quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Perseverança na fé durante a provação!



Santa Teresa diz que ouviu Jesus dizer-lhe: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A grande santa da Igreja chegou a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”.
Para nós, essas palavras parecem um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.
“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (II Cor 4,17).
Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que o Senhor tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.
 As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários, pois nos dão a oportunidade de lutar contra as nossas misérias.
Isso tudo, repito mais uma vez, não quer dizer que Deus seja o autor do mal ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não. O que o Senhor faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria-prima de nossa própria salvação, dando assim, um sentido à nossa dor.
A partir daí, sob a luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

 
Sempre que sofremos provação, invariavelmente ouvimos: CONFIA NO SENHOR! É diferente ao ouvirmos esta mesma frase quando tudo corre bem em nossa vida, quando estamos com pequenos problemas, é até fácil dizer isso... mas quando surge a dor, a dificuldade, perdemos o equilíbrio e começamos a murmurar, a lamentar, achando que não merecemos, ou então que erramos sim, mas foi pequeno, ou que o erro já foi reparado. E achando que a misericórdia do Senhor está demorando, ficamos perguntando: “Onde estás Senhor, porque não me ouves?” - ALGUÉM se lembra PORQUE DEUS FEZ O POVO CAMINHAR NO DESERTO? - POR QUÊ ELE TAMBÉM PERMITIU QUE VOCÊ SE SENTISSE SOZINHO, INSEGURO, ÁRIDO, SOFRIDO? PELO MESMO MOTIVO... leia e no fim, quem sabe você mesmo saberá não a resposta? A Planta para crescer vigorosa precisa ser podada. Podar é na época certa cortar os ramos, para os brotos mais bonitos e fortes crescerem e a árvore possa dar os frutos que esperamos.
Deus é o jardineiro de nossas vidas, e neste jardim existem árvore que somos nós, e quando Deus vê que o pecado feriu a planta, ou que os insetos vêm continuamente a destruí-la. Ele dá a poda. Ou seja, quando Deus vê que estamos acolhendo coisas que nos separam Dele, e o mal vem continuamente tentar nos destruir. Ele permite (permite) a provação. Porque Deus só faz o bem, mas às vezes para a salvação de nossas almas precisa permitir a provação. O que é isso? Estamos no mundo e de repente é como se tivéssemos recebido um golpe (como uma poda mesmo), e dor nos surpreende, primeiro o susto, incredulidade, tristeza e rebeldia, aí ficamos magoado com Deus. Prestem atenção magoados com Deus. Está na palavra do Senhor no Livro do Eclo: “Pois, é no fogo que o ouro e a prata são provados e no cadinho da humilhação os que são agradáveis a Deus... ou seja fala sobre a Paciência no sofrimento. Leia sempre este capítulo, cada vez que se sentir enfraquecido.
Jesus foi provado na humilhação profunda, e nós como cristãos, seguimos o mesmo caminho. Como está na Primeira Carta de São Pedro, 2, 4-5: Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual...Assim tomamos plena consciência de que nós somos os tijolos do Edifício Espiritual que é a Igreja, que é CRISTO. Nossa provação é edificante se aceita por amor a Cristo, e como nos diz na Carta de São Paulo aos I Coríntios 2,9:O que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos jamais ouviram, nem coração algum jamais pressentiu.” Ou seja, ao aceitarmos o sofrimento por amor, seremos tijolos da Igreja de Jesus, e esta é a recompensa que nos está reservada! Na provação de Jó 1,6-7.
Observemos que Satanás diz que esteve por toda a terra, ele diz que esteve no seu trabalho, na sua casa, na sua família, na sua vida... nós vivemos estes fatos não é mesmo? Quando tudo parece estar em paz e surge uma discussão, uma má notícia... Só que além de aparecer na presença de Deus insolentemente, ainda diz ao Senhor que nós não suportamos o sofrimento, basta ele chegar e pronto nós nos revoltamos contra Deus, dizendo palavras terríveis contra toda bondade do Pai. Deus replica então a Satanás: Reparaste no meu servo Jó? ...é um homem íntegro e reto, teme a Deus e afasta-se do mal. Por que Deus olha Jó e conhece seu coração, e confiando no amor dele, quando Satanás diz que Jó somente ama a Deus por ter uma vida fácil, sem grandes sofrimentos... Vejam que coisa mais linda! Deus confiou no amor de Jó. Isso é lindo, lindo! Quem hoje está com o coração dolorido, se sentindo injustiçado, não se sinta assim! É porque o Pai olhou bem dentro de você e CONFIOU NO SEU AMOR! DEUS CONFIA NO SEU AMOR! Isso é maravilhoso. Por isso em tudo dai graças! DEUS CONFIA NO SEU AMOR! O Senhor de tudo, o Criador CONFIA NO SEU AMOR! Você já tinha se dado conta disso? Ele como Pai sabe o quanto é difícil a provação, e com certeza, mais do que nós, Ele torce para que VOCÊ VENÇA MAIS ESTA PROVA POR AMOR A ELE TAMBÉM. Então de um momento para o outro, como está em Jó 1,13-19, este homem perde tudo, tudo, como acontece às vezes na nossa vida, parecendo que o mundo caiu inteiro sobre nós.
Aqui não constam os pensamentos de Jó, de como avaliava o quanto ele pensava ser correto diante de Deus (antigamente acreditava-se que somente sofriam aqueles a quem Deus não amava). E onde havia errado para que tudo de tão ruim lhe acontecesse... Quando passamos por um problema pessoal, decidimos por fraqueza questionar a Deus e muitos abandonam a Igreja, a fé. Cegamente não vemos que Deus só permite que passemos por isso porque Ele confiou no nosso amor, igual confiou no de Jó. Pense nisso, Deus permitiu a provação que você está passando porque Ele CONFIA NO SEU AMOR!!! E seguindo o exemplo de Jô vejamos que ao receber todas estas notícias e a de que seus filhos estavam mortos e não possuía mais nada, conforme o costume da época, raspou a cabeça e rasgou o seu manto e PROSTROU-SE POR TERRA E ADOROU O SENHOR (2X). Vejam só...Depois de tudo! Adorou ao Senhor dizendo: “Nu, saí do ventre de minha mãe e nu, voltarei para lá.
O Senhor deu, o Senhor tirou, como foi do agrado do Senhor, assim aconteceu. Seja bendito o nome do Senhor!” Jó entregou a Deus a vitória do Amor! E desbancou o derrotado ao adorar em vez de blasfemar, mesmo com o coração dilacerado, mesmo sem entender, mesmo sentindo o peso do mundo, Jó deu a Deus, a vitória sobre Satanás. Dê você também a Deus a vitória, vença sua dor, não deixe sua fé! Não deixe sua Igreja. Quando alguém vier oferecer um lugar onde dizem que há Jesus e não há dor, não creiam, no início pode parecer perfeito, mas não é. Por isso prestem muita atenção, muita atenção! Nós amamos Jesus que foi crucificado e só depois do CALVÁRIO é que veio a GLÓRIA. Quem quer ser de Jesus tem que pegar a sua cruz e carrega-la, como nos diz o Evangelho. Não há Cristão sem cruz. CUIDADO! Muito cuidado mesmo! Não devemos seguir falsos profetas por alívio passageiro.
Não existe sobre a terra um lugar onde os filhos de Deus não são provados! E conforme está na Bíblia, a Jerusalém Celeste ainda não está entre nós. Esta vida é uma escola onde devemos aprender todos os dias, e se formos dóceis ao Espírito Santo tudo será suave, é dor com serenidade. É Jesus quem diz: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. E de jugo suave. Dizia São Paulo que ele tinha um espinho na carne, e ainda assim afirmava COMBATI O BOM COMBATE E GUARDEI A FÉ. Combater o bom combate e guardar a fé, significa aceitarmos a vontade de Deus por amor, ainda que seja difícil, que não entendamos. POR ISSO NÃO DEVEMOS TER MEDO ALGUM! Jesus disse a Pedro que Satanás havia pedido ao Pai para tentar destruí-lo, porém Ele disse: “Não temas Pedro, porque eu roguei ao Pai por ti.” Jesus roga todos os dias ao Pai por Pedro que é a Igreja, a Igreja que somos nós. Jesus roga ao Pai todos os dias por cada um de nós! Nós roguemos intimamente a Deus, para que Ele não desista de nós também. Outra história de provação e fé e a de TOBIT, pai de Tobias 2, 1-9. Hoje como naquela época ainda somos tripudiados, Tobit era chamado de bobo pelos vizinhos, por ser bom por amor a Deus.
E isso acontece conosco que decidimos vir para a Igreja e verdadeiramente seguir Jesus. E como somos cobrados e desrespeitados por muitos por sermos católicos.(Leia Tb 2,9) Vejamos! Como foi lido sobre Tobit, pudemos observar o quanto ele era temente a Deus, como ele era bom! Tobit era um homem incrível, ainda sim, como está escrito em Tob 2,10-11 caiu esterco de passarinho sobre seus olhos e ele ficou cego. CEGO! Isso mesmo, CEGO! Aí é que nos questionamos... que Deus é este que permite isso? Deus permitiu para que fosse demonstrado que é na Paciência que se obtem os bons frutos. E Tobit deu Graças a Deus! Deus permite o sofrimento em sua vida para que Ele possa ser glorificado e assim te exaltar.

