sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Santa Missa nos mínimos detalhes

A Missa é a maior, a mais completa e a mais poderosa oração da qual dispõe o cristão.

Santa Missa -  Bendição
Santa Missa – Genuflexão da Bendição

Nos dias de hoje, muitos irmãos e irmãs católicos ainda não sabem o verdadeiro significado e o valor de uma Santa Missa.   Alguns vão apenas por um sentido de obrigação ou convenção social, talvez imposta pelos pais na infância.   Grande parte deles acabam por abandonar a Igreja por acharem uma coisa repetitiva, desconhecendo o verdadeiro conteúdo de uma Celebração da Eucaristia.

Evangelizar também é ensinar o verdadeiro sentido dos sacramentos da Igreja e portanto, todo católico deve aprender a transmitir o sentido da Santa Missa aos seus parentes, familiares, amigos e vizinhos.  O bom cristão educa seus filhos na fé, fale de Deus à  todos e não tem medo ou vergonha de professar sua crença.

Muitos católicos não entendem que Deus realmente está presente na missa e fala diretamente conosco. É preciso tornar-se criança no sentido de inocência e humildade para participar bem e aproveitar todas as bençãos que provém dos céus durante a missa.   Ao entrarmos na igreja devemos deixar de lado os problemas e preocupações e nos  entregarmos totalmente nas mãos do Nosso Senhor.

Porque ir à Igreja?

O individualismo não tem lugar no Evangelho, pois a Palavra de Deus nos ensina a viver fraternalmente. O próprio céu é visto como uma multidão em festa e não como indivíduos isolados. A Igreja é o povo de Deus. Com ela, Jesus fez a Nova e Eterna Aliança no seu Sangue. A palavra Igreja significa Assembléia. É um povo reunido na fé, no amor e na esperança pelo chamado de Jesus Cristo.

A Missa foi sempre o centro da comunidade e o sinal da unidade, pois é celebrada por aqueles que receberam o mesmo batismo, vivem a mesma fé e se alimentam do mesmo Pão, a Eucaristia – que é a Verdadeira presença de Cristo: Corpo, Alma, Sangue e Divindade. Por outro lado, todos os fiéis formam um só “corpo”. São Paulo disse aos cristãos: “Agora não há mais judeu nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher. Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

Gestos e atitudes

O homem é corpo e alma. Há nele uma unidade vital. Por isso ele age com a alma e com o corpo ao mesmo tempo. O seu olhar, as suas mãos, a sua palavra, o seu silêncio, o seu gesto , tudo é expressão de sua vida. Na Missa fazemos parte de uma Assembléia dos filhos de Deus, que tem como herança o Reino dos Céus. Por isso na Celebração Eucarística, não podemos ficar isolados, mudos, cada um no seu cantinho. A nossa fé, o nosso amor e os nossos sentimentos são manifestados através dos gestos, das palavras, do canto, da posição do corpo e também do silêncio.

Tanto o canto como o gesto, ambos dão força à palavra. A Oração não diz respeito apenas à alma do homem, mas ao homem todo, que é também corpo. O corpo é a expressão viva da alma.

Significado dos gestos e posições

SENTADO: É uma posição cômoda, conveniente para ouvir e meditar, sem pressa, naquilo que se diz durante a Liturgia da Palavra.
DE PÉ: É uma posição de respeito de quem ouve com atenção e solenidade. Indica a prontidão e disposição para obedecer. (Posição de orante, como se faz na hora da Leitura do Evangelho)
DE JOELHOS: Posição de adoração a Deus diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e vinho. Como se faz na hora da consagração e da prece Eucarística, indicando que algo importante acontece no altar: O Cristo vivo faz-se VERDADEIRAMENTE presente no Pão e Vinho, por isso, de joelhos, adoramos nosso Deus.

GENUFLEXÃO (ajoelhar-se): É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existir o Sacrário, que onde o Jesus Eucarístico se encontra, e não porque há na Igreja imagens de barro e madeira, que são apenas objetos, não tem poder a não ser o de representar a aparências dos santos de Deus, hoje vivos no céu.
INCLINAÇÃO: Inclinar-se diante do Santíssimo Sacramento é sinal de adoração.
MÃOS LEVANTADAS: É atitude dos orantes. Significa súplica e entrega a Deus.
MÃOS JUNTAS: Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida.
SILÊNCIO: O silêncio ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. Fazer silêncio também é necessário para interiorizar e meditar, sem ele a Missa seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.

Canto Litúrgico

A liturgia inclui dois elementos: o divino e o humano. Ela nos leva ao encontro pessoal com Deus, tendo como Mediador o próprio Cristo, que nascido de Maria, reúne em Si a Divindade e a Humanidade. Portanto, a Missa é mais do que um conjunto de orações: ela é a grande Oração do próprio Jesus, que assume todas as nossas orações individuais e coletivas para nos oferecer ao Pai, juntamente com Ele.  O canto na Missa está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Não é apenas para embelezar a Missa, para nos ajudar a rezar. E cada canto deve estar em sintonia como momento litúrgico que se celebra. O canto penitencial deve nos ajudar a pedir perdão de coração arrependido; um canto de Ofertório deve nos ajudar a fazer a nossa entrega a Deus; um canto de Comunhão deve nos colocar em maior intimidade com Deus e expressar nossa adoração e ação de graças.


O Sacerdote

O Concílio Vaticano II diz que o padre age “in persona Christ”, isto é, em lugar da pessoa de Jesus. O padre é presbítero e profeta. Como sacerdote, administra os sacramentos, preside o culto divino e cuida da santificação da comunidade, como profeta, anuncia o Reino de Deus e denuncia as injustiças e tudo o que é contra o Reino; como presbítero, o padre administra e governa a Igreja.


As Partes da Celebração:

 1.    Entrada e saudação
2.    Ato Penitencial e hino de louvor
3.    Liturgia da palavra
4.    Profissão de Fé
5.    Oração dos fiéis
6.    Liturgia Eucarística
7.    Rito da comunhão
8.    Ritos finais
9.    Considerações Gerais sobre a Santa Missa
10.    Preparação do altar para celebração da Santa Missa
11.    As Vestes Litúrgicas





    O SIGNIFICADO E O VALOR DE CADA PARTE:

    1. Entrada e Saudação

    Na entrada a Comunidade recebe o celebrante, ao mesmo tempo que responde: “Eis me aqui Senhor!”, vim para atender o vosso chamado, vim para louvar, agradecer, bendizer, adorar e estou inteiramente a seu dispor.

    Na saudação inicial o Sacerdote ou Minístro da Eucarístia, invoca a Santíssima Trindade, onde Jesus já se faz presente na celebração, pois ele mesmo disse: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, ali estarei Eu no meio deles”.

    Livres das preocupações mundanas, nesse momento e nesse lugar sagrado que é a igreja, o ser humano se torna iluminado na medida em que se coloca totalmente nas mãos de Deus e se entrega a um momento sagrado de união com os irmãos e com a Santíssima Trindade.


    O SINAL DA CRUZ

    Vai começar a Celebração. É o nosso encontro com Deus, marcado pelo próprio Cristo. Jesus é o orante máximo que assume a Liturgia oficial da Igreja e consigo a oferece ao Pai. Ele é a cabeça e nós os membros desse corpo. Por isso nos incorporamos a Ele pra que nossa vida tenha sentido e nossa oração seja eficaz.

    Durante o canto de entrada, o padre acompanhado dos ministros, dirige-se ao altar. O celebrante faz uma inclinação e depois beija o altar. O beijo tem um endereço:não é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para o Cristo, que é o centro de nossa piedade.

    O padre dirige-se aos fiéis fazendo o sinal da cruz. Essa expressão “EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO”, tem um sentido bíblico. Nome em sentido bíblico quer dizer a própria pessoa. Isto é, iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a nossa ação nas mãos da Santíssima Trindade.


    2. Ato Penitencial

    Nesse momento, toda a Comunidade, cada membro individualmente e todos nós temos nossas fraquezas, limitações e misérias, e, somos um povo Santo e Pecador.

    O Ato Penitencial é um convite para cada um olhar dentro de si mesmo diante do olhar de Deus, reconhecer e confessar os seus pecados, o arrependimento deve ser sincero. É um pedido de perdão que parte do coração com um sentido de mudança de vida e reconciliação com Deus e os irmãos.

    Quando em nosso dia-dia temos alguma obrigação a cumprir, seja ela profissional, social e lazer, nos preocupamos com nossa higiene pessoal e também com nossa aparência.     Quando estamos para participar em corpo e alma de uma Santa Missa temos que nos preocupar com a limpeza de nosso coração alma e mente, pois mais importante que a aparência física, é ter uma alma limpa e livre de qualquer mal e pecado que possa impedir de nos aproximarmos de Jesus.

    Assim fazemos um Ato Penitencial, onde a comunidade e cada um dos fiéis, reconhecendo a condição de pecador, com verdadeiro e profundo arrependimento e, com o firme propósito de não cometê-los mais, suplicamos a misericórdia de Deus e seu eterno amor, que pela intercessão de Jesus Cristo nosso Salvador, somos perdoados.

    Após recebermos o perdão de Deus, concedido por sua infinita bondade através da invocação do Sacerdote, proclamamos com o coração aliviado o nosso hino de louvor e glória pela graça recebida.

