luz da santidade divina, que não pode tolerar nada que seja poluído, e contra a qual você se coloca; na luz de um Deus sofrendo morte enquanto abrumado de dor por causa de seus pecados; à luz de um inferno eterno que você mereceu novamente;

4) Que na paciência com a qual padeceis, mesclais o humano e natural, bem mais do que crê. Testemunhas daqueles poucos caminhos que cuidam de ti, aqueles discretos procurando por simpatia, aquelas confidências que você faz de uma maneira natural aos seus amigos, e talvez a seu diretor espiritual, aquelas especiosas desculpas que você está pronto a dar, aquelas reclamações, ou, se preferir, críticas àqueles que lhe causaram prejuízo, tão bem formuladas, tão caritativamente expostas, esse reconsiderar e se condescender delicadamente em seus males, esse convencimento luciferiano que você é algo grande etc. Não acabaria nunca se houvesse que descrever todas as idas e voltas da natureza desses sofrimentos.

8) Aproveitar-se mais dos pequenos sofrimentos do que dos grandes.

Tomar vantagem dos pequenos sofrimentos, até mais do que dos grandes. Deus considera não tanto o que sofremos, mas como nós sofremos. Sofrer uma grande porção, mas duramente, é sofrer como o condenado, sofrer muito, até bravamente, mas por uma causa má, é sofrer como um discípulo do demônio; sofrer pouco ou muito para a causa de Deus é sofrer com um santo.

Se houvesse o caso em que pudéssemos ter uma preferência por certas cruzes, optaríamos pelas menores e discretas, frente as grandes e chamativas. Procurar e pedir por grandes e deslumbrantes cruzes, e até escolher e ficar bem com elas, pode ser o resultado de nosso orgulho natural; mas escolher pequenas e insignificantes e suportá-las alegremente pode somente vir de uma graça especial e uma grande fidelidade a Deus. Assim, faça o que um merceeiro faz em seu negócio: volte tudo para o lucro. Não permita que o menor pedaço da verdadeira Cruz seja perdido, ainda que seja somente uma picada de inseto ou uma picada de alfinete, uma pequena excentricidade de seu próximo ou algum desprezo não intencional, a perda de algum dinheiro, alguma pequena ansiedade, um pequeno desgaste corporal, ou uma leve dor em seus membros. Volte tudo para o lucro, como o dono de mercearia faz em sua loja, e você logo se tornará rico diante de Deus, da mesma forma que o dono da mercearia se torna rico em dinheiro juntando centavo por centavo em seu trabalho. Ao menor grau de aborrecimento, diga: "Obrigado, Senhor. Seja feita sua vontade." E armazene em seguida na memória de Deus, que vem a ser o seu alcance, a cruz que acabou de ganhar, e depois já não pense em mais nada a não ser repetir seus agradecimentos.

9) Amar a cruz, não com amor emocional, mas com amor racional e sobrenatural.

Quando a nós é contado o amor à cruz, esse amor não se refere a um amor emocional, impossível a nossa natureza humana. Há três tipos de amor: amor emocional, amor racional, e o amor sobrenatural da fé. Em outras palavras, o amor que reside na parte inferior do homem, em seu corpo; o amor na parte mais alta, sua razão, e o amor na parte mais elevada do homem, no pico da alma, isto é, a inteligência iluminada pela fé.

Deus não pede que você ame a cruz com o desejo da carne, posto que a carne é sujeita ao pecado e à corrupção, tudo isso procede do que é corrompido e, por si, não pode estar submetido ao desejo de Deus e sua lei crucificante. Era o desejo desse homem que nosso Senhor se referia no Jardim das Oliveiras, quando ele gritou, "Pai, que se faça a tua vontade e não a minha." Se a menor parte da natureza humana de Cristo, ainda que tão santa, não pudesse amar a cruz continuamente, então com ainda maior razão nossa natureza corrompida a rejeitará. É verdade que nós poderíamos às vezes experimentar até uma alegria sensível em nossos sofrimentos, como muitos dos santos experimentaram; mas essa alegria não vem do corpo, muito embora seja experimentada no corpo. Ela vem da alma, que fica tão estupefata com a alegria divina do Espírito Santo que transborda no corpo. Desse modo, alguém que está sofrendo grandemente pode dizer com o salmista, "Meu coração e minha carne exultam de alegria ao Deus Vivo."

Há outro amor da cruz que eu chamei de amor racional e que está na parte mais alta do homem, a mente. Esse amor é inteiramente espiritual; ele brota do conhecimento de quão feliz nós podemos ficar no sofrimento por Deus, e assim poder ser experimentado pela alma, para a qual dá força e alegria interior. Mas embora essa alegria racional e perceptível seja boa, na realidade, excelente, não é sempre necessária para sofrer alegremente pela causa de Deus.

E então, há um terceiro tipo de amor, que é chamado pelos mestres da vida espiritual o amor do pico da alma, que é conhecido pelos filósofos como o amor do intelecto. Nesse, sem qualquer sentimento de alegria nos sentidos ou satisfação na mente, nós amamos a cruz que nós estamos carregando, pela luz da pura fé, e nos deleitamos nela, muito embora a parte mais baixa de nossa natureza pudesse estar em um estado de conflito e perturbação, gemendo e se queixando, vertendo lágrimas e desejando por ajuda. Nesse caso, nós podemos dizer com nosso Senhor, "Pai, seja feita a tua vontade e não a minha;" ou como nossa Senhora, "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo sua palavra."