O Pai é acima de tudo PACIÊNCIA! Cada um em particular se conhecendo e sendo honesto, sabe o quanto Deus é paciente! Se fôssemos nós no lugar Dele, já teríamos atuado com justiça esquecendo-nos da misericórdia. A porta da MISERICÓRDIA está só encostada e a da JUSTIÇA trancada com sete chaves, e o homem vive tentando arromba-la... A VONTADE DE DEUS É PERFEITA! TUDO O QUE DEUS FAZ É BOM E PERFEITO! OS JUÍZOS DO SENHOR SÃO RETOS. Como naquela história do Mestre que ensinava a seus discípulos a aceitar a vontade de Deus, então um dia fizeram uma excursão até uma montanha cujo paredão ficava rente a cidade, mas para alcançar o cume era preciso que se viajasse por três dias pela encosta, e lá foram eles, o mestre e os discípulos a quem ele pregava a confiança nos desígnios de Deus. Ocorre que ao chegarem ao topo, no exato momento, vêem a cidade sendo invadida por mouros e seus amigos e familiares sendo atacados e o mestre sem nada poder fazer, correu de um lado para o outro tentando achar uma forma de agir diante do que assistia, vendo que não havia ajoelhou-se e exclamou pesaroso: Ah! Se eu fosse Deus...! Ao ouvir isto um aluno indignado lhe rebateu sem piedade: Engraçado, você prega uma coisa que não acolhe no coração e nos atos, está até querendo ser Deus para mudar o rumo do que está acontecendo... Ao que o mestre, com o rosto desolado respondeu, quando eu na minha dor exclamei, eu queria dizer: Ah! Se eu fosse Deus para entender o que está acontecendo! Deus nos quer no céu, é por isso que somos provados. “Nossos vícios e antigos pecados enraizados nos impedem a graça do Senhor de agir, nos libertar é preciso para que Deus nos refaça.” “Nos mesmos lugares onde nascem os sofrimentos, surgem as forças para amar em plenitude.” O doc. 54 da CNBB pede que os fiéis passem da vida na carne para a vida no Espírito. E o doc. 56 também da CNBB afirma que somente seremos católicos enraizados no amor à Jesus e à sua Igreja se estivermos bem alimentados na PALAVRA, na CONFISSÃO, na EUCARISTIA, na VIVÊNCIA DO EVANGELHO que dá TESTEMUNHO DE VIDA.
Amados, só dá testemunho de vida que já passou por provação, já esteve com dor no fundo do coração. QUANDO A PESSOA ACOLHE A PALAVRA, O ESPÍRITO SANTO SUSCITA A FÉ E A OBEDIÊNCIA A JESUS E SUA IGREJA. Peçamos neste momento ao Espírito Santo a docilidade do Espírito, que é a capacidade de se humilhar diante de Deus, pois Ele não resiste aos que se humilham! A Igreja nos ensina que Maria era perfeita diante de Deus. E o que Maria era acima de tudo: humilde e dócil ao Espírito Santo. Tenho observado e o Espírito Santo inspirado, é que em toda a Bíblia, que é a Palavra de Deus viva, principalmente no novo testamento, é que Deus exalta e relata que Jesus era manso e humilde e que Jesus rezava. Então, entendi que precisamos pedir ao Senhor nenhum outro dom que não seja a HUMILDADE e MANSIDÃO. Pois, a sabedoria Jesus é magnífica, mas o texto deixa claro que é a HUMILDADE, a MANSIDÃO e um ESPÍRITO ORANTE que agradam a Deus. Sabemos o quanto um homem está próximo de Deus pela humildade que revelam seus atos e palavras, por que somente um coração humilde é capaz de permitir que seja o Espírito Santo a agir em sua vida . - ENTÃO, SABE PORQUE DEUS FEZ O POVO CAMINHAR NO DESERTO? - E POR QUÊ TAMBÉM PERMITIU QUE VOCÊ SE SENTISSE DA FORMA QUE ESTAVA SE SENTINDO? PELO MESMO MOTIVO... Deus fez o povo caminhar no deserto porque precisava conhecer o coração daqueles que gerariam o Salvador.
Deus permite a sua provação porque conhece o seu coração e sabe que pode contar com o seu amor para derrotar o mal. Com certeza a sua vida serve de exemplo para muitos, como sua família, no seu emprego... e o que nós do Grupo de Oração Milícia de São Miguel podemos desejar sinceramente, que ela seja um TESTEMUNHO DE AMOR AO PAI! LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! 




 “Neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”..(Santo Afonso)

Explicação do sofrimento para nos católicos



O apelo final por ajuda indica uma pessoa submetida a muitos sofrimentos, que deseja entender a razão deles em face de um Deus que é Pai de misericórdia: “Compassivo e misericordioso é o Senhor, paciente e cheio de misericórdia; o Senhor é suave com o mundo todo, e suas misericórdias se estendem sobre todas as suas obras” (Ps 144,8-9). Como explicar, então, que Deus permita que soframos?
Como primeiro movimento de uma alma católica e, me compadeço desses sofrimentos e peço a Maria Santíssima que interceda junto a Deus Nosso Senhor para que eles sejam diminuídos na medida do possível. Mas há uma quota de sofrimento, variável no modo e na intensidade, que cada um de nós nesta vida tem de carregar. Para esse sofrimento peço a Deus, em favor da consulente, a paciência e a resignação de alma, tão agradáveis a Nosso Senhor e tão cheias de frutos para nossas almas.
A pergunta tem um alcance mais profundo do que talvez a própria consulente imaginou ao formulá-la. Com efeito, ela incide sobre uma discrepância fundamental entre o espírito católico e o mundo moderno. Esse ponto de discrepância consiste na seriedade com que devemos encarar a vida nesta Terra.


Para explicar todo o sofrimento que há no mundo São Paulo disse que: “Porque o salário do pecado é a morte. Mas a graça de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 6,23).
É pelo pecado, tanto o original quanto os atuais, que o demônio escraviza a humanidade e a afasta de Deus, fazendo-a sofrer. Para resgatar o homem do poder do demônio e para tirar o pecado do mundo é que Nosso Senhor Jesus Cristo se fez Homem, padeceu e morreu por nós.
Diz-nos  o Catecismo que Deus deixa livres as criaturas, sabendo tirar o bem do mal. Só Deus podia conseguir isto: tira o bem do mal. Deus tira o bem do mal nas próprias criaturas. Por exemplo, os nossos sofrimentos.
Se nós recebermos os sofrimentos com resignação, Deus encaminha-os em nosso proveito e mérito para o céu, e assim se convertem num bem para nós o mal que outra pessoa nos faz. A crueldade dos tiranos criou os mártires; a pobreza e as misérias produziram os heróis da caridade.

Segundo São Gregório Magno, há cinco razões pelas quais existem os mais variados sofrimentos (doenças, por exemplo):

1) pessoas às quais Deus lhes envia sofrimentos para as fazerem melhor (progredirem na santificação ou expiar por outras pessoas);
2) para prevenir a pessoa, por meio daqueles sofrimentos, de faltas que, sem eles, ela viria cometer no futuro;
3) castigos de pecados cometidos, para que a pessoa possa se arrepender e obter a salvação;
4) sofrimentos que Deus infringe aos pecadores que de tal forma já estão apegados ao mal que para eles não há mais arrependimento possível; são para essas pessoas já um início dos sofrimentos eternos, como condenados;
5) e outros sofrimentos enfim que têm por finalidade fazer a pessoa voltar-se para Deus e amá-Lo mais ardentemente pela graça da cura imediata ou mediata. (São Gregório – Catena Áurea – Edição em francês – São João, c. 9, 1-7).


A grave crise de seriedade 
O mundo moderno vive um momento de grande decadência espiritual e moral, que teve origem numa grave crise de seriedade. Essa crise veio se desenvolvendo ao longo de séculos, mas até a I Guerra Mundial (1914-1918) a sociedade ainda conservava importantes traços de seriedade. Fotografias e filmes da época mostram pessoas geralmente sérias, tanto nas cenas da vida quotidiana como em ocasiões de solenidade. Entretanto, a partir de então, o processo que leva a ter uma posição superficial perante a vida sofreu uma aceleração rápida, em consequência principalmente da difusão do “espírito de Hollywood”.
Assim chamamos o espírito disseminado pelos filmes provenientes dos Estados Unidos (os quais, aliás, segundo observadores dignos de crédito, apresentavam a mentalidade norte-americana não de modo autêntico, mas caricatural). O fato é que, em poucas dezenas de anos, implantou-se em todo o Ocidente um modo otimista, risonho e superficial de encarar a vida, caracterizado pela convicção gratuita de que o desenrolar dos acontecimentos termina sempre num happy end. Isto é, tudo nesta vida tem um final normalmente feliz.
Tal estado de espírito predispõe a considerar o sofrimento como um intruso no decurso normal da vida.
Assim, para compreendermos sem dificuldade a razão de ser do sofrimento no plano divino, temos que expungir de nossa alma todo resquício de espíritohollywoodiano que, mesmo sem o percebermos, se tenha introduzido em nós. Para isso, nada melhor do que nos compenetrarmos de que a vida é séria, extremamente séria.

 


O sofrimento e a salvação das almas 
O fundamento mais tangível dessa seriedade é que temos uma alma a salvar: o desfecho de nossa história pessoal será uma vida eternamente feliz no Céu ou uma vida eternamente desgraçada no inferno.
A graça de Deus nos chama constantemente para as vias da salvação, mas a escolha do caminho depende também de nossa cooperação — ou não cooperação… — com essa graça. E nesta alternativa se joga tudo por tudo! Como, então, passar a vida sorrindo tolamente diante dessa dupla perspectiva final?
O sofrimento entrou no mundo pelo pecado. A consequência do pecado de nossos primeiros pais, Adão e Eva, foi sua expulsão do Paraíso terrestre, a condenação à morte e o fechamento do Céu para o gênero humano. Deus, porém, que é Pai de misericórdia, apiedou-se da humanidade e determinou que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fizesse homem, pagasse por nós o débito do pecado — que, por ser infinito, não estávamos em condições de saldar — e nos reabrisse o Céu. Tal foi a obra da Redenção consumada pelo sofrimento de Nosso Senhor Jesus Cristo no alto da Cruz. O essencial, portanto, foi cumprido pelo Divino Salvador.
Entretanto, Deus estabeleceu que o fruto da Redenção se aplicasse a cada um de nós pela nossa participação pessoal no Sacrifício redentor de Cristo. E essa participação se dá pela aceitação amorosa e resignada dos sofrimentos que Deus nos manda nesta vida. É a doutrina ensinada por São Paulo, segundo a qual devemos completar em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo (cfr. Col 1,24).

Há cinco pontos que são importantes quando se discute o sofrimento:
(1) Nós acreditamos que a Paixão de Cristo e sua morte na Cruz é um suficiente e completo sacrifício para a redenção da humanidade,
(2) Como seguidores de Cristo, nós formamos o Corpo Místico no mundo, tendo Jesus como cabeça deste Corpo,
(3) Seu “corpo” ainda sofre as dores e tribulações de seus seguidores,
(4) Como humanos nós todos somos pecadores, e mesmo tendo perdoado nossos pecados através da Confissão, a necessidade por reparação permanece, e
(5) Nós podemos oferecer nossos sofrimentos pelos outros membros do corpo de Cristo, estes sofrimentos tem valor redentor e podem construir a Igreja como um todo.
Quando tudo está indo bem, muitos de nós esquecem que somos mortais e que a vida está passando rápido. Entretanto, vivemos em um vale de lágrimas e, queiramos ou não, todos nós enfrentaremos sofrimento em algum ponto de nossas vidas. O sacrifício envolve um elemento de sofrimento, e como São Paulo escreveu: “Eu vos peço pela misericórdia de Deus que ofereçais os vossos corpos como uma oferta viva, santa e agradável a Deus...” (Rm 12,1). Alguns de nós aceitam o sofrimento melhor do que outros, agindo como o bom ladrão na Cruz, que usou o seu sofrimento como reparação dos seus pecados, e em troca disso ouviu as seguintes palavras dos lábios de Jesus: “Eu te asseguro: hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!” (Lc 23,43). Pense em todos as adversidades que enfrentamos na vida, mesmo em um dia comum: pagar as contas, colocar comida na mesa, cuidar de uma família em uma sociedade afastada de Deus. E somado a isso, muito sofrimento emocional, físico e provações espirituais... às vezes todas nossas obrigações tornam-se tão pesadas. Qual que seja a raiz do problema, dor é dor e nós precisamos perguntar a nós mesmos: o que Deus está tentando nos ensinar através desta cruz? Em todos os caminhos da vida nós enfrentamos adversidades. Nosso Senhor disse à Santa Faustina: “Minha filha, o sofrimento será para ti um sinal de que estou contigo”(Diário da Santa Faustina, 669). E em outra ocasião, Ele disse: “Minha filha, não tenhas medo dos sofrimentos, Eu estou contigo” (Diário, 151). Alguns podem acreditar que Santa Faustina teve uma vida fácil, cheia de graças extraordinárias e com poucos desafios. Contudo, assim como muitos dos santos antes dela, ela sofreu muito; ela tinha tuberculose avançada e morreu ainda na mocidade aos trinta e três anos. Além de seu sofrimento físico, ela passou por rejeições e humilhações, assim como em seu interior sofreu ao conhecer a misericórdia de Deus e como nós freqüentemente a rejeitamos. Por vezes, sua dor física ultrapassou seus limites humanos, e ela escreveu, “Hoje os meus sofrimentos aumentaram um pouco; não somente sinto dores maiores em ambos os pulmões, mas, também dores estranhas nos intestinos. Sofro tanto quanto a minha frágil natureza é capaz de suportar...” (Diário da Santa Faustina, 953). Ela mantinha sua confiança em Deus a despeito apesar de todas suas provações e atribulações. Ela escreveu “Oh! quão agradáveis são os hinos entoados por uma alma sofredora! Todo o Céu se encanta com uma alma assim — especialmente quando provada por Deus, entoa-Lhe seus saudosos lamentos. Grande é sua beleza, porque ela provém de Deus. Caminha pelo deserto da vida, ferida pelo amor de Deus. Ela toca a terra apenas com um só pé” (Diário, 114).
Enquanto nosso espírito pode ser forte, a carne é fraca e às vezes nós nos cansamos e desanimamos. Podemos perguntar “O que há de bom nisso?” “Quando isso vai terminar?” ou “Por que eu?” mas devemos manter nosso foco em Jesus e trilhar o bom caminho