    Atenção: O perdão recebido no Ato Penitencial não significa que estamos isentos do sacramento da Confissão. Depois de fazer um completo exame de consciência, devemos nos confessar com um Sacerdote, principalmente quando cometemos um pecado grave ou mortal.  E também não dá a ninguém que não faça a confissão, o direito a participar da Comunhão.   Esse perdão é só para aqueles que se confessam sempre e que não estejam em pecado grave e que participam todos os domingos da Santa Eucarístia.   Assumem o risco de aqueles que não tomam esses cuidados de cometer um pecado maior.

    GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS

    O Glória é um hino antiquissimo e venerável, pelo qual a Igreja glorifica a Deus Pai e ao Cordeiro. Não constitui aclamação trinitária. Louvamos ao Pai a ao Filho, expressando através do canto, a nossa alegria de filhos de Deus.

    ORAÇÃO

    OREMOS é seguido de uma pausa este é o momento que o celebrante nos convida a nos colocarmos em oração. Durante esse tempo de silêncio cada um faça mentalmente o seu pedido a Deus. Em seguida o padre eleva as mãos e profere a oração, oficialmente, em nome de toda a Igreja. Nesse ato de levantar as mãos o celebrante está assumindo e elevando a Deus todas as intenções dos fiéis. Após a oração todos respondem AMÉM, para dizer que aquela oração também é sua.

    3. Liturgia da Palavra

    Após o AMÉM da Oração, a comunidade senta-se mas deve esperar o celebrante dirigir-se à cadeira. A Liturgia da Palavra tem um conteúdo de maior importância pois é nesta hora que Deus nos fala solenemente. Fala a uma comunidade reunida como “Povo de Deus”.

    A liturgia da Palavra é composta das seguintes fases:

    1. Primeira Leitura: geralmente é tirada do Antigo Testamento, onde se encontra o passado da História da Salvação. O próprio Jesus nos fala que nele se cumpriu o que foi predito pelos Profetas a respeito do Messias.
    2. Salmo: após a Primeira Leitura, vem o “SALMO RESPONSORIAL”, é uma resposta à mensagem proclamada para ajudar a Assembléia a rezar e a meditar na Palavra acabada de proclamar. Pode ser cantado ou recitado.
    3. Segunda Leitura: Epistolas – é sempre tirada das Cartas de Pregação dos Apóstolos (Paulo, Thiago, João etc…) às diversas comunidades e também a nós, cristãos de hoje.
    4. Canto de Aclamação: terminada a Segunda Leitura, vem a Monição ao Evangelho, que é um breve comentário convidando e motivando a Assembléia a ouvir o Evangelho. O Canto de Aclamação é uma espécie de aplauso para o Senhor que vai nos falar.
    5. O Evangelho de Jesus segundo João, Marcos, Mateus e Lucas conforme o tema do dia, toda a Assembléia está de pé, numa atitude de expectativa para ouvir a Mensagem. A Palavra de Deus solenemente anunciada, não pode estar “dividida” com nada: com nenhum barulho, com nenhuma distração, com nenhuma preocupação. É como se Jesus, em Pessoa, se colocasse diante de nós para nos falar. A Palavra do Senhor é luz para nossa inteligência, paz para nosso Espírito e alegria para nosso coração.
    6. Homilia: é a interpretação de uma profecia ou a explicação de um texto bíblico.A Bíblia não é um livro de sabedoria humana, mas de inspiração divina. Jesus tinha encerrado sua missão na terra. Havia ensinado o povo e particularmente os discípulos. Tinha morrido e ressuscitado dos mortos. Missão cumprida! Mas sua obra da Salvação não podia parar, devia continuar até o fim do mundo. Por isso Jesus passou aos Apóstolos o seu poder recebido do pai e lhes deu ordem para que pregassem o Evangelho a todos os povos. O sacerdote é esse “homem de Deus”. Na homilia ele “atualiza” o que foi dito há dois mil anos e nos diz o que Deus está querendo nos dizer hoje.

    Baseado nas leituras, sempre relacionadas entre sí, o Sacerdote faz a explicação e reflexão do que foi ensinado.  Esta é uma hora muito importante da Santa Missa pois é quando aprendemos grandes lições de vida e fazemos o firme propósito de aplicá-las em nossas vidas.   É também a hora em que podemos entender o poder da Palavra de Deus que nos liberta e faz de nós seus novos apóstolos.

    As leituras são escolhidas pela Santa Igreja conforme o tempo que estamos vivendo, isto é, de acordo com o Calendário Litúrgico: tempo comum, Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Pentecostes e para missas espeçíficas como Batísmo, Primeira Comunhão, Crisma, etc..


    4. Profissão de Fé

    A comunidade professa sua fé em comunhão com os ensinamentos da Igreja e pela liturgia da palavra, confessando crer em toda doutrina Católica, no perdão dos pecados e na presença viva de Jesus. A fé é a base da religião, o fundamento do amor e da esperança cristã. Crer em Deus é também confiar Nele. Creio em Deus Pai, com essa atitude queremos dizer que cremos na Palavra de Deus que foi proclamada e estamos prontos para pô-la em prática.

    5. Oração dos fiéis
    A Comunidade unida em um só pensamento e desejo eleva a Deus seus pedidos e anseios, pedidos coletivos e também pessoais.   As orações podem ser conforme o tempo litúrgico ou campanhas da igreja, como por exemplo a Campanha da Fraternidade. Depois de ouvirmos a Palavra de Deus e de professarmos nossa fé e confiança em Deus que nos falou, nós colocamos em Suas mãos as nossas preces de maneira oficial e coletiva. Mesmo que o meu pedido não seja pronunciado em voz alta, eu posso colocá-lo na grande oração da comunidade. Assim se torna oração de toda a Igreja.


    6. Liturgia Eucarística

    Na Missa ou Ceia do Senhor, o Povo de Deus é convidado e reunido, sob a presidência do sacerdote, que representa a pessoa de Cristo para celebrar a memória do Senhor. Iniciam-se com as oferendas.  A comunidade oferece seus sacrifícios através do pão e do vinho entregues ao Sacerdote para a transformação.

    Procissão das Oferendas

    As principais ofertas são o pão e vinho. Essa caminhada, levando para o altar as ofertas, significa que o pão e o vinho estão saindo das mãos do homem e da mulher que trabalham. As demais ofertas representam igualmente a vida do povo, a coleta do dinheiro é o fruto da generosidade e do trabalho dos fiéis. Deus não precisa de esmola porque Ele não é mendigo e sim o Senhor da vida. A nossa oferta é um sinal de gratidão e contribui na conservação e manutenção da casa de Deus.

    Na Missa nós oferecemos a Deus o pão e o vinho que, pelo poder do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e Sangue do Senhor. Um povo de fé traz apenas pão e vinho, mas no pão e no vinho, oferece a sua vida.

    O sacerdote oferece o pão a Deus, depois coloca a hóstia sobre o corporal e prepara o vinho para oferecê-lo do mesmo modo. Ele põe algumas gotas de água no vinho que simboliza a união da natureza humana com a natureza divina. Na sua encarnação, Jesus assumiu a nossa humanidade e reuniu, em si, Deus e o Homem. E assim como a água colocada no cálice torna-se uma só coisa com o vinho, também nós, na Missa, nos unimos a Cristo para formar um só corpo com Ele. O celebrante lava as mãos: essa purificação das mãos significa uma purificação espiritual do ministro de Deus.


    Santo

    Prefácio é um hino “abertura” que nos introduz no Mistério Eucarístico. Por isso o celebrante convida a Assembléia para elevar os corações a Deus, dizendo “Corações ao alto!” É um hino que proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor.

    O final do Prefácio termina com a aclamação Santo, Santo, Santo… é tirado do livro do profeta Isaías (6,3) e a repetição é um reforço de expressão para significar o máximo de santidade, embora sendo pecadores, de lábios impuros, estamos nos preparando para receber o Corpo do Senhor.


    A Consagração do pão e do vinho,
    é o momento mais importante da celebração.

    Consagração do Pão e Vinho

    Pelas mãos e oração do Sacerdote o pão e o vinho se transformam em Corpo e Sangue de Jesus. O celebrante estende as mãos sobre o pão e vinho e pede ao Pai que os santifique enviando sobre eles o Espírito Santo.

    Por ordem de Cristo e recordando o que o próprio Jesus fez na Ceia e pronuncia as palavras “TOMAI TODOS E…”  O celebrante faz uma genuflexão para adorar Jesus presente sobre o altar.

    Em seguida recorda que Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos dizendo: “TOMAI TODOS E…


    “FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM!” aqui cumpre-se a vontade expressa de Jesus, que mandou celebrar a Ceia.

    Novamente começa o Sacrifício de Jesus e diante de nós está o Calvário, e agora somos nós que estamos ao pé da Cruz.    No silêncio profundo e no recolhimento do nosso coração adoramos o nosso Salvador, que está cruxificado diante de nós.    Devemos oferecer a Jesus, nossa vida, dores, misérias e sofrimentos para ser cruxificado junto com Ele, na esperança da Salvação e da vida-eterna.    Tudo isso não podemos ver com os olhos do corpo, mas temos que ver com os olhos do coração e da alma.