É com algum desses dois mais altos amores que nós deveríamos amar e aceitar a cruz.

10) Sofrer todas os tipos de cruzes, sem exceção e sem escolha.

Meus queridos Amigos da Cruz, tomem a resolução de sofrer qualquer tipo de cruz sem excluir ou escolher qualquer pobreza, injustiça, perda, doença, humilhação, negação, injúria, secura espiritual, desolação, experiências interiores e exteriores, dizendo sempre, "Meu coração está pronto, Ó Deus, meu coração está pronto." Fiquem preparados, portanto, para serem abandonados pelos homens e anjos, e aparentemente pelo próprio Deus; serem perseguidos, invejados, traídos, injuriados, desacreditados e abandonados por todos; sofrerem fome, sede, pobreza, nudez, exílio, detenção, forcas e todos os tipos de tortura, muito embora vocês não tenham feito nada para merecer isso.

Finalmente, imaginem que vocês tenham sido privados de suas posses e seu bom nome, e expulso de sua casa, como Jó e Santa Elizabeth da Hungria; que vocês sejam atirados na lama, como Santa Elizabeth, ou arrastados para um monte de estrume, como Jó, todo coberto com úlceras, sem um curativo para suas feridas ou um pedaço de pão para comer que algumas pessoas não recusariam dar a um cavalo ou um cachorro. Imagine que, em acréscimo a todas essas terríveis desgraças, Deus lhes abandone a todas tentações do demônio, sem aliviar sua alma com a menor consolação sensível.

Vocês acreditariam firmemente que esse é o ponto mais alto da glória celestial e da alegria genuína para os verdadeiros e perfeitos Amigos da Cruz.

11) Quatro considerações para sofrer bem.

Para ajudá-lo a sofrer bem, adquira o bom hábito de refletir nesses quatro pontos:

a. O olho de Deus.

Primeiramente, o olho de Deus, que, como um grande rei do alto de uma torre, observa com satisfação seu soldado no meio da batalha, e elogia sua coragem. O que de Deus atrai a atenção pela Terra? Serão reis e imperadores em seus tronos? Com freqüência Ele nos olha sim com desprezo. Serão as grandes vitórias dos exércitos, pedras preciosas, ou o que quer que seja grande aos olhos dos homens? Não, "o que é altamente pensado pelos homens é repulsivo aos olhos de Deus". O que, então, Ele olha com prazer e satisfação, e do que ele pede conta aos anjos e mesmo aos demônios? É aquele que está lutando contra o mundo, contra o demônio, e somente ele pelo amor de Deus, o único que carrega sua cruz alegremente. Como o Senhor disse a Satã, "Não viu sobre a Terra uma maravilha imensa que todo céu contempla com admiração? Já viu meu servo Jó, que está sofrendo por minha causa?"

b. A mão de Deus.

Em segundo lugar, considerem a mão de Deus, que permite que nos sobrevenham males de toda natureza, desde o maior até o menor. A mesma mão que aniquilou um exército de cem mil homens é a que faz cair a folha da árvore e um cabelo de suas cabeças; a mão que espremeu tão duramente Jó, gentilmente lhes toca com uma tribulação leve. É a mesma mão que faz o dia e a noite, o arco-íris e a escuridão, o bem e o mal. Ele permitiu as ações pecaminosas lhe machucarem; ele não é causa de suas maldades, mas Ele permite as ações.

Se qualquer um, então, lhes trata como Shimei tratou o Rei David, lhes cobrindo de insultos e lhes atirando pedras, digam a si mesmo, "Não nos vinguemos deles. Deixemos que Ele atue, pois o Senhor dispôs que se fizesse dessa maneira. Reconheço que mereço todo tipo de ultrajes, e é com toda justiça que Deus me castiga. Detenham-se mãos!; Refreia-se língua!; não golpeie, não diga uma palavra. É verdade que esse homem me ataca, essa mulher me insulta, mas eles são representantes de Deus, que da parte de sua misericórdia vêm me castigar amistosamente. Não irritemos, pois, sua justiça, usurpando os direitos de sua vingança. Nem menosprezemos sua misericórdia resistindo aos amorosos golpes de seus açoites, para que Ele me entregasse, em vez disso, à justiça absoluta da eternidade."

Por outro lado, Deus em seu infinito poder e sabedoria o sustenta, enquanto aos outros ele aflige. Com uma mão ele entrega à morte, com a outra ele dá a vida. Ele o humilha até o pó e depois o eleva, e com ambas mãos ele alcança uma extremidade de sua vida à oura, com carinho e poder; com carinho, não lhe permitindo ser tentado além de suas forças, com poder, apoiando-o com sua graça na proporção à violência e duração da tentação ou aflição; com poder novamente, por vir dele mesmo, como ele nos conta através de sua Santa Igreja, "sustentá-lo na beira do precipício, guiá-lo a uma estrada incerta, ocultá-lo no calor abrasador, protegê-lo na chuva e do frio que o congela, carregá-lo em seu cansaço, ajudá-lo em suas dificuldades, fortificá-lo em caminhos escorregadios, ser seu refúgio no meio das tempestades " (Oração para uma Viagem).

c. As feridas e sofrimentos de Cristo crucificado.

