sexta-feira, 25 de março de 2016

5 fatos que talvez você não saiba sobre o Pe Pio e seu anjo

 




 "São Padre Pio é o unico, junto a Santa Gemma Galgani, que no século XX tenha passado toda a vida a falar não somente com o seu anjo da guarda, mas também com aqueles dos outros. Frequentemente dizia aos seus filhos espirituais: "Se necessitas de mim, manda-me o teu anjo da guarda"






1. Achava que todos podiam vê-lo
Segundo a Obra dos Santos Anjos, associação católica que difunde entre os fiéis a devoção dos santos Anjos e possui estatutos próprios aprovados pela Santa Sé, dizem que quando o Pe. Pio ainda era muito pequeno começou a ter visões do seu anjo da guarda, Jesus e Maria. Sua mãe disse que ele pensava que todo mundo podia vê-los.
 
2. Juntos contra o demônio
Em certas ocasiões, o demônio manchava as cartas que seu confessor lhe enviava e seguindo o conselho do seu anjo da guarda, quando chegava uma carta, antes de abri-la, o santo a aspergia com água benta e desta maneira podia lê-las.
“O companheiro de minha infância tenta suavizar as dores que me causavam aqueles impuros apóstatas embalando meu espírito como sinal de esperança” (Carta. I,321), destacava o santo sacerdote.
Não obstante, certa vez o demônio estava batendo em Pe. Pio e o santo chamou várias vezes em voz alta seu anjo da guarda, mas foi inútil. Em seguida, quando o anjo apareceu a consolá-lo, Pe. Pio zangado lhe perguntou por que não o socorreu.
O anjo lhe respondeu: “Jesus permite estes assaltos do diabo porque Sua compaixão te faz querido a Ele e queria que lhe assemelhasse isso no deserto, no jardim e na cruz” (Carta I, 113).
 
3. Traduzia as cartas
Quando recebia alguma carta escrita em francês, o anjo da guarda a traduzia. Uma vez, Pe. Pio escreveu: “Se a missão de nosso anjo da guarda é importante, a do meu com certeza é maior, porque também deve ser professor na tradução de outras línguas” (Carta I,304).
 
4. Seu anjo o despertava e rezava com ele
Narrava o Santo capuchinho: “De noite, fechava meus olhos, via descer o véu e abrir-se diante de mim o paraíso; e, consolado por esta visão, durmo com um sorriso de doce e feliz nos lábios e com uma grande tranquilidade no meu semblante, esperando que meu pequeno companheiro de infância venha despertar-me e, desta forma, rezar juntos as orações matutinas ao amado de nossos corações” (Carta I,308).
 
5. Falava com outros anjos da guarda
“Se precisarem de mim – repetia o Santo aos seus filhos espirituais –, podem me mandar seu anjo da guarda”. Certo dia, Frei Alessio Parente (Frei menor capuchinho) aproximou-se de Pe. Pio com algumas cartas na mão a fim de fazer-lhes algumas perguntas e o sacerdote não pôde atendê-lo.
Em seguida, o sacerdote dos estigmas o chamou e lhe disse: “Não viu todos aqueles anjos que estavam aqui ao meu redor? Eram os anjos da guarda dos meus filhos espirituais que vieram trazer-me suas mensagens. Tive que responder-lhes rapidamente”.
O venerado Pe. Pio de Pietrelcina sempre reconheceu e agradeceu a missão do anjo da guarda como “mensageiro” e por isso recomendava sua devoção.


 Carta de Padre Pio a Padre Bento de 21 de agosto de 1918

(A noite do dia 5 de agosto confessava os jovens, foi ferido por um personagem, com longa lamina cuja ponta era de ferro)

"...Eu não venho a dizer-vos aquilo que aconteceu naquele período de superlativo martírio.
Estava confessando os nossos jovens na noite do dia cinco, quando tudo derrepente foi invadido por um extremo terror à vista de um personagem celeste que me se presenta diante ao olho da inteligência. Tinha na mão uma espécie de objeto, simile a uma longa lamina de ferro com uma ponta bem afiada e que parecia que dessa ponta saísse fogo.
Ver tudo aquilo e observar este personagem jogar com toda força este objeto na alma, foi tudo uma coisa só. Com dificuldade emeti um lamento, me sentia morrer. Disse ao jovem que fosse embora, porque me sentia mal e não havia força para continuar.
Este martírio durou, sem interrupção, até a manhã do dia sete. Aquilo que eu sofri naquele periodo não posso nem contar. Até as vísceras eu via que vinha tirada e estirada atrás naquele objeto e tudo era colocado a ferro e fogo. Daquele dia a hoje eu fui ferido a morte. Sinto no mais intimo da alma uma ferida que está sempre aberta, que mi faz sofrer assiduamente...".


Carta do Padre Pio ao Padre Agostinho do dia 18 de Janeiro de 1913

(Padre Pio se lamenta com o anjo da guarda depois de um violento ataque diabólico)

"...Me lamentei com o anjinho e este depois de me ter feito uma ladainha, acrescentou: "Agradeça Jesus que te trata como eleito seguindo ele de perto pela dura estrada do Calvário; eu vejo, alma entregue à minha custodia por Jesus, com alegria e comoção do meu interno este comportamento de Jesus contigo. Acreditas que eu seria contente, se não te visse tão abatido? Eu que na caridade santa desejo somente vantagem para ti, gozo sempre mais em ti ver neste estado. Jesus permite estes assaltos do demonio, porque a sua piedade ti transforme e quer que tu o assemelhe na angústia do deserto, do horto e da cruz.
Tu, defende-te, afasta sempre e despreza as malígnas insinuações e onde as tuas forças não podem chegar não te amedrontar, com o meu coração eu estou perto de voçe". Quanto privilegio, meu pai! O que eu fiz para mereçer tudo isto do meu anjinho?...".


Carta de Padre Pio a Raffaelina Cerase do dia 20 Abril de 1915

(Padre Pio insiste com Raffaelina para que tenha confiança no seu Anjo da Guarda)

"...Tenhais o belo hábito de pensar sempre nele. Ao nosso lado existe um espirito celeste que, do nascimento à morte, não nos abandona nem um instante, que nos guia, nos proteje como um amico, como um irmão e que nos consola sempre, especialmente nas horas que são para nós, as mais tristes. Sabia, Raffaelina, que este bom anjo reza por ti; oferece a Deus todas as boas obras que fazes, os teus desejos mais santos e puros. Nas horas em que te parece de ser só e abandonada, não ti lamentas de não ter uma amiga para poder abrir o teu coração e contar as tuas penas: por caridade, não esquecer este companheiro invisível, sempre presente para te escutar, sempre pronto a te consolar, Oh, deliciosa intimidade! Oh, feliz companhia...".



15 conselhos do Padre Pio para os que estão sofrendo

Está difícil manter-se firme na esperança e na fidelidade a Deus? Então este texto é para você



 O Padre Pio recebeu dons especiais de Deus, como o discernimento das almas e a capacidade de ler as consciências; curas milagrosas; bilocação; dom das lágrimas; perfume de rosas; e sobretudo os estigmas nos pés, mãos e lado, que ele padeceu durante 50 anos.

Ao longo da sua vida, ele escreveu milhares de cartas às pessoas que dirigia espiritualmente, e estas cartas são uma fonte de sabedoria cristã prática e de grande utilidade.

Apresentamos, a seguir, uma pequena seleção de pensamentos do Padre Pio diante do sofrimento, extraídos de suas cartas; tais pensamentos dão esperança e elevam a alma:

1. O sofrimento suportado de maneira cristã é a condição que Deus, autor de todas as graças e de todos os dons que conduzem à salvação, estabeleceu para conceder-nos a glória.

2. Quanto mais sofrimentos você tiver, mais amor receberá.

3. Jesus quer preencher todo o seu coração.

4. Deus quer que sua incapacidade seja a sede da sua onipotência.

5. A fé é a tocha que guia os passos dos espíritos desolados.

6. No tumulto das paixões e das vicissitudes adversas, que nos sustente a grata esperança da inesgotável misericórdia de Deus.

7. Coloque toda a sua confiança somente em Deus.

8. O melhor consolo é aquele que vem da oração.

9. Não tema por nada. Ao contrário, considere-se muito afortunado por ter sido considerado digno e partícipe das dores do Homem-Deus.

10. Deus o deixa nessas trevas para a sua glória: esta é a grande oportunidade do seu progresso espiritual.

11. A felicidade só se encontra no céu.

12. Quanto mais crescem as tentações do demônio, mais perto a alma está de Deus.

13. Bendiga o Senhor pelo sofrimento e aceite beber o cálice do Getsêmani.

14. Suporte os sofrimentos durante toda a sua vida para poder participar dos sofrimentos de Cristo.

15. A oração é a melhor arma que temos: é uma chave que abre o coração de Deus.



ORAÇÃO AOS PÉS DA CRUZ
Ó meu Jesus, dai-me a vossa força quando a minha pobre natureza se revolta diante dos males que a ameaçam, para que possa aceitar com amor as penas e aflições desta vida de exílio. Uno-me com toda a veemência aos vossos méritos, às vossas dores, à vossa expiação, às vossas lágrimas, para poder trabalhar convosco na obra da salvação. Possa eu ter a força de fugir ao pecado, causa única da vossa agonia, do vosso suor de sangue, e da vossa morte.
Afasteis de mim o que vos desagrada, e imprimi no meu coração com o fogo do vosso santo amor todos os vossos sofrimentos. Abraçai-me tão intimamente, em abraço tão forte e tão doce, que nunca eu possa deixar-vos sozinho no meio dos vossos cruéis sofrimentos.
Só desejo um único alívio: repousar sobre o vosso coração. Só desejo uma única coisa: partilhar da vossa Santa Agonia. Possa a minha alma inebriar-se com o vosso Sangue e alimentar-se com o pão da vossa dor!

sexta-feira, 18 de março de 2016

CATECISMO ANTICOMUNISTA


 



Catecismo Anticomunista
Uma raridade....o livrinho  O "Catecismo Anticomunista", escrito por D. Geraldo, foi sucesso numa época (anos 60), em que este país era muito mais Católico, onde as palavras e ensinamentos do citado sacerdote alcançavam notável repercussão! Mas trata-se de tema bem atual; afinal, hoje vemos uma inegável expansão neocomunista.
Abraço aos amigos



Catecismo Anticomunista



I. O QUE É O COMUNISMO E O QUE ELE ENSINA
1 Que é o comunismo?
           O comunismo e uma seita internacional, que segue a doutrina de Karl Marx, e trabalha para destruir a sociedade humana baseada na, lei de Deus e no Evangelho, bem como para instau­rar o reino de Satanás neste mundo, implantando um Estado ímpio e revolucionário, e organizando a vida dos homens de sorte que se esqueçam de Deus e da eternidade.
2 Qual é a doutrina que a seita comunista ensina?
            A seita comunista ensina a doutrina do mais completo materialismo.
3 Que ensina o materialismo comunista a, respeito de Deus?
            O materialismo comunista ensina que Deus não existe, e que só existe a matéria.
4 Contenta-se a seita comunista em ensi­nar que não há Deus e que só existe a matéria?
           A seita comunista dá grande importância a um materialismo pratico, em que o homem cogita se Deus existe ou não, mas procede, pensa e organiza sua vida sem se incomodar com Deus nem se lembrar dEle. Assim; aos poucos chega também ao materialismo teórico.
           O comunista verdadeiro é materialista teórico e prático, para poder levar seus prosélitos ao caminho aludido.
5 Que pensa a seita comunista a respeito da alma?
            Para a seita comunista o homem é só matéria, e a alma não existe.
6 Que pensa a seita comunista a respeito da eternidade?
            Para a seita comunista o homem desaparece totalmente após a morte. Não há Céu nem inferno, não há felicidade nem castigo depois desta vida.
7 Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?
            Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.
8 Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?
            A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.
9 O homem, segundo pendi de Deus e da sua lei?
            Não. Uma vez que só há mataria, o homem não depende de Deus, que não existe; ele é supremo senhor de si mesmo.



II. ATITUDES DO COMUNISMO PERANTE A RELIGIÃO
10 A seita comunista dá importância à Religião?
            Embora negue a existência de Deus, e afirme que a Religião é coisa quimérica, o comu­nismo dá grande importância ao fato de que existe Religião no mundo, porque vê nela o seu maior inimigo. Lenine a chama de “ópio do povo”.
11 Por que a Religião é inimiga do comunismo?
            A verdadeira Religião, que é a Religião Católica, é inimiga mortal do comunismo, porque ensina exatamente o contrario do que ele ensina, e inspira os fieis a preferirem a morte às doutrinas e ao regime comunista.
12 Que faz o comunismo com a Religião?
           Com a Religião Católica a luta do comu­nismo é de morte: só poderia cessar se chegasse a destruir em todo o mundo a Igreja verdadeira (o que e impossível). Quanto às outras religiões, a seita usa de duas táticas: quando sente que uma delas é um empecilho para a sua vitoria, ataca-a; mas se vem a perceber que se pode servir de alguma religião para se propagar, ou mesmo pala matá-la, então a tolera e até favorece na aparência, para a destruir mais radicalmente.
13 Para conquistar o poder, que faz a seita comunista com referência à Igreja Católica?
            Para conquistar o poder, a seita comu­nista procede da seguinte maneira com relação à Igreja Católica:
           a) Procura persuadir os católicos de que não há oposição entre os objetivos da seita e a doutrina da Igreja. Procura até apresentar as idéias comunistas como a realização da doutrina do Evangelho.
           b) Procura criar urna corrente intitulada de “católicos progressistas”, “católicos socialistas” ou “católicos comunistas”, para desorientar e desunir os católicos.
           c) Procura atirar as organizações católicas contra os outros adversários naturais do comunismo, como os proprietários, os militares, as autoridades constituídas, para dividir e destruir os que se opõem a conquista do poder pelo Partido Comunista.
           d) Favorece as modas e costumes imorais para minar a família e portanto a civilização cristã da qual a família é viga mestra.
           e) Mantém nas nações cristãs a sociedade em constante agitação, fomentando antagonismo entre as classes, as regiões do mesmo pais, etc.
14 Depois de conquistado o poder, que faz a seita • comunista com a Igreja Católica?
            Sua tática com a Igreja Católica, depois de conquistado o poder, varia de acordo com as circunstâncias. Mas os passos da luta em geral são os seguintes:
           a) envolver os católicos nos movimentos promovidos pelo Partido Comunista;
           b) afastar os Bispos, Sacerdotes e Religiosos que resistem; se preciso, matá-los;
           c) liquidar os líderes católicos;
           d) separar a Igreja do país, da obediência ao Santo Padre.