    “Tudo isso é Mistério da fé “


    “EIS O MISTÉRIO DA FÉ” – Estamos diante do Mistério de Deus. E o Mistério só é aceito por quem crê.


    Orações pela Igreja

    A Igreja está espalhada por toda a terra e além dos limites geográficos: está na terra, como Igreja peregrina e militante; está no purgatório, como Igreja padecente; e está no céu como Igreja gloriosa e triunfante. Entre todos os membros dessa Igreja, que está no céu e na terra, existe a intercomunicação da graça ou comunhão dos Santos. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmãos, membros da grande Família de Deus.

    A primeira oração é pelo Papa e pelo bispo Diocesano, são os pastores do rebanho, sua missão é ensinar, santificar e governar o Povo de deus. Por isso a comunidade precisa orar muito por eles.

    Rezar pelos mortos é um ato de caridade, a Igreja é mais para interceder do que para julgar, por isso na Missa rezamos pelos falecidos

    Finalmente, pedimos por nós mesmos como “povo santo e pecador”.


    POR CRISTO, COM CRISTO E EM CRISTO…

    Neste ato de louvor o celebrante levanta a Hóstia e o cálice e a assembléia responde amém.


    PAI – NOSSO

    O Pai Nosso, não é apenas uma simples fórmula de oração, nem um ensinamento teórico de doutrina. Antes de ser ensinado por Jesus, o Pai-Nosso foi vivido plenamente pelo mesmo Cristo. Portanto, deve ser vivido também pelos seus discípulos. Com o Pai Nosso começa a preparação para a Comunhão Eucarística. Essa belíssima oração é a síntese do Evangelho. Para rezarmos bem o Pai Nosso, precisamos entrar no pensamento de Jesus e na vontade do Pai. Portanto, para eu comungar o Corpo do Senhor na Eucaristia, preciso estar em “comunhão” com meus irmãos, que são membros do Corpo Místico de Cristo.

    Pai Nosso é recitado de pé, com as mãos erguidas, na posição de orante. Pode também ser cantado, mas sem alterar a sua fórmula. Após o Pai Nosso na Missa não se diz amém pois a oração seguinte é continuação.

    A paz é um dom de Deus. É o maior bem que há sobre a terra. Vale mais que todas as receitas, todos os remédios e todo o dinheiro do mundo. A paz foi o que Jesus deu aos seus Apóstolos como presente de sua Ressurreição. Assim como só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em comunhão com Deus é que pode comunicar a seus irmãos a paz.


    FRAÇÃO DO PÃO

    O celebrante parte a hóstia grande e coloca um pedacinho da mesma dentro do cálice, que representa a união do Corpo e do Sangue do Senhor num mesmo Sacrifício e mesma comunhão.


    CORDEIRO DE DEUS

    Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Jesus é apresentado como o “Cordeiro de Deus”.Os fiéis sentem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais uma vez.


    7. Rito da Comunhão

    Jesus agora está vivo e presente sobre o altar.  É presença real no meio de nós e se manifesta em bondade e amor.

    A Eucaristia é um tesouro que Jesus, o Rei imortal e eterno, deixou como Mistério da Salvação para todos os que nele crêem. Comungar é receber Jesus Cristo, Reis dos Reis, para alimento de vida eterna.


    MODO DE COMUNGAR

    Quem comunga recebendo a hóstia na mão, deve elevar a mão esquerda aberta, para o padre colocar a comunhão na palma da mão. O comungante imediatamente, pega a Hóstia com a mão direita e comunga ali mesmo na frente do padre ou ministro. Ou direto na boca. quando a comunhão é nas duas espécies, ou seja, pão e vinho é diretamente na boca.

    Quando verdadeiramente preparados, somos convidados a participar do Banquete Celestial. Jesus novamente realiza o milagre da multiplicação, partilhando o seu Corpo e seu Sangue com a comunidade.   Agora seu Corpo descido da cruz não irá mais para o sepulcro, mas vai ressucitar dentro de cada um de nós.

    É o momento sagrado em que Jesus fala diretamente conosco, nos ilumina e dá forças para viver cada vez melhor para podermos refletir sua imagem onde quer que estejamos.

    Terminada a comunhão, convém fazer alguns momentos de silêncio para interiorização da Palavra de Deus e ação de graças.


    8. Ritos Finais

    É hora da refexão final, tudo que sentimos e vivemos, será completado pela benção final, pelas mãos do Sacerdote, Deus nos abençoa.

    É preciso valorizar mais e receber com fé a benção solene dada no final da Missa. E a Missa termina com a benção.

    Ao deixarmos o interior da Igreja, a celebração deve continuar em cada momento de seu dia-dia, pois Jesus não ficou no altar, mas está dentro de cada um de nós.

    Estamos fortalecidos e prontos para vivenciar a salvação . Olhando o mundo de nova maneira, acolhendo bem a todos os irmãos, praticando a caridade e fraternidade, principalmente com os excluídos deste mundo, aos doentes, presos, marginalizados e com aqueles que não conhecem a Jesus, ensinando-os a conhecê-lo.   Só ai a Santa Missa terá o verdadeiro sentido e nos fará caminhar e aproximar-nos cada vez mais da vida eterna junto à Santíssima Trindade.


    9. Considerações Gerais sobre a Santa Missa

    A Missa é uma oração, a melhor das orações; a rainha, como dizia São Francisco de Sales.   Nela reza Jesus Cristo, homem-Deus.    Nós temos apenas de associar-nos. “O que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo dará”, disse Jesus (Jo 16,23).

    São João Crisóstomo disse: durante a Missa nossas orações apóiam-se sobre a oração de Jesus Cristo. Nossas orações são mais facilmente atendidas, eficazes, porque Jesus Cristo as oferece ao seu eterno Pai em união com a sua.

    Os anjos presentes oram por nós e oferecem nossa oração a Deus.  É o presente mais agradável que podemos oferecer à Santíssima Trindade.   Cada Missa eleva nosso lugar no céu e aumenta nossa felicidade eterna.  Cada vez que olhamos cheios de fé para a Santa Hóstia, ganhamos uma recompensa especial no céu.

    Entretanto, se não conhecemos o seu valor e significado e repetimos as orações de maneira mecânica, não usufruiremos os imensos benefícios que a missa traz.

    Reflitamos um pouco mais sobre a forma de como cada um participa da Missa lendo a seguinte história:

    Numa certa cidade, uma bela catedral estava sendo construída. Ela era inteiramente feita de pedras, e centenas de operários moviam-se por todos os lados para levantá-la. Um dia, um visitante ilustre passou para visitar a grande construção. O visitante observou como aqueles trabalhadores passavam, um após o outro, carregando pesadas pedras, e resolveu entrevistar três deles. A pergunta foi a mesma para todos. O que você está fazendo?
    – Carregando pedras, disse o primeiro.
    – Defendendo meu pão, respondeu o segundo.

    Mas o terceiro respondeu:
    – Estou construindo uma catedral, onde muitos louvarão a Deus, e onde meus filhos aprenderão o caminho do céu.

    Essa história relata que apesar de todos estarem realizando a mesma tarefa, a maneira de cada um realizar é diferente. Assim igualmente acontece com a Missa. Ela é a mesma para todos, contudo a maneira de participar é diferente, dependendo da fé e do interesse de cada um:

    • Existem os que vão para cumprir um preceito;
    • Há os que vão à Missa para fazer seus pedidos e orações;
    • E há aqueles que vão à Missa para louvar a Deus em comunhão com seus irmãos.

    Resumindo para compreender melhor cada parte da Missa:

    • Na entrada, ato Penitencial, Glória, Oração, nós falamos com Deus.
    • Na Liturgia da Palavra que compreende as 2 leituras, o Evangelho, a Homilia (Sermão), Deus fala conosco.
    • A Liturgia Eucarística: Ofertório, Oração Eucarística e a Comunhão é o Coração, o Centro da Missa.

    • No ofertório nós apresentamos nossas oferendas, o nosso amor, o nosso ser representados pelo pão e vinho.
    • Na oração Eucarística, Jesus consagra nossas oferendas e nos leva consigo até Deus.
    • Na comunhão, Deus nos devolve esse Dom.  Ao nos unirmos à Cristo unimo-nos também a todos que estão “em Cristo”, aos outros membros da Igreja.
    • Devemos medir a eficácia das nossas comunhões pela melhora no nosso modo de ser e agir. (Leituras recomendadas: Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22,19-20; I Cor 11,23-29)
    • No Rito final Deus nos abençoa e Jesus vai conosco para termos uma vida santa, iluminada pelo Espírito Santo.