Em terceiro lugar, reflitam nas feridas e sofrimentos de Cristo crucificado. Ele mesmo nos contou, "Ó vós todos, que passais pelo caminho: olhai e julgai se existe dor igual à dor que me atormenta, a mim que o Senhor feriu no dia de sua ardente cólera". Vejam com os olhos corporais e através dos olhos de sua contemplação, se sua pobreza, destituição, desgraça, aflição, desolação são como as Minhas; olhem para Mim que sou inocente e lamente porque vocês são culpados!

O Espírito Santo nos diz, através dos Apóstolos, a contemplarmos Cristo crucificado. Ele nos manda amarmos com esse pensamento, arma mais penetrante e terrível contra todos nossos inimigos que todas as demais armas. Quando vocês são assaltados pela pobreza, má reputação, aflição, tentação e outras cruzes, armem-se com o escudo, peitoral, capacete e espada de dois gumes, que é a lembrança de Cristo crucificado. Vocês haverão de encontrar a solução para todo problema e os meios de conquistar todos seus inimigos.

d. Acima, o céu; abaixo, o inferno.

Em quarto lugar, olhe pra cima e veja a bela coroa que lhe aguarda no céu se você carregar bem sua cruz. Foi essa recompensa que sustentou os patriarcas e profetas em sua fé e perseguições; que inspirou os apóstolos e mártires em seus trabalhos e tormentos. Os patriarcas podiam dizer com Moisés, "Nós preferiríamos ser afligidos como o povo de Deus, e sermos felizes com Ele para sempre a curtir por um instante os prazeres do pecado." E os profetas poderiam dizer com David, "Nós sofremos perseguição pela recompensa." Os apóstolos e mártires poderiam dizer com São Paulo, "Por nossos sofrimentos como sentenciados à morte, como espetáculo para o mundo, para os anjos e os homens, somos como lixo e anátema do mundo, pelo imenso peso de glória que nos produz a momentânea e ligeira tribulação."

Olhemos para o alto e vemos os anjos, que exclamam, "Cuidai para não apropriar-se da coroa que está marcada com a cruz que você recebeu, se você suportá-la bem, um outro irá carregá-la como convém e a arrebatará consigo". "Lute bravamente e sofra pacientemente, nos dizem os santos, e você receberá o reino eterno." Finalmente, escute ao Nosso Senhor, que lhe diz, "Eu darei minha recompensa somente aquele que sofre e é vitorioso pela paciência."

Contemplemos abaixo o lugar onde nós merecemos e que nos espera no inferno na companhia dos bandidos e todos aqueles que não se arrependeram, se nós sofrermos como eles sofreram, com sentimentos de ressentimentos, má vontade e vingança. Exclamemos com Santo Agostinho, "Senhor, trate como sua vontade nesse mundo por meus pecados, contanto que os perdoem na eternidade."

12) Nunca se queixem das criaturas.

Nunca se queixe de qualquer pessoa ou coisa que Deus possa usar para afligi-lo. Há três tipos de queixas que nós podemos fazer em tempos de sofrimento. A primeira é a natural e espontânea, como quando o corpo geme e reclama, verte lágrimas e lamentos. Não há falha nisso, desde que, como eu disse, o coração esteja resignado ao desejo de Deus. O segundo tipo de queixa é aquele da mente, como quando nós reconhecemos nossas maldades a alguém que pode nos dar algum alívio, tal como um doutor ou um superior. Poderia haver alguma imperfeição nisso se nós estivéssemos também ávidos para contar nossos problemas, mas não há pecado nisso. O terceiro tipo é pecaminoso: quer dizer, quando nós criticamos nosso semelhante tanto para livrar-se de um mal que nos aflige ou nos vingarmos dele; ou quando nós nos queixamos deliberadamente do que nós sofremos com impaciência e resmungos.

13) Aceite a cruz unicamente com gratidão.

Não importa quando você receber qualquer cruz, receba sempre com humildade e prazer. E quando Deus lhe favorece com uma cruz de alguma importância, mostre sua gratidão de um modo especial, peça a outros que façam o mesmo. Siga o exemplo da mulher pobre que havendo perdido tudo que ela tinha em um pleito injusto – com a única moeda que restava ofereceu para ter uma Missa em ação de graças pela boa fortuna.

14) Carregar algumas cruzes voluntárias.

Se você quer se tornar merecedor dos melhores tipos de cruzes, isto é, aquelas que vêm até você sem escolher, então sob a direção de um diretor prudente, tome algumas delas por seu próprio consentimento. Por exemplo, suponha que você tenha uma peça de mobiliário que você seja apreciador, mas que não é de qualquer uso pra você. Você poderia distribuir a alguém que precisasse disso, dizendo para si, "Por que eu deveria ter coisas que não preciso quando Jesus é tão pobre?"

Ou se você tiver um desgosto por um certo tipo de comida, uma aversão a uma prática de alguma virtude particular, ou um desgosto por algum odor desagradável, poderia pegar a comida, praticar a virtude, aceitar o odor, e assim conquistar a si mesmo.

Ou novamente, sua ternura por uma certa pessoa ou coisa talvez seja repugnante. Por que não vê menos essa pessoa ou se mantém distante dessas coisas que lhes seduzem?