15 Pode um católico colaborar com os movimentos comunistas?
            A coisa que os comunistas mais desejam é que os católicos colaborem com eles. Quem começar a colaborar, terminará comunista. “Cola­borou? Morreu!”
16 Se o comunismo ensinasse que Deus existe, e tolerasse a Religião, os católicos poderiam ser comunistas?
            No dia em que o comunismo admitisse que Deus existe, e que ele é Senhor nosso, já não seria propriamente comunismo.
III. PONTOS BÁSICOS DA DIVERGENCIA ENTRE COMUNISMO E CATOLICISMO
17 Então a divergência entre a seita comunista e o Catolicismo se verifica só no campo religioso?
            Não. Além do campo religioso, há mui­tos outros campos em que as divergências entre a seita comunista e o Catolicismo são irredutíveis.
18 Em que outros pontos fundamentais existe esta divergência radical?
            Esta divergência existe em todos os pon­tos. Mas ela é mais fundamental em relação à verdade e a moral, a família, a propriedade e a desigualdade social.
19 Que ensina o comunismo a respeito da verdade?
            Ensina a Igreja que Deus criou o mundo e criou a alma humana, que é inteligente. A alma conhece a verdade das coisas. Ela afirma que urna coisa é idêntica a si mesma, dizendo o que é, é; o que não é, não é.
           O comunismo ensina que não há verdade. Uma coisa pode ser e não ser, ao mesmo tempo. Uma coisa é ela e o contrário dela.
20 Então o comunismo não admite a verdade?
            Não. Para o comunista não interessa que uma afirmação corresponda à realidade ou não.
           Para ele, “verdade” é o que ajuda a fazer a Revolução. A mesma afirmação pode ser hoje e amanhã, sucessivamente, “verdade” e “mentira”, de acordo com a conveniência do Partido. As­sim, houve tempo em que Stalin era um herói para a seita comunista. Hoje é um bandido declarado.
           Não há verdade objetiva.
21 Que outra grande divergência existe entre o comunismo e o Catolicismo?
            O Catolicismo ensina que Deus é absolu­tamente santo. E por isto, as ações humanas que estão de acordo com Deus são boas; e as que vão contra a ordem que Ele estabeleceu são más.
           O comunismo, – que é materialista, ensina que não existe moral. Quando uma ação e útil ao Partido, é boa; quando prejudica o Partido, e má.
22 Dê um exemplo.
            Para o católico as boas relações dos fi­lhos com os pais constituem um bem.
           Para o comunista, essas boas relações podem ser um bem, e podem ser um mal. Se os pais se opõem à Revolução, o filho deve odiá-los, denun­ciá-los, e, se for preciso, depor nos processos contra eles e até matá-los. Se os pais trabalham para a Revolução, o filho deve mostrar-lhes amor e colaborar com eles.
23 Poderia dar outro exemplo?
            Outro exemplo seria o seguinte. Se o Brasil entrar em guerra contra a Rússia, o comu­nismo ensina que os brasileiros deverão trair sua Pátria, trabalhar para que os nossos soldados sejam derrotados e o Brasil dominado pelos soviéticos.
           Mas, se por desgraça o Brasil passar a aliado da Rússia, os brasileiros deverão mudar de orien­tação e lutar pela vitória do Brasil.
           Em resumo: é bom o que ajuda a Revolução, é mau o que a combate ou prejudica.
24 o comunismo ensina a respeitar as famílias?
            Como o homem é um animal, a família vale tanto como um casal de bichos. Por isto o comunismo ensina a dissolver as famílias, a violentar as mulheres dos povos que não são comunistas, e a respeitar as “famílias” dos que o são.
25 Que aconteceria às nossas famílias católicas se o comunismo dominasse o Brasil?
           Os pais que resistissem à profanação do seu lar poderiam ser mortos; as filhas e esposas ficariam expostas à violação; as famílias perderiam suas propriedades e seriam arruinadas e destruídas.
26 O comunismo acha que o Direito é sagrado?
           Como não admite a existência de Deus nem da alma, o comunismo não reconhece a digni­dade do homem e nega que o Direito exista. Somente reconhece a força.
27 Pode dar um exemplo?
            Se eu der um osso a um cão, este não adquire um direito ao osso. Posso lhe tirar o osso sem ferir nenhum direito. A razão é a seguinte: não tendo alma, o cão não é uma pessoa. Não sendo pessoa, não tem direito. Uma vez que para o comunismo o homem não é pessoa, e sim ani­mal, ele não tem direito. O Estado lhe dá o que quiser, e quando quiser lhe tira. O homem é menos que um escravo; é uma rês.
28 Qual é a definição do homem?
            Para o católico: o homem é um animal racional, dotado de personalidade e de direitos.
           Para o comunista: o homem é um animal trabalhador.
IV. A ESSÊNCIA DO HOMEM É SER TRABALHADOR
29 Qual é o papel do trabalho na vida?
            Para o católico; o trabalho é meio de conseguir certos recursos que possibilitam ao ho­mem gozar dos bens que Deus criou para ele. O trabalho existe para o homem.
           Segundo o comunismo, o homem existe para o trabalho. O trabalho é o fim da vida.
30 Se o homem é um animal trabalhador, deve ele trabalhar sempre?
            Para a seita comunista quem não trabalha não é homem. Quanto mais o homem trabalha; mais homem é. Assim, ele pode mudar a sua própria natureza, vivendo somente para o trabalho.
31 Então o homem não tem uma natu­reza estável, que Deus lhe deu?
            Segundo a doutrina católica, tem. Deus constituiu a natureza humana imutável. Para o comunista, uma lei universal levou a matéria até a forma humana. Esta forma está em evolução. É o homem que dá a si mesmo a sua natureza, mediante o trabalho. O homem é o criador de si próprio.
32 Quem deve, então, ser adorado?
            Para o católico, Deus deve ser adorado, porque é o Criador do céu e da terra.
           O comunista recusa adoração a Deus. Em vez de adorar ao Criador, ele adora o Estado co­munista e totalitário.
V. A REVOLUÇÃO E A CRISTANDADE
33 Qual é para o comunismo o critério supremo da verdade, da moral e do direito?
            O critério supremo da verdade, da moral e do direito é para o comunismo a ação revolucionária.
           Assim como para o católico o fim supremo é a vida eterna, para o comunista o fim supremo da vida é a Revolução.
34 Que e a Revolução?
            Revolução, com maiúscula, é a rejeição de Deus, de Cristo, da Igreja, e de tudo o que deles provém, é a organização da vida humana somente segundo a razão humana e as paixões humanas. Seu ideal é a Cidade do homem sem Deus, oposta à Cristandade e à ordem natural, que é a Cidade de Deus.
35 Que é a Cristandade?
            Cristandade é a sociedade temporal organizada segundo Deus, isto é, de acordo com o direito natural e a palavra de Deus, revelada por Jesus Cristo, transmitida, interpretada e aplicada à vida pela Igreja Católica.
36 Quais são os fundamentos da Cristandade?
            Os fundamentos da Cristandade são dois: o direito natural e a Revelação, trazida por Jesus Cristo e transmitida pela Igreja Católica.
VI. VIRTUDES QUE FUNDAMENTAM A CRISTANDADE E PAIXÕES QUE MOVEM A REVOLUÇÃO
37 Sobre que virtudes se baseia a Cris­tandade?
            A Cristandade se baseia principalmente sobre as seguintes virtudes: a fé, a castidade e a humildade.
38 Que paixões desordenadas são a mola da Revolução?
           O orgulho, que rejeita a fé; a sensualidade que rejeita a castidade; a soberba, que rejeita a humildade, são as molas principais da Revolução.
39 Quais são as conseqüências destas paixões?
            Do orgulho, que rejeita a fé, nasce a negação da vida eterna como fim da existência terrena, bem como a negação de Deus, e de Cristo como Senhor do homem.
           Da sensualidade, que rejeita a castidade, nas­ce o desejo de gozar esta vida de todas as formas, e em conseqüência ela conduz ao desprezo e a dissolução da família.
           E da soberba, que rejeita a humildade, nasce a revolta  contra a autoridade divina e humana, e contra todas as limitações que o homem pode sofrer. De modo especial ela conduz ao igualitarismo, isto é, ao ideal comunista de uma sociedade sem classes.
40 Que se entende ai por classe social?
           Classe social e um conjunto de pessoas — e suas respectivas famílias — cujas funções na sociedade são diversas, porém iguais em dignidade. Exemplo: advogados,  médicos, engenheiros, fazen­deiros, oficiais das Forças Armadas, apesar da diversidade de suas funções, constituem com suas famílias uma mesma classe social. — Todas as classes sociais são dignas, mas não iguais em dignidade. Por exemplo: o trabalho manual é digno e foi até exercido pelo Verbo Encarnado; todavia, a dignidade do trabalho intelectual é intrinsecamente maior: o espírito é mais do que a matéria.
41 A que titulo a família faz parte da classe social?
            De acordo com a lei natural e a doutrina da Igreja, a família participa de algum modo, não só do patrimônio, como da dignidade, honra e consideração de seu chefe, com o qual forma um só todo e a cuja classe social pertence. Sendo inerente à família a transmissão aos filhos, não só do patrimônio dos pais, como também, de certo modo, da honra e consideração que se prende ao nome paterno, a presença da família na classe so­cial dá a esta um certo caráter de continuidade hereditária.
42 Então uma pessoa não pode passar pare uma classe a que não pertence a sua família?
           Pode. Não se deve confundir classe so­cial com casta. No regime pagão das castas existe entre estas uma barreira intransponível. Cada pes­soa pertence necessariamente, por toda a vida, à casta em que nasceu. Isto, quaisquer que sejam suas ações, boas ou más. Na civilização cristã, não há castas impermeáveis, mas classes sociais permeáveis. Ou seja, a pessoa pertence à classe em  que nasceu, mas pode elevar-se a outra se tiver um mérito saliente. Bem como pode decair, em razão de seu mau procedimento. Assim, o princípio da hereditariedade se harmoniza com o postulado da justiça.
           O comunismo, ao invés, quer uma sociedade sem classes, em que todos sejam iguais, no que contraria o princípio natural da hereditariedade e as exigências da justiça.
VII. O PROLETÁRIO É O ÚNICO HOMEM IDEAL, SEGUNDO O COMUNISMO
43 Se não há Direito, como pode, segun­do os comunistas, existir a sociedade?
            A sociedade, segundo os comunistas, exis­tirá sem Direito: existirá pela força.
44 Em mãos de quem ficará a força na sociedade?
            Aqueles que representam o homem mais perfeito hão de ter em suas mãos a força na sociedade.
45 Quem representa o homem mais per­feito, de acordo com o comunismo?
           Segundo o comunismo, os proletários não tem nenhuma raiz que os prenda ao passado ou a sociedade presente, e portanto são os homens mais livres de limitações; são eles que, unidos, constituem a maior força revolucionaria. Para a seita comunista o proletário é, pois, o homem mais perfeito. De fato, em sua mentalidade não existem os “entraves” e as “degenerescências” que ligam as outras classes à ordem social vigente.
           Por isso mesmo, a seita o considera como o instru­mento ideal da Revolução.
46 Que devem fazer os proletários, de acordo com o comunismo?
            De acordo com o comunismo, os proletários devem mover guerra às outras classes, e im­plantar a ditadura do proletariado, que pela violência extermine a Igreja, o Clero, os nobres, os ricos, os proprietários, os que se realçam pela inteligência, todos os homens independentes, e assim destrua tudo o que se opõe á Revolução.
VIII. A LUTA DE CLASSES
47 Como se chama esta oposição entre os proletários e os demais cidadãos?
            Esta oposição se chama luta de classes.
48 Esta luta durará muito?
            Para os comunistas, esta luta não termi­nará senão quando no mundo inteiro só houver a classe dos proletários, isto é, dos trabalhadores que não têm nada de próprio.
IX. A PROPRIEDADE, A VIDA HUMANA E A ESCRAVIDÃO DO OPERARIADO
49 O indivíduo, no regime comunista, não pode possuir nada?
            No regime comunista o indivíduo não é dono de nada. Tudo é do Estado.
50 O comunismo não admite por vezes o direito de propriedade?
            Quando está no poder, o comunismo às vezes concede o uso de algum imóvel a um ou outro trabalhador. Mas não reconhece o direito de propriedade, pois pode tomar tudo a todos, quando quiser. O homem, no regime comunista, não tem sequer direito ao fruto do seu trabalho.
51 No regime comunista ninguém é, en­tão, dono de nada?
            No regime comunista ninguém é dono de nada: nem do dinheiro, nem da fábrica, nem do campo, nem da casa, nem da profissão, nem de si mesmo. Tudo é do Estado, tudo depende do Estado.
52 Então o regime comunista é de escravidão?
           O regime comunista estabelece a mais completa escravidão, pois não reconhece ao ho­mem nenhum direito.
53 O comunismo respeita a vida humana?
            Não. Uma vez que o homem não passa de animal, o comunismo trata a vida humana como nós tratamos a dos bois. Se fôr preciso, mata-se. Assim, para dominar a Rússia foi preciso assassi­nar cerca de 20 milhões de russos, ou fuzilando-os, ou deixando-os morrer de fome. Nos campos de concentração da União Soviética, ao tempo de Stalin, calcula-se que havia 16 milhões de homens e mulheres de todas as categorias, padres, intelectuais, operários, que trabalhavam como escravos e acabaram morrendo de miséria. Para conquistar o poder, os comunistas chineses assassi­naram vários milhões de pessoas. Para dominar os católicos da Espanha, as milícias bolchevistas mataram onze Bispos e 16.852 Sacerdotes e Religiosos, bem como muitos milhares de pais  de família.
54 No regime comunista, o operário pode se queixar, fazer greve, trocar de serviço?
            Não. O Partido marca onde o operário deve trabalhar. Neste trabalho ele deve produ­zir o máximo. Não pode reclamar, e nem é bom pensar em greve, porque quem pensar vai para o degredo na Sibéria, para um campo de concentra­ção ou para a forca. No regime comunista o operário não tem direito algum.
55 Os comunistas mantêm sempre os operários na miséria?
            Até hoje a situação material dos operários em todos os países comunistas é em geral miserável. Todavia, a Rússia promete que no ano 2000 os trabalhadores russos terão a mesma situa­ção que têm atualmente os seus colegas ocidentais. O comunismo não se interessa pelo bem-estar dos operários senão enquanto ele é útil para a Revolução, por isso, se os operários, obtido o bem-estar, começam a desobedecer, volta de novo a miséria. O comunismo trata os trabalhadores como reses, ou como escravos. O senhor de es­cravos dava-lhes comida porque lhe interessava que eles fossem fortes e sadios, para poderem trabalhar. Mas, se em dado momento parecer ne­cessário às autoridades comunistas reduzir gravemente o padrão de vida da classe trabalhadora, em favor do desenvolvimento das industrias do Estado ou do seu poderio militar, fá-lo-ão sem hesitação, pois para elas o operário é escravo e o escravo não tem direito.
56 Nos países não comunistas, o comu­nismo quer melhorar a situação dos operários?
            Não. Nos países não comunistas o comunismo quer que os operários fiquem tão miseráveis, que cheguem ao desespero, e assim provoquem greves e desordens, as quais os comunistas apro­veitarão para derrubar o governo legítimo e im­plantar a sua ditadura.
57 Nos países dominados pelos comunis­tas não há diferenças de riqueza e de classe social?
            O comunismo promete abolir as diferenças de riqueza e de classe. Mas isto é contra a natu­reza humana. Destruindo a moral e o direito, o comunismo favorece um grupo de dirigentes e de membros do Partido, que dispõem de grandes ri­quezas e vivem com fartura e luxo em casas sun­tuosas, enquanto o operário em geral passa privações, e obrigado a trabalhar onde o Partido manda, tem para morar somente um quarto, onde se amon­toam os pais, os filhos e todos os membros da família, sem cozinha, nem banheiro próprios. A diferença entre os que mandam e os outros é mui­to maior que entre os capitalistas e os operários.
X. O PAPEL DE SATANÁS
58 Quem inventou este regime?
           Quem inventou este regime foi Satanás, que sabe que o melhor meio de levar os homens à perdição eterna e fazê-los rebelarem-se contra a ordem constituída por Deus.
59 Como que Satanás consegue adeptos para este regime?
            Prometendo aos homens o paraíso na terra se eles renunciarem a Deus e ao Céu, Satanás con­segue enganá-los como o fez a nossos primeiros pais, e o resultado é o inferno na terra e na eter­nidade.
XI. A VIOLÊNCIA E A LIBERDADE
60 Como se implanta o regime comunista?
            O regime comunista é implantado, em ge­ral, pela violência. Os comunistas procuram che­gar ao poder de qualquer modo: por eleições, por pressão de tropas estrangeiras, por golpes arma­dos. Uma vez no poder, destroem toda oposição, e implantam a ditadura, em nome do proletariado.
           