São insuportáveis os sofrimentos? 
Essa exposição tem como fundo de quadro sofrimentos humanamente suportáveis (bem entendido, com a ajuda da graça divina). Mas nossa missivista refere-se a três gêneros de sofrimento — “a guerra, a doença e a fome” — que, no seu entender, parecem exceder de muito a capacidade do homem de suportá-los. Como conciliar isso com a visão que temos de um Deus, Pai das misericórdias?

A dúvida faz sentido. Os jornais descrevem todos os dias horrores da guerra, atos pavorosos de terrorismo que atingem indiscriminadamente todo gênero de vítimas, incursões criminosas de guerrilhas que tumultuam a vida de diversas nações, regimes totalitários que provocam fomes insanáveis a que estão submetidas populações inteiras, a pandemia da Aids etc. Não constitui isso um sofrimento que ultrapassa todo limite do suportável?
Sem dúvida, o estado de convulsão generalizada em que está o mundo produz sofrimentos inauditos.
Porém, cumpre perguntar se o estado de pecado em que vive hoje grande parte da humanidade não é de molde a atrair castigos divinos. E a pecados inauditos, castigos inauditos… E como isso tudo ofende a Deus!

O bom pai, quando castiga, é para bem do filho 
A revista Catolicismo tem mostrado a extensão e a gravidade desses pecados: a imoralidade inconcebível das modas e dos costumes, a desagregação institucional da família, o aborto, a depravação homossexual e tantas outras desordens, na esfera individual como na social, nacional e internacional.
Tudo isso manifesta o abandono dos princípios da moral natural e da moral católica, um voltar desdenhoso de costas a Deus. Como admirar-se de que Deus puna o mundo com castigos nunca vistos?
Assim, ao  sofrimento que sempre acompanhou a vida do homem desde Adão e Eva acrescentam-se sofrimentos incomensuráveis, que se podem atribuir a um castigo pela apostasia hodierna, a qual ofende enormemente o Coração de Jesus. Aceitar com amor e resignação os sofrimentos que daí decorrem é um meio de a alma católica reparar tão grandes ofensas.

 Deus nunca deixa seus filhos ao abandono, mas socorre-os misericordiosamente. 
Por isso enviou sua Santíssima Mãe à Terra, em Fátima, a anunciar que, se os homens não se emendassem, grandes castigos haveriam de sobrevir. Porém, ao fim destes, graças também nunca vistas choverão sobre a humanidade, que retornará a Deus e à Igreja, estabelecendo-se na Terra uma era de paz: é o Reino de Cristo, que se reinstaurará com o triunfo do Imaculado Coração de Maria. Essa a grande e maravilhosa esperança que nos dá ânimo para suportar todas as lutas e sofrimentos deste mundo convulsionado em que vivemos




 Também para o pecador Deus alcança um bem. Se, face ao sofrimento, o indivíduo que praticou o mal o reconhece, se arrepende dele e pede perdão, Deus manifesta-lhe sua bondade, a sua misericórdia, perdoando-lhe. Se morre impenitente, Deus manifesta nele a sua justiça, que triunfa do mal e dos inimigos.



Ó minha Mãe dolorosa! Pelo merecimento da dor que sentistes, vendo vosso amado Jesus conduzido à morte, impetrai-me a graça de também levar com paciência as cruzes que Deus me envia.
Feliz serei, se soube acompanhar-vos com minha cruz tão pesada, e eu, pecador, que tenho merecido o inferno, recusarei carregar a minha?
Ah! Virgem Imaculada, de vós espero socorro para sofrer com paciência todas as cruzes. Amém.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

VOCAÇÃO EREMÍTICA

A vocação à vida eremítica, é um dom de Deus, para maior Glória Dele, para o bem do próprio consagrado(a),da Igreja, e para salvação das almas. 
De um modo geral dentre milhares de almas vocacionadas a vida religiosa ou consagrada, apenas uma é  genuína vocação eremítica, tamanha é sua raridade na Igreja. Não obstante, nos últimos tempos, observa-se um reflorecimento desta santa vocação para a solidão.Leigos e religiosos tem abraçado essa vida conforme as possibilidades de seu estado, e inclusive já tem surgido eremitas de modo parcial, que vivem a solidão em fins de semana e feriados.

* O que é um Eremita ? 
(Eremita diocesano-Argentina)
Eremita é aquele que chamado por Deus, escolhe viver em solidão, numa vida de oração e penitência.Não necessariamente deve-se viver fora da cidade, embora  seja a opção da grande maioria, pelo bem que faz estar em contato com a criação primeira de Deus: a natureza. 
Devido as necessidades de nosso tempo, muitos optaram em viver o eremitismo na cidade, pela facilidade de compras, de ir ao médico, e para não depender tanto de benfeitores.
Há que se recordar que o elemento principal da vida eremítica é a solidão, para estar com Deus.
No meu parecer pessoal, não merece o nome de eremita, solitários solterões. que não tem o dom da fé, mas escolheram viver isolados, por prazer particular da solidão em si. Infelizmente no mundo atual se apresentam vários "eremitas" desta "linhagem"...
São sinônimos da palavra eremita: Solitário e anacoreta. Neste blog usaremos a palavra eremita por ser mais conhecida e mais simples.

* Como saber se tenho vocação eremítica? 
Em primeiro lugar, se tem atração pela solidão.Esse desejo de estar só com Deus, mas não por aversão as pessoas, e sim um amor maior a vida de oração.
Em segundo, se tem grande amor a Deus e a salvação das almas.Isso inclui um grande amor a toda humanidade, criação de Deus.Capacidade para os conselhos evangélicos: castidade, pobreza e obediência.
Em terceiro se esta disposto a sofrer as instabilidades desta vocação: falta da Eucaristia cotidiana 
(geralmente apenas eremitas religiosos tem fácil acesso a Eucaristia), mudanças de lugar e privações de confortos, comodidades, etc. É recomendável que se não se pode suportar as dificuldades externas mencionadas, já pode não ser uma vocação eremítica.Resumindo este ponto, desapego as estruturas e seguranças.
Em quarto se tem inclinação a uma vida austera e mortificada.
Em quinto saúde necessária para se manter só, e o essencial: a saúde mental:

NÃO PROCUREM ESSA VIDA OS QUE SOFREM DE DOENÇAS OU TRANSTORNOS MENTAIS COMO ESQUIZOFRENIA, TRANSTORNO BIPOLAR E DUPLA PERSONALIDADE...
 TUDO O QUE REQUER TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO,NÃO SE ENCAIXA NESTA VOCAÇÃO.
As pessoas referidas que se encontram nestas doenças e transtornos, são muito amadas por Deus e poderão, se fizerem um bom tratamento, serem até consagradas a Deus em outros carismas, mas não indicadas para a solidão e tampouco para estarem à frente de comunidades.
Não há idade apropriada para se iniciar uma vida solitária. A grande maioria opta por essa vida na faixa étaria dos 35 aos 50 anos. Não se recomenda a vida eremítica (diocesana) antes dos 30 anos (antes dessa idade a pessoa ainda não tem autonomia na vida espiritual. Pode ocorrer,se for um dom de Deus como Santa Catarina de Sena e Santa Teresa de Jesus, que ainda na infância desejavam vida eremítica. A última palavra fica sendo a do diretor espiritual), e sem alguma experiência anterior na vida monástica de no mínimo (bem mínimo mesmo) 1 ano. Por que ? Porque sem uma experiência monástica, dificilmente a pessoa adquire disciplina, o que é fundamental para uma vida eremítica. Disciplina para rezar (deve-se aprender a rezar a liturgia das horas), ler, fazer penitência... Ter auto domínio e mortificação nas doenças, provações e tentações. Por mais santo e bem orientado que um leigo seja no mundo,essas particularidades, o nosso mundo de hoje: secularizado, erotizado, dominado pela mídia e com a educação voltada totalmente para o egoísmo e vontade própria... enfim... não ensina o mundo as virtudes próprias de uma vida consagrada.  
No caso de eremitas leigos, muitos optam por essa vida já na idade madura (45- 50 anos), após uma longa caminhada e acompanhamento com seu diretor espiritual.Como não professam publicamente os votos, estes tem mais liberdade, em sua regra de vida.
*Quais são os tipos de vocação eremítica?
EREMITISMO LEIGO, DIOCESANO , MONÁSTICO, E RECLUSO (MUITO RARO)
Eremitismo leigo, ou  independente:
(Um leigo Eremita)
 Na maioria são leigos SOLTEIROS,OU VIÚVOS (O MATRIMÔNIO NÃO SE ENCAIXA NA VOCAÇÃO EREMÍTICA POIS SE CONVIVE COM O CÔNJUGE E FAMILIARES, E NA VIDA EREMÍTICA DEVE-SE VIVER SÓ, EM CASTIDADE, POBREZA, E OBEDIÊNCIA), que vivem na obediência de seu diretor espiritual (o Diretor é  uma pessoa responsável em orientar a vida espiritual, incluindo as principais decisões do dirigido, sendo que elas afetariam de alguma forma a vida espiritual. O Diretor deve ser pessoa de muita oração, sabedoria e discernimento, de preferência sacerdotes, ou pessoas consagradas a Deus), e podem viver sozinhos de modo independente. Estes não emitem votos públicos, fazem promessas ou votos privados.Nada impede estes de viverem nos campos.
ESTES NÃO PROFESSAM PUBLICAMENTE OS VOTOS, POR ISSO SÃO CONSIDERADOS LEIGOS, MAS DIANTE DE DEUS NÃO SÃO MENOS CONSAGRADOS QUE OS DEMAIS.
Alguns vivem a solidão (sobretudo nos primeiros anos) apenas nos fins de semana e dias livres.Chamam-se Eremitas parciais.Costuma ser uma etapa transitória para um eremitismo efetivo.
Para ser um eremita livre, basta o acompanhamento e discernimento com seu diretor espiritual.
A moradia destes eremitas são financiadas por seu próprio sustento.
O eremita leigo deve ser financeiramente independente.