Se você tiver uma inclinação natural nunca se perca. Vocês têm uma aversão natural a certas pessoas ou coisas? Então as evite e as domine.

Se em verdade sois verdadeiros Amigos da Cruz, o amor, que é sempre engenhoso, fará vocês encontrarem milhares de pequenas cruzes para enriquecê-los. E vocês não precisarão ter qualquer medo de vanglória, que tão freqüentemente corrompe a paciência que as pessoas exibem sobre cruzes espetaculares. E porque vocês têm sido fiéis nas coisas pequenas, o Senhor lhes estabelecerá um fardo maior, de acordo com Sua promessa. Isso quer dizer, fardos de maiores graças que Ele lhes proverá, das maiores cruzes que Ele lhes enviará, das maiores glórias que Ele lhes preparará....


 
FONTE:CARTA AOS AMIGOS DA CRUZ:
Por São Luís de Montfort

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

OS 4 PECADOS QUE BRADAM AO CÉU

  

A tradição catequética nos recorda que existem "pecados que bradam ao céu":

Diz-se desses pecados que bradam ao Céu e clamam a Deus por vingança porque o diz o Espírito Santo; e porque a sua iniqüidade é tão grave e manifesta, que provoca Deus a puni-los com os mais severos castigos.

 Pecado sensual contra a natureza

No Apocalipse está presente tal condenação.

A primeira condenação, implícita e muito forte, já a encontramos no relato da criação do Homem.

Como coroamento da Sua obra, Deus fez o Homem "à Sua imagem"...
E fê-lo "varão e mulher".

Prossegue a Escritura: "Deus abençoou-os e disse-lhes: 'Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a' " (Gn 1, 27-28).

Esta passagem encerra um dos fins da diferenciação sexual: a procriação.
Será esta a única razão pela qual Deus criou dois sexos na espécie humana?

Não é; pois o homem e a mulher são diferentes também para que se possam completar mutuamente.

O isolamento do homem é descrito, pelo Génesis, como um mal:
"Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar, que lhe corresponda" (Gn 2, 18).

Ao ver a mulher, tirada do seu lado, o homem exclama, exultante:
"Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!" (Gn 2, 23).

Ao contrário dos irracionais, que sendo inferiores a ele em natureza, não lhe podiam servir de companhia adequada.

A união sexual é descrita no versículo seguinte:
"Por isso, o homem deixa seu pai e sua mãe, une-se à sua mulher, e eles tornam-se uma só carne" (Gn 2, 24).

Aí está descrita, de maneira magnífica, a instituição do Matrimónio e o seu duplo fim:
A geração da vida e a complementação dos cônjuges.

Por natureza, o homem e a mulher são diferentes e complementares.

O que falta no homem, sobeja na mulher, e vice-versa.

Daí, a sua atração mútua e a tendência de formar uma união estável e perpétua, apta à procriação e à educação da prole.

Ao estudar a fisiologia masculina e feminina, o biólogo sente-se impelido a louvar a Deus.

Como Ele criou tudo com perfeição, de modo a que o aparelho reprodutor do homem se acoplasse perfeitamente ao da mulher, que o gameta masculino se unisse ao feminino, e que de tal união surgisse um outro ser humano, único e irrepetível!

Parece que estou falando óbvio, pois é natural que a união sexual, se a houver, seja (apenas) entre um homem e uma mulher.

Falar em sexo só tem sentido se houver dois sexos diferentes.

Não dizemos que a ameba é um animal de um só sexo; dizemos simplesmente que não tem sexo, que é assexuado.

A conjunção carnal de dois homens, ou de duas mulheres, não é uma "união sexual", embora eles tentem fazer uso (antinatural) dos seus órgãos reprodutores.

Tal ato é totalmente avesso à reprodução e à complementação homem-mulher.
Na impossibilidade de realizarem o ato conjugal, que requer órgãos sexuais complementares, os pederastas e as lésbicas procuram fazer uso de órgãos não genitais. (...)

Os actos de homossexualidade são, portanto, uma grosseiríssima caricatura do ato conjugal, tal como foi querido por Deus e inscrito na natureza.

É perfeitamente natural que ao ser humano repugne aquilo que é antinatural.

Por mais que os "sexólogos" e alguns auto-intitulados "psicólogos" insistam em defender tal aberração, o bom senso ainda não se afastou totalmente do povo.

Encarar o homossexualismo com "naturalidade" é uma contradição.
Seria como encarar a visão com "obscuridade", ou encarar as profundezas com "superficialidade".

Como é consolador que os pequeninos entendam isto!

"Eu te louvo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos" (Lc 9, 21).

A menos que o homem queira rebaixar-se ao nível dos irracionais, escravos dos seus instintos, ele é chamado à virtude da castidade.

Tal virtude subordina o instinto sexual à razão.

Graças à castidade, o solteiro abstém-se do ato sexual até o casamento.

Graças à castidade, o casado abstém-se do ato sexual com quem não seja o seu cônjuge.

Graças à castidade, o religioso consagrado conserva a virgindade que livremente abraçou "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19, 12).

A castidade é a chave para a fidelidade matrimonial, a sacralidade da família e o respeito à vida.

Zombar da castidade é assinar um atestado de fraqueza e frouxidão.