61 Então são os operários que passam a mandar?
            Não. Os operários não mandam. Eles passam a situação de escravos, trabalham onde o governo os manda trabalhar, não podem se afastar dali; recebem o salário que o governo quer e, se reclamam, podem até ser fuzilados.
62 O comunismo admite direito, à greve?
           Nos países que quer dominar, o comunis­mo exige que a lei estabeleça o direito de greve; e organiza paredes para desmantelar a economia nacional. Mas, uma vez dominado o país, não to­lera a greve em nenhuma hipótese, e sujeita o operário à mais tirânica escravidão
63 É somente pela violência que o comunismo é implantado?
           Em geral o comunismo é implantado pela violência; mas ele é preparado por muitas atitudes dos cristãos.
XII. O MATERIALISMO DO OCIDENTE PREPARA O CAMINHO DO COMUNISMO
64 Que atitudes dos cristãos preparam a vitória do comunismo?
           Como o comunismo nasce do materialismo, da sensualidade e do orgulho, o materialismo prático dos cristãos que vivem como se não houvesse a eternidade cria o caldo de cultura em que o bacilo comunista prolifera.
65 Dê alguns exemplos destes materialistas práticos.
            Posso dar os seguintes exemplos: quem só se preocupa com ganhar dinheiro; quem pro­cura gozar dos prazeres da vida, embora lícitos, sem se interessar pela prática da oração e da peni­tência; quem se entrega ao jogo; quem freqüenta lugares suspeitos; quem se veste com sensualidade, sem modéstia; quem dança as danças modernas; quem lê revistas obscenas ou sensuais; os freqüen­tadores do cinema e da televisão imorais; quem se desinteressa pela graça santificante, pecando como se não houvesse pecado.
XIII. A IGREJA E OS OPERARIOS
66 Que tem feito a Igreja pelos pobres e operários?
            A Igreja, ao longo da Historia, aboliu a escravatura, defendeu os fracos e pobres, ensinou os ricos e poderosos a amparar os humildes, difun­diu a justiça e a caridade. Organizou os trabalha­dores em grandes sociedades chamadas corporações, que cuidavam de sua formação técnica, de sua prosperidade material, do bem espiritual deles e de sua família, lhes davam assistência na doença e cuidavam dos seus filhos em caso de morte. Estas associações sofreram um golpe de morte com a Revolução Francesa, mas duraram em muitos países até as agitações do ano de 1848; na Alemanha elas ainda existem.
67 Depois de 1848 a Igreja não fez mais fada pelos operários?
            O individualismo introduzido pela Revolução Francesa destruiu as corporações católicas e deixou os operários entregues à própria sorte. Então a Igreja empreendeu um grande trabalho em favor deles, simultaneamente em três pontos.
68 Qual foi a primeira frente que a Igreja atacou?
            A Igreja Católica procurou, de início, principalmente minorar a miséria das pessoas. Para este fim multiplicou as Santas Casas, os orfanatos, asilos para velhos, Oratórios festivos, creches, e obras de assistência social. Assim é que, para dar um exemplo, no Estado de São Paulo, atualmente, de cada cem instituições de caridade ou de assistência, oitenta são mantidas pela Igreja Católica. Os comunistas não mantêm nenhuma. As vinte restantes pertencem a outras igrejas, às organizações leigas e ao Poder público. Nos outros Estados do Brasil, a proporção de obras mantidas pela Igreja é ainda maior. E note-se que as instituições de caridade e assistência mantidas e dirigidas pela Igreja funcionam admiravelmente. Basta ver um hospital dirigido por Religiosas.
69 Qual foi a segunda frente que a Igreja atacou?
            Enquanto fundava e organizava instituições de caridade e de assistência, a Igreja lutava para corrigir os defeitos da sociedade que geravam tanta miséria. Desde o Papa Pio IX, e principalmente no pontificado de Leão XIII, Ela insistiu com os ricos, os patrões, o Estado e os trabalhadores para que se lembrassem da ordem social que Deus quer e Jesus Cristo fundou, e se aplicassem a melhorar as condições de vida do operário. Os Papas ensinaram que o trabalho não é mercadoria, e que o homem que trabalha tem direito a um salário nas seguintes condições: a) que lhe permita viver com dignidade; b) que dê para criar e educar os filhos; c) que possibilite ao trabalhador diligente e econômico formar um pecúlio que melhore a sua situação e lhe garanta o futuro.
70 Os ensinamentos dos Papas tiveram resultado?
           Os ensinamentos dos Papas já modificaram completamente, em muitos países, a mentalidade dos patrões e dos operários, e melhoraram felizmente as condições destes últimos. Mas a Igreja continua a insistir, e o atual Pontífice, Sua Santidade o Papa João XXIII, publicou há pouco a Encíclica “Mater et Magistra”, em que ensina mais uma vez como os patrões devem tratar os trabalhadores, para que haja justiça, caridade e paz.
71 Qual foi a terceira frente em que a Igreja empreendeu o grande trabalho em favor dos operários?
           A Igreja, enquanto atendia as misérias mais gritantes e imediatas, e ensinava aos patrões e operários como devia ser as suas relações de acordo com a justiça e a caridade, promovia a organização destes e daqueles em associações, que se chamam corporações, círculos operários, etc. Estas organizações formam nos vários países grandes confederações, como na França a Confederação dos Trabalhadores Cristãos, na Itália a Asso­ciação Católica dos Trabalhadores Italianos, no Brasil a Confederação dos Círculos Operários, etc.
72 Em que mais os Papas insistiram?
            Os Papas insistiram em que os operários se unam, para juntos defenderem os seus direitos, respeitando, porém, os direitos dos patrões. Os Papas aconselham a estes que, na medida do possível, melhorem o salário e as condições dos trabalhadores, dando-lhes mais do que o estritamente justo.
73 Quais os Papas que mais se salientaram , na ação em favor dos  direitos do operário, e da justiça e harmonia entre as classes sociais?
            Todos os Papas se têm desvelado pela melhora da dura situação que começou para os operários com a Revolução Francesa. De um modo especial devem-se mencionar os seguintes Pontífi­ces: Leão XIII, autor da Encíclica “Rerum Novarum”; Pio XI, autor da Encíclica “Quadragesimo Anno”; João XXIII, autor da Encíclica “Mater et Magistra”.
74 Que Papas se salientaram na luta contra o comunismo?
            Todos os Papas, de Pio IX a João XXIII, tem condenado o comunismo. A Encíclica “Divini Redemptoris” de Pio XI trata especialmente do assunto, com grande, clareza e vigor. Durante o pontificado de Pio XII, a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício fulminou com a pena de excomunhão quem pertence ao Partido Comu­nista ou colabora com ele.
75 Quais as conseqüências práticas desta excomunhão?
            Os membros do Partido Comunista e os que com ele colaboram não podem receber os Sacramentos nem ser padrinhos de batismo, confir­mação e casamento, ficam privados de enterro reli­gioso e sepultura eclesiástica, e não se pode cele­brar em público: missa em sufrágio de suas almas.
76 Os comunistas têm direito de divulgar suas doutrinas, de viva voz, ou pela imprensa, rádio e outros meios de propaganda?
           Não. Segundo a doutrina católica o erro não tem direito de ser difundido. Cumpre ao Poder Público proibir-lhe a propaganda.
XIV. O SOCIALISMO
77 Haverá outro meio de preparar os homens para o comunismo?
            Outro meio de preparar os homens para o comunismo é o socialismo.
78 Que vem a ser o socialismo?
            O socialismo é o sistema que professa que todos os meios de produção, de transporte, o ensino, a assistência, toda a propriedade, devem per­tencer ao Estado.
79 Para o socialismo, qual é o papel do individuo?
            Para o socialismo o individuo é meio e não fim da sociedade. Por isto o Estado deve se ocupar de tudo, e cuidar do indivíduo em todos os setores, deixando a este somente aquilo que o Estado mesmo não pode fazer.
80 Neste caso, o socialismo é o mesmo que o comunismo?
            Não. O fim de um e outro é o mes­mo o estabelecimento de uma sociedade sem classes, a abolição da propriedade privada e da inicia­tiva privada, e a entrega ao Estado de todos os meios de produção. A diferença está em que o socialismo procura alcançar estes objetivos com meios brandos, usando da propaganda doutrinária e  das eleições, enquanto que o comunismo prefere recorrer à violência. Os meios são diferentes, mas o fim é o mesmo. O socialismo é como uma rampa pela qual o mundo desliza suavemente da ordem natural e divina para o comunismo.
81 Há formas moderadas de socialismo?
            Há formas moderadas de socialismo. Tais formas existem sempre que se exagera, em medida maior ou menor, a ação do Estado, em detri­mento da iniciativa individual ou da propriedade privada.
82 Pode o católico ser socialista?
            O católico não pode ser socialista, porque o socialismo contradiz a doutrina da Igreja, que estabelece o seguinte princípio: o Estado existe para realizar as tarefas de bem comum de que nem os indivíduos, nem as famílias, nem as socie­dades intermediárias são capazes por si mesmos. Este princípio defendido pela  Santa Igreja, e de modo especial pelo Santo Padre João XXIII na Encíclica “Mater et Magistra”, chama-se o “prin­cípio da subsidiariedade”.
83 Que dizem os Papas sobre o socialismo moderado?
           Os Papas dizem que,  consistindo o socialismo, ainda que moderado, no exagero da ação estatal, é sempre condenado, porque incompatível com a justiça e a ordem natural estabelecida por Deus.
           Por isto disse Pio XI que o socialismo — mesmo quando moderado — “não pode conci­liar-se com a doutrina católica” (Encíclica “Qua­dragesimo Anno”).
84 Que dizer então do chamado “socia­lismo cristão” ou “católico”?
            O chamado “socialismo cristão” ou “socialismo católico” e uma aberração tão grande como se alguém falasse de um protestantismo católico ou de um círculo quadrado.
XV. A CONQUISTA DO POVO — AS ELITES E A MASSA
85 Qual a técnica que o comunismo usa para conquistar as elites?
            A técnica usada pelo comunismo para conquistar as elites consiste em promover o convívio e a colaboração delas com núcleos da seita. Os comunistas aos poucos as vão levando a pen­sar à maneira materialista. Levam-nas primeiro a agir como materialistas, para terminarem pensando como materialistas.
           Os comunistas usam também um processo de mudança da maneira de pensar, em geral sem dis­cutir, que denominam de “lavagem cerebral”.
86 Que meios usa o comunismo para conquistar as massas?
            Os grandes meios utilizados pelos comu­nistas para conquistar as massas são a revolta e as promessas. Pela revolta, o comunismo açula a classe operária contra os ricos. Pelas promessas desperta nos corações a inveja e a cobiça. Para conquistar as inteligências do povo usa da propa­ganda, menos para convencer do que para saturar os cérebros com as idéias que convêm ao Partido, e tirar as que lhe são contrárias. Ao Partido não interessa se a propaganda diz verdades ou menti­ras: o que interessa é martelar até que a idéia pegue.
XVI. OS PONTOS MAIS VISADOS; A REFORMA AGRÁRIA
87 Quais são os pontos mais visados pela seita comunista em sua campanha para domi­nar um país?
            Os pontos mais visados pela campanha comunista no primeiro período, que e o da des­truição da sociedade católica, são os seguintes: direito de propriedade, forças armadas, pátria, fa­mília, e sobretudo a Religião. Para quebrar todas as resistências, procura-se encher o povo de ódio contra tudo isto.
88 Que reformas o comunismo apregoa, para dominar um país?
            Para dominar um país o comunismo apre­goa a necessidade de várias reformas. A primeira é a reforma agrária, depois vem a reforma ur­bana, a comercial e a industrial, todas elas de caráter mais ou menos acentuadamente expropria­tório e socialista.
89 Em que consiste a reforma agrária que os comunistas querem?
            Os comunistas, tomando por pretexto a situação não raras vezes lamentável do trabalha­dor rural, e a conveniência de favorecer-lhe o aces­so à condição de proprietário, promovem o con­fisco das propriedades rurais grandes e médias. Desde que haja só propriedades pequenas, caem todas sob o controle absoluto do Estado.
90 De que maneira uma tal reforma agrária prepara a Revolução desejada pelo comunismo?
            De tal reforma agrária o comunismo tira diversas vantagens:
           a) ela destrói as elites rurais, coluna indispensável da ordem social;
           b) cria uma grande desordem no campo, com lutas, violências, homicídios;
           c) daí nasce uma grande penúria e grande fome no campo e na cidade;
           d) assim se enfraquece a nação e se leva o povo ao desespero. Com isto as resistências anticomunistas ficam prejudicadas, e o Partido pode dar o golpe da Revolução.
91 A Igreja concorda com uma reforma agrária que viole o direito de propriedade?
            A Igreja condena toda reforma agrária que não respeite como sagrado o direito da pro­priedade, seja do grande fazendeiro, como do pe­queno sitiante. Em ambos os casos este direito é sagrado.
92 Que reforma agraria a Igreja abençoa?
            A Igreja abençoa uma reforma agrária que atenda aos seguintes pontos fundamentais:
           a) respeito pela legítima propriedade, qual­quer que seja o seu tamanho;
           b) fornecimento por parte do Estado, de assistência técnica, social e financeira ao lavrador;
           c) colonização da imensa reserva de terras inaproveitadas da União, Estados e Municípios;
           d) concessão de crédito aos grandes proprietários que queiram dividir e colonizar suas terras;
           e) concessão de crédito a juros baixos e prazo longo, para os agricultores que queiram adquirir terras, montar suas fazendas ou sítios;
           f) assistência religiosa e educacional aos homens do campo;
           g) facilitar a formação de cooperativas agrícolas, livres, de iniciativa particular;
           h) facilitar o armazenamento e transporte dos produtos da agricultura.
93 A Igreja proíbe a expropriação de uma gleba para fins sociais?
            A Igreja admite a expropriação de uma gleba para fins sociais, mas com grandes cautelas:
           a) é preciso que se trate de alcançar um bem comum proporcionadamente grande, ou de afastar um mal proporcionadamente grande;
           b) é preciso que não haja outra solução que não seja dispor da gleba;
           c) é necessário que se tenha antes tentado, sem êxito, a aquisição amigável do imóvel;
           d) é necessário que o dono receba, no ato da desapropriação, e em dinheiro, o preço justo, correspondente ao valor real e atual do imóvel, seja esse valor grande ou pequeno.
94 Há casos especiais de desapropriação?
            Sim. Por exemplo, se a finalidade da obra a ser executada em determinada gleba o exi­gir, o Estado poderá desapropriar, além desta, as glebas vizinhas, a fim de que a obra aproveite ao maior número de pessoas.
XVII. O IDEAL DO COMUNISMO: A SOCIEDADE SEM CLASSES; O IGUALITARISMO
95 Qual o ideal remoto da sociedade comunista?
            A sociedade comunista ideal, diz a seita, será, depois dos horrores da ditadura do proleta­riado, uma sociedade sem classes nem proprietá­rios, onde todos serão iguais, todos trabalharão, cada qual segundo as suas forças, e cada um rece­berá da sociedade tudo o de que precisar. Será este o paraíso na terra.
96 Este ideal corresponde de Deus?
            Este ideal á oposto à vontade aos planos de Deus em pontos essenciais:
           a) Deus não quer que este mundo seja um paraíso, e sim um lugar em que ao lado de puras alegrias nós encontremos grandes sofrimentos, e assim, carregando a nossa cruz, nos santifiquemos. Nosso paraíso nos espera na outra vida.
           b) Deus quer que cada indivíduo procure o seu bem-estar por seu esforço pessoal, amparado pelo Estado, mas não substituído por ele.
           c) Deus quer que entre os homens haja de­sigualdades, as famílias formem classes distintas, umas mais altas que as outras, sem hostilidade re­cíproca, com caridade, e sem exagerada diferença: não deve haver alguns miseráveis, e outros exces­sivamente ricos.
97 Deus quer então que haja pobres e ricos, nobres e plebeus?
            Está de acordo com os planos de Deus que existam pobres e ricos, gente humilde e gente importante, mas baseada toda esta hierarquia na justiça e na caridade.
98 Qual a ultima causa da desigualdade entre os homens?
            A última causa da desigualdade entre os homens é a sua liberdade.
           Dada a natural desigualdade de talentos e virtudes entre os homens, estes só podem ser mantidos num mesmo nível econômico diante uma ditadura de ferro, que suprima toda liberdade e toda iniciativa.
99 Como se chama a tendência que leva o homem a odiar as diferenças sociais, a querer uma sociedade sem classes?
            A tendência que leva a querer que todos sejam iguais e a odiar as diferenças de classe cha­ma-se: igualitarismo.
100 Quais são os vícios que alimentam o igualitarismo?
            Os vícios que alimentam o igualitarismo são:
           a) a inveja, que não tolera que o próximo seja melhor, ou mais sábio, ou mais rico;
           b) o orgulho, que não tolera ninguém aci­ma de nós;
           c) a soberba, que não se conforma com os planos de Deus.
101 Que manda a justiça social?
            A justiça social manda que o Estado providencie que cada família possa conseguir por seu trabalho o necessário para seu sustento, educação de seus filhos e formação de uma reserva para o futuro, de modo que haja o menor número possí­vel de miseráveis, e os ricos não sejam demasia­damente ricos. Assim a sociedade será como uma pirâmide: com pessoas que vivem só de seu tra­balho, pequenos proprietários, pessoas remediadas, ricos, e alguns muito ricos.
102 A justiça social manda que todos sejam iguais em fortuna e posição social?
            Não. Que todos os indivíduos e famílias fossem iguais seria uma injustiça social, porque im­portaria na destruição da liberdade, da iniciativa privada e do direito dos filhos a herdar dos pais.
           A boa sociedade católica e humana é desigual, hierarquizada.