*** Citação do Catecismo da Igreja Católica: ***
" Os eremitas nem sempre fazem profissão pública dos três conselhos evangélicos; mas, «por meio de um mais estrito apartamento do mundo, do silêncio na solidão, da oração assídua e da penitência, consagram a sua vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo». (Catecismo da Igreja Católica – 920).
Os eremitas manifestam o aspecto interior do mistério da Igreja que é a intimidade pessoal com Cristo. Oculta aos olhos dos homens, a vida do eremita é pregação silenciosa d'Aquele a Quem entregou a sua vida. Cristo é tudo para ele. É uma vocação especial para encontrar no deserto, no próprio combate espiritual, a glória do Crucificado. (Catecismo da Igreja Católica – 921)."
Eremitismo diocesano:
(Eremita Diocesano-Argentina)
Estes são eremitas consagrados, que vivem na obediência do Bispo diocesano, professam publicamente os votos, mas também são autônomos e devem garantir seu próprio sustento. Os Eremitas diocesanos, quando admitidos na diocese, moram em casas ou capelas que pertencem `a diocese que foram admitidas.Não precisam financiar a moradia, mas devem garantir todas as outras despesas.
Os eremitas de um modo geral ganham seu sustento com trabalhos artesanais monásticos: imagens, velas, costura, paramentos litúrgicos,pintura em tecido. Etc
 A diferença entre os eremitas leigos e diocesanos está no "Status" : São consagrados reconhecidos pela Igreja, enquanto os anteriores vivem uma consagração em dimensão oculta e espiritual.
Não há nenhuma uniformidade no uso do hábito, muitas vezes os eremitas acabam ficando com os hábitos de suas comunidades anteriores, alguns confeccionam um traje próprio, e outros para passarem despercebido preferem o uso de roupas comuns. Em algumas dioceses, pode-se usar o hábito porém sem usar a touca (no caso das Eremitas)
Cada eremita faz a sua própria regra de vida, como constituições particulares.
Para ser um eremita diocesano, deve-se procurar o Bispo de sua diocese (caso não houver procurar uma diocese que aceite eremitas) e seguir suas orientações.Cada diocese deve ter suas normas.
Em caso de um professo solene ou perpétuo que queira ser um eremita diocesano, deve -se ter o consentimento de sua comunidade e a do bispo da diocese da cidade desejada.
(Eremita Diocesano-África)

*** Citação do Código de Direito Canônico: *** 
"Cân. 603 § 1. Além dos institutos de vida consagrada, a Igreja reconhece a vida eremítica ou anacorética, com a qual os fiéis, por uma separação mais rígida do mundo, pelo silêncio da solidão, pela assídua oração e penitência, consagram a vida ao louvor de Deus e à salvação do mundo.

§ 2. O eremita como dedicado a Deus na vida consagrada, é reconhecido pelo direito, se professar publicamente os três conselhos evangélicos, confirmados por voto ou por outro vínculo sagrado, nas mãos do Bispo diocesano, e se mantiver o próprio modo de vida sob a orientação dele."
(Eremita Diocesana- Brasil M.G.)


Eremitismo Monástico:
São eremitas incorporados em Ordens ou Congregações Religiosas (que possuem um ramo eremítico). Emitem votos Solenes e dependem do superior geral de sua Ordem ou Congregação. Observam normas próprias de seu Instituto.
Geralmente ingressa-se no Mosteiro e o candidato faz todas as etapas de formação: Postulantado, Noviciado, Profissão Temporária e Votos Solenes ou Perpétuos. Alguns só permitem o translado `a vida Eremítica após os votos Solenes, outros até mesmo 5 anos depois dos votos solenes. Ex.: Os Camaldulenses.
(Monge Camaldulense)
Para ser um eremita monástico, deve-se observar as possibilidades do Direito Próprio de cada Instituto.
Ordens mais conhecidas: Cartuxos (semi-eremítico), Camaldulenses,  Beneditinos,Carmelitas da Ordem do Carmo, Orionitas, Franciscanos,etc.Cito aqui as Ordens que encontramos no Brasil, fora do Brasil há muitas outras!

(Monja Cartuxa)

Deve-se procurar entrar numa idade mais jovem, (não antes dos 21 pois cedo demais a pessoas ainda não esta madura afetivamente), pois ainda terá que fazer os anos de formação (não menos que 6 anos), evite-se portanto entrarem depois dos 35 anos (mulheres), após essa idade já é mais difícil adaptar-se a uma vida monástica (coloco aqui os parâmetros da Ordem Cartuxa feminina, para os homens não exceder 45 anos).

(Eremitas Orionitas)
Há outras comunidades novas surgidas recentemente, que contam com a aprovação oficial da Igreja.

 Ex: Carmelitas Eremitas de Sobral no Ceará (foto acima), acolhidas e aprovadas pela Igreja e incorporadas na Ordem do Carmo.
Eremitismo Recluso:
É a modalidade mais radical do eremitismo. Estes além da solidão, se privam também de sair de suas celas e vivem em reclusão. Não é possível evitentemente viver essa modalidade da vida eremítica sem o auxílio de outrem que traga na cela a comida, ou outras coisas necessárias.
 
 Essas santas almas se privam até mesmo de um lícito passeio no jardim, de viajens ou qualquer outra distração. Quais serafins permanecem sempre na Presença constante e ininterrupta de Deus, pela oração hesycasta: "Senhor Jesus, tem piedade de mim". Essa prece é interrompida apenas para os Ofícios Divinos ou quando saem da cela, para Santa Missa.
(Um eremita Camaldulense)
 
Nos primeiros séculos da cristandade a reclusão era muito comum, sobretudo nas vocações femininas, devido a sua estrutura e segurança.Já que no deserto uma mulher sozinha corria muitos perigos. Muitas mulheres ao início de sua reclusão, escolhiam casas perto de Igrejas e lá se recolhiam. Algumas chegavam a se emparedar, deixando apenas uma janela, para que se passasse o necessário...
Alguns se recolhiam como gesto penitencial, numa morte perpétua para o mundo.
 (Um recluso) 
Fazem parte desta vida por exemplo, os eremitas da Ordem Camaldulense. Na Igreja Ortodoxa, também há essa modalidade de Eremitismo.
Outros também podem viver reclusos, com a devida autorização da Igreja, ou uma Ordem que assuma este espírito.

**** O USO DO HABITO****

O EREMITA PODE USAR O HÁBITO ?


(Uma Eremita Diocesana da Argentina)

SIM, ESSE SEMPRE FOI O SANTO COSTUME. 
MAS, DA MESMA FORMA COMO HÁ RELIGIOSOS COM HÁBITO OU SEM HÁBITO, TAMBÉM HÁ EREMITAS QUE NÃO USAM HÁBITO!
O USO DO HÁBITO DEPENDE DAS NORMAS PARTICULARES DE CADA DIOCESE, ORDEM, E TAMBÉM DOS SUPERIORES E DIRETORES. DEPENDE INCLUSIVE DA MISSÃO PARTICULAR E ESPIRITUALIDADE DE CADA EREMITA.
MESMO UM LEIGO SEM PROFISSÃO
(O VOTO) FORMAL PODERIA USAR O HÁBITO, SE DÁ TESTEMUNHO DE UMA AUTÊNTICA VIDA CONSAGRADA.
EM RELAÇÃO AO USO DO HÁBITO REALMENTE, "CADA CASO É UM CASO".
COMO JÁ FOI COMENTADO, A VIDA EREMÍTICA É MUITO INSTÁVEL E PODEMOS MESMO NOS DEPARAR COM EREMITAS QUE ESTÃO EM FASE TRANSITÓRIA PARA MUDAR DE EREMITÉRIO OU DIOCESE, E DURANTE ESSA TRANSIÇÃO FICAR NA CASA DA FAMÍLIA OU DE BENFEITORES. NADA HÁ DE ILÍCITO ESTES EREMITAS CONTINUAREM SUA REGRA DE VIDA COM SEUS HABITOS NESSE PERÍODO DE TRANSIÇÃO, ALIÁS NADA MAIS ÓBVIO...
DEVEMOS RECORDAR QUE NA IGREJA HÁ UMA IMENSA VARIEDADE DE CONGREGAÇÕES, ORDENS E COMUNIDADES ANTIGAS E RECENTES. PODE SER QUE SE ENCONTRE ALGUM EREMITA COM UM HABITO SEMELHANTE A DE UMA ORDEM TRADICIONAL. É DIGNO DE FÉ NESSE CASO O QUE O EREMITA DIZ DE SI MESMO: SOU EREMITA. SEM MAIS.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

FALSOS PROFETAS



Conta a História, que certa vez Napoleão Bonaparte respondeu a um dos seus soldados, que lhe sugeriu criar uma religião: “Meu filho, para alguém fundar uma religião é preciso duas coisas: primeiro, morrer numa cruz; segundo, ressuscitar. A primeira eu não quero; a segunda eu não posso”.

Desde que o trigo do Evangelho foi semeado no chão da humanidade por nosso divino Redentor, o maligno se apressou em espalhar o joio das falsas doutrinas e das falsas religiões, para afastar o povo da verdadeira Redenção. Só Jesus pode estabelecer uma Religião e instituir uma Igreja, pois só Ele é o único homem que também é Deus. Uma Pessoa divina trazendo em si duas naturezas perfeitamente harmoniosas: a humana e a divina. Ele provou isto por seus inúmeros milagres, especialmente a Ressurreição. Quem o pode igualar?

Fico impressionado ao ver um simples mortal ousar fundar uma religião e uma igreja. Parece-me até brincadeira. Com que autoridade? Com que direito? Só mesmo a soberba humana pode explicar essa ousadia. Só mesmo o orgulho exacerbado de um pretenso “iluminado” pode levá-lo a tal ousadia. No bojo dessa insensatez sempre encontramos a triste realidade de um homem, na maioria das vezes, revoltado, problemático, eivado de iluminismo, exibicionismo, proselitismo, às vezes charlatanismo… ou um “profeta iluminado” que interpreta a Bíblia a seu bel prazer.

Só Jesus tem o poder e a autoridade de fundar A Religião e A Igreja. E Ele estabeleceu neste mundo “a Sua Igreja” ; e não deu autorização para ninguém fundar outra. É o caso de se perguntar: Será que algum desses pretensos “iluminados” provou que era Deus, fez grandes milagres, e morreu pelos seus discípulos numa cruz? Consta que algum deles ressuscitou? Consta que algum deles provou a sua divindade? Será que João Calvino, João Knox, John Smith, John Weley, Joseph Smith, Charles Ruzzel, Charles Parham, Lutero, Reverendo Moon, Edir Macedo… provaram a sua divindade? Nada consta. Será que os Srs. Confúcio, Lao Tsé, Massaharu Taniguchi, Meishu Sama, David Brandt, Helena Blavastky, etc, etc, etc, podem ser comparados com Jesus Cristo?… Ele tem autoridade para dizer: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). “Antes que Abrãao existisse, Eu Sou “ (Jo 8,58). “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. (Jo14,6)

Como dói ver milhões e milhões enganados, abdicando a Luz para viver nas trevas do erro. Ele já nos tinha avisado, desde o início, no Sermão da Montanha: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7,15). Jesus chama a atenção dos discípulos para o fato dos falsos profetas se apresentarem “disfarçados” de ovelhas. Essa é a grande arma dos enganadores. São Pedro também falou aos primeiros cristãos do perigo das “seitas perniciosas” e falsos profetas: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme” (2Pe 2,1-3).