Tal zombaria é, na verdade, expressão de inveja: a inveja que o fraco sente pelo forte, que o derrotado sente pelo vencedor.


O vício oposto à castidade é a luxúria.

Ensina-nos S. Tomás de Aquino (1225-1274) que se pode pecar pela luxúria de dois modos:

Primeiro, de um modo que contraria a reta razão, como é o caso da fornicação, do adultério, do incesto...

Segundo, de um modo que, além disso, contraria a própria ordem natural do ato venéreo que convém à espécie humana.

É o que constitui o vício contra a natureza.
(Cf. Suma Teológica, II-II; Questão 154, artigo 11; Corpo).

Tal vício inclui a (própria) masturbação, a bestialidade (conjunção carnal com animais), o homossexualismo (conjunção carnal entre duas pessoas do mesmo sexo), e a prática antinatural do coito, ainda que realizada entre pessoas de sexo oposto e até mesmo casadas (o chamado sexo "oral" ou "anal", por exemplo).

O "vício contra a natureza", explica o mesmo teólogo mais adiante (ibidem, artigo 12, Corpo), tem uma gravidade especial em relação às demais espécies de luxúria.

Estas só contrariam o que é determinado pela reta razão, pressupondo porém os princípios naturais.

Sim, porque o adultério, a fornicação e o incesto, por mais abomináveis que sejam, são praticados entre um homem e uma mulher, de um modo conforme a natureza, embora contrário à reta razão.

O homossexualismo, porém, corrompe a própria natureza do ato.

E como os princípios da razão fundam-se sobre os princípios da natureza, a corrupção da natureza é a pior de todas as corrupções.

Donde, conclui S. Tomás:
O vício sensual contra a natureza (nomeadamente o homossexualismo) é o maior pecado entre todas as espécies de luxúria.

 (Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz - http://nova-evangelizacao.blogspot.com/2008/05/homossexualismo-vcio-gravssimo-1.html)

 Negar o salário aos que trabalham 


    


Negar o salário aos que trabalham, é ato que desagrada profundamente a Deus:

- não pagar o salário justo,

- atrasar o pagamento,

- criar pretextos para não efetuar o pagamento honesto pelo serviço prestado,
- humilhar o trabalhador.

   Quando temos absoluta certeza de que só o amor constrói, modifica, transforma e evolui, quando somos conhecedores de que o humano que reside no nosso irmãos é idêntico ao que reside em nós, jamais lhe causamos danos.
    Todo ser humano em Cristo Jesus, pode e deve ser expressão da bondade de Deus. Aquele que desenvolve um trabalho para ganhar o sustento com o suor do seu rosto é digno de ser chamado filho de Deus e existe para mostrar aquele ao qual serve a expressão da bondade do Pai.

     Ao que é servido cabe, única e exclusivamente, o dever de estimular o seu servidor com salário digno, respeito à sua pessoa e o seu trabalho, promovendo-lhe a vida, a alegria e a dignidade.

     Lembremo-nos do que disse Jesus: “Eu vos garanto: todas as vezes que fizestes isso a um desses meus irmãos menores, a mim o fizestes.” (Mt 25, 40)(Maria José Tenório de Araújo)

 Oprimir os pobres, órfãos e viúvas




 



Oprimir quer dizer causar opressão, sobrecarregar com trabalhos, molestar com maus tratos, afligir, tiranizar, violentar, perseguir, tratar sem humanidade, tirar proveito da situação de inferioridade dos pobres, dos órfãos e viúvas.

Todos assumimos, no batismo, nossa missão. Todos nós: ricos, pobres, órfãos, viúvas... somos, pelo batismo, inseridos na vida eterna. Deus, que não faz acepção de pessoas, nos “chama e nos acolhe para que a nossa vida tenha um sentido pleno e transformador”.

Deus espera que cada um seja instrumento de transformação na vida dos irmãos, em especial dos  carentes e menos favorecidos.

“A porta entre nós e o céu não poderá abrir-se enquanto esteja fechada a que fica entre nós e o próximo”. Quem cria oportunidades para melhorar a vida dos menos favorecidos, encontra Deus no meio do caminho e com Ele continua a caminhada para a eternidade.

Oprimir, tiranizar, tirar proveito da situação inferior de nossos irmãos, é ofender violentamente a pessoa do Pai, que nos criou, a todos, igualmente, à Sua imagem e semelhança.
 Sejamos pois, cireneus  de nossos irmãos menos favorecidos.
 Tudo o que fazemos de mal na terra, nos compromete no céu!

(Maria José Tenório de Araújo)


 Homicídio voluntário


Eutanásia voluntária como homicídio

A eutanásia voluntária, sejam quais forem as formas e os motivos, constitui um assassinato. E gravemente contrária à dignidade da pessoa humana e ao respeito do Deus vivo, seu Criador.


Gravidade e condenação do homicídio voluntário
 É errado, pois, julgar a moralidade dos atos humanos considerando só a intenção que os inspira ou as circunstâncias (meio ambiente, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir, etc.) que compõem o quadro. Existem atos que por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos, em virtude de seu objeto: a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem.
A Escritura determina com precisão a proibição do quinto mandamento: "Não matarás o inocente nem o justo" (Ex 23,7). O assassinato voluntário de um inocente é gravemente contrário à dignidade do ser humano, à regra de ouro e à santidade do Criador. A lei que o proscreve é universalmente válida, isto é, obriga a todos e a cada um, sempre e em toda parte.