 D. Geraldo de Proença Sigaud



 oração a Nossa Senhora de Fátima Contra o COMUNISMO
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Ó Rainha de Fátima, nesta hora de tantos perigos para as nações cristãs, afastai delas o flagelo do comunismo ateu. Não permitais que consiga instaurar-se, em tantos países nascidos e formados sob o influxo sagrado da civilização cristã, o regime comunista, que nega todos os mandamentos da Lei de Deus. Para isto, ó Senhora, conservai vivo e aumentai o repúdio que o comunismo encontrou em todas as camadas sociais dos povos do Ocidente cristão. Ajudai-nos a ter sempre presente que:
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1 - O Decálogo nos manda "Amar a Deus sobre todas as coisas" "não tomar seu Santo nome em vão" e "Guardar domingos e festas de preceito". E o comunismo ateu tudo faz para extinguir a fé, levar os homens à blasfêmia e criar obstáculos à normal e pacífica celebração do culto.
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2 - O Decálogo nos manda "honrar pai e mãe" "não pecar contra a castidade" e "não desejar a mulher do próximo". Ora, o comunismo deseja romper os vínculos entre pais e filhos, entregando a educação destes em mãos do estado. O comunismo nega o valor da virgindade e ensina que o casamento pode ser dissolvido por qualquer motivo, pela mera vontade de um dos cônjuges.
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3 - O Decálogo manda "não furtar" e "não cobiçar as coisas alheias". O comunismo nega a propriedade privada e sua tão importante função social;
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4 - O Decálogo manda "não matar". O comunismo emprega a guerra de conquista como meio de expansão ideológica e promove revoluções e crimes em todo o mundo.
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5 - O Decálogo manda "não levantar falso testemunho", e o comunismo usa sistematicamente a mentira como arma de propaganda.
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Fazei, que tolhendo resolutamente os passos à infiltração comunista, todos os povos do Ocidente cristão possam contribuir para que se aproxime o dia da gloriosa vitória que predissestes em Fátima com estas palavras tão cheias de esperança e doçura:
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"POR FIM MEU IMACULADO CORAÇÃO TRIUNFARÁ"
(Com aprovação Eclesiástica).


terça-feira, 15 de março de 2016

Novo anticatolicismo o único preconceito aceitável !


Crucificação dos 26 mártires em Nagazaki,
5 de Fevereiro de 1597.

Esta é uma postagem para uma causa e para uma denúncia, um assunto delicado, mas que deve ser falado.
Com relação as mídias pode-se dizer que em muitas delas há o preconceito anticatólico. Mas eu ainda vejo isso em vários lugares como uma paranoia. Por vezes na ficção aparecem sacerdotes como vilões poderosos e muito bons de briga mais como uma ironia. Muitos destes personagens são até bem divertidos. Falar da Igreja Católica fascina muita gente, principalmente aqueles que pouco dela conhecem.    
            
Meme de Enrico Pucci, do mangá Jojo's Bizarre Adventure.

De acordo com o escritor Philip Jenkis, o Anticatolicismo é o último preconceito aceitável, e não há como contestar este juízo. A retórica anticatólica nunca foi reconhecida como sendo um problema social. Na mídia, o catolicismo é tema para sátiras, e programas de TV atacam opiniões, doutrina e líderes católicos. Tudo isto é apoiado na já manjada desculpa da liberdade de expressão. Mas a tal chamada tolerância para com a liberdade de crença não se aplica quando figuras católicas estão envolvidas. Um exemplo disso é o grande paraíso da liberdade de expressão chamado internet. Em sites, blogs, etc. é possível ver cada insulto, visão preconceituosa e opiniões ofensivas que as pessoas jamais sonhariam em falar de qualquer um outro grupo religioso, mas da Igreja Católica parece que se pode falar o que bem entender.
Atualmente isto é cada vez mais comum. Os ataques e ofensas que católicos do mundo inteiro sofrem, caso fossem dirigidos a outros seguidores de diferentes crenças, dariam o que falar durante anos e até poderiam destruir a vida da pessoa que os proferiu. Mas quando o alvo são os católicos, continua tudo numa boa. E ai de todos os católicos se algum criminoso declarar-se católico.
O anticatolicismo é bem definido como o "antissemitismo dos liberais" e é até visto como uma virtude, sendo amplamente tolerado e incentivado. Em alguns países, historicamente, padres e bispos ocuparam um lugar de destaque na ordem política e social, o que fez com que fossem os primeiros alvos do descontentamento popular. No imaginário anticlerical, o clero é frívolo, hipócrita, formado por pedófilos e déspotas megalomaníacos.
Na América Latina o anticatolicismo cresceu assustadoramente nos últimos anos e vemos semanalmente igrejas sendo profanadas, destruídas e incendiadas.
E, obviamente, um católico pode ser anticatólico. Um exemplo mais atual seria o famoso ex-frei Leonardo Boff.
Um professor de História que conheci quando fiz um cursinho para me preparar para os concursos públicos, anos atrás, revelou as verdades histórias, revoltando muitos dos meus colegas de classe que esperavam mais uma oportunidade para atirar pedras contra a Igreja, a qual este professor (sendo infelizmente um em um milhão) atribuiu a criação do Método Científico, as origens do Direito Internacional, a construção de hospitais e universidades, dentre muitas outras realizações que contribuíram para a construção da nossa Civilização Ocidental. 
As universidades, que foram uma das invenções da Igreja, ironicamente hoje são usadas como uma das formas para destruir a cultura católica. O clero preservou a cultura clássica e lançou importantes estudos para várias vertentes da Ciência e da Filosofia. A sugestão que dou para quem quer conhecer mais deste tema é a leitura de autores como Thomas E. Woods Jr. Vai ajudar muito a fazê-lo perder um pouco do seu preconceito, isto é, se quiser perde-lo.
Só mais uma dica: Seth Macfarlane, Leonardo Boff, Jean Wyllis, Luciana Genro, Opera Mundi, Yuri Grecco e Pirulla, Carta Capital, Gregorio Duvivier, Fabio Porchat e (claro!) Rede Record de Televisão não são fontes históricas!