    10. Preparação do altar para celebração da Santa missa


    1. Altar: representa a mesa que Jesus e os Apóstolos usaram para celebrar a Ceia na Quinta-Feira Santa. O altar representa a mesa da Ceia do Senhor. Lembra também a cruz de Jesus, que foi como um “altar” onde o Senhor ofereceu o Sacrifício de sua própria vida. O altar deve ter o sentido de uma mesa de refeição para celebrar a Ceia do Senhor.
    2. Toalha: lembra a dignidade e o respeito que devem ao altar. Geralmente branca, comprida. Deve ser limpa, condizente com a grandeza da Ceia do Senhor
    3. Sacrário: é onde ficam guardadas as âmbulas com Hóstias Consagradas.
    4. Ostensório: é onde se coloca a Hóstia Consagrada para Adoração dos fiéis.
    5. Lâmpada do Santíssimo Acesa: indica Jesus presente no sacrário vivo e real, como está no céu.
    6. Círio Pascal: é uma vela grande, benzida na cerimônia da Vigília Pascal (Sábado Santo). Indica “Cristo Ressuscitado”, “Luz do Mundo”.
    7. Carrilhão (sino): é acionado para maior atenção no momento mais solene da Missa, a Consagração.
    8. Cálice: Nele se deposita o vinho que vai ser transformado em sangue de Jesus. È feito de metal prateado ou dourado.
    9. Patena: é como um pratinho que vai sobre o cálice. Na patena é colocada a Hóstia Grande, do Celebrante.
    10. Sanguíneo: é uma toalhinha comprida, serve para enxugar o cálice onde estava o Sangue de Jesus.
    11. Pala: é uma peça quadrada, que serve para cobrir o cálice com o vinho.
    12. Hóstias: as hóstias grandes e pequenas são feitas de trigo puro, sem fermento. A grande o padre consagra para si, é a maior para que todos possam ver.
    13. Âmbula: é igual ao cálice, mas fechada com uma tampa justa. Nela colocam-se as hóstias dos fiéis que depois serão guardadas no sacrário.
    14. Galhetas: são duas jarrinhas que contém água e vinho. O vinho é para a consagração. A água serve para misturar no vinho antes da consagração, para simbolizar a união da humanidade com a Divindade em Jesus, lavar os dedos do celebrante e purificar o cálice e as âmbulas depois da comunhão.
    15. Manustérgio: é para enxugar os dedos do celebrante no Ofertório.
    16. Corporal: é uma toalha branca quadrada, que vai no centro no altar. Chama-se corporal porque sobre ela coloca-se a Hóstia consagrada que é o corpo do Senhor.
    17. Missal: é o livro que o padre usa para ler as orações da Missa.
    18. Crucifixo: colocado no centro do altar, para lembrar o sacrifício de Jesus.
    19. Velas acesas: lembra Cristo luz do mundo. A Missa só tem sentido para quem tem fé.
    20. Flores: as flores simbolizam beleza, amor e alegria.

    11. As Vestes Litúrgicas

    TÚNICA: É um manto geralmente branco, longo, que cobre todo do corpo. Lembra a túnica de Jesus.
    ESTOLA: É uma faixa vertical, separada da túnica, a qual desce do pescoço, com duas pontas na frente. Sua cor varia de acordo com a Liturgia do dia. Existem quatro cores na Liturgia: verde, branco, roxo e vermelho. Representa o poder sacerdotal.
    CASULA: Vai sobre todas as vestes. É uma veste solene, que deve ser usada nas Missas dominicais e dias festivos. a cor também varia conforme a Liturgia do dia.
    A MITO: É um pano branco que envolve o pescoço do celebrante.
    CÍNGULO: É um cordão que prende a túnica à altura da cintura.

    12. Glossário Geral dos Objetos Litúrgicos

    Eis a seguir uma relação de todos os objetos litúrgicos, é bom para que se conheça e entenda sua utilização no culto da missa. Alguns destes objetos talvez você nunca tenha visto e na verdade nem todos são sempre usados. Outros realmente já caíram em desuso. O importante é perceber o zelo litúrgico que está por trás da confecção destes objetos. Hoje estão aparecendo novos objetos litúrgicos: microfone, violão, toca-discos, etc. É importante que estes instrumentos sejam dignos de culto. Para Deus sempre o melhor!

    Antigamente (e há ainda em alguns lugares) colocava-se um crucifixo pequeno em cima do altar, no meio de duas velas, ou do lado direito ou uma em cada lado. Agora procura-se deixar somente a toalha no altar; há no lado esquerdo do altar um local para se colocar a CRUZ PROCESSIONAL e até os candelabros podem ficar fora do altar no outro lado.

    Alfaias: Designam todos os objetos utilizados no culto, como por exemplo, os paramentos litúrgicos.
    Altar: Mesa onde é realizada a Ceia Eucarística. Na liturgia, esta mesa representa o próprio Jesus Cristo.
    Ambão: Estante na qual é proclamada a Palavra de Deus.
    Alva: Veste litúrgica comum dos ministros ordenados.
    Âmbula: Uma espécie de cálice maior, onde são guardadas as hóstias consagradas. Possui tampa.
    Andor: Suporte de madeira, enfeitado com flores. Utilizado para levar a imagem dos santos nas procissões.
    Asperges: Utilizado para aspergir o povo com água-benta. Também conhecido pelos nomes de aspergil ou aspersório.
    Bacia: Usada com o jarro para as purificações litúrgicas.
    Báculo: Bastão utilizado pelos bispos. Significa que ele está no lugar do Cristo Pastor.
    Batina: Durante muito tempo foi a roupa, oficial dos sacerdotes.
    Batistério: O mesmo que pia batismal. E onde acontecem os batizados.
    Bursa: Bolsa quadrangular para colocar o corporal.
    Caldeirinha: Vasilha de água-benta.
    Cálice: Uma espécie de taça, utilizada para depositar o vinho que será consagrado.
    Campainha: Sininhos tocados pelo acólito no momento da Consagração.
    Capa: Usada pelo sacerdote sobre os ombros durante as procissões, no casamento, no batismo e bênção do Santíssimo. Também conhecida como CAPA PLUVIAL ou CAPA DE ASPERGES, ou ainda CAPA MAGNA.
    Capinha: Utilizada pelas senhoras que exercem o ministério extraordinário da comunhão.
    Castiçais: Suportes para as velas.
    Casula: E a veste própria do sacerdote durante as ações sagradas. E usada sobre a alva e a estola. No Brasil, a CNBB aprovou em 1971 o uso de uma túnica ampla no lugar da casula.
    Cadeira do celebrante: Cadeira no centro do presbitério que manifesta a função de presidir o culto.
    Cibório: O mesmo que âmbula, conhecido por píxide.
    Cíngulo: Cordão utilizado na cintura.
    Círio Pascal: Uma vela grande onde se pode ler ALFA e ÔMEGA (Crista: começo e fim) e o ano em curso. Tem grãos de incenso que representam as cinco chagas de Crista. Usado na Vigília Pascal, durante o Tempo Pascal, e durante o ano nos batizados. Simboliza o Cristo, luz do mundo.
    Colherinha: Usada para colocar gota de água no vinho e para colocar incenso no turíbulo.
    Conopeu: Cortina colocada na frente do sacrário.
    Corporal: Pano quadrangular de linho com uma cruz no centro. Sobre ele é consagrado o pão e o vinho.
    Credência: Mesinha ao lado do altar, utilizada para colocar objetos do culto.
    Cruz processional: Cruz com um cabo maior utilizada nas procissões. Cruz peitoral: Crucifixo dos bispos.,
    Custódia: O mesmo que OSTENSORIO.
    Estola: É uma tira de pano colocada no ombro esquerdo, como faixa transversal, pelo diácono, e pendente sobre os ombros pelo presbítero e bispo. E distintivo dos ministros ordenados. As Estolas são de quatro cores: branca, verde, vermelha, e roxa, de acordo com a liturgia.
    Galhetas: Recipientes onde ficam a água e o vinho durante a Celebração Eucarística. Podem ser levadas ao altar durante a procissão das ofertas.
    Genuflexório: Faz parte dos bancos da Igreja. Sua única finalidade é ajudar o povo na hora de ajoelhar-se.
    Hóstia: Pão Eucarístico. A palavra significa “vítima que será sacrificada”.
    Hóstia grande: E utilizada pelo celebrante. É maior apenas por uma questão de prática. Para que todos possam vê-la na hora da elevação, após a consagração.
    Incenso: Resina de aroma suave, O incenso produz uma fumaça que sobe aos céus, simbolizando nossa oração.
    Jarro: Usado, durante a purificação.
    Lamparina: E a lâmpada do Santíssimo.
    Lecionários: Livros que contêm as leituras da missa.
    Livros litúrgicos: Todos os livros que auxiliam na liturgia: lecionários, missal, rituais, pontifical, gradual, antifonal.
    Luneta: Objeto em forma de meia-lua utilizado para fixar a hóstia grande dentro do ostensório.
    Manustérgio: Toalhinha utilizada para purificar as mãos antes, durante e depois da ação litúrgica.
    Matraca: Instrumento de madeira que produz um barulho surdo. Substitui os sinos durante a semana santa.
    Mitra: Uma espécie de chapéu alto e pontudo usado pelos bispos. É símbolo do poder espiritual.
    Naveta: Recipiente onde é depositado o incenso a ser usado na liturgia. Tem a forma de um pequeno navio.
    Opa: Roupa que distingue os ministros extraordinários da Comunhão.
    Ostensório: Utilizado para expor o Santíssimo, ou para levá-lo em procissão. Também conhecido como custódia.
    Pala: Cobertura quadrangular do cálice.
    Patena: Um tipo de pratinho sobre o qual são colocadas as hóstias para a celebração.
    Píxide: O mesmo que âmbula.
    Planeta: O mesmo que CASULA.
    Pratinho: Recipiente que sustenta as galhetas.
    Relicário: Onde são guardadas as relíquias dos santos.
    Sacrário: Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecida como TABERNÁCULO.
    Sanguinho: Pequeno pano utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o interior do cálice, após a consagração.
    Solidéu: Um pequeno barrete em forma de calota, usada pelos bispos sobre a cabeça.
    Teca: Pequeno recipiente onde se leva a comunhão para os doentes.
    Túnica ampla: Veste aprovada pela CNBB para o Brasil. Substitui o conjunto da alva e casula. Deve ser realmente ampla.
    Turíbulo: Vaso de metal utilizado para queimar incenso.
    Véu do cálice: Pano utilizado para cobrir o cálice.
    Véu dos ombros: Usado pelo sacerdote ou diácono na bênção do Santíssimo e nas procissões para levar o ostensório. Também é conhecido como VEU UMERAL.
    Véu: E aquele paninho usado para cobrir as âmbulas com as hóstias consagradas.