O HOMICÍDIO VOLUNTÁRIO
O quinto mandamento proscreve como gravemente pecaminoso o homicídio direto e voluntário. O assassino e os que cooperam voluntariamente com o assassinato cometem um pecado que clama ao céu por vingança.
O infanticídio, o fratricídio, o parricídio e o assassinato do cônjuge são crimes particularmente graves, devido aos laços naturais que rompem. Preocupações de eugenismo ou de higiene pública não podem justificar nenhum assassinato, mesmo a mando dos poderes públicos.

(Fonte: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/homicidio.html)

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O PECADO

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

A DEFINIÇÃO DE PECADO (CEC 1852-1853) O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso, a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana, foi definido como uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna. O pecado é uma ofensa a Deus: Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mal aos teus olhos (Sl 51,6).

Existe uma variedade de pecados? (CEC 1852–1853; 1873) Pode-se distinguir os pecados segundo seu objeto, como em todo ato humano, ou segundo as virtudes a que se opõe, por excesso ou por defeito, ou segundo os mandamentos que eles contrariam. Pode- se também classificá-los conforme dizem a respeito a Deus, ao próximo ou a si mesmo; pode-se dividi-los em pecados espirituais e carnais, ou ainda em pecados por pensamentos, palavra, ação, ou omissão.

A raiz do pecado está no coração do homem, em sua livre vontade, segundo o ensinamento do Senhor. Com efeito, é do coração que procedem más inclinações, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São essas coisas que tornam um homem impuro. (Mt 15, 19-20) No coração reside também a caridade, principio das obras boas e puras, que o pecado fere.

A PROLIFERAÇÃO DO PECADO (CEC 1865) O pecado cria uma propensão ao pecado, gera o vicio pela repetição dos mesmos atos. Disso resulta inclinações perversas que obscurecem a consciência e corrompem à avaliação concreta do bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não conseguem destruir o censo moral até a raiz.

A tradição catequética lembra também que existem pecados que bradam ao céu Javé disse: O que foi que você fez? Ouço o sangue do seu irmão, clamando da terra para mim (Gn 4,10) (Gn 4,10)

Então Javé disse: O clamor contra Sodoma e Gomorra é muito grande, e o pecado deles é muito grave (Gn 18,20)

Javé disse: Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios e para fazê-lo subir desta terra, para uma terra fértil e espaçosa, terra onde corre leite e mel. O território dos cananeus, heteus, amorreus, ferezeus, heveus, e jebuseus. O clamor dos filhos de Israel chegou até mim e eu estou vendo a opressão com que os egípcios os atormenta. Por isso, vá. Eu envio você ao faraó, para tirar do Egito o meu povo, os filhos de Israel. (Ex 3,7-10)

(CEC 1868) O pecado é um ato pessoal. Além disso, temos responsabilidades nos pecados cometidos por outros, quando neles cooperamos: Participando neles direta e voluntariamente; Mandando, aconselhando, louvando ou aprovando esses pecados; Não os relevando ou não os impedindo, quando a isso somos obrigados; Protegendo os que fazem o mal.

Assim, o pecado torna os homens cúmplices uns dos outros, faz reinar, entre eles, a concupiscência, a violência e a injustiça. Os pecados provocam situações sociais e instituições contrárias a bondade divina. As estruturas de pecado são a expressão e o efeito dos pecados sociais. Induzem as sua vitimas a cometer, por sua vez, o mal. Em sentido analógico, constituem um pecado social. As estruturas de pecado são a expressão e o efeito dos pecados sociais. Induzem as sua vitimas a cometer, por sua vez, o mal. Em sentido analógico, constituem um pecado social.

(CEC 1849- 1851; 1871-1872) Pecado é uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna (S. Agostinho) É uma ofensa a Deus, na desobediência ao seu amor. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Cristo, na sua Paixão, revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

A LIBERDADE DO HOMEM O que é a liberdade? (CEC 1730-1733; 1743-1744) É o poder, dado por Deus ao homem, de agir e não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim por si mesmo ações deliberadas. A liberdade caracteriza os atos propriamente humanos. Quanto mais faz o bem, mais alguém se torna livre. A liberdade atinge a perfeição quando é ordenada para Deus, sumo Bem e nossa Bem- aventurança. A liberdade implica também a possibilidade de escolher entre o bem e o mal. A escolha do mal é um abuso da liberdade, que conduz à escravatura do pecado.

Que relação existe entre liberdade e responsabilidade? (CEC 1734 –1737; 1745-1746) A liberdade torna o homem responsável pelos seus atos, na medida em que são voluntários, embora a imputabilidade e a responsabilidade de um ato possam ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência suportada, o medo, as afeições desordenadas e os hábitos.

Porque é que o homem tem direito ao exercício da liberdade? (CEC 1738; 1747) O direito ao exercício da liberdade é próprio de cada homem enquanto é inseparável da sua dignidade de pessoa humana. Portanto, tal direito deve ser sempre respeitado, principalmente em matéria moral e religiosa, e deve ser reconhecido civilmente, e tutelado nos termos do bem comum e da justa ordem pública.