Santo Agostinho nos ensina que os pregadores de heresias são dotados de inteligência privilegiada: “Não penses que as heresias são fruto de mentes obtusas. É necessário uma mente brilhante para conceber e gerar uma heresia. Quanto maior o brilho da mente, maiores as suas aberrações”. A história das heresias na vida da Igreja confirma o quanto S. Agostinho tem razão. Os hereges sempre foram “brilhantes” ao defender os seus erros, e por isso lograram grande êxito muitas vezes.

É diante dos falsos profetas e de seus embustes que Deus prova a fé do seu povo. Sempre houve e sempre haverá falsos profetas no meio do povo. O profeta Jeremias alertava Israel: “Entre os profetas samaritanos vi absurdos: profetizaram em nome de Baal e desencaminharam meu povo de Israel. Mas, entre os profetas de Jerusalém vejo coisas hediondas: adultério e hipocrisia. Encorajam os maus, para que nenhum se converta da maldade. A meus olhos são todos iguais a Sodoma e seus congêneres semelhantes a Gomorra. Por isso, eis o oráculo do Senhor dos exércitos, contra os profetas: vou nutri-los com absinto, e dar-lhes de beber águas contaminadas. Porquanto, é pela atitude dos profetas de Jerusalém que a impiedade invadiu a terra. Eis o que diz o Senhor dos exércitos: não escuteis os profetas que vos transmitem vãos oráculos; são visões do próprio espírito que vos divulgam, e não as palavras do Senhor… (Jer 23, 13-28)

Algo interessante que a Bíblia nos revela é que também os falsos profetas são capazes de fazer prodígios, com falsidades ou com o auxílio do mundo das trevas: “Mas a fera foi presa, e com ela o falso profeta, que realizava prodígios sob o seu controle, com os quais seduzira aqueles que tinham recebido o sinal da fera e se tinham prostrado diante de sua imagem” (Ap 19,20).

Quando Jesus fala da última provação que a Igreja terá de enfrentar, antes de sua volta, nos alerta: “Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos. Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.” (Mt 24, 24-25)

Não devemos, portanto, ficar surpresos de que as “maravilhas” aconteçam também onde impera a mentira e a impiedade. São Paulo, ao falar dessas mesmas realidades aos tessalonicenses, os prevenia: “A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro.Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal.” (2Tes 2,9-11). As Cartas de S. Paulo, S. Pedro e S. João nos mostram o cuidado dos Apóstolos em preservar a “sã doutrina” (1 Tm 1,10). Paulo fala do perigo das “doutrinas estranhas” (1 Tm 1,3); dos “falsos doutores” (1 Tm 4, 1-2); e recomenda a S.Timóteo: “guarda o depósito” (1 Tm 6,20).

São Paulo alertou a S. Timóteo, o seu bispo primeiro, de Éfeso, sobre essa ousadia dos “iluminados”: “O Espírito diz expressamente que nos tempos vindouros, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas diabólicas“ (1 Tim 4,1). “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas?” (2 Tim 4,2-4).

É o que vemos hoje: “falsos profetas”, “doutrinas diabólicas”, “multidão de mestres”, milhares de “fábulas”… povo enganado.São João, já no início do cristianismo alertava para o perigo das falsas doutrinas e falsos profetas: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.” (1Jo 4,1-3).

 Os ignorantes e os desatentos são as vítimas dos Falsos Profetas.
  A história da humanidade conheceu vários  enganadores, que se passaram por prodigiosos e, ao longo do tempo, se valeram de falsos poderes e artimanhas, utilizando dons que mais impressionavam os olhos, sem acolherem a alma. Dessa forma, esses falsos líderes sustentavam poderes e influências sobre as comunidades.

  Para reconhecê-los é preciso estar atento, ter sempre a prudência como uma boa conselheira. Além da prudência é preciso estudar, é preciso saber, é preciso buscar. Além da ciência do corpo e da mente, é preciso estudar a ciência do espírito.



NOMES ALGUNS FALSOS PROFETAS


Ellen G. White (A profeta da Igreja Adventista do Sétimo Dia);
Apóstolo César Castellanos (O Profeta do Movimento do G12)
Joseph Smith (O profeta da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias);
Charles T. Russell (O profeta das Testemunhas de Jeová);
John S. Scheppe (O profeta do Movimento Só Jesus);
Witness Lee (Igreja Local)
Kip McKean & Elena Mckean (Os profetas da Igreja de Boston)
Frank Shermann Land (O profeta da Ordem De Molay);
William Marrion Branham (O profeta do Tabernáculo da Fé);
Allan Kardec (O profeta do Espiritismo Moderno);
David Brandt Berg (O profeta dos Meninos de Deus ou Familiar do Amor);
Anton La Vey (O profeta da Igreja de Satanás);
Christian Rosenkreuz (O profeta do Rosa Cruz),
Harvey Spencer Lewis (O profeta da AMORC)
Helena P. Blavatsky & Annie Besant (As profetas da Teosofia);
Mary Baker (A profeta da Ciência Cristã);
Masaharu Tanigushi (O profeta da Seisho-No–Ie);
Toruchira Miki (O profeta da Perfecty Liberty);
Mokiti Okada (O Profeta da Igreja Messiânica),
Shri Hans Maharaj Ji (O profeta da Missão da Luz Divina);
Maharishi Mahesh Yogi (O profeta da Meditação Transcendental);
Bhagwam Shree Rajneesh (O profeta do Movimento Bhagwan);
Werner Erhard (O profeta do Est);
Victor Paul Wierville (O profeta do Caminho Internacional);
Herbert W. Armstrong (O profeta da Igreja de Deus em Worldwide);
Emanuel Swedenborg (O profeta da Igreja da Nova Jerusalém);
Charles Sherlock Fillmore & Myrtle Fillmore (Os profetas da Unidade);
Sun Myung Moon (O profeta da Igreja da Unificação);
A.C. Bhactivedanta Swami Prabhupada ( O profeta dos Hare Krishna);
Bahá-Allah (O profeta do Bahaísmo);
Abulgasim Mohammad – Maomé (O profeta do Islamismo);
Sidarta Gautama (O profeta do Budismo);
Confúcio (O profeta do Confucionismo),
Raimundo Irineu Serra (O profeta do Santo Daime);
Manoel Jacintho Coelho (O Profeta da Cultura Racional);
Luiz de Mattos (O profeta do Racionalismo Cristão);
uri Thais – Inri Cristo (O profeta da Igreja da Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade);
Alziro Zarur (O profeta da Legião da Boa Vontade);
Eurico Mattos Coutinho & Vó Rosa (Os profetas da Igreja Apostólica);
Jasmuheen (A profeta do Viver de Luz);
Lafayette Ron Hubbard (O profeta da Cientologia);
…Valdemiro Santiago(profeta da Igreja Mundial)
SATANÁS (O inspirador dos falsos profetas)

No Deuteronômio (13, 1 a 5) se encontram passagens bem sugestivas de como Deus se íra contra os que forjam religiões falsas:

“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio e suceder tal sinal ou prodígio… não ouvirás as palavras de tal profeta e sonhador, porquanto o Sr. vosso Deus vos prova se amais o Senhor vosso Deus… E aquele profeta sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor vosso Deus.”

Oração final

"Desvia meu olhar para eu não ver as vaidades, faze-me viver no teu caminho.
Eis que desejo teus preceitos; pela tua justiça conserva-me a vida." (Sal 118, 37.40)


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

AS VIRTUDES TEOLOGAIS

As Virtudes Teologais

“O fim de uma pessoa virtuosa é tornar se semelhante a Deus” (São Gregório de Nissa)

“Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo.” (2Pd 1,4)
Pelo Batismo é infundido em nós a graça santificante que nos permite crescer nas virtudes humanas e torna nos capaz de crer em Deus (Fé), esperar Nele (Esperança) e amá-Lo (Caridade) através das chamadas virtudes teologais.

As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão, Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus e assim merecerem a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. São três as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. (CIC 1813)


“Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor.” (1Cor 13,13)


Com certeza já nos deparamos com esta expressão: virtudes teologais, seja em nossa catequese, cursos de formação religiosa ou livros que lemos. Mas…, para darmos o primeiro passo, o que é mesmo virtude? O que queremos expressar quando usamos esta palavra? A palavra virtude não é uma palavra religiosa, não é uma palavra cristã na sua origem. Qualquer pessoa pode ser virtuosa. Ela quer expressar a atitude pela qual o homem é inclinado a fazer o bem. A palavra que mais nos ajuda entender o que seja virtude é a palavra ATITUDE, ou ainda, HÁBITO. É virtuosa a pessoa que demonstra, através daquilo que ela faz, a sua disposição para o bem, a sua busca do bem, de modo constante e não ocasional.
Desse modo, dizemos que uma pessoa é bondosa, paciente, humilde, caridosa, etc. São virtudes que enxergamos na pessoa, naquilo que ela realiza no seu dia a dia, no seu modo de reagir às diversas situações com que se encontra envolvida.
Dado este passo, preparemos o segundo passo. Estamos falando das virtudes teologais, ou seja, não são quaisquer virtudes, mas sim, as virtudes teologais que são: fé, esperança e caridade. Se virtude não é uma palavra religiosa, quando acrescentamos a palavra teologais, aí sim estamos falando de religião, de vida cristã. A palavra teologal, nos faz entrar no campo da relação com Deus, no campo da ação de Deus em nossas vidas.