    OREMOS:

    Deus eterno e todo-poderoso, eis que me aproximo do sacramento do vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Impuro, venho à fonte da misericórdia; cego, à luz da eterna claridade; pobre e indigente, ao Senhor do céu e da terra. Imploro, pois, a abundância da vossa liberalidade, para que Vos digneis curar a minha fraqueza, lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, enriquecer a minha pobreza, vestir a minha nudez. Que eu receba o Pão dos Anjos, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, com o respeito e a humildade, a contrição e a devoção, a pureza e a fé, o propósito e a intenção que convêm à salvação da minha alma.

    Dai-me que receba não só o sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor, mas também o seu efeito e a sua força. Ó Deus de mansidão, fazei-me acolher com tais disposições o Corpo que o vosso Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, recebeu da Virgem Maria, que seja incorporado ao seu Corpo Místico e contado entre os seus membros. Ó Pai cheio de amor, fazei que, recebendo agora o vosso Filho sob o véu do sacramento, possa na eternidade contemplá-la face a face.

    Vós, que viveis e reinais na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.




    Ó Maria, minha boa e querida Mãe, dai-me o vosso divino Filho, e dai-me também o vosso Coração maternal, para aí Lhe preparar um berço aureolado pela vossa pureza e pela vossa humildade.
    Dai-me Jesus! Ele é vosso, porque encarnou no vosso seio, mas é também meu, porque nasceu por mim, viveu por mim e por mim morreu. Dai-me o vosso Filho.


    Amém.