Qual é o lugar da liberdade humana na ordem da salvação? (CEC 1739-1742; 1748) O primeiro pecado enfraqueceu a liberdade humana. Os pecados sucessivos vieram acentuar esta debilidade. Mas foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gal 5,1). Com a sua graça, o Espírito Santo conduz- nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo.

Ao analisarmos o conceito de pecado, deparamos com vertentes que são variantes a pluralidade de gêneros, acompanhado de uma compreensão antropológica de caráter genérico, mas a originalidade de cada pessoa, seja ela hétero ou homossexual.

Em primeiro lugar, todos concordamos em que à consciência é algo muito pessoal, íntimo, até sagrado. Eu penso assim, é a que me diz a minha consciência. Isto não vou fazer: É contra minha consciência. Não posso interferir nessa decisão, tenho que respeitar a sua consciência. É um assunto muito pessoal, coisa de consciência dele(a).

Em segundo lugar, as questões de consciência não devaneios sobre puras teorias, mas são sempre juízos de valor. Está certo, está errado. Está certo, está errado.

Sobre questões práticas, referentes ao nosso modo pessoal de comportar- nos, de escolher, de atuar, de decidir, de tomar ou não uma atitude, de nos posicionarmos a favor ou contra alguma coisa, questões concretas, que a nossa consciência deve julgar como boas ou más. Quer dizer que como é óbvio, não usarmos a palavra consciência para nos referirmos às idéias vagas, nem a atos ou atitudes sem nenhuma conotação moral.

Considerando a liberdade de escolha (liberdade humana ou livre-arbítrio), qualquer ação que fazemos, projetamos a liberdade e a responsabilidade. Assim como há opções que qualificam o momento, enquanto que outras influenciam na vida toda. Esta opção livre pode ser mudada em conversão e o arrependimento, a não ser que alguém assuma e pratique uma opção fundamental negativa com intenção definitiva.

O homem não é livre porque pode escolher, mas é livre porque é humano. (Antônio Moser).

Não podemos negar o pecado no nível de consciência pessoal, mesmo voltado para a dimensão comunitária. O ato de isolar um pecador nos torna muito mais pecaminoso, pois estaremos utilizando um método retórico que chamamos de privatização moral, esse aspecto procura camuflar as verdadeiras causas do pecado social.

O mundo contemporâneo nos ensina que os escrúpulos de consciência individual não interessam mais a ninguém, e que a responsabilidade real reside no poder, no saber e no ter, que não são divididos com os outros.

O homossexualismo, como o pansexualismo, o machismo, e tantos outros ismos, trazem consigo as marcas do pecado.

Entretanto uma boa compreensão e acolhida pastoral pressupõe que fujam desse tipo de enfoque: as pessoas. Neste particular, se é verdade que o homossexualismo, isto é, a exasperação da sexualidade por parte de pessoas e de setores constituídos por homossexuais, é uma perversão, é preciso aceitar, igualmente, que também entre os heterossexuais existem semelhantes perversões. Desvios e perversões não dependem da orientação sexual, mas da maneira como as pessoas se constroem e como vivem.

Os moralistas do passado viam o homem como alguém que continuamente opta, ora pelo bem, ora pelo mal, onde todo o ato humano seria fruto de uma opção, sempre de novo solicitada e renovada.

Se temos de converter nossos corações, é preciso também converter nossas idéias acerca do pecado, idéias que atrofiam nossas consciências às dimensões da salvação individual. (Oraison, Marc)

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

QUAL É A RAIZ DA DIGNIDADE HUMANA? (CEC 1699 – 1715) A dignidade da pessoa humana radica na criação à imagem e semelhança de Deus. Dotada de uma alma espiritual e imortal, de inteligência e de vontade livre, a pessoa humana está ordenada para Deus e chamada, com a sua alma e o seu corpo, à bem- aventurança eterna.

QUAIS SÃO AS FONTES DA MORALIDADE DOS ATOS HUMANOS? (CEC 1749-1754; 1757-1758) A moralidade dos atos humanos depende de três fontes: do objeto escolhido, ou seja, de um bem verdadeiro ou aparente; da intenção do sujeito que age, isto é, do fim que ele tem em vista ao fazer a ação; das circunstâncias da ação, onde se incluem as suas conseqüências.

QUANDO É QUE O ATO É MORALMENTE BOM? (CEC 1755-1756; 1759-1760) O ato é moralmente bom quando supõe, ao mesmo tempo, a bondade do objeto, do fim em vista e das circunstâncias. O objeto escolhido pode, por si só, viciar toda a ação, mesmo se a sua intenção for boa. Não é lícito fazer o mal para que dele derive um bem. Um fim mau pode corromper a ação, mesmo que, em si, o seu objeto seja bom. Pelo contrário, um fim bom não torna bom um comportamento que for mau pelo seu objeto, uma vez que o fim não justifica os meios. As circunstâncias podem atenuar ou aumentar a responsabilidade de quem age, mas não podem modificar a qualidade moral dos próprios atos, não tornam nunca boa uma ação que, em si, é má.

HÁ ATOS QUE SÃO SEMPRE ILÍCITOS? (CEC 1756-1761) Há atos, cuja escolha é sempre ilícita, por causa do seu objeto (por exemplo, a blasfêmia, o homicídio, o adultério). A sua escolha comporta uma desordem da vontade, isto é, um mal moral, que não pode ser justificado com os bens que eventualmente daí pudessem derivar.