 EIS AGORA UM PEQUENO RESUMO DO LIVRO DO  PROFESSOR Philip Jenkins:O Novo Anti-Catolicismo-O último preconceito

Limites do ódio

Católicos e o catolicismo têm recebido grande parte dos insultos na América contemporânea. No
entanto, a maioria dos responsáveis nunca se vê como intolerantes. Em 2002, o furor acerca do abuso
sexual infantil por parte do clero católico provocou uma avalanche anti-Igreja e anti-católica numa
escala nunca vista no país dede os anos 1920. Críticas sensatas e justificadas sobre o mau
comportamento de algumas autoridades da Igreja deram lugar para ataques grotescos à Igreja Católica
como instituição. Grande parte da mídia assumiu a definição de que a maioria do clero seria composta
por pedófilos e que deveriam ser vistos como culpados enquanto não provassem sua inocência.
Segundo Andrew Greeley, o anti-catolicismo é tão insidioso “exatamente por não ser conhecido, não ser
reconhecido, não explícito e rejeitado pela consciência”.
O autor descreve duas missas que foram profanadas: uma nos EUA e outra no Canadá. Na
primeira, um grupo de ativistas aidéticos interrompeu o sermão do cardeal O’Connor, jogaram as
hóstias no chão e gritaram palavras de insulto. Na segunda, feministas entraram na catedral de
Montreal e picharam slogans pró-aborto e espalharam preservativos pelo templo. No entanto, ambos os
casos tiveram pouca repercussão na mídia, o mesmo não teria acontecido caso uma sinagoga tivesse
sido invadida durante a celebração no dia do Yom Kippur, que logo seria taxado como “terrorismo” e
“crime odioso”.
O grande problema da abundância da retórica anti-católica está na ausência do reconhecimento
como sendo um problema social. Na mídia, o catolicismo é tema de sátiras, em vários filmes e
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programas de TV atacam opiniões, doutrina e líderes católicos. É legítima liberdade de expressão,
sátiras e brincadeiras que fazem parte da história americana. Mas o mesmo tipo de tolerância não se
aplica quando outras figuras estão envolvidas. Dar um tratamento cômico à Virgem Maria e ao papa
João Paulo II não tem a mesma reação ao se criticar a imagem de Martin Luther King ou Mathew
Shepard, o estudante gay que foi morto em 1998.
Na opinião pública, um discurso misógino, anti-semita ou homofóbico daria o que falar por anos,
podendo até destruir uma carreira pública. No entanto, o mesmo não acontece quando o alvo é o
catolicismo. Peter Viereck descreve o preconceito católico como sendo “o anti-semitismo dos liberais”.
Pouco se é lembrado dos milhões de católicos que foram mortos por nazistas ou daqueles que foram
perseguidos pelos regimes comunistas devido a sua fé. Enquanto o anti-semitismo é mundialmente
condenado, o anti-catolicismo é amplamente tolerado.
Uma das formas do anti-catolicismo é o anti-clericalismo. Em alguns países, historicamente,
padres e bispos ocuparam um lugar de destaque na ordem política e social, o que fez com que fossem
os primeiros alvos do descontentamento popular. No imaginário anti-clerical, o clero é frívolo, hipócrita,
formado por déspotas megalomaníacos. E, obviamente, um católico pode ser anti-católico. Um exemplo
foi o monge Martinho Lutero. O mais visível grupo que combate as diversas formas de desrespeito à fé
católica é a Liga Católica pelos Direitos Civis e Religiosos (Catholic League for Religious and Civil Rights),
inspirado na Liga Judaica Contra a Difamação (Jewish Anti-Difamation League). Sempre que uma figura
vai à público com um discurso preconceituoso, a Liga Católica protesta veementemente.
Nos anos 80, foram aprovadas leis em campi universitários que limitavam o direito de se criticar
certas minorias, em especial mulheres e minorias raciais. Entretanto, católicos têm recebido bem menos
proteção que outros grupos, como nos casos das profanações das catedrais de Nova York e Montreal.
Essas leis, ou a aplicação delas, simplesmente não reconhece o anti-catolicismo como um problema
social. A questão é que para muitas pessoas nos EUA – particularmente para os formadores de opinião
na mídia de massa e no mundo acadêmico -, o catolicismo não precisa do mesmo tipo de proteção que
outras religiões necessitam. Muito pelo contrário, para muitos observadores, o catolicismo,
especialmente a Igreja como organização, em si é um problema que se opõe ao progresso.
O conflito religioso é mais antigo, o anti-catolicismo tem sua origem nos anos 1850 e 1920, onde
muitos se opunham à imigração em massa e aos novos grupos que se estabeleciam no seio da sociedade
americana. No entanto, o anti-catolicismo moderno se difere do antigo por ser liberal/esquerdista.
Especialmente por grupos feministas e ativistas gays. Apesar dos novos imigrantes serem latinos e
asiáticos, católicos em sua maioria, o anti-catolicismo contemporâneo não se dirige contra os católicos
individualmente ou como grupo, mas contra as idéias e ensinamentos da Igreja.
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A ameaça católica

O catolicismo foi visto como algo anti-americano. Já no século XIX, os americanos acreditavam
que seu país fazia parte da providência divina, criticar a fé católica fazia parte do discurso, onde a Igreja
era vista com a “Grande Babilônia”. No entanto, muitas dessas idéias ainda sobrevivem através de seus
preconceitos. Podemos encontrar na própria Inglaterra protestante a origem desse pensamento, onde o
catolicismo era visto como uma força estrangeira que se opunha à liberdade (“conspiração jesuíta”).
Essa herança inglesa fez com que muitos americanos vissem que a América como incompatível com o
catolicismo e o catolicismo incompatível com a América. No século XIX e início do XX, as grandes
imigrações de católicos irlandeses, italianos, eslavos e alemães para as grandes cidades industriais só fez
aumentar a idéia de que os americanos deveriam competir por empregos com católicos estrangeiros
sem nenhuma assimilação com a América.
A partir dos anos 40, a esquerda americana passou a se opor ao catolicismo. A fé católica era
vista como um apoio a regimes fascista como o de Hitler e Franco. Também a oposição da Igreja à
maçonaria fez com que maçons se tornassem críticos ferozes da Igreja. Outra questão que incomodou
esquerdistas foi a ajuda financeira dada às igrejas paroquiais católicas, já que, em algumas regiões,
católicos eram uma parte considerável da população.
Católicos sempre tiveram liberdade política, desde que primeiro se vissem como filhos da
América. Para muitos, parece difícil que um católico possa servir um Estado estando primeiro submisso
aos ensinamentos de sua fé. Isso se intensificou num país como os Estados Unidos, de forte raiz
protestante, especialmente pelos católicos não se definirem como igreja, mas como a Igreja.
A questão sexual também é alvo do anti-catolicismo. Vida em família, sexualidade e relações de
gênero são vistos com desconfiança quando colocadas sob a ótica católica. No século XIX, o
confessionário foi muito atacado como sendo o local onde um sacerdote tem a oportunidade de seduzir
uma mulher casada ou uma jovem moça. Muitos protestantes acreditavam que a Igreja era hipócrita e o
celibato só servia para acobertar o comportamento depravado de feiras e padres, ou, também, a
pederastia e a homossexualidade de seus membros. No entanto, muitas dessas idéias sobrevivem no
século seguinte com a temática sexual, sendo sempre explorada pela literatura.
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 Católicos e Liberais

O sentimento anti-católico só aumentou ao longo do tempo. O próprio preconceito também
mudou. Algo que contribuiu para isso foram as mudanças dentro da Igreja. Se antes exista uma grande
unidade que se posicionava contra a intolerância, as divisões dentro da Igreja reduziram o senso de
confronto entre “católicos” e “não-católicos”, entre “nós” e “eles”. Como conseqüência, muitos dos
argumentos claramente anti-católicos passaram a ter um público também católico, dando à esta
retórica uma grande legitimidade.
Nos anos 60, muitos enxergavam a Igreja como sendo uma força de esquerda. Sua posição em
relação aos direitos humanos, dos negros, dos latinos, uma certa oposição em relação à Guerra do
Vietnã, fizeram com que muitos liberais a vissem como uma aliada, especialmente durante o Concílio
Vaticano II, que era visto como uma força liberalizante. No entanto, pode-se dizer que o ano de 1968
marcou o fim dessa lua-de-mel. Isso se deu pela publicação da encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, que
proibia o uso de métodos contraceptivos. Coincidentemente, no mesmo ano, a URSS invadia a
Tchecoslováquia. Os dois atos foram vistos como formas de totalitarismos. Muitos se perguntaram:
como um bando de velhos celibatários poderiam regular a vida sexual de homens e mulheres comuns?
1968 também foi marcado pelo movimento feminista e, no ano seguinte, pela inserção do
movimento gay. Em todas essas áreas (gênero, identidade sexual, liberalização), a Igreja Católica se
colocou no lado da tradição.
O Mito da Religião de Direita: na década de 70, diante dos avanços de leis que liberavam o
aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, vários políticos e engajados políticos católicos e
evangélicos se aliaram. Pelos próximos vinte anos, liberais e feministas identificaram seus inimigos sob
os termos de “Direita Religiosa” ou “Direita Cristã”.
Indiretamente, a Igreja Católica sentiu o caso político de Watergate. Na época, a imprensa viu
uma grande teoria da conspiração em várias instituições políticas. O Vaticano nunca foi visto como uma
instituição sinistra, porém, as coisas mudaram em 1978. Com a eleição do patriarca de Veneza Albino
Luciani como João Paulo I e seu falecimento um mês depois e a eleição de João Paulo II, sua morte
passou a ser o foco de uma teria da conspiração. A tese era de que Luciani teria sido assassinado por
querer realizar reformas liberais na Igreja. Críticos do novo papado (o de João Paulo II), tido por
conservador, abundaram, e grupos considerados tradicionalistas, entre eles o Opus Dei, passaram a ser
o centro de uma elaborada teria da conspiração. A falência do Banco do Vaticano, em 1981, só fez
aumentar o clima de desconfiança e toda uma literatura onde prelados eram retratados como
desonestos e corruptos começa a aparecer, como no filme O Poderoso Chefão III.
No entanto, a oposição por parte da mídia não seria tão abertamente expressa se as
transformações na Igreja não tivessem ocorrido. Antes de 1965, o conceito de fé católica era
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estritamente definido e claro. Durante os anos 60 e 70, um grande número de católicos dissidentes
surgiu, formando um grande grupo de pressão que francamente criticava a hierarquia católica, com
discursos liberais sobre gênero, sexualidade e moralidade individual. Nos anos 80, observadores
chegaram a chamar esse conflito de “Guerra civil católica”. Os próprios católicos estavam usando agora
a tradicional linguagem anti-papal, utilizando termos como Roma e Vaticano como símbolo da reação e
ignorância, questionando os posicionamentos católicos sobre concepção, aborto e celibato. A mídia
secular aproveitou sem escrúpulos essas oposições.
Seria fácil reconhecer uma igreja católica na década de 30: muitas imagens de santos, da Virgem
Maria e do Sagrado Coração de Jesus. No entanto, a partir da década de 60, cada vez mais se
abandonou a utilização de imagens e devoções, e as igrejas passaram a se parecer muito com
construções protestantes. Aquilo que diferenciava o católico do protestante foi sendo abolido, como a
Eucaristia, onde pesquisas recentes demonstram que muitos católicos americanos acreditam que seja
apenas uma representação do corpo de Cristo, e não o próprio Cristo, como diz a doutrina da Igreja.
Diante da ênfase no laicato, muitos passaram a rejeitar a figura do sacerdote, principalmente no
Sacramento da Confissão. Como conseqüência das deturpações dos ensinamentos do Concílio Vaticano
II, houve uma grande queda de ordenações sacerdotais e uma grande deserção por parte de sacerdotes
que abandonaram a batina para se casarem. Atualmente, existem mais padres na casa dos 90 anos de
idade que na dos 30. A vida religiosa feminina também passou por mudanças; muitas mulheres, diante
das mudanças sociológica, rejeitaram o ideal de celibato e clausura. Hoje, existem cem mil freiras a
menos nos EUA do que a 40 anos atrás.
As escolas e universidades católicas sempre foram locais que primavam pela cultura católica. No
entanto, com o passar dos anos, foram reivindicando cada vez mais uma maior autonomia acadêmica
em relação ao Magistério católico. Professores liberais e vozes que destoam das posições da Igreja eram
cada vez mais tolerados nas universidades católicas americanas.
Pouco depois da publicação da encíclica Humanae Vitae, o prestigiado teólogo americano Charles
Curran escreveu que católicos não deveriam obedecer ao pronunciamento papal. Suas opiniões foram
corroboradas por centenas de padres e educadores católicos. Outros grupos de pressão que se
denominavam católicos também se pronunciaram contra o documento. Como um ponto de vista pode
ser anti-católico se o próprio grupo se diz católico, tem a palavra “Católico” no nome e inclui em suas
fileiras de membros padres e freiras? Mudanças na Igreja americana fizeram com que se separasse a
hierarquia católica dos católicos comuns.
O conflito extrapolou as fronteiras da Igreja, em parte porque muitos acreditavam que estava em
jogo os fundamentos da liberdade acadêmica. Por outro lado, a Igreja insistiu que teólogos se
alinhassem aos ensinamentos do Magistério para poder lecionar teologia em institutos religiosos.
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Curran estava no centro desse debate. Uma parte extensiva da intelectualidade católica apoiou o
dissidente, incluindo alguns dos mais renomados teólogos. A “Guerra Curran” foi travada em plena
mídia secular, nos jornais e comentários televisionados, sempre apoiando a dissidência contra seus
superiores clérigos.
Quando uma crítica ou ofensa se destina à um bispo ou cardeal, muitos católicos não tomam
aquilo como ofensa pessoal. Quando o ataque se destina à questões de gênero e sexualidade, uma boa
parte verá nas críticas um reflexo de seu pensamento.
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A Igreja odeia as mulheres