    Cuidado com alguns escravos de Nossa Senhora





    Salve Maria Imaculada!
    Gostaria de neste post falar de algo muito sério que tem acontecido dentro de alguns movimentos da Igreja. Quero dedicar este post especialmente para meus irmãos consagrados à Nossa Senhora pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort, e desde já refazer o convite de renovar os votos de vida nova, e deixar de ser escravo do demônio, para de fato ser escravo de Jesus Cristo pelas mãos de Nossa Senhora. Tem ocorrido que em alguns lugares, alguns escravos – quero crer que por ignorância e não por má-fé – têm sido contra testemunhos, tem “minado”, tem de fato afastado outras pessoas de se consagrarem. E por que isso? Talvez porque nos achemos mais santos que os outros, e não estejamos agindo como é dito no Tratado, que é agir com Maria, por Maria e em Maria. E se nós continuarmos agindo com o nosso coração podre, continuaremos afastando as pessoas de Deus. Por isso temos que agir pelo Coração Imaculado da Virgem Maria.
    Leia o seguinte texto das Sagradas Escrituras que talvez você entenderá o que eu estou querendo dizer:
    Ao ver, porém, que muitos dos fariseus e dos saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: 'Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera vindoura? Dai, pois, frutos de verdadeira penitência. Não digais dentro de vós: Nós temos a Abraão por pai! Pois eu vos digo: Deus é poderoso para suscitar destas pedras filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo [...]” (Mateus 3,7-10)
    Da mesma forma que o povo judeu tinha Abraão por pai, com muito mais autoridade nós, povo de Deus, temos à Virgem Maria por Mãe. E digo com muito mais autoridade porque foi o próprio Deus encarnado que nos deu Ela como nossa Mãe! (Cf. João 19,25-27). No entanto, temos observado que estamos a ter uma falsa devoção em relação à Nossa Senhora, semelhante a que tinha os fariseus e os saduceus em relação a Abraão. Existe muito pseudo devoto de Nossa Senhora – inclusive de corrente no braço, escapulário, medalha, terço/rosário, etc. - que tem feito coisas terríveis e se vale dizendo que é filho de Maria! Muitos vivem em estado de pecado mortal, obstinado no pecado, não aceitam que ninguém lhe dê um conselho, dizem que não vão mudar de vida... Sabe por quê? “Porque sou filho de Maria! Ela me levará para o Céu...!” Ou então: “Basta ter fé amado, eu uso o escapulário, vou pro Céu!”. Ou os mais obstinados dizem o famoso “eu nasci assim, eu sou assim, Deus e Nossa Senhora me amam dessa forma!”. E tristemente muitos acabam por cair no engano do demônio, achando que abusando da devoção à Nossa Senhora irão para o Céu. Ora, a devoção à Nossa Senhora não é justamente para nos ajudar a lutar contra o pecado? A espada não é desculpa pra derrota, a espada é para atacar o inimigo e sair vencedor. Podemos nos ferir, mas por nossa fraqueza, não por covardia. E muitos tem continuado numa vida podre no pecado, dizendo que é escravo de Nossa Senhora. No entanto, vive como escravo do demônio.
    Muitos podem dizer que é radicalismo da minha parte. No entanto, vejam o que o próprio São Luís escreve no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria sobre os Devotos Presunçosos: “ Os devotos presunçosos são pecadores abandonados a suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou a cólera, ou a blasfêmia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem violentar-se muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdoará, que não hão de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam seu terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do santo Rosário ou do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc.” (TVD. Nº 97) - “ Não há, no cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se transpassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar e injuriar seu próprio Filho. Que o ousaria pensar?” (TVD. Nº 98) – Isso quer dizer que para se consagrar a Nossa Senhora eu nunca mais devo pecar? Bom, sabemos que pela nossa natureza corrompida é muito difícil não pecar. No entanto, devemos lutar contra o pecado. O problema não é a queda, o problema é permanecer caído e dizer que tudo bem. É por isso que São Paulo diz em Hebreus 12,4: “Ainda não tendes resistido até o sangue na luta contra o pecado.”. São Domingos Sávio – que era escravo da Santíssima Virgem – dizia: “Antes morrer do que pecar!”. Se nós caímos no pecado, devemos correr depressa até um padre para nos confessarmos. E não ficar dizendo que porque sou escravo de Nossa Senhora tudo bem, que eu vou pro Céu. Ora, se você morrer em pecado mortal, obstinado, na inimizade com Deus, você vai para o inferno com corrente e tudo. O próprio São Luís nos fala: Digo que abusar assim da devoção à Santíssima Virgem, a mais santa e mais sólida devoção a Nosso Senhor e ao Santíssimo Sacramento, é cometer um horrível sacrilégio, o maior e o menos perdoável, depois do sacrilégio de uma comunhão indigna.
    Confesso que, para ser alguém verdadeiramente devoto da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal; mas é preciso ao menos (note-se bem o que vou dizer):
    Em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos todo pecado mortal, que ofende tanto a Mãe como o Filho.
    Segundo, fazer violência a si mesmo para evitar o pecado.
    Terceiro, filiar-se a confrarias, rezar o terço, o santo rosário ou outras orações, jejuar aos sábados, etc.”(TVD. Nº 99)
    Mas tenho que confessar que o que me motivou a escrever este texto não foi nem esses falsos devotos escancarados que sujam o manto da Santíssima Virgem de forma tão podre. O que me motivou são os falsos devotos, também presunçosos, mas que usando algo bom, dá um testemunho mau. Explico-me: São Luís fala que os falsos devotos – no caso os devotos presunçosos – escondem, sob o nome de devotos da Santíssima Virgem – e aqui deixemos as claras: escravos de Nossa Senhora – alguns pecados, dentre eles o orgulho. Ah! Como tem escravo de Nossa Senhora dominado pelo orgulho! Assim como os fariseus e os saduceus eram orgulhosos, se valiam de serem filhos de Abraão, mas com orgulho, muitos hoje se valem de filhos e filhas de Nossa Senhora, mas com orgulho. E eles tem afastado muita gente da devoção à Nossa Senhora. E repito: quero crer que seja por ignorância, e não por má-fé! A seguir quero dizer alguns pontos que tem ocorrido, e que as pessoas têm dado brecha para o demônio.
    Modéstia: Quero começar falando sobre a modéstia, pois aqueles que leem este blog ou assiste meus vídeos sabe que sou completamente a favor das mulheres, assim como os homens, se vestirem modestamente, como convém aos filhos da Igreja. No entanto, tem muita gente – e preciso dizer que a maioria são mulheres – tem mostrado toda sua soberba e orgulho neste ponto. E ainda se valendo de imitarem à Santíssima Virgem. Muita gente tem associado à Santa Escravidão de amor com a modéstia. No entanto, precisamos ser sinceros: São Luís não aborda nada sobre roupas (pelo menos não explicitamente). Sabe por quê? Porque na época de São Luís ele não poderia imaginar a podridão das imodéstias que viriam para os nossos tempos. Nós não podemos associar diretamente uma coisa com outra por um motivo muito simples: não são apenas as escravas de Nossa Senhora que devem usar roupas não sensuais, mas sim TODAS as mulheres cristãs católicas! A modéstia não está ligada necessariamente à devoção à Nossa Senhora, mas sim a moral da Igreja. Houve Papas que no século passado alertaram o povo sobre as imodéstias. Santos como São Padre Pio também foram grandes defensores da modéstia. No entanto, tem mulher que está virando psicopata em relação a modéstia. Explico-me novamente: tem mulher que só veste roupa modesta pra se aparecer. Fulana tá usando, vou usar, e depois quer obrigar outras a usarem também. Muitas garotas não sabe nem o porque está usando saia e vestidos longos e modestos, e sai dando contra testemunho. Por exemplo: muitas garotas ao dizer que não usam calças jeans não dizem de todo processo de evolução da calça em relação aos movimentos feministas, da feminilidade, etc. Simplesmente que enfiar o vestido nas garotas. E você acreditando ou não, tem afastado muita gente da Consagração à Nossa Senhora. Na minha Paróquia satanás tem usado isso. Graças a Deus muitas garotas estão usando roupas modestas e o véu. Mas aí uma pessoa foi perguntar para uma garota sobre a Santa Escravidão, como era, o que deveria fazer, etc., alguns escravas disseram para ela que ao se consagrar era OBRIGADO usar saia longa, véu... Opa, como assim obrigada? Sabe o que aconteceu? Uma outra escrava, posteriormente, conversando com ela, chamou ela para se consagrar, e disse que não tinha nada a ver isso de ser obrigada a usar saia longa e véu, e então ela ficou tão chateada, que disse que não se consagraria. Muitos podem dizer “Ah, mas ela não amava verdadeiramente para abandonar a consagração”. E eu digo: quem de nós amava tanto Nossa Senhora quando nos consagramos? Aliás, será que temos amado Ela hoje depois de tanto tempo de consagrados? E outra, cada um tem seu tempo, alguns demoram mais, outros menos, e é justamente a Santa Escravidão que dá uma engrenada na espiritualidade de muitos. E eis que deram lugar pro demônio, e não foi a jovem que desistiu, mas sim as escravas que inventaram coisas dizendo que era obrigado a usar véu e saia.
    É sempre bom lembrar isso, porque muitas escravas que hoje querem obrigar todo mundo a usar saia e véu, antes de se consagrar - e mesmo depois de consagrada por um tempo – se vestiam como periguetes, e no entanto Nossa Senhora mudou, não mudou? Foi a vivência da Consagração que fez mudar, não foi? Não é saia e véu que vai fazer a pessoa ser um verdadeiro devoto, mas sim se tornando um verdadeiro devoto que vai – se for vontade da Imaculada – usar saia e véu. Não, não estou pregando contra a modéstia. Quero pregar, anunciar a necessidade da modéstia. Pois a própria Santíssima Virgem disse em Fátima que viriam modas que ofenderiam muito à Nosso Senhor. Uma vez uma escrava me disse: “Nossa, me dá uma agonia quando eu vejo uma escrava de calça...”. No entanto, será que essa escrava sabe sobre a modéstia? Será que essa escrava tem dinheiro pra renovar seu guarda-roupas? É muito orgulho! Até porque muitas garotas não usam as calças super, hiper, mega apertada. Sabe, aquela calça que maca até o útero? Tem gente que usa pela cultura, porque virou algo normal, e muitas não estão usando nada sensual. Se nós quisermos obrigar as pessoas a usar saia e véu, iremos afastar as pessoas. Um sacerdote – que também prega a favor da modéstia – me disse certa vez que atende garotas, virgens, que tem um profundo desejo de amar a Deus, mas que por fora tem uma imodéstia terrível, porque aquilo não são elas, é uma bagunça na vida da pessoa. Então, meus amados escravos e escravas de Nossa Senhora, busquemos anunciar a Santíssima Virgem, e não impor as coisas assim. E não preciso citar nenhum santo, mas sim pecadores, no caso VOCÊ. Olha como era sua vida antes de se consagrar à Nossa Senhora, e olha hoje. Eu digo por mim, quando eu me consagrei eu só queria ser o jovial ao me vestir. Quando me consagrei na Milícia da Imaculada eu estava usando um Terno. Não precisou ninguém me enfiar dentro de um terno. Simplesmente a vivência com Nossa Senhora muda. Já pensou se me dissessem que para eu ser escravo de Nossa Senhora eu seria obrigado a parar de ouvir meus raps – que na época eu achava que era inofensivas? Eu enlouqueceria. Mas me tornei escravo de Nossa Senhora, e aos poucos eu vi que aquilo não era bom, e deveria imitar à Santíssima Virgem, me afastando do que me afasta de Deus.
    Eu sinto agonia com roupas imodestas, ainda mais por que sou homem. Sinto agonia quando vejo dentro do templo santo de Deus meninas com corrente no braço e ausência de pano, usando mini shorts, minissaias, porque aí é algo já escancarado. E mesmo essas devemos ser misericordiosos, porque, como já dito aqui, é uma bagunça interior. Só que a gente não reza nenhuma ave Maria pela pessoa e já chega querendo impor as coisas.
    Esse negócio da modéstia está tão complicado, que fiquei sabendo de uma garota que se consagrou à Nossa Senhora em uma determinada comunidade, mas que hoje tem aversão à modéstia e também ao véu. Motivo? O responsável pela comunidade OBRIGOU a todas as garotas a usarem saia longa e véu. Não, não eram consagradas da comunidade – pelo que me falaram – mas sim pessoas que queriam se consagrar junto com a comunidade. Bom, se queríamos um apostolado a favor da modéstia, neste caso o tiro saiu pela culatra, e devemos rezar em reparação para que a pessoa entenda o verdadeiro sentido da modéstia.
    Agir: Uma coisa que fiquei mais “de cara” foi o que uma garota veio tirar uma dúvida comigo. Meus queridos, tem uns “escravos” de Nossa Senhora que está engessando tanto a Santa Escravidão, fazendo dela algo próprio com suas regras – como os fariseus – que uma garota uma vez veio me perguntar se as escravas de Nossa Senhora podiam ir para shows católicos, levantar as mãos em louvor, etc. Porque disseram para ela que era imodesto e não convinha uma escrava de Nossa Senhora... Ah! Rebaixe esse orgulho! Onde está escrito no Tratado que não se pode louvar? Existem várias espiritualidades diferentes. Aí a garota, que era de grupo de oração da RCC, quer se consagrar, e vem uns escravos agindo pelo mal, dizer pra garota que não pode levantar os braços, que não pode ir pra shows... Façam-me o favor: vão pra clausura! Não, não to dizendo que você é tão radical que tem que ser monge. To dizendo que você é tão toupeira afastando as pessoas da santíssima Virgem, que é melhor você sair da convivência e ir pra um lugar reservado a oração, porque talvez tua oração faça melhor as almas do que tuas palavras. O problema é se nem os mosteiros aguentarem teu orgulho e soberba.
    Muitos falam que a RCC não presta. De fato, acontece muita coisa errada. Mas uma pessoa da RCC quer ser toda de Maria Santíssima, aí a gente faz o favor de tirar a devoção. Seja sincero, não digo em relação a RCC enquanto instituição, mas quem mais tem espalhado o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem são pessoas e movimentos de espiritualidade Carismática. Esses jovens carismáticos, com corrente no braço, querendo viver a radicalidade evangélica, tem buscado ser os Apóstolos dos últimos tempos, e sabem que só se consagrando à Virgem Maria o Espírito Santo vai agir e mudar a vida dos pecadores. Já tem escravo que ainda é escravo do demônio pelo orgulho, só quer que se consagrem à Santíssima Virgem Maria quando for santo. Ora, a consagração é que nos faz santos. Se fossem só santos para se consagrar, porque deixaram você se consagrar? Se fossem só os santos, o Tratado nos seria dado na porta de saída do purgatório, para nos consagrarmos na hora de entrar no Céu. Mas muitos vão para o inferno, porque nós estamos afastando eles do Céu, este Céu que é o ventre Imaculado da Santíssima Virgem.
    E saibam mais: tem padre que não deixou que se formasse grupos de formação ou eventos sobre o Tratado em suas paróquias, por causa desses abusos, porque um diz uma coisa, outro quer obrigar outro a tal coisa. Parabéns, vocês conseguiram ser fariseus e saduceus dos novos tempos, se valendo de escravos da Santíssima Virgem, sem obras de penitência, sem rezar, sem evangelizar. Saibam, que das pedras Deus pode fazer surgir escravos de Nossa Senhora muito mais santos, zelosos, misericordiosos, e que amam muito mais a Deus e a Santíssima Virgem do que nós. Já que somos escravos de Nossa Senhora, imitemos suas virtudes, e não nos esqueçamos agir com misericórdia, como Ela agiu conosco. Não se esqueça de rezar.
    Você que quer se consagrar e se vê confuso: Consagra-te! Nossa Senhora das Graças pisará na cabeça da serpente, e afastará toda confusão e te fará santo(a)!