A FÉ


Fé! É comum ouvirmos expressões como estas: eu tenho muita fé; ter fé é importante; a fé remove montanhas; é preciso ter mais fé… Nestas expressões, que geralmente ouvimos de pessoas simples, enriquecidas pela experiência da vida, podemos compreender o que é fé.
A fé cristã não é simplesmente um conjunto de idéias ou princípios morais, é um encontro com uma pessoa viva: Jesus Cristo. Antes de aprendermos o que a Igreja chama de conteúdo da fé, antes de estudarmos a profissão de fé, precisamos ter bem claro que a fé é essencialmente um encontro.
Quem realmente faz um encontro? Faz um encontro quem acha algo ou alguém; quem se aproxima de algo ou de alguém; quem une-se a alguém; enfim, faz um encontro quem passa por uma experiência concreta, conhecendo e permanecendo com quem se encontrou. São João mostra-nos muito bem esta ocasião de encontro com Jesus: Naquele tempo, João se achava lá de novo, com dois de seus discípulos. Ao ver Jesus que passava, disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus’. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Jesus voltou-se e, vendo que eles o seguiam, disse-lhes: ‘que estais procurando?’ Disseram-lhe: ‘Mestre, onde moras?’ Disse-lhes: ‘Vinde e vede’. Então eles foram e viram onde morava, e permaneceram com ele aquele dia.”. (Jo 1, 35-39).
A partir deste encontro a vida da pessoa terá um novo sentido, um sentido a partir daquilo que Jesus viveu e pede que vivamos. Ter fé é então, neste segundo momento, crer em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, por que ele é a própria verdade. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1814). Mas, sempre considerando como momento primeiro e essencial o encontro com Jesus Cristo, razão de nossa fé.
A fé é um encontro com Jesus Cristo. Deste encontro, nossa vida toma novo rumo, a partir daquilo que Jesus mesmo viveu.
Dando um passo à frente, poderemos perceber que a fé, embora não como virtude teologal, está presente em todas as pessoas. Quando queremos manifestar a alguém confiança ou amizade, dizemos: “Creio em você”, ou ainda “Acredito em você”. Nós acreditamos nas pessoas que convivem conosco, que partilham do nosso dia a dia. Crer, no campo das relações humanas, é confiar.
A palavra Credo, nome dado à profissão de fé que todos os domingos rezamos na Santa Missa, vem da língua latina, “cor do” (dou o coração). Ela nos ajuda a entender muito bem que acreditar em uma pessoa é dar o coração, oferecer ao outro tudo o que somos, certos de que nossa confiança não será traída.
É isto que fazemos quando realizamos um ato de fé: aceitamos Jesus Cristo, confiamos em sua Palavra, em tudo o que ensinou e vivemos aquilo que nos pede. Ter fé é agir como a criança desta estória: “Certa vez pegou fogo num edifício. No terceiro andar desse prédio está uma criança de dez anos. O fogo pegou embaixo e foi subindo, de tal modo que quem estava no alto não podia mais descer. A fumaça foi se espalhando e criando maior confusão e dificuldade ao trabalho de salvamento das vítimas.
Nisto, chega o pai da criança de dez anos, que estava no terceiro andar gritando por socorro. O pai chegou embaixo, parou, olhou e viu a menina na janela entre a fumaça que tomava conta de tudo. Então o pai gritou: Filhinha, pode saltar que eu pego você! Mas a menina não via o pai. Teve, pois, medo, e disse: Papai, não posso saltar, porque não estou vendo o senhor! Ao que o pai respondeu: Mas eu estou vendo você, minha filha. Pode saltar que eu a pego! Então a menina pulou lá de cima, e caiu nos braços do pai. Estava salva!”

A CARIDADE


A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1822).
Amar a Deus com todas as forças é o “primeiro e maior mandamento”. Mas o que isso significa? Que sou obrigado a amar a Deus? Que o amor a Deus é o primeiro mandamento, a primeira ordem que devemos “cumprir”? Não!
Antes de qualquer coisa está Deus que nos amou primeiro. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Vive a caridade quem primeiro sente-se profundamente amado por Deus. É o amor de Deus que nos sustenta em nosso amor para com o próximo.
Para viver a caridade, é preciso abrir-se para a experiência do amor de Deus, não ter medo, deixar-se aquecer o coração pela bela e alegre notícia de que Deus nos ama, que nos deu o seu Filho. Ama a você, individualmente a você, e o ama agora.
As crianças nos ensinam melhor do que ninguém a acreditar no amor. Sim, elas acreditam no amor. E como acreditam! Não com base em um raciocínio, em um conhecimento, nem mesmo com base em um ato de fé. Acreditam no amor, não porque se esforçam para isso, para sua própria natureza fala do amor. Elas nascem cheias de confiança no amor dos pais. As crianças pedem aos pais as coisas de que têm necessidade, não porque fizeram por merecer; pedem porque sabem que são filos e um dia serão herdeiros de tudo. As crianças não têm medo do amor. Quanto mais amor se der a elas, mais elas querem. Precisamos voltar a ser crianças, acreditando pura e simplesmente, sem explicações e raciocínios, no amor de Deus por cada um de nós.

A ESPERANÇA


Todos nós conhecemos bem esta palavra. Com certeza já animamos alguém dizendo: Coragem, tenha esperança!, ou ainda, fomos animados por pessoas que nos amam, com esta palavra. Ter esperança é ser perseverante, constante na busca daquilo que desejamos. Mas não só ser perseverante na busca, mas também, ter a certeza de que aquilo que esperamos irá se realizar.
Agora, uma pergunta: E quando falamos da esperança como virtude teologal, como dom de Deus, o que queremos dizer?
“A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças próprias, mas no socorro da graça do Espírito Santo”. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1817).
O cristão é uma pessoa que vive na esperança. Espera que se realize na totalidade, em sua vida, as promessas feitas por Cristo. E ele nos prometeu a felicidade junto dele, a Vida Eterna. É na esperança que caminhamos, que seguimos adiante em nossa vida de fé.
Esta oração de Santa Teresinha do Menino Jesus expressa bem a virtude da esperança:

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que quanto mais caminhares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado em gozo e deleite que não podem ter fim”.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Protestantismo não quer ser protestante


Lembro-me bem quando era adoleceste e congregava na Igreja Luterana, mensalmente recebíamos um livrinho bem pequeno intitulado "Castelo Forte". Num destes exemplares, li sobre a "apostasia" da Igreja Católica, e que os Cristãos que desejavam permanecer fiéis a Cristo tiveram que sair da Igreja Apostólica.
Não só este periódico Luterano, mas ainda outros que li na mesma época, se referiam à Igreja Católica como a Igreja Apostólica. O protestantismo histórico sempre reconheceu a Raiz Apótolica da Igreja Católica.
Com o Protestantismo Pentecostal oriundo do início do séc XX, o discurso mudou (sejamos francos, muita coisa mudou no protestantismo depois deste movimento....). Agora a Igreja Católica não era mais a Igreja Apostólica, mas sim oriunda do séc IV, através de Constantino. Mas este argumento absurdo não é o foco deste meu artigo.
Agora o Protestantismo tem dito que não é protestante. Isto é, que não tem origem nas sucessivas dissidências após a ruptura com a Igreja Católica; mas que, sempre existiu, até mesmo na era apostólica.
Os principais defensores desta tese são os Batistas.
O argumento defensivo protestante mudou, mas a forma de implementá-lo não. Como diz o ditado "papel aceita tudo". É muito fácil afirmar isso ou aquilo, difícil mesmo é provar.
Novamente nossos irmãos separados apresentam uma enchurrada de argumentos subjetivos, que não podem provar. Seria muito bom se pudessem apresentar algum escrito patrístico (obra cristã antiga que os primeiros cristãos nos deixaram como testemunho de sua fé) em que encontrássemos a fé Batista, ou Luterana, ou de qualquer outra denominação, demostrando objetivamente o que dizem.
Fazem isso? NÃO. E sabem por que? Porque não podem, já que até o séc XVI, nenhum cristão professava a fé Protestante. A apresentação de provas é um procedimento legítimo
daquele que está com a Verdade, para demonstrar que está de posse dela. Nenhum mentiroso pode apresentar provas da Mentira, já que não exite registro de algo que não aconteceu.
Ao contrário dos protestantes, nós Católicos podemos apresentar provas do que dizemos.
Como estamos com a Verdade Única e Imutável, temos plenas condições de apresentar provas, isto é, de apresentar testemunhos dos primeiros cristãos que corroboram com a fé Católica, mostrando a legitimidade da Igreja Católica e a antiguidade de Sua Existência e Sua Doutrina, vejam alguns exemplos:
Sobre o nome da Igreja
"Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica"(Santo Inácio aos Esmirniotas - 107 DC)
Sobre o Primado de Pedro
"Depois da ressurreição, diz o Senhor: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Assim o Senhor edifica sobre Pedro a Igreja e lhe confia as suas ovelhas para apascentá-las. Se bem que dê igual poder a todos os Apóstolos, constitui uma só cátedra e dispõe, por sua autoridade, a origem e o motivo da unidade. Por certo os demais Apóstolos eram como Pedro, mas o primado é dado a Pedro e a unidade da Igreja e da cátedra é assim demonstrada. Todos são pastores mas, como se vê, um só é o rebanho apascentado pelo consenso unânime de todos os Apóstolos. Julga conservar a fé aquele que não conserva esta unidade recomendada por Paulo? Confia estar na Igreja aquele que abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