Recentemente, em muitas ocasiões, as críticas feministas estão estritamente ligadas ao anticatolicismo.
A Igreja é vista como uma organização retrógrada, o papa João Paulo II foi descrito pela
auto proclamada feminista católica Joanna Manning como alguém que “tem promovido o sexismo num
nível de culto na Igreja”, onde a sansão e a discriminação da mulher são incentivados.
Para observadores com perspectiva histórica, falar que a Igreja é contra as mulheres chega ser
absurdo. Um dado visível é o grande culto que a Virgem Maria recebeu ao longo da História. Assim
como diversas santas da Igreja.
A posição tradicional do catolicismo providenciou uma arma importante para feministas e
reformistas liberais. Para feministas ou ativistas gays, a oposição é genericamente atribuída ao
estereotipo “Direita Religiosa”, um termo popular que conota ignorância, ser reacionário e hipócrita.
Como os líderes da Igreja são todos homens e o fato da instituição se recusar a ordenar mulheres,
parece ser uma forma de continuar a supremacia masculina enquanto que outras instituições sociais
abandonaram tal situação há décadas. Para as feministas, o anti-catolicismo é uma estratégia eficaz para
aumentar a ideologia no debate público.
O debate sobre o controle de natalidade: na América moderna, a suposta atitude da Igreja de ser
contra a mulher está frequentemente ilustrada na sua condenação à contracepção e ao aborto. As
atitudes católicas são mais distinguíveis porque a Igreja é, atualmente, a única grande religião ou corpo
cultural na América do Norte que se opõe à idéia de controle natalício (a visão católica sobre o aborto é
mais compartilhada).
A oposição da Igreja é vista como uma forma de escravizar os católicos subordinando o mais
íntimo de suas vidas ao controle do clero e da hierarquia. Outro fato que fez com muitos vissem a Igreja
como equivocada no que diz respeito à contracepção, foi o fator de superpopulação, e a Igreja, ao se
opor, estaria colocando em risco a sobrevivência humana.
A pílula contraceptiva popularizou o controle de natalidade nos anos 60, colocando a mulher
como sujeito do controle social. Um choque foi tomado com a encíclica Humanae Vitae, que foi
colocada pela mídia como um insulto às mulheres. Com o passar dos anos, o controle natalício foi sendo
cada vez mais aceito, fazendo com que os ataques das feministas fossem amplamente bem recebido,
especialmente pelos leigos católicos.
Aborto: mais uma vez aqui a Igreja é vista como inimiga da vida e da saúde das mulheres.
Durante muito tempo, ser contra o aborto era quase um consenso: todos o viam como um assassinato.
No entanto, tal visão começou a mudar nos anos 50, quando, nos EUA, tornou-se legal abortar em casos
de estupros, incesto e má formação do feto. A reivindicação foi sendo ampliada com os anos,
especialmente nos anos 60. Em 1973, três ativistas pró-aborto fundaram as Católicas Pelo Direito de
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Decidir (Catholics for Free Choice). Em oposição, a Conferência dos Bispos dos EUA lançaram, em 1974,
a Marcha anual pela Vida. Mais uma vez, o fervor religioso que se opõe ao aborto libera as abortistas a
se apresentarem como uma autêntica reivindicação social, advogadas de uma causa popular, da
liberdade individual e pelo secularismo público.
Ordenação de mulheres: nos anos 60, o movimento feminista conseguiu grande sucesso
removendo obstáculos estruturais no trabalho e no Estado. Nos anos 70, era de opinião comum o
pensamento de que “mulheres são inferiores” é que fazia com que fossem excluídas de altos postos nas
instituições. Gradualmente, muitas confissões cristãs passaram a permitir que mulheres fossem
ordenadas como clérigas ou episcopesas. No entanto, a Igreja Católica não se rendeu à pressão, mesmo
com o surgimento da Women’s Ordenation Conference (Conferência das Mulheres Ordenadas) e dos
resultados de pesquisas que mostravam um amplo percentual de americanos católicos que apóiam a
ordenação feminina.
O que livrou os católicos americanos de seguir denominações liberais do protestantismo foi a
dimensão global do catolicismo, o fato de sua autoridade residir em Roma e no papado. Em 1977, uma
comissão papal decidiu que o sacerdócio masculino representava a clara intenção de Cristo e da Igreja
primitiva. As decisões da Santa Sé fizeram com que católicas feministas radicalizassem seu discurso,
disseminando suas idéias em encontros, conferências, eventos, muitos desses promovidos por
instituições católicas. Diante do conflito, a Igreja foi taxada de antidemocrática, alienada política e
culturalmente, e, acima de tudo, misógina.
Guerra de Culturas: os ataques das feministas católicas se disseminaram já que eram pessoas
que se auto titulavam católicas. Em 1984, Geraldine Ferraro, católica, ao se candidatar, colocou suas
posições abortistas na pauta de sua campanha e foi criticada pela hierarquia da Igreja, que cobrou
coerência em suas opiniões. O jornal The New York Times publicou numa matéria uma crítica aos bispos
como se impusessem uma visão religiosa aos seus políticos. A linguagem sugeria que políticos católicos
podem ser tolerados desde que não tenham uma visão tão entusiástica de sua religião. A controvérsia
sobre o aborto foi publicada na forma de uma declaração da CFFC no The New York Times advertindo
que “a diversidade de opinião existe dentro do catolicismo”, o documento era assinado por freiras e
religiosos (o “Vaticano 24”).
A polarização ajuda a explicar a profunda hostilidade ao Vaticano, o que ficou evidente na
metade dos anos 90. No século XIX, o Vaticano era especialmente odiado por ser um Estado soberano,
fazendo com que os católicos estivessem vulneráveis como se estivessem numa lealdade divida: a pátria
original ou a espiritual. Durante os anos 1990, estes temas políticos estavam extremamente evidentes
devido a participação da Igreja em conferências e congressos internacionais que tratavam das mulheres,
o que naturalmente abordou questões como controle populacional, métodos contraceptivos e aborto.
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Em 1994, na conferência que ocorreu no Cairo, controvérsias surgiram em torno da expansão
populacional e contracepção, o que serviu de veneno para a plataforma anti-católica, com feministas
retratando a Igreja como a grande inimiga do progresso mundial e das mulheres, onde o papa e bispos
eram retratados em charges como fanáticos islâmicos.
Católicas Pelo Direito de Decidir: a organização CFFC tem muitas vezes servido de foco para
protestos feministas contra a Igreja, tornando-se o grupo com voz pública mais anti-católica. Para
muitos, se o próprio nome já soa como um absurdo, já que a o catolicismo declarou sua fundamental
oposição ao aborto, qualquer um que o defenda não se pode intitular católico. Sempre muito ouvidas
pela mídia, as CFFC é apresentada ao público como um grande grupo de pressão católico, de forma
respeitosa e simpática, como expoentes críticos liberais das posições da Igreja, enquanto que a própria
Igreja é apresentada como reacionária. A mídia, de maneira geral, tem aceitado de forma ampla o
discurso da CFFC como sendo o de milhões de liberais ou católicos esclarecidos que se opõem ao
obscurantismo da liderança católica.
Olhando para a Igreja das mulheres: Nos anos 70, feministas passaram a publicar trabalhos
acadêmicos onde colocavam sua visão de mundo, fazendo disso uma plataforma anti-católica e também
anticristã. Principalmente nas áreas de História e Estudos das Religiões. Estes estudos apresentavam o
machismo não somente como o resultado de preconceitos pessoais de líderes católicos e homens da
Igreja, mas como algo construído na estrutura da religião. A Igreja foi acusada de silenciar mulheres,
especialmente durante o cristianismo primitivo. Alegam que Jesus havia sido um protofeminista,
especialmente ao venerar Maria Madalena. No entanto, seus ensinamentos teriam sido deturpados por
São Paulo, dando uma visão machista e homofóbica. O apóstolo teria imposto sua visão obscura e
repressiva à Igreja nascente. Esta seria na realidade, uma conspiração patriarcal para reprimir as
mulheres, especialmente através do celibato e da autoridade papal.
A Era da Fogueira: Uma lenda que muitas feministas gostam de propagar é a da papisa Joana.
Segundo a lenda, uma mulher vestida de homem, teria sido eleita para papa e deu à luz a um filho numa
procissão. A lenda era uma piada de mau gosto criada no século XIII e mais tarde propagada por
protestantes como forma de invalidar a sucessão apostólica dos católicos. A história servia de pretexto
para mostrar a suposta hipocrisia da Igreja e reivindicar a ordenação de mulheres.
Entre outros crimes, a Igreja é acusada de ser culpada pelo massacre de milhares de mulheres
acusadas de bruxaria durante a “Era da Fogueira”, uma espécie de holocausto feminino. Alguns ativistas
acusam ser 9 milhões o número de vítimas; porém, historiadores argumentam que tenham sido menos
de mil ao longo de muitos séculos. De acordo com muitas versões da teoria da Era da Fogueira, muitas
das executas eram membros de antigos cultos pagãos, e o papa acabou por dar a “solução final”. Assim,
a moral católica é vista como uma continuação das perseguições que se deram no passado.
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A Igreja mata gays