    Por fim o Meu Imaculado Coração Triunfará!” (Nossa Senhora em Fátima, 1917)
    Para ficar claro sobre a modéstia:




    Salve Maria Imaculada!




    OREMOS

     Ó Senhora minha, ó minha Mãe,
    eu me ofereço todo(a) a vós,
    e em prova da minha devoção para convosco,
    Vos consagro neste dia e para sempre,
    os meus olhos, os meus ouvidos,
    a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser.
    E porque assim sou vosso(a),
    ó incomparável Mãe,
    guardai-me e defendei-me como propriedade vossa.
    Lembrai-vos que vos pertenço, terna Mãe, Senhora nossa.
    Ah, guardai-me e defendei-me como coisa própria vossa.


    Então, a Igreja «adora os santos»?

       





    Desde há muito tempo acusa-se a Igreja católica de desprezar as Sagradas Escrituras e tornar sem eficácia a única mediação de Cristo Jesus com o culto à Virgem Maria e aos Santos. 
                Também neste ponto - como naquele referente às imagens - não há fundamento algum numa tal acusação. 
                É verdade que somente Jesus Cristo salva: “Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,11). Ele é o único Mediador entre Deus, nosso Pai, e a humanidade: “Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos” (1Tm 2,5). Nele nós temos a bênção da graça e da salvação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênção espirituais, nos céus, em Cristo. É pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados... (Ef 1,3.7). Este, é, portanto, um ponto central claríssimo da fé católica: só Cristo salva e somente Cristo intercede por nós junto do Pai. Não há outra mediação fora da mediação do único e absoluto Salvador, Cristo Jesus
                Como, então, justificar o culto aos Santos? Como compreender que se fale em intercessão dos Santos e, particularmente, da Virgem Maria? 


    1. O que é «um Santo»? 

                Antes de tudo, é importante compreender bem o que é um Santo.
                Segundo a Escritura, somente Deus é Santo (cf. 1Sm 2,2; Sl 22,3; Is 6,3). A palavra hebraica «santo» (=kadosh) significa «separado». Deus é o Outro, o que está para além de tudo, o que é diverso de toda a criação, é aquele que não pode ser confundido com as criaturas, aquele que não pode ser manipulado pelo homem. Deus não está entre as criaturas: ele é o sustento de tudo, é o fundamento de tudo: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Porque é Santo, Deus é completamente livre, soberano, glorioso. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, afirma, na Oração Eucarística II: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda a santidade!” 
                Sendo o Filho eterno do Pai, e Deus com o Pai, Jesus Cristo é o Santo de Deus (cf. Mc 1,24; Lc 1,35; At 3,14...). A cada Domingo a Igreja dirige-se, na Missa, ao Senhor Jesus com estas palavras: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo na glória de Deus Pai” (Oração do Glória). Sendo o Santo, ele nos santificou com a sua cruz e ressurreição, pois, ressuscitando, derramou sobre nós o seu Espírito Santo, Espírito de santificação: “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo...» (Jo 20,22). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo do Cristo ressuscitado, que nos dá uma nova vida: a vida do próprio Deus. É esta vida nova que nos faz “Santos”: “Vós vos lavastes, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito Santo” (1Cor 6,11) “Nele (em Cristo) ele (o Pai) nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). Por isso mesmo São Pedro afirma na sua carta: “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade” (1Pd 2,9). 
                Assim, aqueles que foram batizados em Cristo receberam a santidade de Cristo porque receberam o Espírito Santo de Cristo, Espírito santificador. Por isso mesmo muitas vezes São Paulo chama todos os cristãos de “Santos” (cf. 1Cor 1,2; 2Cor 1,1; Ef 3,8; Fl 4,21...). No entanto o cristão, sendo santo, ou seja, santificado por Cristo, deve viver como santo. Escrevendo aos Coríntios, o Apóstolo assim se referia aos batizados: ... àqueles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos... (1Cor 1,2). Em outras palavras: já santificados pelo Batismo, devemos cada vez mais nos abrir à ação do Espírito de santificação, que é o Espírito do Cristo ressuscitado. Vejam bem: a santidade é um fato já concreto para todo batizado: somos santos, fomos santificados e, ao mesmo tempo, é um processo, um desafio, um programa de vida: tornarmo-nos, por nossas ações e atitudes, aquilo que já somos. Assim, há santos que vivem como santos e há santos que vivem como pagãos! Só os primeiros são fiéis à graça recebida no Batismo! 
    Portanto, “santo”, para a Igreja, é todo cristão! Contudo, damos o nome de «santo» de um modo todo especial àqueles cristãos, irmãos nossos - canonizados ou não -, que já estão na Glória. Eles foram abertos à graça de Cristo, eles disseram “sim” sem reservas à salvação trazida por Jesus; aceitando completamente Jesus como Salvador, eles não resistiram à ação do Espírito Santo, eles viveram seu Batismo até às últimas conseqüências! O «santo» é um pecador como nós, que lutou para levar Cristo a sério e, procurando ser fiel à graça de Cristo, viveu o Evangelho. Por isso mesmo é apresentado pela Igreja como exemplo para todos nós. É este, aliás, o sentido da canonização: a Igreja propõe um filho seu como modelo de vida cristã e de seguimento a Cristo. Se alguém é «santo», é por graça de Deus, que o santificou. O «santo» não é um super-homem que, se santificou com suas forças! Ele recebeu a santidade de Cristo, foi aberto à ação santificante do Espírito do Senhor Jesus. Dizer que alguém é santo significa dizer que foi santificado por Cristo! “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Assim sendo, quando a Igreja afirma que alguém está na Glória e o chama «santo» deseja mesmo é mostrar o quanto a graça salvadora de Cristo é eficaz, o quanto a força do Senhor Jesus, nosso único Salvador, é capaz de transformar a nossa miséria humana e nos elevar à santidade. É Cristo que é admirável nos seus santos. O santo é uma obra prima da graça de Deus que opera através de Cristo Jesus! Admirando a obra prima, exaltamos o seu Autor! Como a própria Liturgia da Igreja reza: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo...” (Coleta da Missa do XVII Domingo Comum). 
                Fica claro, portanto, que a santidade dos que estão na Glória revela e enaltece a força e eficácia da santidade do Cristo Jesus e a ação santificadora do seu Espírito Santo, para a glória do Pai. O «santo» não é um concorrente da santidade de Deus, mas, ao contrário, é fruto dessa santidade divina. 
                Aí podemos entender o quanto é tola e errada aquela história: “a Igreja santificou fulano de tal”... A Igreja, coitada, não santifica ninguém: só Cristo santifica! A própria Igreja precisa da santidade de Cristo e é santificada pelo seu Espírito Santo! Na canonização, o que a Igreja faz é reconhecer, oficialmente, a santidade que a graça de Deus concedeu àquela pessoa! Só Deus é Santo e fonte da santidade; somente Deus é o autor de toda a santidade! 
                Atenção! Seria errado e herético considerar os santos como pequenos deuses, com uma força que viria deles mesmos, sem que tivessem recebido tudo de Cristo por pura graça do Senhor! A santidade deles brota única e totalmente de Cristo Jesus, doador do Espírito Santo! Os santos não são uns orixazinhos, não são duendizinhos, não são espíritos superiores, não são uma energia positiva; são irmãos nossos que, tendo sido fiéis ao seu Batismo, já estão na Glória, na comunhão do Deus de Amor e, nele, rezam por nós! 

    2. O culto aos Santos 

                A partir deste modo de compreender a santidade e os Santos é que se pode compreender corretamente o culto que a Igreja lhes presta. 
                O culto aos Santos é culto de louvor e gratidão a Deus, admirável nos seus Santos. Ao venerarmos um nosso irmão que foi santificado por Cristo, estamos reconhecendo a ação de Deus nele. Estamos também agradecendo a Deus por ter dado a graça àquele nosso irmão para que ele fosse aberto à ação do Espírito Santo. Lembremo-nos sempre: ao engrandecermos a obra de arte, louvamos e enaltecemos seu Autor! Quando a Igreja venera um seu filho que chegou à santidade, recorda-se sempre da frase de Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Quando os cristãos exaltam as obras dos Santos, não esquecem que eles agiram pela força de Cristo, que foi o Espírito Santo do Senhor ressuscitado quem os inspirou e moveu para o bem, já que “é Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). Cumpre-se, assim, a palavra do Senhor Jesus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candelabro, e assim ela brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16). 
                Assim, venerar um irmão que levou a sério o Cristo e seu Evangelho e que, para nós, é um exemplo de vida, é, sobretudo, reconhecer a potência maravilhosa da graça de Deus que, em Cristo, sustenta a fragilidade humana, dando-lhe a graça de viver testemunhar o Senhor Jesus. 
                Atenção! É errado pensar que o louvor aos Santos é dirigido a eles somente, como se eles fossem heróis pelas próprias forças. O louvor aos Santos é, em última instância, dirigido a Deus, autor e fonte da santidade dos Santos: é Ele que é admirável nos seus Santos! Um louvor que pare no Santo é errado! 
                E rezar a um Santo, pedir sua intercessão? Não seria ferir a mediação única de Cristo? Vejamos agora o sentido da intercessão dos Santos e como ela não fere, mas, antes, sublinha e proclama a única mediação de Cristo. 