São Pedro foi Bispo de Roma
"[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,8 - 317 d.C).
"[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo" (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,1 - 317 d.C).
São Pedro sofreu o martírio em Roma
"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na HE II,25,8).
"Eu, porém, posso mostrar o troféu dos Apóstolos [Pedro e Paulo]. Se, pois, quereis ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, encontrarás os troféus dos fundadores desta Igreja" (Discurso contra Probo - Caio presbítero de Roma, + ou - 199 d.C). Eusébio também trata deste escrito em HE II,25,7.
"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes, +253, conforme fragmento conservado na HE, III,1).
"Quando Nero viu consolidado seu poder, começou a empreender ações ímpias e muniu-se contra o culto do Deus do universo. [...] Foi também ele, o primeiro de todos os figadais inimigos de Deus, que teve a presunção de matar os apóstolos. Com efeito, conta-se que sob seu reinado Paulo foi decapitado em Roma. E ali igualmente Pedro foi crucificado [cf. Jo 21,18-19; 2Pd 1,14]. Confirmam tal asserção os nomes de Pedro e de Paulo, até hoje atribuídos aos cemitérios da cidade." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,II,25,1-5 - 317 d.C).
"Pedro, contudo, parece ter pregado aos judeus da Diáspora, no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia [cf. 1Pd 1,1), e finalmente foi para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo, conforme ele mesmo desejara sofrer." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE III,2 - 317 d.C)
Sobre o Primado da Igreja de Roma sobre as Demais
"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).
" Após termos discutido sobre os Escritos dos profetas e as Escrituras evangélicas e apostólicas acima, sobre os quais a Igreja Católica está fundada pela graça de Deus, também achamos necessário dizer, embora a Igreja Católica universalmente esteja difundida sobre todo o mundo, sendo a única noiva de Cristo, que à Santa Igreja romana é dado o primeiro lugar sobre as demais igrejas, não por decisão sinoidal, mas sim pela voz do Senhor, nosso Salvador, pois no Evangelho obteve a primazia: "Tu és Pedro" - Ele disse - "e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela; e te darei as chaves do Reino dos Céus e tudo o que ligardes sobre a Terra será também ligado no Céu, e tudo o que desligardes sobre a Terra será também desligado no Céu"."(Decreto Gelasiano, 384 d.C)
". Portanto, primeira é a cátedra da Igreja romana, do apóstolo Pedro, por não haver qualquer mancha, ruga ou qualquer outro [defeito]. Porém, o segundo lugar foi concedido, em nome do bem-aventurado Pedro, a Marcos, seu discípulo e autor do Evangelho, para Alexandria. Ele mesmo escreveu a Palavra da Verdade, no Egito, conforme [ouvira do] apóstolo Pedro; lá foi gloriosamente consumada [sua vida] no martírio. O terceiro lugar é guardado por Antioquia, do bem-aventurado e venerável apóstolo Pedro, que ali viveu antes de vir à Roma e onde pela primeira vez foi ouvido o nome da nova raça: ?cristãos?." (Decreto Gelasiano, 384 d.C)
A Igreja de Cristo é Una e Visível
"A Igreja é uma só, embora abranja uma multidão pelo contínuo aumento de sua fecundidade. Assim como há uma só luz nos muitos raios do sol, uma só árvore em muitos ramos, um só tronco fundamentado em raízes tenazes, muitos rios em uma única fonte, assim também esta multidão guarda a unidade da origem, se bem que pareça dividida por causa da inumerável profusão dos que nascem. A unidade da luz não comporta que se separe um raio do centro solar; um ramo quebrado da árvore não cresce; cortado da fonte, o rio seca imediatamente. Do mesmo modo, a Igreja do Senhor, como luz derramada, estende seus raios em todo o mundo e é uma única luz que se difunde sem perder a própria unidade. Ela desdobra os ramos por toda a terra com grande fecundidade; estende-se ao longo dos rios com toda a liberalidade e, no entanto, é uma na cabeça, uma pela origem, uma só mão imensamente fecunda. Nascemos todos do seu ventre, somos nutridos com seu leite e animados por seu Espírito" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"Quem é tão ímpio e perverso, tão enlouquecido pelo delírio da discórdia que julgue poder ou que ouse dividir a unidade de Deus, a veste do Senhor, a Igreja de Cristo? O próprio Senhor adverte e ensina no Evangelho: 'Haverá um só pastor e um só rebanho'. Pensa alguém que em um só lugar poderá haver muitos rebanhos e muitos pastores? Também o Apóstolo Paulo, insinuando esta mesma unidade, suplica, exorta e recomenda: 'Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais a mesma coisa e não haja cisões entre vós. Sede propensos no mesmo espírito e à mesma sentença'. Ainda outra vez: 'Suportai-vos mutuamente no amor da paz, fazendo tudo para conservar a unidade do espírito no vínculo da paz'. Acreditas que podes subsistir afastado da Igreja, procurando para ti outras moradas? Disseram a Raab, que prefigurava a Igreja: 'Reune contigo, em casa, teu pai, tua mãe, teus irmãos, toda a tua família. E quem ultrapassar a porta de tua casa, responderá por si'. Do mesmo modo como o mistério da Páscoa significa, na lei do Êxodo, a mesma unidade, o cordeiro que é morto, figurando a Cristo, deve ser comido numa só casa. Deus disse: 'Será comido em uma só casa. Não lanceis a carne fora de casa'. A carne de Cristo, do Santo do Senhor, não pode ser lançada fora. E não há para os fiéis outra casa senão a Igreja." (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)
Sobre a Sucessão Apostólica
"Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. As duas coisas, em ordem, provêm, da vontade de Deus. Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar. Pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam sua primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: "Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé." (São Clemente, + 90, Primeira Carta aos Corínitos,42)
"Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por este motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião de morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a Igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de sua funções. Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. E nós vemos que, apesar da ótima conduta deles, removestes alguns da funções que exerciam de modo irrepreensível e honrado." (São Clemente, + 90, Primeira Carta aos Corínitos,44)
"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. "(Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).
"Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,2,1s).
"Foi primeiramente na Judéia que eles (os Apóstolos escolhidos e enviados por Jesus Cristo) implantaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram comunidades. Depois partiram pelo mundo afora e anunciaram às nações a mesma doutrina e a mesma fé. Em cada cidade fundaram Igrejas, às quais, desde aquele momento, as outras Igrejas emprestam a estaca da fé e a semente da doutrina; aliás, diariamente emprestam-nas, para que se tornem elas mesmas Igrejas. A este título mesmo são consideradas comunidades apostólicas, na medida em que são filhas das Igrejas apostólicas. Cada coisa é necessariamente definida pela sua origem. Eis por que tais comunidades, por mais numerosas e densas que sejam, não são senão a primitiva Igreja apostólica, da qual todas procedem... Assim faz-se uma única tradição de um mesmo Mistério" (Tertuliano, + 202, De Praescriptione Haereticorum 2, 4-7.9).
"Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21]." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,III,2 - 317 d.C).
"[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo" (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,1 - 317 d.C).
"A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Aniceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus espiscopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós." (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

Sobre a Eucaristia
"Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d'Ele, que é Amor incorruptível". (Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.)
"Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai.Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado. Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, par terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo. Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes" . (Santo Inácio de Antioquia,Carta aos Filadelfienses,3 e 4, + 110 d.C.)
"Esta comida nós chamamos Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar, exceto o que creia que as coisas nós ensinamos são verdadeiras, e tenha recebido o batismo para perdão de pecados e renascimento, e que vive como Cristo nos ordenou. Nós não recebemos essas espécies como pão comum ou bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, que se encarnou pela Palavra de Deus, se fez carne e sangue para nossa salvação, assim também nós temos ensinado que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, por transformação, a carne e sangue daquele Jesus Encarnado." - (São Justino, I Apologia, Cap. 66, cerca de 148-155 d.C.)
"Deus tem portanto anunciado que todos os sacrifícios oferecidos em Seu Nome, por Jesus Cristo, que está, na Eucaristia do Pão e do Cálice, que são oferecidos por nós cristãos em toda parte do mundo, são agradáveis a Ele." - (São Justino,Diálogo com Trifão, Cap. 117, 130-160 d.C.)
"Outrossim, como eu disse antes, concernente os sacrifícios que vocês, naquele tempo, ofereciam, Deus fala através de Malaquias, um dos doze, como segue: 'Eu não tenho nenhum prazer em você, diz o Senhor; e Eu não aceitarei os sacrifícios de suas mãos; do nascer do sol até seu ocaso, meu Nome tem sido glorificado dentre os gentios; e em todo o lugar incenso é oferecido em meu Nome, e uma oferta pura: Grande tem sido meu nome dentre os gentios, diz o Senhor; mas você O profana.' Assim são os sacrifícios oferecidos a Ele, em todo lugar, por nós os gentios, que são o Pão da Eucaristia e igualmente a taça da Eucaristia, que Ele falou naquele tempo; e Ele diz que nós glorificamos Seu nome, enquanto vocês O profanam." (São Justino,Diálogo com Trifão, [41, 8-10], 130-160 d.C.)
"[Cristo] declarou o cálice, uma parte de criação, por ser seu próprio Sangue, pelo qual faz nosso sangue fluir; e o pão, uma parte de criação, ele estabeleceu como seu próprio Corpo, pelo qual Ele completa nossos corpos." (Santo Irineu de Lião, Contra Heresias, 180 d.C.)
"Assim então, se a taça misturada e o pão fabricado recebem a Palavra de Deus e tornam-se Eucaristia, que é dizer, o Sangue e Corpo de Cristo, que fortifica e reconstrói a substância de nossa carne, como podem essas pessoas dizer que a carne é incapaz de receber o presente de Deus que é a vida eterna, quando isto é feito pelo Sangue e Corpo de Cristo, que são Seu membro? Como o apóstolo abençoado diz em sua carta aos Efésios, 'Nós somos membros de Seu Corpo, de sua carne e de seus ossos' (Ef 5,30). Ele não está falando de forma 'espiritual' e de ' homem invisível', 'um espírito não tem carne e ossos' (Lc 24,39). Não, ele está falando do organismo possuído por um ser humano real, composto de carne e nervos e esqueleto. Isto é este que é nutrido pela taça que é Seu Sangue, e é fortificado pelo pão que é Seu Corpo. O talo da vinha toma raiz na terra e futuramente dá frutos, e 'o grão de trigo cai na terra' (Jo 12,24), dissolve, ascende outra vez, multiplicado pelo Espírito de Deus, e finalmente depois é processando, é colocado para uso humano. Esses dois então recebe a Palavra de Deus e torna-se Eucaristia, que é o Corpo e Sangue de Cristo." (Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade)
"Somente como o pão que vem da terra, tendo recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, consistindo de duas realidades, divina e terrestre, assim nossos corpos, tendo recebidos a Eucaristia, não são mais corruptíveis, porque eles têm a esperança da ressurreição." - "Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade - especificamente a Gnose". Livro 4,18; 4-5, cerca de 180 d.C.
"O Sangue do Senhor, realmente, é duplo. Há Seu Sangue corpóreo, por que nós somos redimidos da corrupção; e Seu Sangue espiritual, com que nós somos ungido. Que significa: beber o Sangue de Jesus é compartilhar sua imortalidade. O vigor da Palavra é o Espírito somente como o sangue é o vigor do corpo. Do mesmo modo, como vinho é misturado com água, assim é o Espírito com o homem. O Único, o Vinho e Água nutrido na fé, enquanto o outro, o Espírito, conduzindo-nos para a imortalidade. A união de ambos, entretanto, - da bebida e da Palavra, - é chamada Eucaristia, digna de louvor e presente excelente. Aqueles que partilham disto na fé são santificados no corpo e na alma. Pela vontade do Pai, a mistura divina, homem, está misticamente unida ao Espírito e à Palavra."(São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças". [2,2,19,4] + - 202.)
"A Palavra é tudo para uma criança: ambos Pai e Mãe, ambos Instrutor e Enfermeira. 'Comam minha Carne,' Ele diz, 'e Bebam meu Sangue.' O Senhor nos nutre com esses nutrientes íntimos. Ele nos entrega Sua Carne, e nos dá Seu Sangue; e nada é escasso para o crescimento de Suas crianças. Oh mistério incrível!". (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças [1,6,41,3] + - 202.)
Sobre o Batismo de Crianças
"Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade...(e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade" (Santo Irineu, 202 dC - Contra Heresias II,22,4).
"Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante, seja em determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas" (Hipólito, 215 dC, Tradição Apostólica 21,16).
"A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dosdivinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito" (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5,9)
"Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças(São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).
A Tradição dos Apóstolos foi fielmente conservada
"Em primeiro lugar [Inácio de Antioquia], acautelava-se a conservar firmemente a tradição dos apóstolos que, por segurança, julgou necessário fixar ainda por escrito. Estava já prestes a ser martirizado." (História Eclesiástica Livro III, 36,4. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"Em teu favor, não hesitarei em aditar às minhas explanações que aprendi outrora dos presbíteros e cuja lembrança guardei fielmente, a fim de corroborar a manifestação da verdade." (Pápias Bispo de Hierápolis, - ou - 120 d.C).
"Pápias, de quem nos ocupamos agora, reconhece ter recebido as palavras dos apóstolos por meio dos que com eles conviveram; declara, além disso, ter sido ele mesmo ouvinte de Aristion e do presbítero João. De fato, cita-os com freqüência nominalmente em seus escritos, referindo as palavras que transmitiram.Não foi ocioso ter dito tais coisas. É justo acrescentar às palavras supramencionadas de Pápias umas narrações ainda de fatos extraordinários e outras que chegaram até ele por meio da tradição." (História Eclesiástica Livro III, 39,7-8. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"Floresciam nesta época na Igreja [tempo do Imperador Vero, por volta de 140 d.C], Hegesipo, já conhecido pelas narrações precedentes; Dionísio, bispo de Corinto; Pintos, bispo de Creta. Além disso, Filipe, Apolinário, Melitão, Musano e Modesto, e sobretudo Ireneu. Através de todos eles, chegou até nós por escrito a ortodoxia da tradição apostólica, a verdadeira fé." (História Eclesiástica Livro IV, 21. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"Ora, sob [o episcopado de] Clemente, grave divergência surgiu entre os irmãos de Corinto. A Igreja de Roma enviou aos coríntios importante carta, exortando-os à paz e procurando reavivar-lhes a fé, assim como a tradição que, há pouco tempo, ela havia recebido dos apóstolos." (História Eclesiástica Livro IV, 6,3. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"Esses mestres [Policarpo, Ireneu, Pápias, Justino, Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, entre outros pois a lista é grande], que guardaram a verdadeira tradição da feliz doutrina recebida, como que transmitida de pai a filho, oriunda imediatamente dos santos Apóstolos Pedro e Tiago, João e Paulo (poucos são, contudo os filhos semelhantes aos pais), chegaram até nossos dias, por dom de Deus, a fim de lançar as sementes de seus antepassados e dos apóstolos em nossos corações" (História Eclesiástica Livro V, 11,5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"Impossível enumerar nominalmente todos os que então, desde a primeira sucessão dos Apóstolos, tornaram-se pastores ou evangelistas nas Igrejas pelo mundo. Nominalmente confiamos a um escrito apenas a lembrança daqueles cujas obras ainda agora representam a tradição da doutrina apostólica" (História Eclesiástica Livro III, 37,4. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
Veneração dos Santos
"Ignoravam eles que não poderíamos jamais abandonar Cristo, que sofreu pela salvação de todos aqueles que são salvos no mundo, como inocente em favor dos pecadores, nem prestamos culto a outroNós o adoramos porque é o Filho de Deus. Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com seu rei e mestre. Pudéssemos nós também ser seus companheiros e condiscípulos!" (Martírio de Policarpo 17:2, +- 160 D.C).
"Vendo a rixa suscitada pelos judeus, o centurião colocou o corpo no meio e o fez queimar, como era costume. Desse modo, pudemos mais tarde recolher seus ossos [de Policarpo], mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-lo em lugar conveniente. Quando possível, é aí que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro." (Martírio de Policarpo 18, +- 160 D.C)
Cânon Bíblico
"Cânon 36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12(Concílio de Hipona, 08.Out.393).

"Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).

"Tratemos agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué, um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis13, dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó, um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João. [Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus, uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo, uma; do outro João presbítero, duas14; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no Concílio de Roma de 382)

"Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João" (Papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta "Consulenti Tibi" a Exupério, bispo de Tolosa).

"Devemos agora tratar das Escrituras Divinas. Vejamos o que a Igreja Católica universalmente aceita e o que deve ser evitado: (1) Começa a ordem do Antigo Testamento: um livro da Gênese, um do Êxodo, um do Levítico, um dos Números, um do Deuteronômio, um de Josué (filho de Nun), um dos Juízes, um de Rute, quatro livros dos Reis, dois dos Paralipômenos, um livro de 150 Salmos, três livros de Salomão (um dos Provérbios, um do Eclesiastes, e um do Cântico dos Cânticos). Ainda um livro da Sabedoria e um do Eclesiástico. (2) A ordem dos Profetas: um livro de Isaías, um de Jeremias com Cinoth (isto é, as suas Lamentações), um livro de Ezequiel, um de Daniel, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Joel, um de Abdias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias e um de Malaquias. (3) A ordem dos livros históricos: um de Jó, um de Tobias, dois de Esdras, um de Ester, um de Judite e dois dos Macabeus. (4)A ordem das escrituras do Novo Testamento, que a Santa e Católica Igreja Romana aceita e venera são: quatro livros dos Evangelhos (um segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas e um segundo João). Ainda um livro dos Atos dos Apóstolos. As 14 epístolas de Paulo Apóstolo: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Efésios, duas aos Tessalonicenses, uma aos Gálatas, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Filemon e uma aos Hebreus. Ainda um livro do Apocalipse de João. Ainda sete epístolas canônicas: duas do Apóstolo Pedro, uma do Apóstolo Tiago, uma de João Apóstolo, duas epístolas do outro João (presbítero) e uma de Judas Apóstolo (o zelota)" (Papa S. Gelásio, 384; Decreto Gelasiano; repetido em 520 pelo papa S. Hormisdas. Seguido também pelo Concílio Ecumênico de Florença15 [1438-1445], e novamente ratificado pelos Concílio de Trento16 [1546-1563] e Vaticano I [1870])).
Para colocar todos os pingos nos "ís" seria necessário escrever uma obra bem mais extensa que este artigo. No entanto, espero que os testemunhos antigos aqui relatados sirvam para uma melhor reflexão daqueles que buscam a Verdade.
Para finalizar vejam na opinião dos primeiros Cristãos onde está a Verdade
Onde está a Verdadeira Doutrina Cristã
"Mas a Igreja de Éfeso, fundada por Paulo e onde João permaneceu até o tempo de Trajano, é também testemunha genuína da tradição dos apóstolos" (Contra as Heresias, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C).
"Nesta ocasião [tempo do Imperador Vero. Meados do segundo século e início do terceiro], muitos homens da Igreja lutaram em prol da verdade com eloqüência e defenderam as proposições apostólicas e eclesiásticas. Alguns até, com seus escritos, deixaram aos pósteros uma profilaxia contra as heresias que acabamos de citar" (História Eclesiástica Livro IV, 7,5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Aniceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus espiscopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós." (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).
"E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõe à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade." (Contra as Heresias, III,2,1, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C)
"Portanto, a tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta e toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente [os hereges] vai delirando. [...] Mas visto que seria coisa bastante longa elencar numa obrar como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, que por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos." (Contra as Heresias, III,3,1-2, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C)

O Protestantismo só deixará de ser protestante quando não protestar mais contra a Igreja Santa Una Católica e Apostólica.

O “crente” que foi pro céu (cordel)


“Tem um “crente” aqui no céu!!!”
E a confusão se deu,
todos perguntavam: “Onde???”
O alerta se ascendeu,
a milícia foi chamada
pra ver onde se escondeu.

Logo o Anjo Gabriel,
deu a ordem de prisão,
e a busca e captura
foi em toda direção,
a primeira testemunha
deu-lhes esta descrição:

“Ele era baixo e gordo,
tinha um paletó lascado”.
Logo o anjo desenhista
fez um retrato falado,
e no céu distribuiu
com a cara do safado.

E os anjos comentavam,
fazendo especulação:
“será o  Edir Macedo?
Ou a bispa Sônia, então?
Ou R.R. Soares,
com a sua enganação?”
Era grande o comentário
no meio da multidão.

Disse o apóstolo Paulo:
“aqui não pode entrar
os que são de divisão,
é bom deles se afastar,
esses não servem a Cristo,
existem pra dispersar”. …………………..(Rm 16,17-18)

Pedro disse: ”esses indoutos
de Escrituras na mão
pegam os pontos difíceis
fazem deles confusão
distorcendo as Escrituras
pra a própria perdição.” ———(2 Pd 3,16)

Procuraram pelos bosques,
na casa de são Tomé,
perguntaram pra São Dimas,
se informaram com Noé
que disse: “vi o safado
por aqui vendendo a fé.”

Perguntaram pra Maria,
que disse: “eu não vi não,
dizem que este me odeia,
mas lhe dou o meu perdão,
pobre filho da serpente, ……………….(Gênesis 3,15)
que Deus tenha compaixão”.

Tiago disse: “eu vi,
expulsei da minha porta.
Ele prega o “Sola fé”,
mas a fé sem obra é morta.. ………….(Tg 2,19-20)
Bati-lhe a porta na cara
que quase vira uma torta.”

Tito disse: “ é um farsante
e de lábia que faz medo,
fui logo desconfiando,
pelas asas de morcego.
Tapei-lhe a boca depressa, …………….. (Tito 1,10-11)
mostrei-lhe o caminho com o dedo.”

Consultaram a Mateus,
que tinha dito ao canalha:
“se com Jesus não ajuntas,
certamente só espalhas.
A fé de Jesus é única,
hoje a dos “crentes” são várias.” ………………….(Mt 12,30)

Lucas disse: o “ta escrito”,
nunca vai me convencer, …………….(Lc 4, 9-11)
porquê foi com o “ta dito”,
que eu vi Jesus vencer.
O Satã do “ta escrito”
Cristo botou pra correr. ………………(Lc 4, 12-13)

Disse João: “não és dos nossos
por ter nos abandonado,
pois se tu fosses dos nossos
conosco tinhas ficado. ………………… (1 Jo 2, 18-19)
Não sinto nenhum remorso
seu “crente” cabra safado.”

O Judas Tadeu falou:
”vi o ‘árvore desraigada’, ……………..(Judas 1,12)
que ousou passar aqui,
mas levou foi vassourada
e danou-se na carreira
com sua bíblia capada.”

Adiante Madalena,
que estava a caminhar,
viu se aproximar o “crente”
e pensou: “vou lhe agarrar,
entregá-lo pra milícia
pro cordel não se alongar.”

Ela deu-lhe uma gravata
que o “crente” estrebuchou,
roxo de olhos trocados,
dizem até que se mijou,
quando pra felicidade
a milícia ali chegou.

Disse o anjo Gabriel:
“de Deus tu perdeste o medo?
Como tu entraste aqui?
Vai, me fala esse segredo?”
E o “crente” confessou:
“foi num cochilo de Pedro.”

E o anjo assim falou:
“tu quebraste a paz no céu,
e pela segunda vez
vais para o banco de réu.
Jesus ta te esperando
pra chutar teu carretel.”

E o “crente” foi levado
pra sala do julgamento,
onde Jesus esperava
para o sentenciamento.
Jesus disse: “qual a causa
do teu aborrecimento?”

Disse o “crente”: “em teu nome
fiz milagres e preguei,
esculhambei os católicos,
Maria execrei,
odiei todos os santos,
de novo me batizei.”

Jesus disse assim: “ nem todos
que gritam Senhor, Senhor,
entram no Reino dos céus, …………………(Mt 7, 21-23)
muito menos pecador
que não honra nem a mãe
do que diz que é Salvador.”

“ Só existe uma fé,
um batismo e um Senhor, …………….(Ef 4,5-6)
te batizaste de novo
na seita de um pecador???”
O chão do céu se abriu
e o “crente” despencou.

E caindo no inferno,
o “crente” gritou: “DE NOVO???”
Vendo que estava perdido,
resolveu juntar seu povo,
pra contar a causa deles
ta ali em meio fogo.

Ele disse: “meus irmãos,
fumo tudo enganado;
homem, tire o paletó;
mulher raspe o sovaco;
Pastor não sabe de nada
ensinaram tudo errado.”

“Lá no céu só tem católico,
de “crente” só tinha eu,
tudo é muito diferente
do que a gente aprendeu,
em pastor não mais confio,
vou já esfolar o meu.”

Os pastores vendo isso
na frente desembestaram,
os “crentes” correndo atrás
pelo inferno se danaram,
Satanás gritava: “PEGA!!!”
nos lugares que passaram.
Fim.
Autor: Fernando Nascimento.