A MORALIDADE DAS PAIXÕES O QUE SÃO AS PAIXÕES? (CEC 1762-1766; 1771-1772) São os afetos, as emoções ou os movimentos da sensibilidade – componentes naturais da psicologia humana – que inclinam a agir ou a não agir em vista do que se percebeu como bom ou como mau. As principais são o amor e o ódio, o desejo e o medo, a alegria, a tristeza e a cólera. A paixão fundamental é o amor, provocado pela atração do bem. Não se ama se não o bem, verdadeiro ou aparente.

AS PAIXÕES SÃO MORALMENTE BOAS OU MÁS? (CEC 1767-1770; 1773-1775) Enquanto movimentos da sensibilidade, as paixões não são nem boas nem más em si mesmas: são boas quando contribuem para uma ação boa; são más, no caso contrário. Elas podem ser assumidas pelas virtudes ou pervertidas nos vícios.

A CONSCIÊNCIA MORAL O QUE É A CONSCIÊNCIA MORAL? (CEC 1776–1780; 1795–1797) A consciência moral, presente no íntimo da pessoa, é um juízo da razão, que, no momento oportuno, ordena ao homem que pratique o bem e evite o mal. Graças a ela, a pessoa humana percebe a qualidade moral dum ato a realizar ou já realizado, permitindo-lhe assumir a responsabilidade. Quando escuta consciência moral, o homem prudente pode ouvir a voz de Deus que lhe fala.

QUE IMPLICA A DIGNIDADE DA PESSOA PERANTE A CONSCIÊNCIA MORAL? (CEC 1780 – 1782; 1798) A dignidade da pessoa humana implica retidão da consciência moral (ou seja, estar de acordo com o que é justo e bom, segundo a razão e a Lei divina). Por causa da sua dignidade pessoal, o homem não deve ser obrigado a agir contra a consciência e, dentro dos limites do bem comum, nem sequer deve ser impedido de agir em conformidade com ela, sobretudo em matéria religiosa.

COMO FORMAR A RETA E VERDADEIRA CONSCIÊNCIA MORAL? (CEC 1783-1788; 1799; 1800) A consciência moral reta e verdadeira forma-se com a educação e com a assimilação da Palavra de Deus e do ensino da Igreja. É amparada com os dons do Espírito Santo e ajudada com os conselhos de pessoas sábias. Além disso, ajudam muito na formação moral a oração e o exame de consciência.

QUAIS AS NORMAS QUE A CONSCIÊNCIA DEVE SEMPRE SEGUIR? (CEC 1789) Há três mais gerais: 1) nunca é permitido fazer o mal porque daí derive um bem; 2) a chamada regra de ouro: tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também (Mt 7, 12); 3) a caridade passa sempre pelo respeito do próximo e da sua consciência, embora isto não signifique aceitar como um bem aquilo que é objetivamente um mal.

A CONSCIÊNCIA MORAL PODE EMITIR JUÍZOS ERRÓNEOS? (CEC 1790–1794; 1801–1802) A pessoa deve obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência, mas esta também pode emitir juízos errôneos, por causas nem sempre isentas de culpabilidade pessoal. Não é, porém imputável à pessoa o mal realizado por ignorância involuntária, mesmo que objectivamente não deixe de ser um mal. É preciso, pois, trabalhar para corrigir os erros da consciência moral.

O QUE SÃO OS VÍCIOS? (CEC 1866-1867) Os vícios, sendo contrários às virtudes, são hábitos perversos que obscurecem a consciência e inclinam ao mal. Os vícios podem estar ligados aos chamados sete pecados capitais, que são: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou negligência.

TEMOS RESPONSABILIDADE NOS PECADOS COMETIDOS POR OUTROS? (CEC 1868) Existe esta responsabilidade, quando cupavelmente neles cooperamos.

O QUE SÃO AS ESTRUTURAS DE PECADO? (CEC 1869) São situações sociais ou instituições contrárias à lei divina, expressão e efeito de pecados pessoais.

Desvios e perversões não dependem da orientação sexual, mas da maneira como as pessoas se constroem e como vivem.

A FÉ QUE PROFESSAMOS...

EM NOSSOS ATOS, ESPERAMOS, QUESTIONAMOS...

O QUE EXIGE DE NÓS O ACOLHIMENTO DA MISERICÓRDIA DE DEUS? (CEC 1846-1848; 1870) Exige o reconhecimento das nossas culpas e o arrependimento dos nossos pecados. Pela sua Palavra e pelo seu Espírito, o próprio Deus nos revela os nossos pecados, dá-nos a verdade da consciência e a esperança do perdão.

E AGORA [...] O QUE FARÁ? QUAL A SUA ESCOLHA? DECIDA-SE ! Pe. Marcos Paulo

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA MOSER,Antônio.O pecado:Do descrédito ao aprofundamento. Petrópolis: Editora Vozes, 1996. MOSER, Antônio. Teologia Moral:Desafios Atuais. Petrópolis: Editora Vozes, 1991. FAUS, Francisco. A voz da consciência. São Paulo: Quadrante Sociedade de Publicações Culturais, 1996. ORAISON, Marc. Psicologia e Sentido do Pecado. São Paulo: Edições Paulinas, 1971.