    3. A intercessão dos Santos 

                A Escritura nos ensina que todos os batizados foram revestidos de Cristo e, tornando-se uma só coisa com ele, são membros do seu Corpo, que é a Igreja. Ser cristão é estar incorporado, enxertado no Senhor Jesus ressuscitado: “Todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo... pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,27); “Vós sois o corpo de Cristo e sois seus membros, cada um por sua parte” (1Cor 12,27); “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo em Cristo” (Rm 12,27). A união nossa com Cristo é tão forte e real, tão concreta e verdadeira, que Paulo fala que o cristão é batizado (=mergulhado) em Cristo, no Cristo, dentro de Cristo: “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?... Porque se nos tornamos uma só coisa com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma só coisa com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-9). A vida dos bem-aventurados no céu - e também já aqui na terra a vida de cada batizado - é vida em Cristo: “A graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23). A ele estamos unidos como os ramos à videira, de tal modo que vivemos da sua mesma vida: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor... Permanecei em mim, como eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,1.4-5). O cristão é aquele que permanece em Cristo, que vive não mais por si mesmo, mas por Cristo. A seiva, a vida nova da qual vivem os cristãos é o próprio Espírito Santo do Senhor Jesus ressuscitado, recebido no batismo: “Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito” (1Cor 6,17); “Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo... e todos bebemos de um só Espírito” (1Cor 12,13). De tal modo isto é verdadeiro, real, que Paulo exclamava: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20); “Para mim o viver é Cristo...” (Fl 1,23). Cristo está de tal modo presente no cristão e este é de tal modo enxertado em Cristo e nele incorporado, que fazia o Apóstolo afirmar: “A vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,2). E falar também do mistério de Deus que é “o Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1,27). Aparece assim claramente que os batizados - particularmente os que estão na Glória - são uma só coisa com Cristo, estão em Cristo, foram «con-formados» com Cristo, são membros de Cristo, que é Cabeça de todos. Não há, para aqueles que estão na Glória, outra vida que não a de Cristo e em Cristo! 
                Ora, o Espírito de Cristo ressuscitado em nós, fazendo-nos uma só coisa com o Senhor Jesus, suscita em nós os bons sentimentos e as boas obras: tudo de bom que pensamos e fazemos é suscitado pelo Espírito Santo em nós: “É Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). É exatamente porque cremos em Cristo, porque estamos unidos a ele e nele estamos enxertados e incorporados pelo Batismo, que podemos realizar as obras da fé, daquela fé que atua pela caridade (cf. Gl 5,6). Quando rezamos, não somos nós que rezamos: quem ora em nós, quem louva em nós e intercede em nós é o próprio Espírito do Cristo Jesus ressuscitado: “Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis e aquele que perscruta os corações sabe qual é o desejo do Espírito; pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos” (Rm 8,26-27). É por isso que, já aqui na terra, pedimos aos nossos irmãos que intercedam por nós. Dizemos uns aos outros: «Fulano, reze por mim!» O próprio Novo Testamento recomenda que rezemos uns pelos outros (cf. 2Cor 1,1; Ef 1,16; 6,19; Fl 1,4; Cl 4,12; 1Ts 1,2; 1Ts 5,25; 1Tm 2,1; Tg 5,16). Pedimos a oração de um irmão batizado porque sabemos que ele ora em Cristo, que esse irmão é uma só coisa com Cristo, já que é membro do seu Corpo e vive do Espírito do Senhor ressuscitado, de modo que já não é ele quem ora, mas é Cristo que ora nele como Mediador único entre nós e Deus
                Com nossos irmãos que estão na Glória acontece o mesmo. A morte não nos separa do amor de Cristo nem dos irmãos, não rompe a comunhão entre os que estão com o Senhor, no céu, e nós, peregrinos: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida... nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39). No Senhor todos vivem e permanecem unidos no amor. Se a morte interrompesse uma tal comunhão em Cristo isso significaria que ela - a morte - seria mais forte que o amor, que a vida e que a vitória do Senhor Jesus. Mas, não! Cristo é mais forte que a morte e o inferno: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” (1Cor 15,55). Desse modo, nossos irmãos que estão com Cristo (cf. Fl 1,23) na Glória, são plenamente membros do Corpo do Cristo, vivem do Espírito do Cristo ressuscitado e participam da única mediação de Cristo! É Cristo quem intercede neles, de modo que a intercessão dos Santos, amigos de Cristo, nada mais é que uma admirável manifestação do poder e da fecundidade da única mediação do Senhor Jesus. Ele é o único Mediador, que inclui na sua mediação única todos os que são uma só coisa com ele por serem membros do seu Corpo. A mediação do Senhor Jesus não é mesquinha: é única, mas não é exclusivista: ela inclui todos nós: não é exclusiva, mas inclusiva! Caso contrário, nem nós, que vivemos ainda neste mundo, poderíamos rezar uns pelos outros, já que isso é também uma forma de mediação. 
                Assim, é em Cristo, como seus membros, no seu Espírito, que os Santos intercedem ao Pai. A intercessão dos Santos nada mais é que uma manifestação da única intercessão do Senhor Jesus, que, sendo rico e potente, suscita em nós a capacidade de participar da sua única mediação. Os nossos irmãos na Glória são aquela nuvem de testemunhas de que fala a Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo o fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos nAquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus” (Hb 12,1-2). São eles que, a exemplo dos primeiros santos mártires, participando da mediação única do Senhor Jesus, e nessa única mediação, suplicam em nosso favor, como membros de Cristo: “Vi sob o Altar as vidas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado. E eles clamaram em alta voz: ‘Até quando, ó Senhor Santo e Verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?’” (Ap 6,10). 
                Certamente, como aquela que mais esteve unida a Cristo Senhor neste mundo e na glória, a Virgem Maria participa de um modo todo especial dessa única mediação de Cristo...
                Fica claro que uma coisa é certíssima: a Igreja de Cristo, ao ensinar que os nossos irmãos do céu, os Santos, intercedem por nós, mostra o quanto a única mediação de Cristo é fecunda e eficaz... de tal modo fecunda e eficaz, que nela nos inclui e dela nos faz participantes! Não se trata, portanto, nem de concorrência, nem de competição e nem mesmo de uma mediação paralela à mediação única de Cristo. Também não se trata de uma escadinha de mediadores: os Santos seriam mediadores junto a Cristo e Cristo é o Mediador junto ao Pai. Não! Há um só Mediador! Todos os outros apenas participam da única mediação do Cristo Jesus, nossa Cabeça e nossa santificação. Se participamos desta mediação única é exatamente porque, pelo Batismo, recebemos a plenitude de Cristo: “Nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele todos os seres” (Cl 1,19). E da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça! (Jo 1,16). 
                Atenção! É errado pensar que os Santos intercedem por nós informando a Deus sobre nossas necessidades - como se Deus não as conhecesse! - ou convencendo Deus a mudar sua opinião. É errado e herético pensar que a Virgem Maria e os Santos intercedem por nós a Deus de modo independente de Cristo ou ao lado de Cristo! A Virgem e os Santos intercedem por nós em Cristo, como membros do seu Corpo e em união com a santíssima vontade do Senhor Jesus, nosso único Intercessor junto do Pai! 
                Para completar tudo quanto aqui foi dito, é muito útil transcrever trechos da declaração de um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados (todos protestantes!), ortodoxos e católicos reunidos em nome de suas igrejas na ilha de Malta, nos dias 8-15 de setembro de 1983: 
    1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (cf. Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo. 
    2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7,25). 
    3. O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram unidos em Cristo pelos laços da fraternidade. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27). 
    4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se, sim, de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno. 
    5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função especial de ordem cristológica... Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Quaisquer que sejam nossas diferenças confessionais (=de religião), não há razão alguma que impeça de unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a liturgia celeste, e de modo especial com a Mãe de Deus. 
    Este documento é assinado por teólogos e pastores luteranos, anglicanos, reformados, bem como por teólogos ortodoxos e católicos! 
    Conclusão: no culto e oração dos Santos nada há que fira a unicidade da mediação, da santidade e da glória de Cristo! É ele, Autor da santidade, que é grande e admirável nos seus Santos!


    Dom Henrique Soares da Costa



    "Imaculada Virgem e Mãe minha, Maria santíssima, a vós que sois a Mãe de meu Salvador, Rainha do céu, advogada, esperança e refúgio dos pecadores, recorro, neste dia, eu que sou o mais miserável de todos os pecadores.
    Ó soberana Senhora, eu vos agradeço todas as graças e mercês que do vosso divino Filho até hoje me tendes alcançado, especialmente a graça de ficar livre do inferno que, por meus pecados, tantas vezes tenho merecido.
    Devotadamente vos amo, ó Mãe amabilíssima, e, pelo amor que vos consagro, proponho sempre servir-vos e fazer todo o possível para que sejais servida e amada por todos os homens.
    Em vós, Mãe de misericórdia, depois de meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, ponho toda a minha confiança e todas as minhas esperanças. Recebei-me como vosso servo e defendei-me, ó Maria, com vossa proteção.
    E, já que sois tão poderosa diante de Deus, livrai-me de todas as tentações e alcançai-me a graça de vencê-las, perfeitamente, até a morte.

    (Rezar a Ave-Maria)
    Bendita seja a Santa e Imaculada conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus. Amém."