Como a Igreja se coloca visivelmente contra a maioria das causas gays, isso se tornou um símbolo
de opressão, mas também de hipocrisia. Como a mídia tem se tornado cada vez mais simpática à causa
gay, a retórica anti-católica se tornou cada vez mais usual. Como disse o autor Andrew Sullivan, “a
maioria dos mais virulentos anti-católicos são gays”.
Igreja e homossexualidade: No Antigo Testamento, muitas passagens condenam as relações de
pessoas do mesmo sexo. Também nas Epistolas de São Paulo, homens que se relacionam com homens e
afeminados não entrarão no Reino dos Céus. Presume-se que essa também tenha sido a posição da
Igreja primitiva.
A oposição tradicional da Igreja em relação à homossexualidade acabou por gerar conflitos com
movimentos pelos direitos dos gays, que começou nos anos 60 e ganhou força na América entre os anos
80 e 90. Neste período, o movimento gay mudou substancialmente, passando da luta contra o
preconceito à uma busca pela igualdade entre as relações heterossexuais. No novo clima social,
qualquer sentimento que discordasse das reivindicações homossexuais seriam vistas como um
problema social. Legisladores passaram a restringir o sentimento anti-gay e suas palavras. A
aceitabilidade social pode ser vista nos filmes produzidos a partir da década de 80, onde gays são
retratados de forma positiva e os personagens que têm uma posição contrária aos homossexuais são
vilões cuja homofobia é normalmente expressão de uma psicose e obsessão religiosa.
Diante da problemática, algumas igrejas protestantes passaram a aceitar clérigos gays e a tratar
a condenação bíblica da homossexualidade como sendo algo do mundo antigo, assim como as
passagens da Bíblia que tratam da escravidão ou dos relatos que revelam uma visão pré-copernica do
sistema solar. Para esses grupos, relativizar a moral não é trair a fé fundamental. No entanto, dois
grandes grupos tradicionais na América do Norte rejeitaram a proposta de mudar seus ensinamentos
diante da revolução de atitudes. Uma foi a vertente evangélica ou fundamentalista do protestantismo,
que baseia seus valores nas Escrituras. Outro corpo religioso foi a Igreja Católica, baseada na Tradição e
nas Escrituras.
Nos Estados Unidos e na Europa, alguns teólogos foram silenciados desde os anos 60 por
adotarem uma postura tão liberal quanto algumas denominações cristãs. Um exemplo foi o grupo
“Dignidade”. Fundado pelo sacerdote jesuíta John McNeill, que foi silenciado pelo Vaticano em 1977, o
Dignidade se tornou influente nos escritos sobre homossexualidade. Com o papado firme de João Paulo
II, em 1986, a Igreja ordenou a McNeill a desistir de ministrar para o público gay, sob pena de ser
expulso da Companhia de Jesus, o que ocorreu no ano seguinte. Também no mesmo ano, o Dignidade
foi proibido de operar nas igrejas, uma prática que dava a impressão de que o grupo operava com
aprovação oficial.
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A Igreja é fortemente marcada pela obediência e, como uma instituição global, não segue
tendências particulares de uma determinada sociedade, clamando seus conceitos na concepção universal da
Lei Natural. Para a fé católica, a tendência homossexual em uma pessoa não é um pecado em si, no entanto,
a inclinação à pessoas do mesmo sexo é uma desordem. Ao mesmo tempo, condena qualquer tipo de
perseguição anti-homossexual ou violenta.
Uma área em que a Igreja se tornou mais controversa do que os evangélicos, é na questão dos
preservativos. Por ser contra o uso da camisinha sob qualquer hipótese, e, por pregar a castidade e a
abstinência, diante da contaminação de AIDs nos anos 80, a hierarquia católica passou a ser acusada de se
opor aos princípios básicos de higiene, contra a saúde, impondo um dogma irracional que custaria a vida de
milhares de pessoas.
O papa, junto com outros clérigos, são amplamente demonizados pelo público gay e feminista. Com a
vinda de João Paulo II aos Estados Unidos, protestos em Denver o aclamaram como “o maior homofóbico do
mundo”. Também o cardeal de Nova York, John O’Connor, era descrito como um “canibal gordo”. Sua morte,
em 2000, foi comemorada em um jornal lésbico.
Impedindo a Igreja: Mais sério que figuras gays carnavalescas que desrespeitam símbolos católicos
em paradas gays é o ataque frontal com a Igreja, em que as autoridades católicas são denunciadas
literalmente como assassinos. Assim como o movimento feminista, o veneno do anti-catolicismo gay deve
ser entendido em seu contexto de tática de retórica. Essencialmente, o movimento gay enfatiza diretamente
suas reivindicações como necessidades urgentes, uma forma de autodefesa. A mensagem é que os direitos
gays não são uma opção, mas algo essencial para salvar vidas. Enfatizar os crimes de ódio e a Aids, onde
vidas correm riscos. Políticas que vão contra suas idéias são vistas como inimigas e culpadas pela morte e
pelo ódio. O discurso é de que a opinião anti-homossexual não é somente errada e preconceituosa, mas
também nociva. Dessa forma, o Vaticano é visto como um incentivador da descriminação. Se alguém
acredita que a religião católica ou os ensinamentos morais estão tão intimamente envolvidos com a
violência, então, por mais conflituosos ou violentos que sejam, os protestos contra a “homofobia” são
justificados como uma forma de conter a violência e forma de autodefesa.
Diante das controvérsias de protestos contra o desrespeito de peças teatrais e outras manifestações
que desrespeitam a fé cristã, os argumentos nunca são vistos como legítimos, e o ato de protestar é visto
como manifestação de fanatismo cristão.
Como forma de invalidar o discurso que se opõe à luta gay, todo argumento contra é taxado de
homofóbico. E para ser homofóbico, sugeri-se que é um ódio a si mesmo, concluindo que todo homofóbico é
no fundo um homossexual que não se aceita. Se líderes religiosos se opõem à homossexualidade,
logicamente, é provavelmente uma contradição interna. Para Mark Jordan, autor do livro “O silêncio de
Sodoma”, “os maiores homofóbicos são clérigos que são gays”.
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Católicos e a Mídia de Notícias

Ao contrário de 50 anos atrás, temas anti-católicos estão amplamente presentes na cultura e
mentes populares. Para jornais e revistas, para a televisão e filmes, para maioria de livros publicados, a
Igreja Católica tem sido grosseiramente estereotipada como uma pública vilã.
Silenciando teólogos: A mídia tem demonstrado um forte ânimo contra a Igreja Católica quando
se trata de atitudes que regulem clérigos e professores que expressam opiniões contrárias à Doutrina.
Esses casos têm ocorrido com freqüência desde os anos 70. Ficou claro no caso do teólogo Charles
Curran, suspenso de ensinar teologia em 1986. Ao reportar o caso, Curran era retratado como um
dissidente, alguém que resistia à tirania. Por outro lado, as atividades da Igreja eram taxadas de
inquisitoriais e perseguidoras, onde disciplinar alguém lembrava o caso Galileu, ganhando a simpatia do
público pelo herói dissidente. A utilização da palavra ortodoxia indica intolerância e fanatismo e, no
contexto popular, heresia sugere independência de pensamento contra a obediência convencional.
Guerra das Artes: Grande parte da hostilidade da mídia ao catolicismo se tornou evidente com
controvérsias em torno das artes visuais, particularmente em torno de exibições denunciadas como
blasfemas e anticristãs. Qualquer exposição que atinja a sensibilidade católica é automaticamente
defendida como expressão artística e condenam-se as críticas feitas.
Muitos artistas têm por objetivo chocar o público com seus trabalhos artísticos e, inúmeras
vezes, chegou-se a criar trabalhos que desrespeitam grupos políticos e raciais, o que gerou protestos por
parte do público. Quando isso aconteceu, a mídia deu grande importância e as instituições artísticas que
expunham seus trabalhos tiveram que retirar as obras sem grandes problemas. O mesmo aconteceu
com uma exposição de ossos que pertenceram à indivíduos de tribos indígenas, expostos e considerados
um ato ofensivo para vários grupos nativos. Mais uma vez, a exigência foi atendida: a exposição foi
desfeita. Diante de tantas controversas, podemos concluir que o único grupo que não se encontra
protegido são os católicos.
Quanto mais os católicos protestarem contra o desrespeito à suas crenças, mais a mídia
apresenta o artista como um herói. Organizadores de exibições têm um vasto interesse nessa
publicidade controversa ao criarem exibições polêmicas; estariam perdendo muito se grupos religiosos
ignorassem a provocação. A aplicação das críticas é que seria cinicamente uma vantagem política (da
“Direita Cristã”), contra os defensores da liberdade artística.
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“O pervertido caminha no Sacramento da Perversão” A crise dos padres pedófilos

A longa hostilidade da mídia americana ficou claramente expressa em 2002, com aquilo que
ficou conhecido na nação como crise dos “padres pedófilos”. Até respeitáveis noticiários retrataram o
sacerdócio como estando infestado de pervertidos e molestadores infantis, tendo superiores e bispos
como cúmplices. Foi uma oportunidade para revisar antigos estereótipos anti-clericais e anti-católicos.
Algumas autoridades eclesiásticas responderam de maneira insatisfatória ao problema do abuso.
No entanto, a reação contra o clero veio de maneira desproporcional, sugerindo a existência de uma
criminalidade permissiva, que só pode ser entendida à luz do acúmulo de preconceitos, especialmente
quando se trata sexualidade e gênero. Com o anúncio do escândalo, dando um caráter totalmente
sensacional ao caso, o jornal The Boston Globe, colocou um telefone disponível para denunciar padres
pedófilos. Todo sacerdote passou a ser visto como um pedófilo, a hierarquia como uma rica e corrupta
instituição com o objetivo de encobrir os casos de abuso. Sair na rua de hábito clerical era se expor à
insultos públicos.
Quantos padres?: Um observador casual da mídia teria a impressão de que a Igreja é uma
instituição ligada a perversão, conspiração e criminalidade. A crise permitiu que o imaginário anticatólico
viesse à tona.
Outra questão foi a manipulação dos números de padres envolvidos em pedofilia. Alguns
chegaram a dizer que 18% do clero americano havia se envolvido com menores, enquanto que estudos
mais sérios apontavam para 1 ou 2%. Mesmo assim, nem todos os menores eram propriamente
crianças, já que muitos eram adolescentes.
Um problema católico?: Contradizendo o pensamento usual, não existe nenhuma evidência que
clérigos tenham uma maior tendência ao abuso do que grupos não-clericais que têm um contato com
crianças como professores, escoteiros, supervisores de colônias de férias. Mesmo olhando para o clero
total, o número de sacerdotes católicos não é menor (ou maior) do que entre pastores batistas,
mórmons, budistas, testemunhas de Jeová, devotos de Hare Krishna. No entanto, quando um caso nãocatólico
vem à tona, é tratado pela mídia como caso isolado, não como um problema institucional.
Nos últimos anos, tem sido retratado em livros, histórias e romances de jovens homossexuais
que iniciaram a sua vida sexual com professores do mesmo sexo. As obras são descritas como uma
“história de um amor gay” ou “o caso de um primeiro amor e iniciação sexual”. Normalmente, os jovens
retratados têm entre 16 e 18 anos e se envolvem com pessoas mais velhas. A questão é que, nesses
casos, não são usadas as palavras “molestado”, “pedofilia” ou “estupro infantil”. No entanto, ao relatar
o caso de padres com jovens da mesma idade, a mídia passa a utilizar de um vocabulário moralista em
que o sacerdote é o pederasta e o jovem é a vítima.
A mídia e os padres pedófilos: Uma charge num jornal de New Jersey trazia a mensagem de que
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terroristas, por sua natureza, atacam cidades; padres atacam crianças. Segundo a psiquiatria, um
sacerdote que abusou de um adolescente mais velho, pode ser tratado com sucesso com menor risco de
reincidência, portanto, o retorno à um paróquia não é uma decisão irresponsável. O fato da diocese de
Boston ter atuado de forma deplorável no caso do padre Geoghan (sacerdote que, ao longo de décadas,
abusou de crianças na várias paróquias em que atuou) não quer dizer que outras dioceses tenham agido
de forma desonesta ao enviarem outros padres ao serviço paroquial: algumas vezes foi uma atitude
errada, ouras vezes não. Seria injusto concluir que padres católicos sejam propensos à pedofilia e que
seus superiores são irresponsáveis como foi mostrado pela mídia americana.
Igualmente duvidosa é a ligação entre a má conduta de clérigo e o celibato, o que também foi
comum nas reportagens. A imagem do padre pedófilo é uma forte arma nas mãos de feministas,
abortistas, grupos gays ou qualquer um que se opõe aos ensinamentos da Igreja no que diz respeito a
moral e família.
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Católicos nos filmes e na televisão

Não é de se surpreender que o catolicismo tenha recebido um tratamento hostil nos filmes e na
televisão. Vários estudos foram feitos de como minorias são retratadas na cinematografia como latinos,
nativos americanos, asiáticos, homossexuais, judeus e assim por diante. Entretanto, católicos têm sido pouco
estudados, o que é contraditório com o grande número de imagens existentes nos últimos vinte anos. Nos
anos 40, o clero era retratado de maneira heróica e por grande atores como Gregory Peck e Spencer Tracy.
No entanto, com os debates dos anos 60, a imagem do catolicismo foi sendo mudada.
Desde o começo dos anos 80, católicos têm denunciado filmes e programas de TV por conteúdo anticatólico.
Em alguns casos, a charge era indiscutivelmente prejudicial, enquanto outras vezes, seria mais
questionável. Uma boa sátira não deixa de ser uma forma de debater posições extremas. Como disse G. K.
Chesterton, “um bom teste é saber se você faz uma piada sobre sua fé”.
Enquanto existe a grande preocupação de não ofender negros ou americanos nativos por parte de
Hollywood, o mesmo não acontece com o catolicismo. Em 1998, quando o filme The Siege mostrou a cidade
de Nova York sendo tomada por terroristas árabes, os produtores fizeram uma política junto a americanos
árabes e grupos islâmicos. No entanto, nada acontece quando se faz um filme sobre o catolicismo. Qualquer
consulta a autoridades católicas seria visto como uma forma de cesura e uma grosseira interferência da
religião na expressão artística.
Na televisão, shows de comédia também apresentam uma imagem anti-católica e estereótipos anticlericais.
Mais uma vez, sacerdotes são apresentados como depravados sexuais. No seriado South Park, no
episódio “Grande Gay” foi dito: “uh-oh, olhe em volta, todos opressores: cristão, republicanos e nazistas”.
Um programa de 1979 que exemplifica bem o preconceito existente é o “Sister Mary Ignatius Explains
It All to You” (“Irmã Maria Ignatius Explica Tudo para Você”), que recebeu grande atenção ao ser reprisado
na TV à Cabo em 2001. Na primeira parte, irmã Mary (interpretada por Diane Keaton) apresenta respostas
sobre fé, família, universo, pecado, sempre parodiando os aspectos da religião católica. Catolicismo, como é
sugerido, é para estúpidos, imaturos emocionalmente, repressores e fanáticos. Irmã Mary não acredita num
Deus “tolerante” e não entende a razão não ter aniquilado as “Sodomas modernas” (Nova York, San
Francisco e Amsterdã). Sua família inclui vinte e três irmãos, alguns padres e freiras e outros que são insanos
ou com retardamento mental. Sua mãe “odiava criança pequena, mas não podia fazer controle de
natalidade”. Na história, estudantes denunciam a freira por destruir suas vidas. Entre eles estão um
homossexual, uma mulher que havia abortado e uma mãe solteira. A mensagem é de que estes pecadores
são mais éticos, melhores seres humanos que a religiosa. O programa chegou a ganhar prêmios e foi
reprisado pelo canal diversas vezes. Críticos sugeriram que apenas os hipersensíveis é que não poderiam
assistir ao programa, elogiando o tipo de humor ali adotado. O caso “Sister Mary” nos faz questionar a razão
de se legitimar ataques ao catolicismo e reprovar quando se ataca raças, classes sociais ou grupos.


Lendas Negras: Reescrevendo a História da Igreja

Desde a Reforma Protestante, a escrita da História se tornou talvez a mais forte arma do arsenal
anti-católico. As supostas atrocidades e distorções têm se tornado best-sellers: Cruzadas, Inquisição, os
Borgias e Pio XII envolvem mais do que eventos específicos ou individuais; trata-se da memória coletiva
que evoca um profundo e hostil imaginário sobre o catolicismo.
Quando se comenta sobre supostos horrores do passado da Igreja, não estão interessados na
história eclesiástica, mas em polemizar. O historiador do início do século XVIII Edward Gibbon, ao
escrever os horrores da superstição monacal e da brutalidade das Cruzadas, estava tentando
desacreditar os sacerdotes de seu próprio tempo. Hoje, podemos observar o mesmo em debates sobre
moralidade e sexualidade.
Muitos dos autores da literatura anti-católica se definem como católicos, e que suas críticas têm
o objetivo de ajudar a Igreja. No entanto, as conseqüências dessas publicações são grandes. Quem
chega numa livraria e vê tantos títulos acusando a Igreja de atrocidades na conquista do Novo Mundo,
durante o Holocausto, acredita que o catolicismo carrega o peso da culpa por suas atrocidades
históricas.
Mas é preciso fazer uma distinção entre polêmicas e academia. Alguns autores sérios, alguns até
católicos e clérigos, escreveram sobre específicos pontos, como papas não muito santos ou sacerdotes
que almejavam apenas o poder. No entanto, quando o estudo está mais interessado em polêmicas, os
horrores são relatados como parte do sistema do catolicismo, sugerindo que a fé católica é baseada no
horror, na malícia e na violência.
Inimigos da Igreja moderna concordam com seus predecessores do século 19 de que a Igreja
Católica traiu as verdades apontadas por Jesus e seus primeiros discípulos, colocando no lugar práticas
opressivas herdadas do Império Romano. Feministas têm sido ativas nesse processo de reescrever a
história do cristianismo de acordo com suas estratégias ideológicas.
Um mito moderno é de que, um dia, existiu um nobre reformador religioso chamado Jesus de
Nazaré, que pregava a simples mensagem do amor acima de tudo. Porém, seus ignorantes discípulos
foram se afastando da mensagem original do Mestre e acabaram criando estruturas burocráticas. Daí
surge a Igreja Católica, que viveu seu apogeu na Idade Média, exatamente o ponto mais baixo da
civilização humana (“Idade das Trevas”). Para a Igreja, o importante era manter o poder e a riqueza,
custe o que custar. Qualquer pensador independente ou dissidente era tido como herege e passava a
ser vítima das brutalidades da Inquisição. Como resultado, o Cristianismo tolhia qualquer forma de
avanço social e intelectual por um milênio, até que alguns heróis rebeldes resolveram questionar o
monopólio da Igreja, resultando na Reforma, na Renascença e nas revoluções científicas.
O poder dessas mentiras não se encontra em apenas um artigo, mas num acumulativo retrato
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eclesiástico que emerge. E ninguém pode negar que certos fatos são verídicos: a Inquisição existiu, as
Cruzadas ocorreram, grupos de cristãos foram considerados hereges e algumas minorias foram
massacradas.
Outro mito moderno que tem repercutido muito recentemente é a origem do celibato.
Especialmente durante a crise aberta pelos abuso sexual de padres, a mídia noticiou regularmente a
idéia – também encontrada no imaginário popular – de que o celibato é uma imposição ocorrida no
século VII ou no XII, na Idade Média, era de bruxas queimadas, Inquisição e Cruzadas. Quando o termo
“medieval” é usado de forma favorável? Para muitos, as razões para a criação do celibato não são
espirituais, mas sim herança e poder. De acordo com o mito amplamente reproduzido pela mídia, a
Igreja só estava tentando garantir que os filhos dos padres não herdassem as terras.
Sabemos que a obrigatoriedade do celibato não era uma prática da Igreja primitiva. São Pedro
tinha uma sogra, alguns apóstolos viajavam com suas esposas. No entanto, o celibato é bem anterior a
Idade Média, se não, remonta à época dos apóstolos. Tal prática se tornou usual durante o fim do
Império Romano, por volta do século IV. É claro que existiram sacerdotes casados na Idade Média, assim
como encontramos padres molestadores hoje, o que não significa que, em ambos os casos existiu a
aprovação da Igreja.
Outro fato histórico usado para desacreditar o catolicismo são as Cruzadas. Mais uma vez, a
origem do preconceito se encontra no Iluminismo e que os tempos modernos adotaram o discurso. As
Cruzadas estiveram nos noticiários após os ataques terroristas de setembro de 2001, quando jornalistas
fizeram um paralelo com o moderno fundamentalismo islâmico. A sugestão é de que o cristianismo era
o pai do terrorismo moderno. Assim, surge o mito de que a ocupação islâmica era pacífica e respeitava a
pluralidade religiosa; enquanto que o cristianismo recusava qualquer outra religião dentro de seus
territórios. Em alguns locais, os mulçumanos foram realmente respeitosos com a diversidade, já em
outros não; até foram feitos progroms contra católicos e ocorriam conversões forçadas em territórios
ocupados originalmente por sociedades cristãs, sobretudo no Norte da África.
Inquisidores: Um argumento similar pode ser feito quando católicos são ligados à “Inquisição”,
que é apresentada como uma sangrenta polícia secreta. Nunca existiu algo como uma Inquisição de
forma abrangente, algo terrível e unida como NKVD ou Gestapo. É mais real pensarmos em inquisições
operando extensivamente em áreas numa grande descentralização. Algumas inquisições foram
altamente repressivas: a espanhola do período moderno é notória, mas a estrutura pioneira, originária
na França que combateu os hereges do século XIII, foi bem mais moderada.
Também o número das “vítimas da Inquisição” tem sido absurdamente exagerado. Alguns
autores, como o evangélico Dave Hunt, falam em centenas de milhares, outros falam em até milhões de
mortos. O número real é bem mais baixo. As maiores estimativas da inquisição na Espanha é de entre 3
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e 5 mil execuções em um tempo total de 350 anos.
De fato, antes do Iluminismo, todas as tradições religiosas agiram de forma semelhante quando
tiveram o poder de fazer. Sociedades islâmicas e nações protestantes, até as mais liberais como
Inglaterra e Holanda, agiram com violência em determinados períodos. Até mesmo no século XVII –
quando as inquisições estavam no seu auge – o Japão xintoísta/budista se engajava num feroz massacre
contra os cristãos. Em 20 anos, a perseguição religiosa japonesa matou mais que séculos de inquisição
espanhola.
Nesses outros casos, observadores modernos não vêem a violência como parte integral do
sistema religioso. A repressão nesses outros modelos é vista como acidental, esporádica, quando muito
um resultado social de tensões políticas. Acrescentando, regimes ateus secularistas têm sido
responsáveis por muito mais assassinatos do que todas as inquisições católicas somadas.
O papa de Hitler?: Muitos acusam a Igreja de ter sido fundada sobre o anti-semitismo, como se
Cristo e os apóstolos não fossem judeus. Nessa linha, líderes recentes são acusados de preconceito em
relação aos hebreus. Uma grande bibliografia foi editada nos últimos anos ligando a Igreja ao Nazismo,
especialmente a figura do papa Pio XII, pontífice entre 1939 e 1958, enquanto que livros que o defendem
são difíceis de encontrar nas livrarias. O termo “Pio XII” já se tornou um jargão do preconceito como as
“Cruzadas”.
Pio XII reinou num período conturbado da história européia e foi forçado a confrontar tanto
Hitler quanto Stálin. O pontífice denunciou as atrocidades, massacres e deportações em massa. Por
muito anos, existiu o consenso de que Pio XII fez o melhor que poderia ter feito naquela situação.
Sabemos que o papa apoiou espiões secretos contra Hitler e que nazistas planejavam seqüestrá-lo e
levá-lo para a Alemanha.
A oposição do papa a regimes totalitários – junto com sua indubitável piedade – fez com que
ganhasse muitos admiradores. O jornal The New York Times escreveu no Natal de 1941: “A voz de Pio XII
foi uma voz solitária no silêncio e escuridão que envolvem a Europa no Natal”. Pio foi defendido pelo
Comitê de Assistência aos Judeus e, em sua morte, a ministra de reações exteriores de Israel Golda Meir
falou que “quando o martírio veio para o nosso povo na década do terror nazista, a voz do papa estava
ao lado das vítimas”. Durante a perseguição, muitas igrejas serviram de esconderijo aos judeus. Tudo
com a aprovação de Pio XII.
Um silêncio nada santo: algumas das críticas à Pio XII dizem respeito de seu silêncio. No entanto,
durante os anos 30, Pio e o Vaticano acusaram os abusos do Nazismo em termos que nós associaríamos
à Winston Churchill. Em 1935, o cardeal Eugênio Pacelli (futuro Pio XII) publicou uma carta aberta
descrevendo os nazistas como “falsos profetas com a vaidade de Lúcifer”. Também em 1937, escrevia
outra carta onde condenava a “ideologia da raça”. Cópias de suas cartas eram levadas para a Alemanha
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para serem lidas nas igreja, enfurecendo o regime Nazista. Isso pode ser considerado silêncio?
Comparando com as atitudes das democracias do Ocidente na década de 30, Pio seria um herói.
Durante os anos de Guerra, o Vaticano se tornou mais cauteloso. Pio XII sabia que atacar
o Nazismo poderia provocar uma reação ainda maior contra os próprios judeus, contra judeus
convertidos e contra os próprios católicos. De certa forma, sua precaução foi justificada. Era visível que
os nazistas poderiam iniciar uma perseguição à cristãos ou católicos caso houvesse uma declaração
condenatória explícita vinda de lideranças religiosas. Em países católicos ocupados por nazistas como
Polônia, clérigos e leigos foram perseguidos e mortos.
Para alguns historiadores (Cornwel, Ketzer, Carrol, Goldhagen), anti-semitismo seria um valor
intrinsecamente católico. A Igreja seria uma instituição centrada na noção de que todos os judeus são
assassinos de Cristo. No entanto, esses acadêmicos se baseiam em fatos isolados e muitas vezes acabam
por distorcer os fatos, algo fácil de se observar quando o assunto é Pio XII.
Outro exemplo claro de falsidade intelectual é o livro “O Pecado Papal” (The Pope Sin), de Garry
Wills. O autor se considera católico, diz crer no Novo Testamento e se diz um seguidor de figuras como
Santo Agostinho e G. K. Chesterton. No entanto, a obra tem o objetivo de mostrar os supostos erros da
hierarquia católica, especialmente do papado. Wills acusa o Vaticano de cristianizar o Holocausto ao
canonizar santos como São Maximiliano Kolbe e Santa Edith Stein, recusando seu passado anti-semita
sob o papado de Pio XII. João Paulo II é apresentado como desonesto, tanto histórico quanto doutrinal.
O Concílio Vaticano II é apresentado como um período de iluminismo e liberalismo que acabou por
entrar em decadência e obscuridão sob João Paulo II.
Wills defende o fim do sacerdócio, o que ele chama de “mágicos da transformação eucarística”.
Em sua igreja ideal, mulheres seriam ordenadas, o celibato seria abolido, a supremacia papal acabaria. A
sucessão apostólica, a Imaculada Conceição e a Assunção, os ensinamentos da Igreja sobre a
homossexualidade são criticados. Em seu trabalho, Wills frequentemente se refere à Chesterton, um
autor que ele claramente admira como sendo uma autoridade no assunto. No entanto, a visão de
Chesterton, nessas questões, se aproxima muito mais do mundo intelectual de João Paulo II do que o do
autor da obra.

O fim do preconceito?

Quando assistimos um filme em que o vilão morre ou é destruído no final, sabermos que ele
voltará no próximo episódio. Assim é o anti-catolicismo: resistente e aparentemente indestrutível, com
uma grande capacidade de adaptação às circunstâncias. A Igreja continuará a ser retratada como
inimiga do progresso e da liberdade, padres molestam crianças, bispos odeiam mulheres e gays, a Igreja
sustentou o Holocausto.
Para se ter uma idéia, uma pesquisa recente demonstrou que a maioria dos americanos pouco
sabe sobre o debate a respeito das pesquisas com células tronco embrionárias. No entanto, a questão é
apresentada como sendo um debate irracional entre dogma católico versus saúde dos enfermos. As
questões são mostradas como bispos católicos contra advogados do progresso, da liberdade pessoal e
da separação entre Igreja e Estado.
Após o Concílio Vaticano Terceiro: Muitos imaginam um novo papa que dê início à mudanças
radicais que eliminem tudo que diferencie um católico americano de um não-católico. Como resultado
de um Concílio Vaticano Terceiro, a Igreja permitiria padres casados, ordenação de mulheres, o fim da
oposição ao aborto, contracepção e homossexualidade. A Igreja americana atingiria uma grande
independência em relação a autoridade romana. Assim, o anti-catolicismo terminaria, simplesmente
porque não há nada mais a que se opor.
O sentimento anti-católico está tão enraizado que é difícil eliminá-lo em uma década, o que não
significa que deva ser ignorado. O que deve acontecer é o reconhecimento de que é um preconceito tão
pernicioso quanto qualquer outro.

 OREMOS:

 Vinde espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e daí à minha alma o vigor necessário para resistir ao pecado e ao maligno.

Oração: Ó Deus concedei-nos o Dom da Fortaleza, para que desprezemos todo o respeito humano, fujamos do pecado, pratiquemos as virtudes da fortaleza com santo fervor e afrontemos com paciência e mesmo com alegria de espírito os desprezos, prejuízos e perseguições. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 


"ROGAI POR NOS SANTA MÃE DE DEUS,PARA QUE SEJAMOS DIGNOS DAS PROMESSAS DE CRISTO"